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sábado, 27 de setembro de 2014

Demiurgo (ou "Perto demais")

Há mais de um ano não escrevo no blogue. Tantas coisas aconteceram, tantas... Hoje, no entanto, não planejo fazer retrospectivas, mas falar sobre um tema vivo e ainda pouco claro para mim. 


Pela enésima vez, assisti a "Closer" (2004). Várias coisas vieram a minha cabeça no que diz respeito às relações humanas, às minhas, propriamente ditas. O quadrado amoroso do filme e suas desventuras me fizeram pensar sobre o peso do haver de dois corpos tentando ir além do biológico e aparentemente urgente; de como, certas vezes, vamos todos nos perdendo por não detectar pontos problemáticos em nós mesmos; e de como, no fundo, tudo se esmaece no espelho.

Conversando com uma amiga - e também recorrendo a algumas de minhas últimas experiências de vida ligadas ao tema -, comecei a cismar sobre cada uma das personagens. Falei com a amiga sobre como via em Anna (personagem interpretada por Julia Roberts) uma fraqueza de identidade tão recorrente em muitos de nós, que faz com que nos deixemos levar sem questionarmos se o que está sendo feito nos faz realmente bem, como energia de vida; como observava em Larry (interpretado por Clive Owen) uma personalidade extremamente infantil de posse em relação a quem ele visualizasse como 'inimigo', ação que também fazemos pela - talvez - profunda insegurança alimentada a cada dia do ciclo despertar- produzir-recarregar; Ademais, tratei das duas figuras, as quais, em minha opinião, destacaram-se mais na narrativa: Alice (vivida por Natalie Portman) e Daniel (interpretado por Jude Law).

Eu vi nos dois coisas que tanto me perseguem e, acredito, persigam muita gente. Daniel foi uma das representações humanas mais intrigantes que já vi, dado seu pretenso amor por Alice e Anna. Na verdade, eu não vi ali amor (como eu o entendo) algum - como ele tanto alardeava para ambas separadamente -; mais pareceu um retrato bem construído do que é a paixão. Não duvido que ele tenha realmente gostado de cada uma delas, e poderia considerar que, a sua maneira, ele as tenha 'amado', entretanto, o que mais chamou minha atenção foi  ele não se importar com as consequências que a realização de seus desejos traziam. Como homem das palavras, Daniel parecia não dar tanta atenção ao cálculo e à parcimônia, em outros termos, ao respeito: envolveu-se com a misteriosa Alice e, ao mesmo tempo, não se conteve em conquistar a altiva Anna. Quando sua paixão não era completamente correspondida, em sua percepção, Daniel se investia de grande energia para ser bem-sucedido na realização de seus desejo. A questão era sempre esta: seu desejo, seu sentimento, que deveria ser completado, preenchido. A busca incessante pela 'completude' fazia com que o jornalista sempre quisesse o máximo de cada relação, mas sem se importar em fazer o mesmo com as pessoas envolvidas.


Alice começou o filme com sua já memorável frase "Hello, stranger!", ou melhor, "Olá, estranho!": uma frase extremamente representativa do momento no qual estavam inseridos os quatro amantes. Ela, a mais jovem dos quatro, pareceu-me ser a mais fresca também: sempre leve e vaporosa, suas ações correspondiam a alguém que se entregava à vida, indo de cabeça, sem olhar para os lados. A seu modo, Alice mostrava uma sinceridade desconcertante cuja manifestação fazia com que me perdesse no que era real ou criação para não dificultar as coisas. Alice mentia, mas sentia e chorava com questionamentos tão abertos e francos, revelando, assim, um lado infantil positivo, o de não deixar de fingir por pressões além do que seu próprio ser suportasse. Eu vi nela uma entrega total a Daniel, a despeito de, nas entrelinhas, parecer haver saído de uma experiência complicada anteriormente. É inesquecível a cena em que, deitada, declara não mais amar seu amor porque não entendia "onde" ela a amava. Este foi uma dos momentos que mais me desarmaram no filme.


Por meio de Daniel e Alice pensei em como minha vida e meus problemas com alguns relacionamentos têm a ver com as condutas dramatizadas. Durante algum tempo, eu pensava que tudo em minha vida deveria ser 'total' e estendi isso às relações com o outro. Hoje, percebo que, no fundo, isso do 'total' acabava por eufemizar meu sentimento de controle sobre todas as coisas do mundo - a sensação de ser dono de mim e, por extensão, das coisas que me rodeiam. Assim, com isso de 'total', eu acabava por querer ter o domínio das coisas e, claro, moldá-las a meu desejo, ainda que com uma intenção aparentemente boa, isto é, uma de construção e preservação da harmonia (onde eu seria o próprio demiurgo). O objetivo de tudo isso: facilitar meu modo de lidar com outro, para facilitar minha vida... It's all about me... again... Hehehe! Não. Não é um problema fatal esse modo de viver, porém ele traz repercussões que arruinam as relações. Eu, por exemplo, quis sempre que me contassem coisas que eu considerava estarem sendo ocultadas, fosse porque justificava a mim mesmo (a ao outro) ser um ato de preocupação e ajuda, fosse por não conceber a presença da dúvida em uma relação intitulada, por mim mesmo, como 'real' ou 'verdadeira'. Acontece que, como mencionei, agora, mais friamente, julgo que tudo sempre teve a ver comigo. Sou eu querendo uma verdade que, muito provavelmente, só me fará sentir pleno, como senhor da vida do outro, ao conseguir adentrar campos exclusivos escuros (e obscuros) que dificultam a desejada completude, a direcionada à perfeição - àquela perfeição de uma relação ideal... do ideal. Assim, penso que a conduta egoísta só me afasta daqueles/as que que amo por não respeitar o oculto, o que não me é possível ou permitido acessar. Talvez alguns temas ocultos sirvam para registrar uma individualidade que vai se amenizando quando uma relação a dois passa a ser forte e cada vez mais enlaçada. Vejo que querer a completude é intentar alcançar o ideal, que, por si só, é conhecido por ser inatingível. 

Desse modo, vale a pena esforçar-se para tentar levar uma vida mais leve. Penso a cada dia, mesmo depois de deterioradas algumas relações, o quanto é preciso ser e deixar ser. Muitas vezes, por essa busca "pelo que está escondido", a gente acaba por não observar e valorizar o que se tem de concreto e brilhante na troca com o ser diferente que está posicionado na vida naquele momento específico. Vale a pena sim ser cada vez mais honesto e verdadeiro, mesmo que isso custe o fim, o rompimento. Acredito que detectar quais percurso conduzem a um lugar de desterro é vital para poder levantar todos os dias e agradecer a Deus por estar vivo e por ter uma existência. As pressões estão sempre ativas e é bom estar atento/a a elas e, ainda mais, como você acaba sendo atingido por elas.

Com esta reflexão volto ao blogue. Sinto que novos ventos estão por vir, por soprar e me levar a novos campos. Eu quero cada vez mais me sentir preparado para seguir no Caminho que está todo a minha frente. Caminhando!

sábado, 31 de agosto de 2013

Por aí...

Depois de dormir e acordar em minha casa brasiliense, aos poucos vem voltando a noção de estar ao ponto de inicio, ou de continuação. Em pouco mais de duas semanas fiz uma trajetória do tipo 'detox' que englobou em um curto período de tempo o que eu precisava para saber mais um pouco da Vida.

