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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Steps

E a tarde foi ótima. Estiveram no dia de minha defesa pessoas que me queriam e muito queridas por mim. Sou mestre. 



Eu poderia escrever uma postagem inteira sobre como foi aquele momento. Talvez não. Naquele mometo da defesa, eu estava no automático. Como é costume em mim, as coisas foram aos poucos se sedimentando. Ainda não estou me sentindo 'mestre'. Talvez isso tenha acontecido porque foi tudo tão rápido, no fima das contas. Eu, naquela altura estava aflito com outras coisas especificamente relacionadas a minha 'nova vida'. Eu pensava, feliz, ter cumprido uma etapa e pronto para outra. EU PASSEI NO DOUTORADO. Soube disso ainda no processo de finalização da dissertação. Foi tudo muito corrido. Acabei o projeto, participei da seleção, fui avançando e CONSEGUI.


A etapa seguinte era para onde ir. Acredito que fiquei meio suspenso porque só consigo estar bem quando estou mesmo bem. Apesar de acabar uma etapa, faltava algo para seguir com o ciclo: aonde ir. A Colina nunca sairá de minhas lembranças, pois foi um laboratório, um mundo que não conhecia, que desejava desde muito tempo conhecer, mas ela passara: eu tinha que avançar. 

Esta foi uma das questões mencionadas há quase dois meses, data de minha última postagem. Desde então, vim correndo e me vendo tão 'cansado'. A palavra de ordem era 'cansado'... e de tanta coisa. A casa, enfim, consegui alugar e hoje estou escrevendo nela; mais exatamente, no meu quarto. Amanhã, retorno às aulas e sinto como se efetivamente uma nova etapa do ciclo se iniciasse. Hoje, inauguro, orgulhoso, o marcador 'doutorado'. Super!

Vez ou outra esboço sorrisos, dou piruetas: estou experimentando uma felicidade.

Mais isso é história mais para frente. Vou assistir 'A usurpadora'.

:)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Overreacting?

Hoje é a minha defesa de mestrado. Chegou o dia. Eu acordei cedo hoje, quando pensei que fosse passar boa parte da manhã na cama - para o tempo passar mais rápido. Eu não sei se estou me sentindo ansioso pela apresentação em si; na verdade, eu acredito que é o conjunto das coisas. Estou esperando a resposta da imobiliária sobre uma casinha que estou para alugar, cujo preço mensal foi o mais em conta levando em consideração a localização. Como as coisas nunca parecem ser tranquilas, tem um pormenor que não está me fazendo ter paz. Talvez nem tenha fundamento o meu medo, mas ultimamente não ando normal e isso está me fazendo perder o controle. Não me deixa bem a ideia de não ter lugar para ir - ou ter de incomodar as pessoas e me sentir incomodado por ser um 'corpo estranho' na rotina de meus/minhas amigos/as. Eu me sinto assim. Péssimo.



Poderia ficar falando mais sobre isso, sobre a questão da minha ansiedade e de seus porquês, mas hoje o dia é o da defesa. Hoje, finalmente, será encerrado o ciclo do mestrado, que começou tão bonito,que foi sofrido, mas que encontrou seu caminho. Queria estar mais tranquilo para escrever coisas bonitas, mas elas andam tão distantes de mim. Ainda assim, espero ter a oportunidade de escrever sobre elas, exorcizar esses pequenos demônios que não têm me deixado em paz.

Minha mãe está na casa da mãe de uma grande amiga e eu fico contente por isso, pois não estou nos melhores dias para ser companhia de ninguém. Ainda isso. Tudo e todos me incomodam de uma maneira intensa, contudo não acho justo descontar em outrem problemas tão meus: eu não explodo e, consequentemente, não me sinto bem com aquilo remoído dentro de mim, por isso queria apenas me afastar, recolher-me um pouco, descansar de algum modo. Mas onde? Sei lá... Aqui estou eu falando de preocupações outra vez. 

Acordei me ancorando em uma palavra de força e fui ouvir Whitney cantando 'Step by step'; com ela me senti melhor...



Preciso mesmo ouvir quem me diga que tudo dará certo, mesmo que eu não acredite. Ontem, estive com uma amiga de vida, que não poderá estar na minha defesa, mas que deixou de ir para casa depois do expediente de trabalho - que deve ser normalmente cansativo -  para me escutar falar sobre meu trabalho. Eu achei tão bonita a atitude. Eu me senti amparado e ela não sabe o quanto me ajudou. Eu posso dizer que tenho boas pessoas do meu lado, mas não quero entrar na vida delas mais do que é saudável para a nossa relação. Acho que é meio (ou totalmente) orgulhoso isso, mas, no fundo, é medo de perder essas pessoas iluminadas. Durante esses últimos dois anos conheci gente muito podre, vampira e isso me afetou tanto... Eu, de fato, preciso me recuperar de todo esse lodo que respingou em mim. Às vezes penso que isso possa ser atitude de menino mimado, ou seja, quando as coisas 'apertam', de fugir; por outro lado, tento me entender: tudo que tem acontecido é tão novo para mim e, feliz ou infelizmente, não consigo ser um super-homem. A situação me dá medo e o medo também salva. Ademais, quem realmente sabe de mim sou eu. Preciso me recolher para recobrar as energias, pois sei que, se as coisas estão difíceis agora, em algum momento, outras melhores virão para que novas não tão boas voltem a acontecer e que eu,  assim, consiga superá-las. Acho que é algo inerente à Vida. Como essa amiga me mostrou ontem, é preciso esperar e confiar na Luz. Apesar desses tempos aparentemente não tão claros, sinto e vejo que não estou sozinho: o escuro não é tanto assim e, apesar do meu medo, conseguirei superar.

