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domingo, 11 de janeiro de 2015

Eu... domingo... 2015

Hoje é o primeiro domingo de 2015. Eu já tinha falado para mim mesmo que este ano tudo será diferente. Hehehehe! Nada muito original. Enfim, o ano começou e vem cheio de velharias; na verdade, janeiro sempre é assim: é uma espécie de continuação do ano anterior em que todos temos que ir aos poucos acordando e nos dando conta de que o ano passado passou.

Eu mesmo ando às voltas com coisas e coisas. Coisas de meu doutorado, coisas de meu coração, coisas de minha alma. São três áreas que têm se mostrado bastante pesadas em mim, e elas têm pesado muito mesmo. Às vezes acho que as coisas por aqui já deram o que tinham que dar; já, em outros momentos, lembro que ainda não acabou: "it's not over yet", como tem em uma canção que eu adoro...

Ano passado muitas coisas aconteceram. Eu me machuquei feio; eu me vi apaixonado; eu caí fortemente. Lado do coração total fodido. Tentei im concurso legal, passei em todas as fases e nem fui selecionado. Era uma direção a respeito de um futuro que nem eu mesmo sei qual é porque me sinto tão deslocado, algumas vezes. Eu penso se isso tem a ver com minha já terrível solidão.

Já não tenho paciência para as pessoas a meu redor... Enfim, tem vezes que penso em sair daqui e tal, entretanto estou indo rumo aos trinta! Meus amigos já está trabalhando e tal, eu sigo estudando. Não estou - e nem posso estar - reclamando porque é uma etapa por que preciso passar para conseguir uma coisa melhor nessa vida tão louca.

Brasília, sem dúvida, será sempre uma página inesquecível de minha vida. Sinto que cresci de um jeito que não seria possível se houvesse me mantido em Aracaju. No entanto, não sei o quanto de bem esse "crescimento" me trouxe. Hoje sou uma pessoa inconformada com tudo e com todos; sisudo; que internamente luta contra uma aparente vaidade,  a qual, em realidade, mostra-se como uma desculpa para não deixar de querer um mundo de meu jeito.

Estudar discurso me mostrou um mundo sem véus, podre, nojento. Pelo menos, foi isso que mais me marcou. Em Aracaju, eu não tinha uma percepção tão espúria da humanidade. Dizem que isso é ter a tal visão crítica do mundo. Pois bem, agora, nada mais me deixa tranquilo e, com "nada", eu me refiro à tevê. Eu,  definitivamente, não suporto muito tempo ficar olhando para uma fábrica de ilusões tão perversa... Mas não sei se isso é uma coisa ruim, talvez, seja bom sentir isso. Um dia, quem sabe, volto aqui e escrevo sobre televisão.

Enfim, estou terminando de escrever este texto em uma segunda-feira. Ainda no domingo, falei com uma amiga de alma que também passou por uma situação complicada, mas que parece estar se recuperando. É o que mais quero atualmente: recuperar-me disso que não sei precisar o que é.

Agora, são 05h40 da manhã e me levantei para retomar meu texto para a qualificação de meu doutorado. Vou trabalhar!

PaBlO

sábado, 31 de agosto de 2013

Por aí...

Depois de dormir e acordar em minha casa brasiliense, aos poucos vem voltando a noção de estar ao ponto de inicio, ou de continuação. Em pouco mais de duas semanas fiz uma trajetória do tipo 'detox' que englobou em um curto período de tempo o que eu precisava para saber mais um pouco da Vida.

SÃO PAULO (14 a 19 de agosto) - Outro Lugar do Mundo


'Mão', de Oscar Niemeyer (1980), São Paulo
Eu saí de Brasília, com minha cabeça ainda ecoando o que falei (repetidas vezes) àqueles/as que vinham falar comigo sobre planos presentes e futuros: "estou cansado; preciso descansar"; então, falava a mim mesmo que São Paulo seria, a partir daquele momento, 'Sampa'. Embalado pelo drum 'n' bass de Fernanda Porto, fui saboreando desde a saída do aeroporto de Guarulhos o diferente cinza paulistano. Observei, de dentro de um ônibus, uma cidade rápida, pessoas várias, vezes espremidas, vezes soltas em um dia que parecia ter sido enviado para minha chegada. Engraçado, daquela vez, resolvi fazer tudo diferente, ou seja, nada de táxis e afetações imbecis: fiz tudo saboreando a realidade que é de todos/as aqueles/as que encaram a 'vida real'. Ouvi Emicida e Criolo falando de uma cidade que, apesar de não ter visto propriamente, mostrava-se em expressões e roupas e jeitos. Incrível! Vi arte, andei tanto de metrô, senti-me
A visita da Alegria, ago/13
parte daquele espaço tão complexo e tão amplo, que apresentava uma pluralidade tão única. Sampa foi pra mim sinônimo de cultura, lugar onde eu pude estar um pouco mais preocupado em entender o que me dizia uma figura rebelde de Tomie Othake e o que eu poderia reconhecer como sendo eu, como um Brasil em andares e paredes da Pinacoteca. Até que veio um presente em forma de amiga. Ela, que, além de me mostrar uma banda mais bonita da cidade, foi ela mesma a portadora da coisa mais bela de Sampa. Foi a segunda fase do período áureo da fuga estratégica planejada. Nós sorrimos tanto, abraçamo-nos tanto; falamos de coisas e sobre coisas cujas possibilidades de realização mostram-se aparentemente bloqueadas diante da correria da sobrevivência dentro de centros cinzas e concretos como onde vivemos. A despeito das artes e da tecnologia, que me fascinam, andar de braços dados com alguém tão sedenta de raridades quanto eu foi a melhor coisa de Sampa para mim. Nós ficamos algo triste nos instantes finais, mas esperançosos de que os ventos de beleza nos mostrem a direção para novos reencontros. Ela me trouxe a inspiração de volta. Mais informações (hehehe!): aqui.