SÃO PAULO (14 a 19 de agosto) - Outro Lugar do Mundo


'Mão', de Oscar Niemeyer (1980), São Paulo
Eu saí de Brasília, com minha cabeça ainda ecoando o que falei (repetidas vezes) àqueles/as que vinham falar comigo sobre planos presentes e futuros: "estou cansado; preciso descansar"; então, falava a mim mesmo que São Paulo seria, a partir daquele momento, 'Sampa'. Embalado pelo drum 'n' bass de Fernanda Porto, fui saboreando desde a saída do aeroporto de Guarulhos o diferente cinza paulistano. Observei, de dentro de um ônibus, uma cidade rápida, pessoas várias, vezes espremidas, vezes soltas em um dia que parecia ter sido enviado para minha chegada. Engraçado, daquela vez, resolvi fazer tudo diferente, ou seja, nada de táxis e afetações imbecis: fiz tudo saboreando a realidade que é de todos/as aqueles/as que encaram a 'vida real'. Ouvi Emicida e Criolo falando de uma cidade que, apesar de não ter visto propriamente, mostrava-se em expressões e roupas e jeitos. Incrível! Vi arte, andei tanto de metrô, senti-me
A visita da Alegria, ago/13
parte daquele espaço tão complexo e tão amplo, que apresentava uma pluralidade tão única. Sampa foi pra mim sinônimo de cultura, lugar onde eu pude estar um pouco mais preocupado em entender o que me dizia uma figura rebelde de Tomie Othake e o que eu poderia reconhecer como sendo eu, como um Brasil em andares e paredes da Pinacoteca. Até que veio um presente em forma de amiga. Ela, que, além de me mostrar uma banda mais bonita da cidade, foi ela mesma a portadora da coisa mais bela de Sampa. Foi a segunda fase do período áureo da fuga estratégica planejada. Nós sorrimos tanto, abraçamo-nos tanto; falamos de coisas e sobre coisas cujas possibilidades de realização mostram-se aparentemente bloqueadas diante da correria da sobrevivência dentro de centros cinzas e concretos como onde vivemos. A despeito das artes e da tecnologia, que me fascinam, andar de braços dados com alguém tão sedenta de raridades quanto eu foi a melhor coisa de Sampa para mim. Nós ficamos algo triste nos instantes finais, mas esperançosos de que os ventos de beleza nos mostrem a direção para novos reencontros. Ela me trouxe a inspiração de volta. Mais informações (hehehe!): aqui.

CAMPINAS (19 a 23 de agosto) - Um Dia muito Cedo


Depois do onírico de minha fuga estratégica, fui rumo ao purgatório. Viajei a Campinas para encerrar algo que não tinha nome, um assunto virtual que eu precisava entender. Lá, ele me recebeu. Desde Sampa vinha ouvindo 'Too Much', das Spice, e pensando no trecho "I need a man, not a boy who thinks he can"... eu parecia esperar ansiosamente por esse trecho porque traduzia o que sentia. Nossa história. Quando nós nos conhecemos, foi algo lindo. Foi 'Tiergarten'. Algo que parecia ter começado como mais um encontro casual de viagem e que terminaria na própria viagem. Ledo engano. Sutilmente, foram os gostos parecidos, similitudes outras diversas e, subitamente, pegamo-nos prometendo um ao outro algo que nem nós mesmos sabíamos o que era: apenas não queríamos perder o que parecia tão delicado, talvez plasmar em um projeto a ser resolvido aquele encontro raro de se dar. Dentre esses últimos um ano e seis meses, após telefonemas, mensagens, nós nos encontramos duas vezes. A primeira vez que nos vimos após nosso encontro de almas, ainda em abril do ano passado, foi um momento também diferenciado: fomos a um lugar lindo e com gente amiga. Naquela fase, estávamos aproveitando de modo mais tranquilo a companhia um do outro, aquela coisa de ir ao supermercado juntos, comprar as coisas que seriam necessárias para, tipo, uma temporada no paraíso. Enfim, não me lembro exatamente do modo como estava me sentindo, na época, em relação àquilo tudo porque era a primeira vez que uma coisa daquelas acontecia em minha vida. Eu só me recordo que estávamos refugiados, apartados do mundo e de nossos medos e questões externas: fomos só cuidados e mimos e beijos e abraços e tudo mais que duas pessoas que se 'acham' neste mundo podem ser... e fazer. Mas não tardaram a vir as Eternas Ondas para nos levar de volta à vida cotidiana. Para ele, não sei, parecia uma situação de provável contorno, como se nossa separação física  fosse ser resolvida nas próximas 'férias com direito a um amor para chamar de seu' - as quais poderiam se repetir dali a alguns meses. Não bastavam para isso ligações noturnas e mensagens. Para mim, aquele cenário não estava agradável, pois não encarei - e não encaro - minhas relações como períodos de recompensa por uma vida monótona; sendo assim, aquilo já me incomodava porque não havia algo concreto, uma relação de verdade. Era uma brincadeira. A distância, então, passou a pesar de verdade porque me via falando vasos chineses por mensagens e as chamadas eram de uma monotonia esquisitíssima: "e aí, como foi o trampo hoje?"; "o que você fez hoje?"... e as respostas: "Normal". Passamos a falar de quaisquer coisas que pudessem sustentar meia hora de papo: tevê, problemas de casa, cotidiano. E eu sempre falando mais, esforçando-me mais para estabelecer fios narrativos... Ele me falava de saudades, e eu já não sentia saudades; ele dizia que queria me ver, e eu já nem queria tanto. Para mim, nós dois éramos uma lembrança bonita, mas que se resumiu e concentrou na perspectiva da possibilidade. Eu havia me dado conta disso. Chegou, enfim, o tempo em que combinamos novo encontro. Foi justamente na fase confusa por que vinha passando. Eu fui. Após Sampa, eu me sentia um pouco mais revigorado, pronto para seguir, mas então com coisas novas e diferentes. Uma vez junto dele, tentei entender o que acontecia, se havia a possibilidade outra da concretude de uma relação, que aparentemente ele queria. Além disso, o sexo passou também a não ser tão bom quanto antes, talvez, porque algo em mim tivesse mudado. E passei quatro dias pensando sobre aquela nossa vida, sobre como avançar sem causar danos, como talvez tentar salvar nossa vida. Não deu. Abafado pelas obrigações do trabalho, ele chegava no fim da tarde, saía cedíssimo e eu ficava um dia inteiro dentro da casa dele, vendo coisas no Netflix, remoendo memórias, cogitando estratégias, sozinho, como eu não queria estar. Com ele eu me sentia ora completo, ora vazio: eu sentia que a conversa não se afinava. Definitivamente, para mim, não era mais a mesma coisa. Veio o dia em que, por faltas de ambos, rompemos de vez. Sem verbalizações.  Típico. Mais uma vez, estávamos sublimando-nos a nós mesmos, plasmando nossa história em uma virtualidade que já me incomodava havia algum tempo. Foi um dia depois de seu aniversário e me doeu muito ter dissipado aquela névoa de uma forma inerente a ela: triste e calada. Encerrava-se em uma manhã fria um tempo de beleza e raridade com alguém verdadeiramente bom, mas incompatível com a atual fase de minha vida (e com as perspectivas que Sampa me soprara havia pouco). Não havia mais espaço para o que tínhamos em minha vida. Eu escrevo com certo pesar, mas não consegui chorar. Preferi seguir. 

SALVADOR (24 a 29 de agosto) - Gostar de Alguém


Elevador Lacerda, Salvador
Na última parada da minha fuga estratégica, fui para a calorosa Salvador. Durante o voo de uma cidade para outra, não saíam de minha cabeça as palavras ouvidas e as lágrimas vistas. Eu, no entanto, daquela vez, não me culpei totalmente por aquilo, por tudo o que escutei. Ouvindo 'Day to Soon', da Sia, via da janela do avião o nada que transforma em linhas e contornos aéreos cidades inteiras e como podem ser tão frágeis as relações também. Lá de cima, pensei muito nele, mas decidi que tudo aquilo estava sendo feito por mim porque eu precisava respirar, sair de uma submersão gris. No dia seguinte, eu me encontraria com um amigo e uma nova etapa começaria. Campinas passava a pertencer a um passado. Era a hora de sentir e de voltar à Terra. À noite eu cheguei à capital baiana. Decidi seguir a conduta adotada em Sampa: busão total e gastos mínimos. Peguei minhas três bagagens e embarquei olhando atentamente aquela confusão de casas empilhadas e de prédios imponentes que caracterizam um dos lugares onde mais gosto de estar. Desci no lugar certo e fui andando até o Laranjeiras Hostel, no Pelourinho.Começava ali mais um momento incrível dessa temporada... Nem sei como contar... nem sei como contar...Enfim... Meu amigo chegou lá, tivemos um momento muito legal, pois ele 'me forçou' a sair, conhecer lugares que, se não fosse por ele, não iria.
Irmãos - Pelourinho, ago/13
Mas o que Salvador me trouxe mesmo foi um amor de verão e a descoberta de que tenho um amigo-irmão. Rimando como uma boa canção. Estou rendido às memórias daquela pele cor de noite, daquele sorriso... Ah! Mudando de assunto... Hehehehe! Salvador, a cidade e suas pessoas, o movimento, o calor de lá coroaram uma trajetória que serviu para ver Brasília como um lugar de passagem, no qual, provavelmente, terei de focar cada vez mais nas coisas que quero para avançar e seguir. Salvador reavivou em mim o sentido da graça, de coisas raras,  como o falar por falar, sem que haja interesse ou uma personagem arbitrariamente vestida para impressionar. Lá, sem querer, eu voltei a sentir amor, graça, desejo, ou seja, voltei a me sentir humano, com sangue nas veias. Um detalhe: quando saía andando pelas ruas, não tanto pelo Centro Histórico, via que foi dali que eu vim, aquele clima 'insuportável de quente' era minha origem: meu Nordeste gritava outra vez. Eu andei. Eu vivi. Eu senti. E já essas coisas são difíceis neste momento, para mim, de descrever.