Mas hoje é a minha defesa e, sobre ela, não há mais o que fazer a não ser ir lá, falar e ouvir.

Que eu tenha uma tarde boa.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Enquanto isso

2013. 18 de fevereiro. Faltam três dias para o encerramento de um ciclo. Eu pensei que estivesse levando mais tranquilamente a situação, mas hoje vi que não. Tem mais de seis meses que não escrevo aqui. Isso me fez falta, muita mesmo. Bastantes coisas aconteceram, e elas foram importantes, mas acabaram engolidas pela minha missão de encerrar o mestrado: eu precisava escrever a dissertação. Eu me desconectei muito seriamente.

Mas, enquanto isso, o globo terrestre girou. E tantas coisas chegaram e passaram. Neste momento, depois de acabar de acordar, assumo: estou cansado. Cansado de um modo que não me lembro de ter estado há tempos. Não suporto intensamente as coisas e pessoas - que talvez tenham entrado no balaio de pressões que se tornou a minha vida nos últimos tempos. Não estou triste ou reclamando, pelo contrário, encerro uma fase na qual aprendi muito: foi para isso mesmo que saí de casa, para aprender e me ver e me decidir sobre quem ser no mundo; eu sinto que isso está se consolidando. Uma flor nascida do esterco.

Minha mãe chega a Brasília hoje. Eu estou tentando fechar uma negociação de aluguel. Quinta-feira é o dia da minha defesa de mestrado. Será uma semana cheia, marcante pela natureza de fim, contudo de começo(s) também. Eu me sinto muito ferido, necessitado dos/as meus/minhas amigos/as, daquela minha vida boboca de Aracaju; continuo pensando que falar essas coisas para as pessoas próximas a mim pode soar lamentoso, por isso me sinto tão estranho, não me sinto à vontade de falar com gente que aprecia passar o tempo falando de outras... por isso precisava voltar aqui. Nesse espaço escrevo para o mundo, mas tão para mim, este 'eu' tão cansado, mas que não pode parar.

It's a new dawn, it's a new day...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Nova temporada

Pois bem, é a última semana em Aracaju. Até aqui, já encontrei as pessoas da minha vida; saímos, conversamos, rimos, enfim, reencontramo-nos em vários sentidos. Tudo o que aconteceu me fez perceber o quanto sou afortunado por ter gente essencial do meu lado. Claro que observei também como o tempo passa e as coisas mudam: as pessoas, os papos, enfim, todos estamos diferentes. Ainda sigo com aquela mania minha de sempre me comparar, querer estar melhor do que estou, no entanto essas questões me fazem pensar o quanto é forte para mim vir e estar em Aracaju, pois aqui fico mais reflexivo, o que me torna mais desejoso de avançar. Definitivamente, este é o lugar que eu amo estar, as pessoas daqui são tão familiares a mim. Apesar da percepção de estar criando visões idealizadas da capital - que continua com problemas e até outros mais -, eu adoro estar aqui, andar de bicicleta, ver a gente passando, as crianças se arriscando e ouvindo o grito das mães - hahahaha! -, em um fluxo de gente lutadora. Esse cenário a alguém que, como eu, está longe do seu círculo parece o lugar mais formidável e perfeito para criar raízes. 

Meus amigos que me veem e me admiram - e que recebem de mim o mesmo em retorno - estão aqui. Eu tenho bons amigos. Eles são diferentes entre si, mas trazem essa coisa que não se explica dos que vivem aqui, que trazemos traços fortes dos pais de um modo mais tradicional de ver as coisas, mas, ao mesmo tempo, aberto ao novo. Eu mesmo sou assim, mesmo criticando e lutando contra aspectos retrógrados que encontram ninho nessa minha terra, dada a tradição aqui ser muito forte. É um aspecto agridoce de viver na linda Aracaju.

Toda essa história é para tocar no assunto do que venho chamando de 'última temporada' do mestrado. Quando voltar a Brasília, tenho de fechar a dissertação e tentar fazer isso antes de outubro. Sim, infelizmente, terei de me focar em prazos. Estou algo contente porque, finalmente, tenho um projeto de vida calculado na minha cabeça e motivador de ações. É muito bom porque agora terei de batalhar com um objetivo em mente, o que ajuda bastante a traçar esquemas e assumir riscos. Eu tenho me visto como alguém esforçado, entretanto é necessário que eu faça mais nesse sentido para conseguir as coisas. A despeito da minha característica de pessimista, noto que acredito nesses planos e, mais importante, acredito em mim. Acredito sim. Agora está registrado. 