CAMPINAS (19 a 23 de agosto) - Um Dia muito Cedo


Depois do onírico de minha fuga estratégica, fui rumo ao purgatório. Viajei a Campinas para encerrar algo que não tinha nome, um assunto virtual que eu precisava entender. Lá, ele me recebeu. Desde Sampa vinha ouvindo 'Too Much', das Spice, e pensando no trecho "I need a man, not a boy who thinks he can"... eu parecia esperar ansiosamente por esse trecho porque traduzia o que sentia. Nossa história. Quando nós nos conhecemos, foi algo lindo. Foi 'Tiergarten'. Algo que parecia ter começado como mais um encontro casual de viagem e que terminaria na própria viagem. Ledo engano. Sutilmente, foram os gostos parecidos, similitudes outras diversas e, subitamente, pegamo-nos prometendo um ao outro algo que nem nós mesmos sabíamos o que era: apenas não queríamos perder o que parecia tão delicado, talvez plasmar em um projeto a ser resolvido aquele encontro raro de se dar. Dentre esses últimos um ano e seis meses, após telefonemas, mensagens, nós nos encontramos duas vezes. A primeira vez que nos vimos após nosso encontro de almas, ainda em abril do ano passado, foi um momento também diferenciado: fomos a um lugar lindo e com gente amiga. Naquela fase, estávamos aproveitando de modo mais tranquilo a companhia um do outro, aquela coisa de ir ao supermercado juntos, comprar as coisas que seriam necessárias para, tipo, uma temporada no paraíso. Enfim, não me lembro exatamente do modo como estava me sentindo, na época, em relação àquilo tudo porque era a primeira vez que uma coisa daquelas acontecia em minha vida. Eu só me recordo que estávamos refugiados, apartados do mundo e de nossos medos e questões externas: fomos só cuidados e mimos e beijos e abraços e tudo mais que duas pessoas que se 'acham' neste mundo podem ser... e fazer. Mas não tardaram a vir as Eternas Ondas para nos levar de volta à vida cotidiana. Para ele, não sei, parecia uma situação de provável contorno, como se nossa separação física  fosse ser resolvida nas próximas 'férias com direito a um amor para chamar de seu' - as quais poderiam se repetir dali a alguns meses. Não bastavam para isso ligações noturnas e mensagens. Para mim, aquele cenário não estava agradável, pois não encarei - e não encaro - minhas relações como períodos de recompensa por uma vida monótona; sendo assim, aquilo já me incomodava porque não havia algo concreto, uma relação de verdade. Era uma brincadeira. A distância, então, passou a pesar de verdade porque me via falando vasos chineses por mensagens e as chamadas eram de uma monotonia esquisitíssima: "e aí, como foi o trampo hoje?"; "o que você fez hoje?"... e as respostas: "Normal". Passamos a falar de quaisquer coisas que pudessem sustentar meia hora de papo: tevê, problemas de casa, cotidiano. E eu sempre falando mais, esforçando-me mais para estabelecer fios narrativos... Ele me falava de saudades, e eu já não sentia saudades; ele dizia que queria me ver, e eu já nem queria tanto. Para mim, nós dois éramos uma lembrança bonita, mas que se resumiu e concentrou na perspectiva da possibilidade. Eu havia me dado conta disso. Chegou, enfim, o tempo em que combinamos novo encontro. Foi justamente na fase confusa por que vinha passando. Eu fui. Após Sampa, eu me sentia um pouco mais revigorado, pronto para seguir, mas então com coisas novas e diferentes. Uma vez junto dele, tentei entender o que acontecia, se havia a possibilidade outra da concretude de uma relação, que aparentemente ele queria. Além disso, o sexo passou também a não ser tão bom quanto antes, talvez, porque algo em mim tivesse mudado. E passei quatro dias pensando sobre aquela nossa vida, sobre como avançar sem causar danos, como talvez tentar salvar nossa vida. Não deu. Abafado pelas obrigações do trabalho, ele chegava no fim da tarde, saía cedíssimo e eu ficava um dia inteiro dentro da casa dele, vendo coisas no Netflix, remoendo memórias, cogitando estratégias, sozinho, como eu não queria estar. Com ele eu me sentia ora completo, ora vazio: eu sentia que a conversa não se afinava. Definitivamente, para mim, não era mais a mesma coisa. Veio o dia em que, por faltas de ambos, rompemos de vez. Sem verbalizações.  Típico. Mais uma vez, estávamos sublimando-nos a nós mesmos, plasmando nossa história em uma virtualidade que já me incomodava havia algum tempo. Foi um dia depois de seu aniversário e me doeu muito ter dissipado aquela névoa de uma forma inerente a ela: triste e calada. Encerrava-se em uma manhã fria um tempo de beleza e raridade com alguém verdadeiramente bom, mas incompatível com a atual fase de minha vida (e com as perspectivas que Sampa me soprara havia pouco). Não havia mais espaço para o que tínhamos em minha vida. Eu escrevo com certo pesar, mas não consegui chorar. Preferi seguir. 