Agora, dois dias depois de haver chegado, estou aqui pensando em como retirar e aplicar ensinamentos para a nova temporada. Preciso pensar com cuidado, pois vivi coisas muito boas para minha proposta de evolução. Acredito que estou entrando em uma fase de encerramento de ciclo. Sinto como se esta fosse a primeira etapa do fim arrumando o início de outro momento. Talvez seja agora a hora de colocar em prática os planos subsequentes imaginados e desejados lá em Aracaju. Whatever... De qualquer forma, é bom voltar a me sentir na Estrada.

segunda-feira, 5 de março de 2012

O espelho me disse...

Engraçado (e bem batido) aquele papo de "o problema não é com você"... Pois é, acabo de perceber que ele é fato. Um bem complicado, por sinal.

Eu não sei. Estou com fome, esperando a água ferver para eu fazer aquelas sopinhas de envelope. Não estou muito bem e este é o motivo por eu estar aqui escrevendo.

É. Ainda é sobre amor e tal. Hoje, mais um dia, eu não conversei com o meu amor. Em situações diferentes, relativas a ele, eu vi o quanto preciso melhorar. 

Não estou com muito saco para escrever textos imensos. O ponto é que, ontem, ele não me ligou. Ele me explicou que não pôde; que havia acontecido alguma coisa; que me explicaria quando me ligasse hoje, enfim. Chegou, então, "hoje" e eu não movi um dedo para conversar com ele. Primeiro, acordei tardaço por ter virado a madrugada assistindo a "Hilda Furacão", no You tube: o meu dia de domingo, por isso, começou às 15h... Depois de me arrumar, fui ao supermercado comprar umas coisas para tomar café. Fui pensando se deveria levar o meu tablete, para caso recebesse uma ligação, mas não o fiz. Eu não me esforcei para ligar o aparelho.

medo
O problema. Eu não quis conversar porque pensei naquela minha mania idiota de fazer joguinhos do tipo "farei com que morra de vontade de conversar comigo, que queira saber se eu estou com raiva" ou "vou fazê-lo sofrer um pouquinho; vendo-o preocupado com a minha reação, terei o controle da situação". A justificativa: "assim vai ser mais emocionante". Duas suspeitas terríveis me envolvem, desde que recebi a primeira mensagem dele dizendo que havia tentado me ligar. A primeira é de que eu quis meio que me "vingar" por ontem ter esperado para conversar com ele, para me derreter por esse meu amor e não ter tido o meu desejo saciado, posto que não houve ligação QUANDO EU QUERIA. A segunda, e - talvez - a pior, é que eu estou querendo, como sempre, ter o controle da situação, regulando as ações da outra pessoa. 

Eu fico realmente apavorado com isso. Eu me sinto envergonhado demais. Esse é um Pablo que não condiz com a evolução a que me propus.

Ainda ontem, esperando por ele, fiquei vendo uma entrevista de Whitney para Oprah, a última grande entrevista da estrela. Nela, a cantora falava do seu passado com as drogas e o que a fizera entrar naquele mundo, quando a sua vida era um sonho de consumo para o mundo todo. Whitney explicou que estava completamente apaixonada pelo seu então marido, que gostava do jeito como, com ele, a sua vida não precisava ser ditada por ela, a estrela, a diva. Nas suas palavras, era incrível para ele ter aquele homem no controle da situação. Ela precisava, pelo menos em algum momento da sua vida, sentir que a sua existência não era um negócio em que Whitney Houston era o ser onipotente. Ela, então, entregou-se totalmente àquela relação. Sofreu muito, mas amou e se divertiu igualmente. Enquanto falava, era nítida a satisfação de lembrar que sentiu e viveu algo inédito. Eu pensei que também me sinto assim, insuportavelmente poderoso em relação a mim mesmo. Eu entendo a diva. Também controlo a minha vida demasiadamente, eu me podo tanto, enfim, sempre penso que somente EU sei o que é o melhor. Vejo que estou transferindo isso para a minha relação, e ela é um bebêzinho ainda.

Não quero perder isso que estou vivendo. Parece algo tão sadio. Eu preciso mudar, deixar de ser alguém manipulador e dar chance a outra pessoa que, assim como ocorreu com Whitney, não me veja como uma personagem. Estamos nos conhecendo, portanto quero dar chance a outros lados meus que ainda não exercitei - por não ter encontrado quem estivesse pronto para vê-los. Tenho tanto medo de cometer erros terríveis por presunção da minha parte. Assim, hoje, eu, no final da noite, senti-me tão estranho, envergonhado por tal atitude que, não sei se mimada ou controladora, denotou a minha imaturidade nessa jornada.

Agora, vou dormir. Amanhã é segunda-feira e tenho coisas mil para resolver. Amanhã, conversarei com o meu amor...

Sei que dormirei pensando:

VOCÊ NÃO MUDOU [?]

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Aconteceu

Eu pensei que não fosse escrever hoje, mas, felizmente, estou aqui. É bom para mim isso de registrar.

Nem sei bem por onde começo. Na maior parte das vezes, eu estruturo um pensamento a respeito do que escreverei e procedo. Hoje é um daqueles dias que deu vontade de escrever, eu estava na frente do computador - adiando uma ação da universidade - e, por isso, resolvo unir o útil ao agradável. Putz! Muitas coisas aconteceram (e têm acontecido) na minha vida neste mês de fevereiro. Definitivamente, um mês para se lembrar, digno de registro.

Na última vez que escrevi, estava esquisito, com medo, receoso por não ter planos ou novidades por correr atrás, por voltar a Brasília e imaginar um começo de ano anódino. Eu achava que as coisas estavam plácidas, algo previsíveis e me assustei por isso. Eu sempre acho que calmaria não é sinal de coisa muito boa -  não sei, é uma impressão minha -, mas segui vivendo. Isso em janeiro.

Chegou fevereiro e eu "voltei à ativa". A universidade me reservara obrigações de pesquisa, que me serviram providencialmente para encher os meus dias. Era o problema: viver catando coisas para "encher a minha vida". Eu pensei - mais uma vez, de novo, novamente, once more - sobre o futuro, sobre mim e as coisas do porvir... aquele blá-blá-blá de sempre (...). Uma ideia parecia ser fixa: eu precisava de um "amor", ou, pelo menos, eu tinha de me envolver com alguém; mas cadê essa pessoa? Eu fui atrás. Estava disposto a me arriscar, a sentir. Tudo isso em fevereiro, neste fevereiro. Fui à Bahia trabalhar, mas foi em São Paulo que aconteceu o tal do "amor". Como cantou Adriana Calcanhotto, "aconteceu".