Hoje é quarta-feira e não sairei de manhã, portanto adiantarei coisas do meu texto e demais obrigações. Trabalharei nisso com atenção, mas não quero ficar louco: não deixarei de viver e aproveitar a minha vida e os meus amigos para 'capitalizar'. Confio em mim e sei acredito que as coisas acontecem no tempo que têm de acontecer. Não é para ser preguiçoso, mas também não vou deixar de sair e ver o céu para escrever feito um descontrolado. O tempo passa rápido e, assim, vem o verso: "Então é Natal, e o que você fez?" - hahahaha! São coisas assim que preciso conciliar para ser bem sucedido no que intento. No momento, eu não estou em um patamar que considero desejável, mas tendo em vista o meu projeto, entrarei nele e conseguirei. Eu conseguirei tudo o que eu quero. 

Enfim, agora irei trabalhar, organizar as minhas pendências. Estou indo rumo a uma nova temporada. Vai bombar!

sábado, 21 de julho de 2012

Adoro

Mais um sábado. Eu adoro. Hehehehehe! Comecei o meu de hoje bem: ouvindo Frozen, I Guess that's Why they Call it the Blues e Danny Boy. Super. (Começou a tocar Warning Sign...) Espero que hoje será um daqueles sábados só feitos para mim, ou seja, quando não preciso sair, perder noite etc. Ai - pode soar blasé, mas -, isso tem me cansado... Hoje eu quero ficar em casa, ouvir, talvez, Fausto, talvez, Orpheu, ou, dependendo do meu humor, O Barbeiro de Sevilha. Não sei. Não sei. Não sei. E eu adoro. Adoro essa sensação de que não há propósitos fixos para o dia,  que o tempo está congelado e simplesmente dependente do que eu queira fazer. É esquisito; é gostoso; é a minha vida hoje, agora.

Esta semana foi bem cheia. Eu comecei coisas e terminei outras. Eu briguei. Eu fiz as pazes. Tive boas surpresas e o saldo foi positivo. Uma das coisas que mais me deixou - não sei se - contente (talvez, mais aliviado) foi ter iniciado a finalização de parte da minha dissertação. Sei que isso provavelmente corresponda a um quinto de todo o trabalho, mas, de qualquer forma, já é uma etapa em vias de finalização. Quero agora me deter completamente à conclusão do texto da pesquisa. Tem o lance do doutorado também. É uma coisa que evito ficar pensando constantemente, mas que, por isso mesmo, tem estado na minha cabeça, no meu cotidiano, sempre trazido pela boca de pessoas e por conseguinte reinstalado na minha mente. Eu, que já sou bem paranoico com certas (ou muitas) coisas, querendo não me desgastar com velhos demônios: P-I-A-D-A. O fato é que prefiro não pensar - quando me dou conta de que estou começando a fazê-lo -, pois tenho coisas para fazer atualmente, e bastantes, por sinal. Desse modo, a lógica se mostra diante de mim  erguendo em seu estandarte um "vamos fazer bem feito o que temos NO MOMENTO". Eu adoro. Adoro quando as coisas se acertam e seguem harmoniosas rumo a uma conclusão. Sei, uma piada, e bem perigosa. Eu tenho, assim, que aprender a rir mais dessa 'piada', senão vou me foder bonito. Engraçado. È strano! È strano!

Outra coisa da semana digna de registro foi uma briga boba que tive aqui em casa. Eu não discuti nem nada, mas foi aquela coisa psicológica, guerra fria total, uma coisa que, basbaque, percebo ter herdado da minha mãe. Dela. Incrível como eu sou a minha mãe. Eu sou a minha mãe. Engraçado. Em dado momento, quando da reconciliação com o amigo, percebi em mim a reapresentação de uma cena comum entre eu a minha mãe e a minha irmã nos tempos de nossa primeira juventude. Isso me faz pensar no início da música Grey Gardens: "It's very difficult to keep the line between the past and the present...". Strano! Precisei estar longe, ou melhor, de fora para perceber o quanto sou parecido com a minha mãe. Isso me apavorou de alguma forma, pois eram justamente coisas que eu censurava intimamente, uma vez dentro de casa, observando as coisas todas à minha volta. Só sei que isso foi uma espécie de ápice de psiquismo, o qual vinha sendo ativado desde a semana retrasada, quando participei de certo final de semana de proposta poética, lírica, de transformação - agora penso -, whatever.

Olhos d'Água em Enguiço [julho de 2012]