SALVADOR (24 a 29 de agosto) - Gostar de Alguém


Elevador Lacerda, Salvador
Na última parada da minha fuga estratégica, fui para a calorosa Salvador. Durante o voo de uma cidade para outra, não saíam de minha cabeça as palavras ouvidas e as lágrimas vistas. Eu, no entanto, daquela vez, não me culpei totalmente por aquilo, por tudo o que escutei. Ouvindo 'Day to Soon', da Sia, via da janela do avião o nada que transforma em linhas e contornos aéreos cidades inteiras e como podem ser tão frágeis as relações também. Lá de cima, pensei muito nele, mas decidi que tudo aquilo estava sendo feito por mim porque eu precisava respirar, sair de uma submersão gris. No dia seguinte, eu me encontraria com um amigo e uma nova etapa começaria. Campinas passava a pertencer a um passado. Era a hora de sentir e de voltar à Terra. À noite eu cheguei à capital baiana. Decidi seguir a conduta adotada em Sampa: busão total e gastos mínimos. Peguei minhas três bagagens e embarquei olhando atentamente aquela confusão de casas empilhadas e de prédios imponentes que caracterizam um dos lugares onde mais gosto de estar. Desci no lugar certo e fui andando até o Laranjeiras Hostel, no Pelourinho.Começava ali mais um momento incrível dessa temporada... Nem sei como contar... nem sei como contar...Enfim... Meu amigo chegou lá, tivemos um momento muito legal, pois ele 'me forçou' a sair, conhecer lugares que, se não fosse por ele, não iria.
Irmãos - Pelourinho, ago/13
Mas o que Salvador me trouxe mesmo foi um amor de verão e a descoberta de que tenho um amigo-irmão. Rimando como uma boa canção. Estou rendido às memórias daquela pele cor de noite, daquele sorriso... Ah! Mudando de assunto... Hehehehe! Salvador, a cidade e suas pessoas, o movimento, o calor de lá coroaram uma trajetória que serviu para ver Brasília como um lugar de passagem, no qual, provavelmente, terei de focar cada vez mais nas coisas que quero para avançar e seguir. Salvador reavivou em mim o sentido da graça, de coisas raras,  como o falar por falar, sem que haja interesse ou uma personagem arbitrariamente vestida para impressionar. Lá, sem querer, eu voltei a sentir amor, graça, desejo, ou seja, voltei a me sentir humano, com sangue nas veias. Um detalhe: quando saía andando pelas ruas, não tanto pelo Centro Histórico, via que foi dali que eu vim, aquele clima 'insuportável de quente' era minha origem: meu Nordeste gritava outra vez. Eu andei. Eu vivi. Eu senti. E já essas coisas são difíceis neste momento, para mim, de descrever.

Agora, dois dias depois de haver chegado, estou aqui pensando em como retirar e aplicar ensinamentos para a nova temporada. Preciso pensar com cuidado, pois vivi coisas muito boas para minha proposta de evolução. Acredito que estou entrando em uma fase de encerramento de ciclo. Sinto como se esta fosse a primeira etapa do fim arrumando o início de outro momento. Talvez seja agora a hora de colocar em prática os planos subsequentes imaginados e desejados lá em Aracaju. Whatever... De qualquer forma, é bom voltar a me sentir na Estrada.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Mortificar: 1ª pessoa do singular

Segunda-feira. Caminhando para o segundo semestre de 2013. Para hoje, eu tenho um sem-número de coisas para fazer. Eu viajo na quarta-feira para Sampa. É uma daquelas minhas loucuras, mas, claro, planejadas. Enfim, isso importa pouco neste momento; o que me faz escrever é um sentimento esquisitíssimo de desordem interna. Eu me sinto como se tivesse sentado em um monte de coisas por fazer e sem dar conta de executar um passo bem. Não sei, ando dizendo a todos que estou cansado, cansado... cansado demais. Ando cansado de tanto cansaço.



Hoje acordei e fui lavar a pilha de pratos habitué de minha casa. Por sinal, minha casa é um capítulo à parte. Eu me sinto em um misto de prazer e dor dentro dela. Eu devo isso ao início. Logo quando cheguei aqui, umas coisas estranhas aconteceram: a torneira do banheiro quebrada (por mim) e água para todos os lados; uma conta abusiva de água; pingueiras assustadoras; até a perda da chave... (até tive uma bicicleta roubada) enfim, coisas que me fazem não relaxar nunca: sempre acho que algo vai acontecer. Eu me digo às vezes que não devo reagir de forma tão grave porque, no frigir dos ovos, são coisas corriqueiras; porém, em outros momentos, sou invadido por uma sensação terrível de desamparo que se converte em lágrimas. E ninguém sabe disso. Enfim, acredito que isso é a vida também - refiro-me às preocupações cotidianas e aos acidentes diários. Só sei que minha incapacidade de concluir as pendências têm servido como uma desculpa formidável para me sentir mal, 'o só', 'o incompreendido', ou seja, aquele Pablo que conheço super bem e de quem não gosto muito. Mas é a síndrome. Não estou culpando a humanidade pelas consequências de minha vida.