Eu encontrei a perfeição para mim. Sim, uma coisa assustadora, mas eu, do nada, estava me preparando para me encontrar com a minha parte de perfeição na Terra. No começo, eu pensei, "é so sexo", mas, depois, comecei a ver que, de alguma forma, aquilo estava indo em uma direção diferente, nova. Eu não me lembro muito do que estava sentindo naquele momento, pois, talvez, eu estivesse no calor do susto. Era tudo o que eu precisava: alguém que me elogiasse com intenções terceiras, mas que preservava no olhar uma doçura indescritível. Uma coisa de história de fadas. Quiçá, uma junção daqueles meus poemas românticos. Durante três dias ininterruptos nós nos amamos. Sim, de várias formas.

Nós "nos amamos" por que não acabou. Eu não estou sendo metafórico. Hoje, ainda e último dia de fevereiro, eu sigo falando com a minha parte de perfeição. Eu, parece, conquistei-a. Sim. Parece que eu consegui. 

Agora, idiota, sinto medo. Tenho muito medo de mim, principalmente. Algumas vezes faço uma ideia bem punk de mim: que sou mimado, frio, calculista etc. Essas coisas ferram comigo, com um lado deprimente de herói de filme blockbuster - que todo mundo adora ir ver porque nunca será metade do que é narrado. Assim, antes, tinha medo de me envolver e não ser recíproco; agora, tenho medo do que vai acontecer porque está sendo bilateral. Eu fico espantado como as coisas têm se dado. De repente, eu estou rindo à noite sozinho no meu quarto mandando mensagens românticas, louco por um retorno imediato, pensando na delícia que é o momento do pensar em alguém. Eu não sei. Não sei. Queria e quero aprender a amar, pois sei que esse sentimento existe, ainda que não seja o da novela ou o do filme água-com-açúcar de onde aprendi a desejar. Hoje, eu tive medo porque não estive tão cheio de romance como ontem. Tenho medo de ter desaprendido, de o meu coração ter se tornado um lindo cristal: frio e duro. Tenho medo de ter me transformado em um desses vaidosos que conquistam e cansam. Por outro lado, não sei se deveria estar todo o tempo em estado de encantamento... afinal, isso é coisa de novela e filme água-com-açúcar. Não sei. Estou perdido, pensando que este momento é único na minha vida e tal, mas também não quero criar expectativas bobocas. As coisas não funcionam assim. Tem outra coisa, também essencial: eu, o meu jeito. Não gosto de coisas muito aderentes (para não usar outro termo), eu me apavoro com isso - já vivi e, definitivamente, não quero mais. Eu sei, é só o começo. Estou disposto. É muito ruim estar só; e, além do mais, eu prometi que, caso acontecesse, eu faria de tudo para dar certo, visto que só eu sei do buraco no meu peito. Essa inquietude deve de ser pensamentos-monstros desesperados com o eminente fim do ocaso que vinha sendo a minha vida. Só lamento para eles... 

Agora, vou ler. Quero lidar com essas preocupações da minha cabeça. Não é saudável para pessoas como eu sentir-se vitoriosas. Darei tempo ao tempo. Uma bonita história pode se desenhar. Serei, e será, o que tiver de ser, afinal, hoje ainda é fevereiro.

domingo, 24 de abril de 2011

Minha Fênix particular

Encerro as homenagens às pessoas especiais de abril. Hoje é o dia dela. O dia da minha Puppy Love.

"Leãozinho", "Puppy Love" e até "cara-de-pau" - além do já tão usado "mana" - são as várias Gersinês da minha vida. No caminho até este texto, fiquei pensando na maneira a qual falaria a você, no dia do seu aniversário. Ando escrevendo com dez corações na mão, sendo, a propósito, todo coração. Desta vez, tive medo de que a musa me fugisse e que, consequentemente, começasse a escrever platitudes. Algo de que tenho horror.

Pois bem; que tal se começássemos com uma retrospectiva? É assim que lhe escreverei, minha irmã. Mas vai ser do meu jeito.

Já dediquei a você um poema, não seria mais interessante, neste momento, fazer outro. Eu nunca escrevi algo para você, diretamente, neste blogue. Nem naqueles tempos em que éramos apenas nós dois, um com o outro, cada um sendo de um jeito mas muito dependentes, um do outro. Lembra-se, irmã, daqueles tempos? Música alta no seu quarto, anos depois, no banheiro, os vários "de quem é os pratos" de painho? Sim, uma família normal. As coisas iam caminhando de um jeito em que não nos dávamos conta da passagem do tempo. Quando dei por mim, estávamos na universidade. Você estava tão radiante.

Depois, maninha, eu te vi uma moça sempre rodeada de amigos. Fotos e mais fotos sendo passadas para o computador nos domingos. Nós dois acordando quase juntos. Você me acordando com uma música especial, aquelas coletâneas colocadas no tocador de DVD. Eu, naquele tempo, já sabia que você logo sairia para passar a tarde na casa de algum colega da universidade. Eu sabia que eu ia ficar em casa. Esperando. Eu não lhe falava, mas adorava ir abrir o portão para você, recebê-la, vê-la voltando para mim, passando todo o dia fora, mas, ao final dele, voltando para mim. Era o que importava, pois éramos, ainda assim, nós dois.

Então, você florescia cada vez mais. De repente, seu perfume atingiu não só a mim, mas a todos que sintonizavam ondas mágicas às 10h da manhã em Aracaju. Eu fazia questão de ouvir você. Orgulhoso. A minha alegria era a de ligar para perguntar se viria almoçar em casa. Mesmo que você viesse e depois fosse dormir, sem brincar comigo, eu estava satisfeito. Afinal, éramos nós dois. Eu, ainda no mesmo dia, estaria confortado pela doçura da nossa mãe e pelo seu mal-humor hilário. O Jornal Hoje não tinha graça sem você. Hoje a vida tem pouca graça sem você.

O que fatalmente acontece com as flores que lançam-se perfumadas no mundo? Elas atraem admiradores. Assim aconteceu. Você estava cada vez mais bonita, cabelos cada vez mais cacheados, grandes, o considerado patinho feio estava amadurecendo, tornando-se o cisne que eu cri. Você sempre foi, ao seu modo, muito boa para mim, para todos à sua volta, aliás. Você me defendia, você me dizia coisas tão construtivas. Eu dizia baixinho: "Ainda bem". Mais cedo ou mais tarde, o seu prêmio viria. Certeza absoluta.  Lembro-me do quanto que você o queria. Sim, eu me lembro. Apesar de sermos nós dois, não nos demos conta da sua grandeza e crescimento a não ser pela presença de outro.

Hoje, eu estou em outro estado. Você também. Chegou um outro. Por mais que me depare com alguns sentimentos estranhos, não muito bons, constato que você merece ter quem te complete. Quiçá tenha chegado a hora de não sermos tão nós dois. Chegou a hora de cada um seguir o rumo da individualidade. Você, mais uma vez, foi pioneira. Esteve na dianteira. Você sempre foi assim, Kelly. Eu sempre invejei esse lado seu, a sua coragem, a sua abertura para se jogar, para se machucar, mas para, ao mesmo tempo, recompor-se. Eu tinha uma figura mitológica dormindo no quarto ao lado: Kelly, a minha Fênix particular. Você sempre foi mais destemida do que eu, sofreu mais por isso, mas cresceu tanto, em compensação. Eu sinto algumas vezes que não somos mais como antes. É essa minha alma de museu: quero conservar tudo o que é, que foi, belo. Humanos não são museus, são exposições dinâmicas. Você sempre teve mais espectadores.

Feliz aniversário, minha querida irmã. Eu amo você. Estou aprendendo a crescer. Eu amo tanto você. Sei que este é o seu momento, que você está aproveitando, vivendo o que sempre mereceu viver. Eu como curador do meu próprio museu, sofro por ver algumas peças difíceis de restaurar, mas que eu sei que - apesar de não poderem ser mais apresentadas ao público - estão lá, para mim. Elas estarão em permanência voltando para mim. Dentro de mim, ainda somos nós dois.

"Meu amor, você me dá sorte..."



"Como seria essa vida? Sei lá..."

FELIZ ANIVERSÁRIO, GERSINÊS KELLY.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Só enquanto eu respirar...

Às vezes, eu digo que não me importo com aniversários. Pensando agora, com mais calma, observo que talvez eu me refira ao meu próprio. O fato é, fazer aniversário não é uma data corriqueira. Ele é uma maneira para os amigos estarem lembrando dos amigos: uma verdadeira e bonita celebração da amizade.