Eu aprecio a ideia da mudança, da tal transformação; desse modo, aceitei; fui crente ao sarau metamórfico. Uma decepção para mim. Foi tudo e exatamente o que se espera de um sarau convencional (não suporto essa palavra, registre-se): pessoas bebendo vinho, comportadas nas leituras de seus textos selecionados, à beira de uma fogueira parruda, com músicas algo comuns, em uma noite apropriada, na qual todos nos incensávamos uns aos outros pelas escolhas literárias. Aff! Eu me senti tão no mundo, com as suas costumeiras convenções e regras. Eu me senti na semana. Foi a reafirmação da praxe. Não gostei disso.  E quanto ao meu plano mais secreto de fuga? Silêncio. Ando em uma vibe, nesta fase da minha vida, de querer aproveitar todo e qualquer tempo, assim, ter contato com momentos aos quais - aqui, sendo político - eu já tenho alguma familiaridade, ou que são, de algum modo, previsíveis, tem me interessado pouquíssimo. Para falar a verdade, se houver a possibilidade de arbítrio, não os quero mais. Eu fico cismando sobre coisas do tipo 'pensar sobre é mais fácil do que agir', a repousar no maravilhoso campo das ideias. Depois me absolvo. Eu me absolvo tanto porque me acuso muito. A bem da verdade, tenho tentado me absolver mais, sabe. Creio estar caindo na técnica. É necessária a paz. Sobre pensamentos e idealismos, vejo com alguma constância casos de pessoas que 'agiram' e não pensaram nas ações que desempenhavam e acabaram por se perder dentro da engrenagem. Idealistas, a nós eu escreveria outro texto, mas a ação orienta ao processo de ver como posso adequar pensamentos e ações dentro dessa engrenagem. Pelo menos, nisso eu posso considerar escolher o que fazer, quando fazer e com quem fazer. Liberdade - lindo, lindo conceito. Mas, no sarau, nem tudo foi frustração, claro, pois, mais uma vez, a música me salvou. Tive contato com LP's incríveis, revivi uma fase de vida ora rarefeita. Foi bom, foi muito bom, aliás. Adorei.

Daqui a pouco irei tomar banho. Isso para me dar coragem para fazer as malas. Felicidade - linda, linda palavra. Voltarei à minha doce e quente Aracaju. Que saudade da minha casa, da minha mãe e da minha irmã. Da minha família. Quero muito vê-los, porém, antes, terei uma estada de oito dias em Salvador, meio a trabalho e meio de férias. No entanto a cereja do bolo é a minha casa, a minha terra, os meus amigos. Como estou inspirado. Eu adoro.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Replicante

"É realmente isso o que você quer, Pablo?" - A pergunta. Ela foi feita ontem, e, surpreendentemente, não foi por mim mesmo. A minha cabeça, às vezes - ou melhor, às noites -, dorme com esboços dessa questão (que, se custo a pegar no sono, deslindam-se em momentos assustadoramente líricos), contudo, no dia seguinte, sob o Sol da manhã, a Luz vaza para a minha mente, fazendo com que eu, por conseguinte, esqueça e 'acorde para a vida'.


Hoje é mais um daqueles dias em que 'acordo para cuspir' (minha mãe falava essa expressão tresloucada para mim, lá em Aracaju). Eu sento em frente ao computador com a missão de fazer uma parte sempre essencial do meu trabalho de investigação. Pausa dramática. Lendo o período anterior, vejo que ele soa enfadonho, no entanto o que é o cotidiano senão monótono. "Poderia eu fugir disso?" (Réplica esquizofrênica) Não. Ah! E se for drama, cabe a definição, visto confirmar (e relembrar) a outra parte da dicotomia da comédia que é viver. Eu sei dela. Dói, entretanto eu também sei que todos nós vivemos de papéis. 


A pergunta de ontem foi em relação a isto: a infalível e massacrante obrigação de materializar o Futuro. Futuro, um dos demônios que me perseguem.  Foi uma pergunta cruel na sua ingenuidade.  Eu, logo nesse momento, em meio a sessões de filmes de Bergman. Perigosíssimo. Acho que acordei com vontade de escrever porque me senti atingido por 'Depois do ensaio' e a estranha contiguidade da obra de 1984 com a pergunta de ontem. As falas da película, jogando na cara de todos a complexidade de ser socialmente, a nossa vaidade e o grau de mediocridade a que se pode chegar, enfim, a urgência de atuar. Verdades que eu e a população mundial douta ou instrumentalmente sabe. Eu sou ciente da minha suscetibilidade exacerbada a algumas coisas, mas a pergunta me deixou bastante estranho. Enquanto isso, 'acordar para cuspir', o computador e o meu trabalho de investigação se perdem nas minhas conjecturas tão fiéis.


Tratando mais especificamente da interrogação - a despeito de ter disparado uma réplica verdadeira -, ela se relaciona basicamente a tudo o que escrevo: o não saber. E, aqui, não estou usando de sofismos. Claro ficou, claríssimo está, para mim, que a pergunta não teve conotação direcionada à produção de concepções existencialistas, pelo contrário, eu acreditei nela porque percebi, e percebo, a sua coerência dentro de um contexto que a sustenta, que a impeliu a ser - como nós linguistas dizemos - enunciada. Contextos e conjunturas. Sobre isso, eu nem quero mais pensar (e divagar) tanto. O transporte para outras questões mais amplas feitas por mim, aqui, pode se dever, em parte, à exposição a Bergman, bem como ao meu constante ofício de ser o inquiridor de mim mesmo. Quero dizer, é comigo; sou eu. Ponto. Traços de egoísmo. O atingir de uma pergunta como a que abre este texto traspassa quem a fez, onde foi feita e as questões que a derivaram. A minha resposta para ela, talvez uma mais real, é um rotundo eu-não-sei. Quiçá nunca, jamais o saiba. Porque por não saber é que estou aqui, é que, por exemplo, este blogue existe. Quero dizer mais: para quem se sentir outro, alheio a estas palavras que me revelam, desconsiderem tudo; tudo; apeguem-se ao que mais lhes aprouver ou for de necessidade, eu ligo pouco para isso. Escolham a personagem que melhor satisfaça projetos e planos. A minha personagem social trabalha a covardia como uma das matérias-primas para atuar. Ajo, portanto, de modo inofensivo. Eu ofereço a personagem sem queixas, porque ela é o meu mal mais necessário.