Além das aventuras de ter uma vida para tocar, eu tenho passado pelo campo lúgubre da solidão. Minha companhia mais assídua (que coisa deprimente, meo deos!) tem sido a televisão. Também, em alguma medida, é uma escolha. As pessoas me chamam, eu saio com elas, mas tudo me entedia porque não quero ter de passar muito tempo fingindo não me importar com as coisas que não concordo - e que são absurdamente praxe social. Minha própria acompanhante me enfada: não tenho mais paciência para telenovelas; a maioria dos programas é um insulto à inteligência e os telejornais parecem executar o movimento de batedeira, ou seja, circulares em movimentos elípticos, misturando tudo em massa e voltando a rodar. Estou enjoado. Eu preciso de férias, mas não sei se conseguirei ter o tempo de que preciso. O tempo também acaba comigo. Agora, por exemplo, estou calculando ficar escrevendo aqui no blogue até determinada hora para que eu tome banho, coma alguma coisa e saia para pagar as contas (cujo pagamento, ainda segundo minha cabeça, deveria já ter sido feito na parte inicial do dia!). Eu noto: infelizmente, não se trata de encontrar uma saída para o desconforto que sinto, mas de aprender com tudo o que está acontecendo a contornar o que já aponta para uma quase paranoia. Isso é preocupante. Isso é profundamente chato. É uma merda 'ter de aprender' o que não se quer.

A questão é que, para mim, estou claramente em um período crítico. Não sei, mas me vejo querendo superar essas coisas, entretanto, se analiso friamente, observo que talvez eu precise aguentar um pouco mais, reconhecer minhas fraquezas e mais coisas outras vindouras. Estar aqui, no blogue, já é um primeiro passo. O fato é que não tenho vontade de fazer nada nesse contexto, e isso me mata. Quando entro em casa, só quero ver televisão, comer, dormir e, se possível, não levantar. Tenho muito, muito medo dessas coisas, pois vem junto um zilhão de outras. A saudade de minha mãe é uma delas. Aquele desejo de estar do lado dela quando me liga perguntando amenidades - tais como colocar um acento nas mensagens escritas no Facebook para minha irmã - é doce e venenoso. Minha melhor amiga me dizendo que queria me ter por perto porque está passando por uns perrengues e que tem se sentido meio sozinha é nada mais do que mortificante. São as saudades de Aracaju, um local deturpado em beleza pela solidão vivida na fase brasiliense de minha vida.

Não sei se necessariamente trata-se de início de depressão, pois minha vida em Brasília tem sido, em si, 'pressurizada'. Quando dou por mim, estou me vendo cobrado, em diferentes modos, níveis e escalas. Sinto uma pressão para 'ter e ser isso', 'ter de fazer aquilo', 'ter o tempo, tempo, tempo, tempo, tempo, tempo, tempo para tal atividade'... é também o dinheiro que nunca sobra, como antes, e meu medo de passar por apertos. Isso me faz não querer sair de minha casa, mas pouco adianta, pois a televisão, minha tal companheira, projeta a realidade que me machuca, contudo de maneira atrativamente fria e angular, na mais alta definição. Penso na companhia dos livros, e vejo-me sem tocá-los. É, sem dúvida, o sinal de alerta. 

Ir a São Paulo talvez me dê uma possibilidade de correr daqui... uma fuga. Eu assumo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Overreacting?

Hoje é a minha defesa de mestrado. Chegou o dia. Eu acordei cedo hoje, quando pensei que fosse passar boa parte da manhã na cama - para o tempo passar mais rápido. Eu não sei se estou me sentindo ansioso pela apresentação em si; na verdade, eu acredito que é o conjunto das coisas. Estou esperando a resposta da imobiliária sobre uma casinha que estou para alugar, cujo preço mensal foi o mais em conta levando em consideração a localização. Como as coisas nunca parecem ser tranquilas, tem um pormenor que não está me fazendo ter paz. Talvez nem tenha fundamento o meu medo, mas ultimamente não ando normal e isso está me fazendo perder o controle. Não me deixa bem a ideia de não ter lugar para ir - ou ter de incomodar as pessoas e me sentir incomodado por ser um 'corpo estranho' na rotina de meus/minhas amigos/as. Eu me sinto assim. Péssimo.



Poderia ficar falando mais sobre isso, sobre a questão da minha ansiedade e de seus porquês, mas hoje o dia é o da defesa. Hoje, finalmente, será encerrado o ciclo do mestrado, que começou tão bonito,que foi sofrido, mas que encontrou seu caminho. Queria estar mais tranquilo para escrever coisas bonitas, mas elas andam tão distantes de mim. Ainda assim, espero ter a oportunidade de escrever sobre elas, exorcizar esses pequenos demônios que não têm me deixado em paz.