Farei isto: celebrar uma flor tão rara, a qual, pelo seu caráter delicado, é necessitada de regadio, de manutenção constante. Estou aqui, neste feriado de 22 de abril, para enaltecer a minha querida Elúzia. Que a cada vigésimo segundo dia de cada mês de Vênus, recorda e faz recordar que este mundo recebeu mais um energia, um raio de luz e um sopro de renovado ar, refletido, inclusive, no seu nome.

Neste momento, estou escutando dois hinos da nossa amizade: "Sou seu sabiá" e "Santa Chuva". Imerso  na pletora de sensações advindas da experiência, fiquei pensando como poderia dar os parabéns à claridade; a um ser que me estendeu sempre o braço, deu-me as mãos quando ambos estávamos sofrendo, caindo, aprendendo. Elúzia sempre (mesmo!) esteve do meu lado, no sentido duplo que a palavra carrega. Assim, fomos nos tornando amigos. Eu nunca havia pensado nisso. Eu jamais a tinha visto. Tornou-se impossível esquecê-la. Foi na UFS, numa reunião de estudantes confusos e cheios de espíritos de mudanças, que tudo, na minha vida, mudou. Daquele dia em diante, eu seria amigo de uma alma nobre e tão afim à minha, uma coisa estranha para o meu intelecto. Éramos muito parecidos nos conflitos, nas ideias, nas ambivalências. Ela era como eu, e eu era tal qual ela.

Éramos um casal, sem o sermos. Éramos unos em duas pessoas diferentes. Ela era "Luzinha" e eu "Pablito". Agora somos só saudades. Lembranças de um amor bonito de se sentir, talvez, inédito para ambos. O sentido do amparo diante do mundo que de modo néscio tacha sem conhecer. O caminho de sossego quando as penumbras da dúvida surgiam ameaçadoras. Nós conversávamos tanto. Nós nos ouvíamos tanto. Era no seu abraço que eu encontrava compreensão. Quando todos estavam longe, Elúzia estava perto de mim, reclamando de si, querendo sempre melhorar, evoluir, rasgar uma história, mas sem saber como escrever outra. E eu também. Sempre, sempre vendo-me a mim mesmo falar através daquela moça de pele branca e cachos libérrimos, lindos, lindos, lindos. Nós nos esforçávamos tanto. Aprendemos a sentir e, consequentemente, a amar filosofia. Queríamos fugir, reunir-nos a ler Nietzsche. Sim, nós nos arriscávamos: era Nietzsche, era Sartre, era Simone de Beauvoir. Eu sentia como se nós fôssemos a reencarnação do célebre casal. Massa franco-brasileira. 

Muitas coisas não deram certo. Mas eu constantemente lhe pedia que ouvisse "Livros". Que acreditasse. Ela então, certa feita, fez-me um carinho, pediu-me para ver um vídeo, "O Anjo mais Velho". Nunca antes a frase "só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você" fez tanto sentido. Era amor. Indubitavelmente, amor. 

Eu pensava se deveria ir além da nossa amizade. Se seria o seu par perfeito. Não aconteceu. A vida, de fato, tem mistérios, muitos, aliás, sobre os quais teatralmente Shakespeare já se deteve. Eu não entendia. Até hoje, não entendo muito. Ficou a amizade e, hoje, a minha Simone de Beauvoir encontrou um caminho que conduz à conjugação.

O que posso oferecer a você, Elúzia, minha eterna Luz e Ar, é o congelamento daqueles nossos tempos pelas palavras. As palavras. Elas não podem expressar o nó que está me dando na garganta neste momento, o de pensar que isso foi há tão pouco tempo, e já dura uma eternidade. Eu sigo como o livro que lhe dei. Em estepes, na busca delas. Aqui, ali, aqui. Sempre aqui.

Feliz aniversário, minha querida. Você é maior do que cogita. Foque na sua grandeza, reconheça plenamente os seus avanços. Cresça vendo a adulta que tem uma vida para cair, levantar e seguir. Conte comigo. Continuo à disposição para estender-lhe a mão e receber a sua, num laço que não se rompe com limites nem distâncias.


FELIZ ANIVERSÁRIO, MINHA SABIÁ!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Pergunta e Resposta (ou "Prosa Poética")

[Beta, leia ouvindo isto aqui...]

Aí a gente pensa: "Como não fazer algo que já foi feito?" ou, ainda, "desta vez tem de ser diferente, melhor!"; e pensa, pensa, pensa. De repente, eu estou triste, falando de perdas, isolando-me do lado vibrante do mundo, quando, no mesmo instante do súbito, o telefone toca e alguém diz: "Congratulations!"

Meu Deus! Quem seria capaz de fazer isso? De me ligar à noite e, do nada, fazer um riso sair de mim? De jogar água na cara de um canastrão dramático e provocar risadas de todos aqueles seres que o compõem, inclusive do que teve a maquiagem desfeita? Quem tem o poder de fazer a noite fria deixar de ser noite, deixar de ser fria, deixar de ser algo relevante? Quem? Quem? Quem?


Beeeeeeeeeeeta!

Engraçado, como eu me peguei comparando algumas coisas e, agora, pensando, constato que estamos entrando no quarto ano de amizade. O quinto tem de ter festa! Talvez em Salvador, pois Beta, além de tudo, de ser o meu tremelique em contorno de gente, diz-se baiana, mas de alma, de uma outra vida. E a danadinha é baiana da que "mexe, remexe, dá nó nas cadeiras", não fica parada; Dayne é uma baiana falsa, mas não a "falsa baiana". A minha Distant Dreamer aracajuana mais linda do universo e do Orlando Dantas. 


Mas quem é Roberta Dayne? Ah! Ela é a menina-moça que faz aniversário hoje. Ponto. Não quero que saibam mais nada dela. Afinal, quem já viu, ir assim falando aos quatro ventos de tesouros? E se vier alguém e for pego por ela... Xiii! Não quero isso. Não, não! Vou guardá-la como Emília fazia com a sua canastrinha.

Beta, hoje é o seu dia. Mais um aniversário junto de você, mas, desta vez, longe. Geografias. Mas o nosso lance é Letras: foi através dela, e delas, que nos encontramos ontem, para vivermos o sempre. Pesemos a nossa relação. Vejamos o quanto de raro que ela encerra. Quantos cultivam o amor dessa sorte através das palavras? Quantos se abraçam sem sentir acanhamento? Quantos se olham nos olhos e confiam aquele choro de apertar o coração, aquela confissão de dar dor-de-cabeça? Quantos têm a oportunidade de se ligar pela música ou por uma poesia exclusiva? Quantos têm isso que nós temos, minha amiga? Quer saber? Nem importa tanto assim. Vamos falar mais baixo, aliás, né?!

Beta, eu estou agora conversando com você. Falando essas palavras para você. Eu estou aí, neste momento. Enviei um vigilante ("Don Dieguito, desde Argentina, a seu dispor", sinaliza ele enquanto você dorme, em ligações de sonho, sem DDD, para mim) para tomar conta dessa minha Flor, que veio para mim para eu cuidar. 


Bem, acho que este é mais uma declaração de amor a você. Porque Beta não merece menos do que isso. Porque junto de Beta eu consigo conciliar o passado com o presente e uni-los ao futuro. Isso é tão difícil, comigo então: o tempo é um conflito intenso, como irmãos que rivalizam por uma herança. Beta harmoniza-os, acalma esses rapazes tão diferentes. Ela me acalma. Ela me faz rir e me faz chorar. E choro de uma alegria que me aperta o coração, porque sou um medroso, porque duvido tanto da felicidade, porque talvez ache que não mereça ser feliz. Aí vem Betinha, liga para mim e me faz ser o que tanto temo: feliz, ainda que por uns momentos. Em poucos minutos estamos ligados a outro mundo, mais maravilhoso que o dos Na'vi, de James Cameron. Novas perguntas surgem... Será que somos assim por sermos iguais? Que as diferenças dos sexos nos igualam? Biologias. Ah! Já disse, o nosso negócio é Letras. O nosso curso, a lição de vida que aprendi com você e essa sua beleza, que ineficazmente tentei representar nos textos louvatórios. Nos momentos em que você foi a esperança numa das minhas guerra civis. A resposta.