Tudo isso pode abrir espaço para sentidos de laconismo, mas acontece que, ontem, eu fui dormir pensando sobre mim, sobre o/um mundo pesado de coisas. Hoje, no banho, lembrei da questão-ultimato, no momento da revelação, em frente do espelho. Imenso e infindo espelho. E aí? "É você, Pablo" - pensava. Sim. Sou eu. Eu só.


Então, para terminar isso aqui - pois preciso trabalhar -, penso que não se deve perguntar coisas assim a qualquer pessoa, a qualquer tempo, de qualquer modo. Mesmo simbolizando algo de cumplicidade, se assim for feito, as respostas poderão ser réplicas. Eu, aliás, poderia - talvez, deveria - ter solicitado uma semana para responder, mas cada vez mais sinto e vejo que não há tempo, não temos tempo. Nenhum de nós. E já que preciso dar réplicas, sabendo que o faço e sendo do jeito que sou, preciso de espaços para digerir o que roda a minha cabeça, a qual sofre e pende para uma covardia legitimada. Assim, eu preciso parar, respirar. Acho que Bergman não está me fazendo 'bem', e eu nem assisti ainda a 'Persona' e a 'Sétimo Selo'.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Je suis blasé, mon Dieu?!


E junho chegou. Sim, o meio do ano. Hoje é sexta e, para variar, estou meio estranho. No fundo, eu acho que ando me sentindo assim porque estou em uma rotina. Hoje, caminhando, vinha cantarolando: "Todo dia ela faz tudo sempre igual...". Talvez eu odeie rotinas; talvez eu já esteja acostumado a elas, eu não sei. Eu não sei! Já estou falando nulidades.

O que quero mesmo dizer é que às vezes fico de saco cheio. Saco cheio porque eu sempre espero mais de tudo, e, claro, eu estou incluído nesse "tudo". Eu queria, neste momento, estar em Aracaju, com os meus amigos, pensando sobre coisas do mundo de modo filosófico, depois entrar no meu carro, passear na orla até altas horas e planejar secretamente coisas para fazer com a minha mãe, com meu pai e com a minha irmã; coisas que nos fizessem estar juntos, percebendo o quanto somos abençoados por estarmos unidos e cientes de que nos amamos e nos entendemos por sermos tão parecidos.

Pode soar contraditório porque eu adoro dizer por aí que saí de casa 'para ter uma vida', mas tem momentos em que eu canso dessa brincadeira de 'ter uma vida'. Eu também sou consciente de que isso o descrito acima talvez seja um ideal, mas não tirei isso do nada. Por que essas coisas não poderiam acontecer? Não que elas sejam impossíveis e tal, contudo parecem tão distantes. Além do mais, tem eu com o meu grande problema com o Tempo. Cada dia que passo aqui em Brasília é menos um com a minha mãe, é menos um na minha cidade e, consecutivamente, é mais um em que aprendo a ser blasé com as pessoas -  como em uma espécie de defesa a qual considero ser necessária para seguir nesse mundo super esquisito. Dia desses, li uma reportagem sobre uma dessas personalidade da mídia que havia sido diagnosticada com lúpus. Ela dizia se sentir mal porque sempre se considerou independente dos demais e ao se ver precisando de ajuda para fazer coisas não mais se reconhecia. Isso me atingiu. Estou seguindo nesse caminho perigoso, sinto. É extremamente triste, mas o que fazer quando você dá bom-dia a uma pessoa e ela nem olha para você? ou quando você é quase atropelado na faixa, mesmo sinalizando a intenção de passar? Eu ando muito desconcertado com certas coisas do mundo. Sei que muitos poderão vir com o papo de que nem todos são assim, mas POR QUÊ esses demônios malditos existem? Enfim, é uma longa história, que não poderei contar porque tenho de ir dormir para amanhã cedo estudar.

Acho mesmo que estou cansado, mas quem liga muito para isso, né! Ele, o Tempo - digamos também assim - nem quer saber disso. Eu fico aqui tentando ver um jeito de não ver a sua força, mas é impossível. Logo vêm os prazos. Ah! Eu entrei na academia, para ver se me distraía um pouco... mas isso é outra história. Como já disse, não há mais tanto tempo para falar dessas coisas minhas.

Na semana retrasada, eu soube que uma pessoa que eu gostava e respeitava muito tinha morrido de câncer. E eu nem consegui fazer uma homenagem, um texto, como antigamente, sabe... Fiquei hiper mal porque isso demonstra como anda a minha vida. Parece que sigo no caminho certo para 'ter uma vida', uma minha, que não se importa de mais com os outros. Eu não sou mais nesse tempo que ando vivendo. Que triste, mas tenho que ir dormir.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

I Will Survive (num Trem para as Estrelas)

São sete horas da manhã. Poderia ser aquela música cantada pelo Cazuza, mas da minha janela não vejo o Cristo. Eu falo com ele, na verdade. Peço-Lhe calma. Peço-Lhe paz de espírito.