Minha mãe está na casa da mãe de uma grande amiga e eu fico contente por isso, pois não estou nos melhores dias para ser companhia de ninguém. Ainda isso. Tudo e todos me incomodam de uma maneira intensa, contudo não acho justo descontar em outrem problemas tão meus: eu não explodo e, consequentemente, não me sinto bem com aquilo remoído dentro de mim, por isso queria apenas me afastar, recolher-me um pouco, descansar de algum modo. Mas onde? Sei lá... Aqui estou eu falando de preocupações outra vez. 

Acordei me ancorando em uma palavra de força e fui ouvir Whitney cantando 'Step by step'; com ela me senti melhor...



Preciso mesmo ouvir quem me diga que tudo dará certo, mesmo que eu não acredite. Ontem, estive com uma amiga de vida, que não poderá estar na minha defesa, mas que deixou de ir para casa depois do expediente de trabalho - que deve ser normalmente cansativo -  para me escutar falar sobre meu trabalho. Eu achei tão bonita a atitude. Eu me senti amparado e ela não sabe o quanto me ajudou. Eu posso dizer que tenho boas pessoas do meu lado, mas não quero entrar na vida delas mais do que é saudável para a nossa relação. Acho que é meio (ou totalmente) orgulhoso isso, mas, no fundo, é medo de perder essas pessoas iluminadas. Durante esses últimos dois anos conheci gente muito podre, vampira e isso me afetou tanto... Eu, de fato, preciso me recuperar de todo esse lodo que respingou em mim. Às vezes penso que isso possa ser atitude de menino mimado, ou seja, quando as coisas 'apertam', de fugir; por outro lado, tento me entender: tudo que tem acontecido é tão novo para mim e, feliz ou infelizmente, não consigo ser um super-homem. A situação me dá medo e o medo também salva. Ademais, quem realmente sabe de mim sou eu. Preciso me recolher para recobrar as energias, pois sei que, se as coisas estão difíceis agora, em algum momento, outras melhores virão para que novas não tão boas voltem a acontecer e que eu,  assim, consiga superá-las. Acho que é algo inerente à Vida. Como essa amiga me mostrou ontem, é preciso esperar e confiar na Luz. Apesar desses tempos aparentemente não tão claros, sinto e vejo que não estou sozinho: o escuro não é tanto assim e, apesar do meu medo, conseguirei superar.

Mas hoje é a minha defesa e, sobre ela, não há mais o que fazer a não ser ir lá, falar e ouvir.

Que eu tenha uma tarde boa.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Enquanto isso

2013. 18 de fevereiro. Faltam três dias para o encerramento de um ciclo. Eu pensei que estivesse levando mais tranquilamente a situação, mas hoje vi que não. Tem mais de seis meses que não escrevo aqui. Isso me fez falta, muita mesmo. Bastantes coisas aconteceram, e elas foram importantes, mas acabaram engolidas pela minha missão de encerrar o mestrado: eu precisava escrever a dissertação. Eu me desconectei muito seriamente.

Mas, enquanto isso, o globo terrestre girou. E tantas coisas chegaram e passaram. Neste momento, depois de acabar de acordar, assumo: estou cansado. Cansado de um modo que não me lembro de ter estado há tempos. Não suporto intensamente as coisas e pessoas - que talvez tenham entrado no balaio de pressões que se tornou a minha vida nos últimos tempos. Não estou triste ou reclamando, pelo contrário, encerro uma fase na qual aprendi muito: foi para isso mesmo que saí de casa, para aprender e me ver e me decidir sobre quem ser no mundo; eu sinto que isso está se consolidando. Uma flor nascida do esterco.

Minha mãe chega a Brasília hoje. Eu estou tentando fechar uma negociação de aluguel. Quinta-feira é o dia da minha defesa de mestrado. Será uma semana cheia, marcante pela natureza de fim, contudo de começo(s) também. Eu me sinto muito ferido, necessitado dos/as meus/minhas amigos/as, daquela minha vida boboca de Aracaju; continuo pensando que falar essas coisas para as pessoas próximas a mim pode soar lamentoso, por isso me sinto tão estranho, não me sinto à vontade de falar com gente que aprecia passar o tempo falando de outras... por isso precisava voltar aqui. Nesse espaço escrevo para o mundo, mas tão para mim, este 'eu' tão cansado, mas que não pode parar.

It's a new dawn, it's a new day...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Je suis blasé, mon Dieu?!


E junho chegou. Sim, o meio do ano. Hoje é sexta e, para variar, estou meio estranho. No fundo, eu acho que ando me sentindo assim porque estou em uma rotina. Hoje, caminhando, vinha cantarolando: "Todo dia ela faz tudo sempre igual...". Talvez eu odeie rotinas; talvez eu já esteja acostumado a elas, eu não sei. Eu não sei! Já estou falando nulidades.

O que quero mesmo dizer é que às vezes fico de saco cheio. Saco cheio porque eu sempre espero mais de tudo, e, claro, eu estou incluído nesse "tudo". Eu queria, neste momento, estar em Aracaju, com os meus amigos, pensando sobre coisas do mundo de modo filosófico, depois entrar no meu carro, passear na orla até altas horas e planejar secretamente coisas para fazer com a minha mãe, com meu pai e com a minha irmã; coisas que nos fizessem estar juntos, percebendo o quanto somos abençoados por estarmos unidos e cientes de que nos amamos e nos entendemos por sermos tão parecidos.