"Eu, leve, agradeço pelo nosso aniversário
O Criador trouxe Bito um dia antes
Só para esperar Beta vir lhe mostrar o Sol brilhante
Qual o que clarea esta manhã de 31 de março"

"Beta [de Bito]", Bito 


Sim. Estamos juntos. Eu acredito tanto em você... 

Parabéns, minha Beta!

Eu sou seu amigo. Obrigado por isso.

[e agora isto aqui]

domingo, 27 de março de 2011

Um amor puro (e a força que tem)

Mais um domingo. E eu estou aqui sem muita coragem de fazer muita coisa. Talvez melhore amanhã, que é dia de trabalho intelectual, de fato. O domingo de hoje foi, abençoadamente, comum. Lavei roupas e conversei com a minha mãe. Hoje eu a ensinei a operar o controle remoto da TV a cabo, tudo pelo Skype. Minha mãe usando Skype. É uma gracinha a minha mãe. 

Sabe, eu fico pensando - ainda que morrendo de medo de cair no clichê -, a minha mãe é a coisa mais rica que tenho. Acho que é porque nós somos bem parecidos: geralmente estamos sozinhos e precisando conversar sobre qualquer coisa com alguém, mas sem jamais admitir o fato. Enquanto eu tento entender algumas coisas que se passam, observo outras como ditados "uma mação não cai muito longe do pé". Eu e minha mãe somos two of a kind - hehehe! -. Sei lá, só sei que, num dos momentos mais importantes da minha vida, é a minha mãe quem me dá mais força, que está comigo. Eu já testei: não há "amigos", tampouco outros parentes que façam o que ela faz por mim. A maneira como acredita em mim, como disfarça a voz embargada, ou vira o rosto para que não a veja chorar, traz-me muita emoção.

É por esse motivo que quando tenho rompantes de sair pelo mundo, louco, penso nela. A minha mãe se mostrou a coisa mais importante na minha vida. Talvez um dos motivos pelos quais ainda vale lutar. Isso me emociona, mas me dá medo também. Esses lances de a família estragar as coisas e as pessoas - como muitos professam por aí - não funciona comigo. Ela tem sido a minha família, e essa família tem sido tudo para mim.

É incrível quando você pensa que não tem nada a perder; momentos em que se imagina sozinho no mundo, daí então um ser sem-igual desponta e preenche o vazio. E "puf"! A pessoa não está por sua própria conta: tem alguém por quem se sentir responsável. É coisa de Deus. Eu tenho tanto medo disso, mas só posso seguir vivendo, respondendo da melhor forma àquela que me dá tudo e que é capaz de tanto por mim. Eu reconheço e queria fazer mais do que julgo possível para dar-lhe tudo o que a faria completa e satisfeita. Mas, infelizmente, eu ainda não tenho poder para tal coisa.

Esta postagem brotou. Não era direcionada a minha mãe. Estou em frente ao computador, pensando em como seria legal se as horas congelassem um pouco. Queria ficar nesse momento parturiente de palavras e emoções. Mas as horas avançam. Elas simplesmente não param, a vida segue e tenho que ir junto com ela, observando o tempo indelével arrancar a cor de cabelos, pressionar faces contra o chão, demarcado nas constatações de vida, das crianças nascendo e crescendo. É melancólico, sou eu. Mas este é um texto de amor. Do amor mais puro. E o tempo, como todo rei, coloca-se acima da justiça dos súditos.

domingo, 9 de maio de 2010

A origem do Amor

O que é isso? Eu não sei. Talvez nunca saberei. Começou há muitos anos, muitos mesmo, para lá de vinte. Foi sempre uma relação intensa de dependência, de entrega, de amor notadamente unilateral, que foi crescendo e se transformando no que não sei explicar. Já é parte de mim.

Não me recordo bem quando primeiro vi o seu rosto, nem quando notei seus modos, tampouco quando comecei a incomodar-me com seus defeitos. Tudo aconteceu tão sinceramente: de repente, eu estava dizendo a mim mesmo coisas que antes não faziam parte do meu código de conduta. Percebi então que aquilo não era igual às outras coisas. Em dias específicos, a televisão e o rádio relembravam a sua importância, as placas, os cartões, tudo parecia girar na direção daquilo que para mim era belo e inédito, ainda que soasse forçado.

Com incentivos mil, dentro de um castelo, frequentei ambientes esclarecedores sob constante julgo. Cresci. Li teorias, deparei-me com definições complexas e assustadoras e todas aquelas coisas tão racionalmente estúpidas - que podem fazer de você escravo de escravos -. Eu mudei. Desconsiderei presentes, carinhos e demonstrações que vinham para completar e apontar direções a mim, as quais não pude ver, pois vestira uma venda opacificadora de seda. Foi quando percebi mais, que senti mais, que me tornei mais irascível, relutante em constatar que estava ali a resposta das coisas, o centro de tudo, a força motriz da minha existência.

Assim a vida foi andando - como eu e a minha sofisticada venda -, trazendo as cinzas que pintam os cabelos das pessoas e mancham as suas almas.

Quando as cinzas chegaram e tentaram invadir tudo, esbarraram numa fortaleza represadora de tudo nocivo e sem vida ao habitante de si. Ela fez tudo sozinha, forte e cheia de vontade para batalhar contra ventos naturais de ingratidão, granizos de grosseria e a poeira dos esquecimentos. O Tempo e seus sopros sucessivos abriram brechas nas paredes da Fortaleza, fazendo com que eu, o morador do templo, sentisse uma pontada gélida de Sereno. Ele brincou comigo e forçou-me a tirar a venda com as minhas próprias mãos. Eu, desolado, constatei: a Fortaleza estava grisalha e não tinha como mudar isso. Era hora do príncipe sair e ver o tempo, sem mais tapas, sem mais sedas. Tinha de usar o oferecido a mim e encarar de frente as condições da brava Fortaleza cujo corpo foi, durante anos, o meu abrigo mais resistente.

Hoje, muito aos poucos, venho aceitando a condição de restaurador predestinada a mim. Como todo novo ofício, enfrento dúvidas de know-how (sofrendo pela possibilidade de macular o meu agora frágil forte). Vejo a Fortaleza e noto como o Tempo pode ser implacável com os talhes, porém ele é necessário e não oferece prejuízo maior quando - mesmo fustigando a pedra de fortalezas - não demove os seres da sua proposta fundamental, se mantida até o fim. É emocionante perceber que pouquíssimo pôde atingir-me nos tempos em que estive ali, preservado, com a vida crescente e dependente da força matricial.

Nada, no entanto, é eterno e o Tempo, por conseguinte, muda mundos, traz virtudes e vícios a serem filtrados; ele aos poucos vai tornando vulneráveis até mesmo as construções aparentemente infalíveis. Fica nítido, são mais suscetíveis à destruição natural as obras mais humanas. É preciso sair e construir a nova fortaleza que protegerá do Tempo a pioneira.

Continuo não sabendo quando começou o processo mágico. Não preciso ater-me a pormenores para ter ciência de que é chegado o tempo de proteger, de repensar e ponderar sobre como preservar a árvore divina chamada MÃE. Na minha primeira juventude, aquela impaciência de perceber os defeitos nada mais era que o resultado do estranhamento de dar-me conta da semelhança entre a minha mãe e eu: a esquisita sensação de enxergar em uma só pessoa o seu passado, (muito do seu) presente e (a possibilidade d)o futuro; de saber que, no fundo, ela e eu somos um só num exercício excêntrico de alteridade.

As mães são a ligação mais estreita que temos com Deus, posto que são só amor. Elas têm a mão do Criador guiando os seus passos e conselhos. Isso me faz ver que existem diversos momentos nos quais suas palavras são mais do que simples frases (taxadas bobamente por nós como "chatas"). Seus atos, conselhos e admoestações contêm sabedoria ímpar, porém necessários de reflexão para o efetivo entendimento. O Tempo também traz isso para as fortalezas: as mães, à medida que vão aproximando-se de Deus, passam a falar em força uníssona com Ele. A nós, filhos, cabe escutar mais e preservar a árvore original que durante tantos anos guardou e adminstrou-nos a seiva mais pura, a quintessência do amor.