Ontem, eu explodi. Estava indo dormir cedo - depois da novela das sete -, quando, já prestes a lavar os pratos do meu jantar, percebi que o meu celular novo não estava reconhecendo os fones de ouvido. Eu só sei fazer as coisas ouvindo música. Eu estava já fazendo os planos para esta sexta-feira; pensava: "Amanhã, conseguirei ler, ou melhor, escrever alguma coisa para a minha dissertação. Com mais algum esforço, ainda concluirei as pendências, pois não haverá os mesmos empecilhos que se apresentaram durante toda esta semana. Para isso, acordarei bem cedo". Esse lindo castelo em construção até o aparente defeito do meu aparelho, o gatilho para a minha queda de ontem. 

Ontem à noite eu comecei a ficar irritado porque esta semana havia iniciado bem tumultuada no sentido de que todo o meu planejamento de tarefas foi bagunçado por algumas pendências referentes a exames. Eu, para o checkup do semestre, precisava entregar um último teste que deveria ser feito em duas etapas há algumas semanas. A minha nova empreitada de produzir a dissertação acabou por embaralhar as possibilidades de sair ou de realizar as tais duas etapas explicadas pelo laboratório. Deixei para lá, naquela oportunidade, tendo em vista que eu tinha de entregar coisas do curso que eram prioridade. 

A segunda-feira, então, começou. Eu acordei às seis da manhã, tomei banho e fui entregar a primeira parte do exame. Aproveitando a oportunidade de sair de casa - coisa que anda se mostrando extremamente rara nos últimos tempos -, resolvi passar no supermercado para comprar algumas coisas. O tempo foi inclemente, sem dar na vista, simplesmente, foi. Já em casa, ainda tive que preparar o café da manhã - que é um dos meus prazeres, i. e., elaborar uma mesa com frutas, cereal, pão, café, suco etc. Resultado: a manhã, quando devo fazer uma porção de coisas programadas, foi tomada por todas essas outras (as quais são realizadas bem no início do meu dia). Após o café, peguei algo para ler, mas não tive como finalizar bem a nem leitura nem fichamento. Na terça-feira, tinha a segunda parte do exame para deixar no laboratório. Previ que o dia provavelmente seria da mesma maneira e, portanto, fiz um acordo comigo mesmo de não ficar aflito. Acontece que o cara que divide o quarto comigo acordou mais tarde do que o comum (eu o espero ir tomar banho primeiro porque trabalha e sai cedo; dai, fico remoendo na cama, acordado, esperando ele entrar no banheiro para que eu não o atrapalhe, e também porque os meus banhos são verdadeiros comerciais do 'Lux Luxo' - hehehehe!), o despertador dele ficou tocando um monte de vezes - e ele nada de acordar (ou melhor, levantar). Vendo que poderia me atrasar para a entrega do exame, eu me levantei para ir ao banho. Ele, ao me ver, perguntou se eu ia tomar banho... Aff, que raiva! Disse que ele poderia ir antes de mim (porque de confusão eu estou correndo). Entrou, demorou uma vida e ainda voltou para fazer a barba (mereço???). E eu E-S-P-E-R-A-N-D-O. Resultado: saí correndo, quase atrasado porque, além do mais, dependo dos maravilhosos ônibus, que, vejo, têm um acordo anual de nunca estarem no ponto quando se precisa deles. Enfim, cheguei. Entreguei a última parte da pendência e passei mais uma vez no supermercado. Lá, foi a vez de o meu cartão testar a minha paciência. Não funcionou. Eu já fiquei com aquilo tilintando na cabeça, imaginando novos problemas - como coisa de ir a banco e ficar longos minutos esperando para ser atendido. Voltei para casa pensando. Chegando ao meu doce lar, aconteceu o que previ: todo o esquema do dia foi atrasado e piorado porque o pessoal de serviços gerais resolveu vir ajeitar uma infiltração naquela manhã. Quarto interditado, cheiro de tinta, poeira e eu sem mais uma vez poder pegar no livro ou no computador (sob o risco de sair como o Pluft de dentro do quarto). Quarta-feira, os queridos camaradas dos serviços gerais voltaram para dar a "segunda mão de tinta"... O 'caos' se repetiu, mas daquela vez fui safo: peguei uns livros e fiquei no sofá, tentando (deveria escrever com 'T') estudar. Ontem, o pessoal voltou para dar a milionésima demão de tinta. Eu no sofá Tentando estudar. O meu outro companheiro de quarto vendo a MTV e rindo. Meu Deus! Ainda, dali a pouco, teria aula e eu sem ter avançado o quanto esperava. Esperançoso, pensei ser hoje o dia de redenção, quando tomo o susto do celular. Ele me fez ficar uns minutos preciosos testando outros fones, indo para a Internet pesquisar assistência técnica, imaginando que no dia seguinte teria de sair novamente e, por conseguinte, atrasar - de novo, mais um vez - o cronograma de atividades desenvolvido. 