Pode soar contraditório porque eu adoro dizer por aí que saí de casa 'para ter uma vida', mas tem momentos em que eu canso dessa brincadeira de 'ter uma vida'. Eu também sou consciente de que isso o descrito acima talvez seja um ideal, mas não tirei isso do nada. Por que essas coisas não poderiam acontecer? Não que elas sejam impossíveis e tal, contudo parecem tão distantes. Além do mais, tem eu com o meu grande problema com o Tempo. Cada dia que passo aqui em Brasília é menos um com a minha mãe, é menos um na minha cidade e, consecutivamente, é mais um em que aprendo a ser blasé com as pessoas -  como em uma espécie de defesa a qual considero ser necessária para seguir nesse mundo super esquisito. Dia desses, li uma reportagem sobre uma dessas personalidade da mídia que havia sido diagnosticada com lúpus. Ela dizia se sentir mal porque sempre se considerou independente dos demais e ao se ver precisando de ajuda para fazer coisas não mais se reconhecia. Isso me atingiu. Estou seguindo nesse caminho perigoso, sinto. É extremamente triste, mas o que fazer quando você dá bom-dia a uma pessoa e ela nem olha para você? ou quando você é quase atropelado na faixa, mesmo sinalizando a intenção de passar? Eu ando muito desconcertado com certas coisas do mundo. Sei que muitos poderão vir com o papo de que nem todos são assim, mas POR QUÊ esses demônios malditos existem? Enfim, é uma longa história, que não poderei contar porque tenho de ir dormir para amanhã cedo estudar.

Acho mesmo que estou cansado, mas quem liga muito para isso, né! Ele, o Tempo - digamos também assim - nem quer saber disso. Eu fico aqui tentando ver um jeito de não ver a sua força, mas é impossível. Logo vêm os prazos. Ah! Eu entrei na academia, para ver se me distraía um pouco... mas isso é outra história. Como já disse, não há mais tanto tempo para falar dessas coisas minhas.

Na semana retrasada, eu soube que uma pessoa que eu gostava e respeitava muito tinha morrido de câncer. E eu nem consegui fazer uma homenagem, um texto, como antigamente, sabe... Fiquei hiper mal porque isso demonstra como anda a minha vida. Parece que sigo no caminho certo para 'ter uma vida', uma minha, que não se importa de mais com os outros. Eu não sou mais nesse tempo que ando vivendo. Que triste, mas tenho que ir dormir.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

I Will Survive (num Trem para as Estrelas)

São sete horas da manhã. Poderia ser aquela música cantada pelo Cazuza, mas da minha janela não vejo o Cristo. Eu falo com ele, na verdade. Peço-Lhe calma. Peço-Lhe paz de espírito.

Ontem, eu explodi. Estava indo dormir cedo - depois da novela das sete -, quando, já prestes a lavar os pratos do meu jantar, percebi que o meu celular novo não estava reconhecendo os fones de ouvido. Eu só sei fazer as coisas ouvindo música. Eu estava já fazendo os planos para esta sexta-feira; pensava: "Amanhã, conseguirei ler, ou melhor, escrever alguma coisa para a minha dissertação. Com mais algum esforço, ainda concluirei as pendências, pois não haverá os mesmos empecilhos que se apresentaram durante toda esta semana. Para isso, acordarei bem cedo". Esse lindo castelo em construção até o aparente defeito do meu aparelho, o gatilho para a minha queda de ontem. 

Ontem à noite eu comecei a ficar irritado porque esta semana havia iniciado bem tumultuada no sentido de que todo o meu planejamento de tarefas foi bagunçado por algumas pendências referentes a exames. Eu, para o checkup do semestre, precisava entregar um último teste que deveria ser feito em duas etapas há algumas semanas. A minha nova empreitada de produzir a dissertação acabou por embaralhar as possibilidades de sair ou de realizar as tais duas etapas explicadas pelo laboratório. Deixei para lá, naquela oportunidade, tendo em vista que eu tinha de entregar coisas do curso que eram prioridade. 