As mães são a origem do amor. A minha mãe ensinou-me tudo o que sou e deu-me o que possuo de mais nobre.

A ela todo o amor, desde a sua origem.

A todas as mães este texto, uma ínfima homenagem àquelas que, em cada estágio do Caminho, revelaram e ofereceram a mim laços maternos (atados eternamente aqui dentro de mim) chamados AMOR.

Obrigado.

domingo, 18 de abril de 2010

O Tempo nas minhas mãos

O tempo e muitas coisas parecem nos deixar, a cada volta de ponteiros, mais distante do que é caro a nós. Sabe, meu amigo, apesar disto, de constatar o meu tamanho diante da grandeza das horas, observo que o Tempo, magnânimo, nos concede permissão para senti-lo e também de olhá-lo, ao simples virarmo-nos para trás.

Quando penso nos tempos e, consequentemente, olho para o que passou, percebo o ontem - que quando hoje não me chamava tanto a atenção - como o transformado e tranformador; sinto o congelamento e sua final cristalização dada por meio de uma palavra dura, porém essencial e contundente: o passado. É estranho ver os anos erguendo construções, levantando e derrubando deuses e, simultaneamente, perceber ações - outrora atuais e possíveis de se realizar no intervalo de uma semana - voltando à sua cabeça como imagens, situações não mais táteis, mas tão dicotomicamente devastadoras e delicadas qual o peso de uma mão, da carne e do osso.

Aí vêm as recordações. De você, meu bom amigo, eu guardo só suavidades. E através destas mãos de carne mais osso urge dizer-lhe do quanto conhecer-te foi, é e será importante a mim e ao meu Caminho. Como uma canção, nossa amizade está guardada aqui dentro e, mesmo que não saiba a letra completa de cor ou troque algumas de suas palavras, minhas mãos estão reanimando as horas com todo o seu peso, com toda a carga, com todo sangue e osso. Tão vulneráveis e tão fortes como só sabe ser quem se reconhece humano. Estas mãos estão ora sendo regidas pelos ouvidos, guiados pela música, desnecessária de letra, cuja lembrança é absolutamente impossível de ser olvidada. Diante das horas, filhas adolescentes do Tempo agente, eternizo nas palavras este sentimento superior, bem como as sensações registradas do que nasceu e vive. É a força da mão que também faz.

Sua passagem plantou em mim a felicidade da poesia e arrumou todo o canteiro com música. Fosse Coldplay, fossem os Beatles, tudo vinha embalado num sonho nosso e numa Epiphania sua tornada pública, sucesso de público, aliás. Amigo, você sempre foi sucesso de audiência. Dei-me conta de ser mais um dos seus grandes fãs - emocionado pelos seus avanços, por ser parte da sua existência tão Yellow -, atualmente o que deixa testemunhos verídicos ao ver quanto "os astros conseguem fazer por aqueles que vivem no escuro"; sou aquele antigo ouvinte constante de Trouble, esperançoso e grato pela existência de Parachutes. Nossa amizade foi sim um para-quedas dado a mim no momento mais oportuno, mas que, como em todo salto, uma hora tinha de ser cedido para o próximo. Eu agi, não quis sequestrar o seu brilho.

Ainda estou aqui mostrando-lhe a importância de mais um ano seu no Planeta em que habito e das coisas boas cultivadas durante todas as espécies de tempo (perto e longe das nossas casas; cronológico ou psicológico daquelas nossas vetustas aulas de literatura; os das risadas, dos atrasos, das "viagens" de ônibus, dos papos sérios e também dos surreais) nas quais a sua generosidade nunca me deu tempo de cerrar em minutos: se é papel do Tempo fazer isso, eu tenho as minhas mãos.

Feliz aniversário, meu GRANDE Saulo. Seja sempre o meu AMIGO, que sei nunca vou achar igual.

Este texto é só saudade.


"We live in a Beautiful World"

domingo, 11 de abril de 2010

Resposta a uma colibri

Há exatamente treze dias, uma pessoa me mandou um texto intitulado "ao meu poeta serigynho". Eu o li. Hoje, quando estava para responder-lhe a mensagem - via e-mail -, resolvi fazer diferente e oferecer a ela uma postagem exclusivamente dedicada aqui (espaço mais importante para exposição das minhas ideias). Tive uma tremenda surpresa quando vi no seu blog um texto (disponível aqui) e uma foto nossa. A emoção tomou-me por completo...

Eu sempre fiz questão de não me curvar diante de ninguém. Muita gente me viu e me vê como alguém que não expressa o que sente, um ser de aspecto sisudo e fechado. Tornar-me assim foi à custa de muito esforço. Na verdade, diante dos seres que conheci, ficou fácil assumir essa postura, alimentar essa criatura guardiã dos portões de um espaço desconhecido por mim.

Numa espécie de castelo, vivia imerso em sombras, não entendia coisa alguma, posto que não via nada. Eu temia apenas. Tinha pavor quando passos se aproximavam, quando vozes chamavam. Com medo, eu me escondia cada vez mais.

Certo dia, sem querer, algo aconteceu. Na vida se pode evitar muita coisa; podem-se prever desastres, mas não se consegue, jamais, deter a Natureza. Assim, da boca d'Ela, veio voando o Vento. Ele trouxe consigo a Flor, que caiu dentro do meu Castelo. Não a vi; eu a senti, e seu perfume agreste mudou o clima do local. Decidi levantar, andar e abir as cortinas. Eu, quando levantado, ainda (e só) vi os portões e, pior, a criatura medonha que os guardava. A Flor era perfumada, no entanto frágil; aflito com a sua segurança, voltei-me para as sombras, porém antes a pus no vaso mais lindo que ali havia. E, assustado, com a minha flor, voltei para adentro do recinto e a cada novo temer daqueles passos e vozes a cheirava bem forte. Permaneci assim, pensando que o mundo éramos só eu e aquela rara flor.

O tempo foi passando. Ainda estávamos a Flor e eu. Mais uma vez senti algo diferente. Sim, era uma espécie de vento, mas não era o Vento. Algo trazia uma brisa que delicadamente fazia as cortinas se resvalarem. Ao ver a intermitência dos raios solares dentro do meu recinto sombrio, senti-me intrigado e levantei-me. Era um pássaro, uma beija-flor que viera atraída pelo que havia de bom comigo. Percebi, desconfiado, seu esforço em penetrar naquele canto escuro. Eu, já descontente com aquele lusco-fusco, olhei-a - com algum esforço - nos pequeninos olhos, resolvi confiar e abrir-lhe as cortinas. O Sol voltou a entrar. A sensação foi indescritível, única: era a vinda da Felicidade. Da janela, vi que a criatura dos portões não era tão grande quanto o Sol, nem tão intensa como a Flor, tampouco tinha a força que aquela beija-flor me trouxera através da sua doce insistência.

Munido da minha Flor, confiante com o Sol e tendo ao meu lado o Vento impulsor, fui, abençoado pela Felicidade, enfrentar a criatura que me impedia de abrir os portões. A Beija-flor então precipitou-se à minha frente e no seus saltos e firulas aéreas me indicou um novo caminho. Confiei novamente nela e segui a direção: era um espaço completamente original, preenchido, perpassado e circundado por flores diferentes, lindas e vivas, onde o Sol brilhava mais forte e o Vento dançava com as borboletas cheirosas a jasmim. Dei-me conta de que estava num jardim e, logo, de que o lugar escuro e frio - minha morada por tanto tempo - era um dos espaços do Castelo. E eu só reconheci aquele novo lado graças à Flor e, mormente, à nobre teimosia da minha Beija-flor.

Passei a amar aquele ser de luz por sua maneira sutil de ter-me aberto o Horizonte. Ela não foi como os outros, não veio me invadindo com o peso de passos, tampouco me assustou vociferando por atitudes; sua presença veio qual um balé, numa música que me embalou a ver o lado inédito e de mais salutar em mim.