Analisando mais friamente, percebo que o episódio do aparelho, como disse, abriu as comportas de controle. Eu comecei a pensar porque justamente no dia em que eu poderia fazer as coisas sem empecilhos aparentes, a porra do meu celular se colocava como mais um motivo para eu não estar em casa, pegar  ônibus e complicar a minha rotina. Comecei a chorar pensando que estava dando tudo errado, até a me questionar sobre mim mesmo. Comecei, por exemplo, a dizer que eu era uma farsa porque não estava produzindo como deveria. Logo me vieram as imagens dessa casa onde estou, que por vida está desorganizada, suja e da desfaçatez dos outros dois, que parecem não dar a mínima para um espaço limpo. O meu companheiro de quarto está estranho, frio. Eu não estou bem no meu 'relacionamento'. Tenho saudades da minha mãe, de estar com ela, e até da comida dela. Ficava concomitantemente me dizendo "Pablo, tenha calma; se você se desesperar e tiver um troço, quem vai cuidar de você? Quem? Você não se abre tão facilmente com as pessoas, e elas têm a tendência de não perguntar também. Você depende de você mesmo para prosseguir, gato.", no entanto, não adiantava: desatava a chorar; em seguida, pensava no ridículo de estar chorando por um celular, depois, constatava que não era o celular, mas um conjunto de coisas, cuja existência, muita vez, não tinha relação com as minhas ações de forma direta. Chorei muito. De verdade. Pensava sobre o meu futuro, inclusive. "Se a única coisa que ocupa a minha vida atualmente de forma importante é o mestrado e eu nem consigo cumpri-lo competentemente, então, o que será de mim?",   cismava. Foi horrível ontem. Eu queria parar de chorar, mas, ao mesmo tempo, dizia a mim que eu precisava daquele momento. Conversava com Deus, dizendo-lhe que não queria isso de barganhar graças, pois eu abomino essa concepção cristã de culpa e castigo versus obediência e premiação; contudo sou ciente de ela ser parte de mim, como uma mancha na perna, que se pode esconder, mas que sempre estará lá (e ainda que apagada, será relembrada a cada lance de olhar).

Ah! Uma coisa engraçada. Na minha angústia de ontem, sonhei com coisas super estranhas. Em algum momento me vi viajando em uma van com Marisa Monte para uma espécie de formatura na qual eu seria um dos formandos. Na viagem, a cantora se comportou de forma fria e me dava várias cortadas; acho que até me chamou de chato. Depois, surgia uma grande tabela com o meu horário da UnB deste semestre em que eu via a palavra 'trancamento'. Divertido porque eu me acordei querendo ir à desforra com Marisa, cheio de raiva dela, até o momento do "é a Marisa Monte, Pablo!" - Hehehehe!

Sabe, eu penso às vezes que me cobro demais, mas o que fazer de diferente não está claro para mim. Não quero ficar dependendo da minha mãe. De acordo com a pessoa que encontro, estou constantemente reclamando, calado ou falando platitudes para afetar uma normalidade, um alheamento em relação a coisas do mundo. 

Precisava escrever porque não aguento carregar essas coisas. Eu permaneço desconfiando de tudo e de todos; cada vez mais, para mim, a vida e as ações de muitas pessoas do meu convívio giram em torno de uma espécie de script (incluindo a minha também), mas eu não quero participar conscientemente desse teatro de vampiros. Não sei se o Criolo está totalmente errado quando diz que "quem sorri pra ti quer ver tu cair". Não quero que as pessoas sejam condescendentes ou tenham pena de mim: já existem irritantes milhares que adoram se colocar como vítimas para amealhar 'graças'. Eu não. Recuso-me. Talvez esteja pagando por essa 'temeridade'. Eu não tenho mesmo nada a perder. Sigo ouvindo I Will Survive. Sobrevivendo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

"É tarde! É tarde!"


Estou na hora do almoço. Ainda aquela neurose de tentar me adequar a um quadro de horários que formulei para mim. Esta hora, pela minha programação, é a única em que não tenho de estar lendo ou digitando alguma coisa.

Enfim, a despeito dessa pretensa organização, ando me sentindo mais perdido do que nunca. Sinto-me beirando a paranoia, pois sempre estou preocupado se dará tempo de cumprir o que está programado. Isso não está sendo algo do tipo 'estou aprendendo a ser organizado'; está mais para o coelho branco da Alice saindo do nada correndo para lugar nenhum. Eu sempre acho que fiz um quinto do que estava planejado. É horrível!

Isso tem acontecido porque estou querendo fazer um bom trabalho, escrever super bem, sabe. Quero acabar no tempo - quiçá antes. E nem estou conseguindo escrever. Não sai. Não pensei que fosse passar por isso. Não mesmo.

Ando irritadiço; sinto como se estivesse aéreo em meio a uma cachoeira - que como é de sua natureza - não cessa de trazer mais água. Com a água vêm um zilhão de objetos que me impedem de transpor a queda. Por exemplo, eu farei algo de que não estou muito orgulhoso, mas antes impelido pelo desespero: trancarei uma disciplina. Tudo bem que ela não está no rânquim das 'dez disciplinas mais bem ministradas de todos os tempos', mas desistir é algo que sempre mexe com os meus brios - de quem cumpre o que se empenha a fazer. Ainda isso. Mas não posso fazer 'a diva' nessa situação. Tenho que focar no meu trabalho de dissertação.

Sobre ele, fico me questionando diversas vezes sobre o porquê de isso estar acontecendo. Eu acho que nunca está bom o - pouquíssimo - que produzo, e nunca dá tempo. Nunca! Tipo, fico de duas a três horas remoendo duas páginas; logo acho que estou perdendo tempo e que poderia produzir algo mais com uma nova leitura, a qual implicará um fichamento, que, por sua vez, não terei tempo de concluir. U-m-a-m-e-r-d-a! Ora porque me canso e me levanto, ora porque preciso sair para suprir alguma necessidade fisiológica eu não consigo cumprir o planejado.