A segunda-feira, então, começou. Eu acordei às seis da manhã, tomei banho e fui entregar a primeira parte do exame. Aproveitando a oportunidade de sair de casa - coisa que anda se mostrando extremamente rara nos últimos tempos -, resolvi passar no supermercado para comprar algumas coisas. O tempo foi inclemente, sem dar na vista, simplesmente, foi. Já em casa, ainda tive que preparar o café da manhã - que é um dos meus prazeres, i. e., elaborar uma mesa com frutas, cereal, pão, café, suco etc. Resultado: a manhã, quando devo fazer uma porção de coisas programadas, foi tomada por todas essas outras (as quais são realizadas bem no início do meu dia). Após o café, peguei algo para ler, mas não tive como finalizar bem a nem leitura nem fichamento. Na terça-feira, tinha a segunda parte do exame para deixar no laboratório. Previ que o dia provavelmente seria da mesma maneira e, portanto, fiz um acordo comigo mesmo de não ficar aflito. Acontece que o cara que divide o quarto comigo acordou mais tarde do que o comum (eu o espero ir tomar banho primeiro porque trabalha e sai cedo; dai, fico remoendo na cama, acordado, esperando ele entrar no banheiro para que eu não o atrapalhe, e também porque os meus banhos são verdadeiros comerciais do 'Lux Luxo' - hehehehe!), o despertador dele ficou tocando um monte de vezes - e ele nada de acordar (ou melhor, levantar). Vendo que poderia me atrasar para a entrega do exame, eu me levantei para ir ao banho. Ele, ao me ver, perguntou se eu ia tomar banho... Aff, que raiva! Disse que ele poderia ir antes de mim (porque de confusão eu estou correndo). Entrou, demorou uma vida e ainda voltou para fazer a barba (mereço???). E eu E-S-P-E-R-A-N-D-O. Resultado: saí correndo, quase atrasado porque, além do mais, dependo dos maravilhosos ônibus, que, vejo, têm um acordo anual de nunca estarem no ponto quando se precisa deles. Enfim, cheguei. Entreguei a última parte da pendência e passei mais uma vez no supermercado. Lá, foi a vez de o meu cartão testar a minha paciência. Não funcionou. Eu já fiquei com aquilo tilintando na cabeça, imaginando novos problemas - como coisa de ir a banco e ficar longos minutos esperando para ser atendido. Voltei para casa pensando. Chegando ao meu doce lar, aconteceu o que previ: todo o esquema do dia foi atrasado e piorado porque o pessoal de serviços gerais resolveu vir ajeitar uma infiltração naquela manhã. Quarto interditado, cheiro de tinta, poeira e eu sem mais uma vez poder pegar no livro ou no computador (sob o risco de sair como o Pluft de dentro do quarto). Quarta-feira, os queridos camaradas dos serviços gerais voltaram para dar a "segunda mão de tinta"... O 'caos' se repetiu, mas daquela vez fui safo: peguei uns livros e fiquei no sofá, tentando (deveria escrever com 'T') estudar. Ontem, o pessoal voltou para dar a milionésima demão de tinta. Eu no sofá Tentando estudar. O meu outro companheiro de quarto vendo a MTV e rindo. Meu Deus! Ainda, dali a pouco, teria aula e eu sem ter avançado o quanto esperava. Esperançoso, pensei ser hoje o dia de redenção, quando tomo o susto do celular. Ele me fez ficar uns minutos preciosos testando outros fones, indo para a Internet pesquisar assistência técnica, imaginando que no dia seguinte teria de sair novamente e, por conseguinte, atrasar - de novo, mais um vez - o cronograma de atividades desenvolvido. 

Analisando mais friamente, percebo que o episódio do aparelho, como disse, abriu as comportas de controle. Eu comecei a pensar porque justamente no dia em que eu poderia fazer as coisas sem empecilhos aparentes, a porra do meu celular se colocava como mais um motivo para eu não estar em casa, pegar  ônibus e complicar a minha rotina. Comecei a chorar pensando que estava dando tudo errado, até a me questionar sobre mim mesmo. Comecei, por exemplo, a dizer que eu era uma farsa porque não estava produzindo como deveria. Logo me vieram as imagens dessa casa onde estou, que por vida está desorganizada, suja e da desfaçatez dos outros dois, que parecem não dar a mínima para um espaço limpo. O meu companheiro de quarto está estranho, frio. Eu não estou bem no meu 'relacionamento'. Tenho saudades da minha mãe, de estar com ela, e até da comida dela. Ficava concomitantemente me dizendo "Pablo, tenha calma; se você se desesperar e tiver um troço, quem vai cuidar de você? Quem? Você não se abre tão facilmente com as pessoas, e elas têm a tendência de não perguntar também. Você depende de você mesmo para prosseguir, gato.", no entanto, não adiantava: desatava a chorar; em seguida, pensava no ridículo de estar chorando por um celular, depois, constatava que não era o celular, mas um conjunto de coisas, cuja existência, muita vez, não tinha relação com as minhas ações de forma direta. Chorei muito. De verdade. Pensava sobre o meu futuro, inclusive. "Se a única coisa que ocupa a minha vida atualmente de forma importante é o mestrado e eu nem consigo cumpri-lo competentemente, então, o que será de mim?",   cismava. Foi horrível ontem. Eu queria parar de chorar, mas, ao mesmo tempo, dizia a mim que eu precisava daquele momento. Conversava com Deus, dizendo-lhe que não queria isso de barganhar graças, pois eu abomino essa concepção cristã de culpa e castigo versus obediência e premiação; contudo sou ciente de ela ser parte de mim, como uma mancha na perna, que se pode esconder, mas que sempre estará lá (e ainda que apagada, será relembrada a cada lance de olhar).

Ah! Uma coisa engraçada. Na minha angústia de ontem, sonhei com coisas super estranhas. Em algum momento me vi viajando em uma van com Marisa Monte para uma espécie de formatura na qual eu seria um dos formandos. Na viagem, a cantora se comportou de forma fria e me dava várias cortadas; acho que até me chamou de chato. Depois, surgia uma grande tabela com o meu horário da UnB deste semestre em que eu via a palavra 'trancamento'. Divertido porque eu me acordei querendo ir à desforra com Marisa, cheio de raiva dela, até o momento do "é a Marisa Monte, Pablo!" - Hehehehe!