Agora entendo o acontecido. Sei que a minha Beija-Flor veio mostrar-me a Primavera.

Obrigado, Elynne, por fazer dos nossos encontros lugares de Primavera. Obrigado por vir fazer-me ver o jardim que existe em mim. Obrigado, por me fazer chorar ao ver a surpresa de uma foto nossa no seu blog. Obrigado por me fazer sentir as lágrimas boas - que eu ainda as tenho! -, por me fazer um ser melhor com o seu jeito incrível de me amar. Por favor, entenda quando algumas vezes eu me sentir acossado pela criatura dos portões, mas não deixe, em hipótese alguma, de me trazer o Sol. Por favor, não se esqueça de me trazer Luz. Obrigado, Elynne, por ser simples e completamente a minha Beija-Flor.

Obrigado por, neste mundo de aparências, gostar de mim de graça e por despertar aqui dentro algo tão bonito que me faz chorar neste instante, ao finalizar este texto.



Obrigado, minha Beija-Flor.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

mea culpa (ou "colega x amigo")

Tinha decidido não ficar escrevendo coisas demasiado psicológicas durante essas postagens de férias, no entanto um fato que notei me chamou a atenção: os termos "amigo" e "colega". Eu os usei durante várias passagens do meu texto anterior (é, eu releio os meus posts!) e não achei justas algumas coisas colocadas ali. Rever o que postei levou-me a fazer ponderações sobre como a linguagem é importante para designar, definir, assim como para afastar. Usei "colega" (uma palavra perversamente polarizante) em três situações: num primeiro momento, para uma pessoa que tenho convívio na universidade (a do livro), num segundo, para falar da amiga da minha irmã e, numa terceira oportunidade, para tratar da deliciosa companhia que tive ontem à noite - e que me deu um momento de bem-estar depois das atribulações por que passei. Nesta última colocação fui absoluta e tolamente injusto. Não foi só uma "colega" a pessoa que me acompanhou ontem, mas uma AMIGA (a qual amo e que entende os meus vacilos toda a vez que me ponho a tratar de certas coisas), pois já não lhe nego minha infantilidade, minhas fraquezas idiota(mente) masculinas. Esse texto é para dizer que amizade para mim é isso: é me fazer esquecer do mundo quando estamos lado a lado. Isso é amor, e eu, com certeza, amo essa minha AMIGA (bem muito - hehehe!). Tem vezes as quais eu, sozinho que sou, fico pensando como é triste ser gelo, uma coisa só, aí então me vêm à cabeça as pessoas que acompanham a gente, que insistem em estar do lado, em nos puxar para o Sol, ao Azul, a ser Vida. Não considero serem "colegas" esses seres. Não é possível esquecer as horas em que estou cansado, odiando o universo por estar nele, por ver e ser companhia dos cupins que o parasitam, e chega alguém a me fazer rir por uma bobagem que vale mais do que ouro. A vida volta a ter brilho e luz; renasce a graça de existir. Isso não é ser mais "colega". Quando a gente sente que faz parte da vida de alguém e que esse alguém nos diz que tem saudade, e ralha conosco pelo tempo de separação e nos olha: você sabe, já não há espaço para palavras, mas um indescritível e único abraço. Não acredito ser isso simples coleguismo. Quando se pensa trocentas vezes sobre se uma ação sua pode interferir na harmonia de alguém, em específico, ignorando aquele papo chato de catequese sobre "o próximo", existe sim uma distância entre o que é um colega e o que é um amigo. Quando você olha uma foto, pára (com acento diferencial, pois como Caetano, defendo esse brasileirismo!) e se dá conta do quanto mudou, aprendeu e, no instante, alguém especial vem a sua cabeça: ali se é um texto e ali está a surpresa fantástica de estar sendo lido, sendo fonte a alguém. É lindo e indescritível. Você é importante para alguém. Porra! Esse "alguém" já não é só um "alguém", um "colega", já é amigo. São coisas que não se tem às pampas hoje em dia; são fenômenos, manifestações raras, que estão numa rota por onde passa um multidão necessitada, direcionada apenas a um fim (que varia de um para outro) e que desconsidera que detrás das pedras alguém deixou um presente para sua vista cansada. É o amor, e tanto amor precisa ser retribuído com amor, com atenção. Não quero ser "rei". Não quero mais ter um milhão de amigos. Quero amigos fora desse milhão, pois colegas multiplicam-se, reproduzem-se em milhares e milhões e, no fim, só te sufocam (eles são o "mundo-lobo-bobo"). Definitivamente, amigos para mim são assim: um em um milhão. Não são colegas. Nunca serão. Peço desculpa pelo lapso de esquecer que no mundo ainda existem surpresas atrás das pedras da estrada, flores raras chamadas AMOR. Amo-te, minha amiga, eu te amo, meu amor.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Uma mensagem para 2009

Pois é chegada a hora. Aquela de me despedir de mais um ano, um que foi múltiplo para mim. Andei dando uma olhada nos posts do ano passado e vi como, na maioria das vezes, poucas coisas mudam quando a gente quer que não sejam mais as mesmas. Vou deixar este filosofar de lado e partir para o ponto do post de hoje, último de 2008:

Na verdade, quero aqui deixar uma mensagem para o novo ano, que já bate à porta nossa: temos doze meses dentro dos quais umas vidas começam, outras terminam, bastantes se perdem e algumas outras se encontram. Para certos acontece tudo isso e então tem-se o que é raro, o crescimento enquanto ser. Do fundo do coração, desejo a todos que neste novo ano (re)pensem mais nas próprias vidas e ações e que também se perguntem e que façam isso bastante, pois o mais importante de tudo, o que aprendi e quero compartilhar, é que ser humano à vezes parece ser algo tão pequeno, no entanto que não é legal nos deter ao óbvio, objetivar a pequenez. Como certa vez ouvi dizer Lacan, a linguagem é tão aberta que não se pode fechar numa moeda cara/coroa; assim é cada ser vivente: existe numa outra parte bifurcações repletas de possibilidades, novidades e diferenciais que notei ainda não foram detectados por boa parte das figuras que habitam este planeta - seja porque não talvez não haja mais tempo para isso, seja porque é tarefa nada fácil pisar em campos recônditos, enfim, qualquer que possa ser a razão se perde muito por essa "falta de atenção".
Deixemos então de ficar presos aos detalhes que não contribuem em nada para a evolução. Afastemos-nos daqueles que insistem na destruição e que não se importam em corromper o mundo com mentalidades pequenas: se valer a pena, numa missão especial, pode-se fazer uma tentativa de ajuda. Sem sombra de dúvidas o mais útil é estar atento. Alerta para a os adoradores da casca do mundo.
Confesso que não ando feliz com o mundo como está, mas é para isso que servem os começos, para reforçar que a Esperança sempre terá lugar cativo no baile da Vida e que a entrada dela com as suas filhas, as Possibilidades, sempre farão os que ainda riem na (e com a) vida ver que o mundo é um lugar bom, que vale a pena viver, que, como assisti hoje Dorothy dizendo, There's no place like Home!

OBRIGADO 2008. FELIZ 2009 a todos!

Solo le doy gracias a Diós!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

My '08 Xmas...

I just couldn't feel the "'08 Christmas" as the other ones. I do not know why but I didn't succeed to be happy as well as before. It was such an ordinary day for me. It wasn't supposed to be this way: that's Christmas after all! I got very sad for feeling like that, so I had no other way but to think of a song that could represent my feelings in a very good manner:

"Where Are You Christmas"
James Horner

Where are you Christmas
Why can't I find you
Why have you gone away
Where is the laughter
You used to bring me
Why can't I hear music play

My world is changing
I'm rearranging
Does that mean Christmas changes too

Where are you Christmas
Do you remember
The one you used to know
I'm not the same one
See what the time's done
Is that why you have let me go

Christmas is here
Everywhere, oh
Christmas is here
If you care, oh

If there is love in your heart and your mind
You will feel like Christmas all the time

I feel you Christmas
I know I've found you
You never fade away
The joy of Christmas
Stays here inside us
Fills each and every heart with love

Where are you Christmas
Fill your heart with love


NATAL... Pensemos...