Tem sido assim. Dias não muito fáceis. Cansei de falar sobre isso. Vou ler algum texto.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Aéreo


Agora, estou em um voo. Indo para Campinas. A minha cabeça super cheia. Faz algumas semanas que estou assim, meio aéreo, às vezes desmotivado. Dia desses até chorei. Alerta!

Acho que ando cansado. Na verdade, atribuo esse desequilíbrio a algum processo de estafa, inicial, talvez. Acontece que entre os meus colegas e amigos da universidade anda circulando a 'paranoia da dissertação'. Todos só falam no quanto estão atrasados na escritura do trabalho de mestrado. Eu, que nem comecei de fato, contagio-me e fico tenso, pois, além de presenciar esses campeonatos de 'eu-tô-pior-que-você', ainda me vejo aflito toda vez que ouço a minha orientadora, pois penso saber o insuficiente, ou nada. Putz! Isso acaba comigo.

Ultimamente, nas aulas de preparação para a dissertação, eu estou voando mais do que pipa na Esplanada dos Ministérios. Eu não ando entendendo o que a minha orientadora fala nem o que ela quer e, apesar de ter elaborado um plano de estudos bem organizado (com vistas a um bom trabalho de dissertação), nunca consigo realizar as tarefas que são solicitadas por ela de modo completo. Então, chego à aula com a leitura/atividade inconclusa, sou convidado a participar das discussões mas não me sinto à vontade para contribuir. Fico me questionando se algum dia eu entenderei as coisas como elas devem ser entendidas. Não quero fazer um trabalho acadêmico e ganhar um título apenas: quero ser um profissional de excelência no que faço. Mas não está rolando.

Esta é a segunda semana de 'implementação' do meu plano de estudos. O que tenho mais feito é fichar textos, e nem isso eu consigo finalizar. Eu fico tão desanimado. Não que a 'culpa' seja minha - visto que venho me esforçando para me disciplinar (tenho acordado diariamente às 6h para ir para a biblioteca e só volto às 20h, por exemplo (como fazia na época da seleção de mestrado)) -, cabe dizer que os textos são complexos, e eu não consigo atrelar claramente a minha pesquisa à teoria que estou lendo. Fico mal com isso.

Com isso, outro ponto problemático se desenrola. Entro em uma espécie de crise de identidade em relação à meu trabalho. Uma vez que ando lendo para fichar, sinto-me como se estivesse fazendo um dever de casa para entregar à professora, ou seja, é como se eu estivesse cumprindo uma espécie de praxe, como na época da escola nas aulas de português (que eu até gostava, mas que era uma recorrência mais agradável em relação às demais). Eis o problema: não dou conta de completar leituras e fichamentos em tempo hábil, o que me toma horas para problematizar as leituras, e que, por sua vez, deixa-me impotente quando da apresentação de definições importantes para a minha pesquisa. É o caos. Tenho medo de essas coisas atrapalharem o processo de construção das minhas atividades ligadas ao mestrado.

Ao mesmo tempo em que me vêm essas questões, sinto-penso que o meu tema de pesquisa - a situação de rua - é tudo o que eu gostaria de me deter. A minha ideia para o mestrado era a de fazer algo relevante para mim e para o meu País; depois, observando esse mundo, aprendi a ver o quão necessário é lutar junto com o meu povo. O meu trabalho, assim, trata de algo relevante para o Brasil, além de ter o meu povo como o mais afetado. Daí, no entanto, vêm as teorias, as epistemologias, as metodologias etc. E eu preciso (pensei em usar 'devo', mas não quero tornar isso uma obrigação) dominá-las, mas bem mais do que para mostrar a outros que detenho o poder do conhecimento em determinada: elas são ferramentas para que a mudança possa acontecer. É terrível isso, pois, como já disse, eu me sinto fraco em relação a elas.

Unem-se a essas inquietações questões relacionadas a mim, ao meu futuro. Penso nos meus pais, no tempo em que não estou com eles, penso em suas horas indo e eu 'ainda' sem dar-lhes uma vida sem mais preocupações. Eu sei que isso tem pouco fundamento, pois eles vivem super bem, mas queria dar mais a eles. Penso, em determinados momentos, que isso é, em boa medida, algo mais para mim, para a minha vaidade do tipo "ele conseguiu. Venceu.". Penso que, talvez, esse "mais" não lhes seja tão necessário e que eu o construo, quiçá, para que tenha um propósito para fazer as coisas, para, de algum modo, sobreviver em um mundo agridoce. Isso também me entristece, pois até quando elegerei representações para erguer a construção da minha vida?

Enfim, são coisas que preciso organizar. Apenas eu posso fazer isso por mim. Tem sido assim. Vejo-me perdido porque, conforme a ordem das coisas, eu mesmo tenho de encarar os meus demônios; o que me dói e ter de me atracar em combates que parecem transcender o meu controle. Não estou reclamando, mas tentando entender o que está acontecendo.

Está difícil - but I will survive.