Sabe, eu penso às vezes que me cobro demais, mas o que fazer de diferente não está claro para mim. Não quero ficar dependendo da minha mãe. De acordo com a pessoa que encontro, estou constantemente reclamando, calado ou falando platitudes para afetar uma normalidade, um alheamento em relação a coisas do mundo. 

Precisava escrever porque não aguento carregar essas coisas. Eu permaneço desconfiando de tudo e de todos; cada vez mais, para mim, a vida e as ações de muitas pessoas do meu convívio giram em torno de uma espécie de script (incluindo a minha também), mas eu não quero participar conscientemente desse teatro de vampiros. Não sei se o Criolo está totalmente errado quando diz que "quem sorri pra ti quer ver tu cair". Não quero que as pessoas sejam condescendentes ou tenham pena de mim: já existem irritantes milhares que adoram se colocar como vítimas para amealhar 'graças'. Eu não. Recuso-me. Talvez esteja pagando por essa 'temeridade'. Eu não tenho mesmo nada a perder. Sigo ouvindo I Will Survive. Sobrevivendo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

"É tarde! É tarde!"


Estou na hora do almoço. Ainda aquela neurose de tentar me adequar a um quadro de horários que formulei para mim. Esta hora, pela minha programação, é a única em que não tenho de estar lendo ou digitando alguma coisa.

Enfim, a despeito dessa pretensa organização, ando me sentindo mais perdido do que nunca. Sinto-me beirando a paranoia, pois sempre estou preocupado se dará tempo de cumprir o que está programado. Isso não está sendo algo do tipo 'estou aprendendo a ser organizado'; está mais para o coelho branco da Alice saindo do nada correndo para lugar nenhum. Eu sempre acho que fiz um quinto do que estava planejado. É horrível!

Isso tem acontecido porque estou querendo fazer um bom trabalho, escrever super bem, sabe. Quero acabar no tempo - quiçá antes. E nem estou conseguindo escrever. Não sai. Não pensei que fosse passar por isso. Não mesmo.

Ando irritadiço; sinto como se estivesse aéreo em meio a uma cachoeira - que como é de sua natureza - não cessa de trazer mais água. Com a água vêm um zilhão de objetos que me impedem de transpor a queda. Por exemplo, eu farei algo de que não estou muito orgulhoso, mas antes impelido pelo desespero: trancarei uma disciplina. Tudo bem que ela não está no rânquim das 'dez disciplinas mais bem ministradas de todos os tempos', mas desistir é algo que sempre mexe com os meus brios - de quem cumpre o que se empenha a fazer. Ainda isso. Mas não posso fazer 'a diva' nessa situação. Tenho que focar no meu trabalho de dissertação.

Sobre ele, fico me questionando diversas vezes sobre o porquê de isso estar acontecendo. Eu acho que nunca está bom o - pouquíssimo - que produzo, e nunca dá tempo. Nunca! Tipo, fico de duas a três horas remoendo duas páginas; logo acho que estou perdendo tempo e que poderia produzir algo mais com uma nova leitura, a qual implicará um fichamento, que, por sua vez, não terei tempo de concluir. U-m-a-m-e-r-d-a! Ora porque me canso e me levanto, ora porque preciso sair para suprir alguma necessidade fisiológica eu não consigo cumprir o planejado.

Tem sido assim. Dias não muito fáceis. Cansei de falar sobre isso. Vou ler algum texto.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Aéreo


Agora, estou em um voo. Indo para Campinas. A minha cabeça super cheia. Faz algumas semanas que estou assim, meio aéreo, às vezes desmotivado. Dia desses até chorei. Alerta!

Acho que ando cansado. Na verdade, atribuo esse desequilíbrio a algum processo de estafa, inicial, talvez. Acontece que entre os meus colegas e amigos da universidade anda circulando a 'paranoia da dissertação'. Todos só falam no quanto estão atrasados na escritura do trabalho de mestrado. Eu, que nem comecei de fato, contagio-me e fico tenso, pois, além de presenciar esses campeonatos de 'eu-tô-pior-que-você', ainda me vejo aflito toda vez que ouço a minha orientadora, pois penso saber o insuficiente, ou nada. Putz! Isso acaba comigo.

Ultimamente, nas aulas de preparação para a dissertação, eu estou voando mais do que pipa na Esplanada dos Ministérios. Eu não ando entendendo o que a minha orientadora fala nem o que ela quer e, apesar de ter elaborado um plano de estudos bem organizado (com vistas a um bom trabalho de dissertação), nunca consigo realizar as tarefas que são solicitadas por ela de modo completo. Então, chego à aula com a leitura/atividade inconclusa, sou convidado a participar das discussões mas não me sinto à vontade para contribuir. Fico me questionando se algum dia eu entenderei as coisas como elas devem ser entendidas. Não quero fazer um trabalho acadêmico e ganhar um título apenas: quero ser um profissional de excelência no que faço. Mas não está rolando.

Esta é a segunda semana de 'implementação' do meu plano de estudos. O que tenho mais feito é fichar textos, e nem isso eu consigo finalizar. Eu fico tão desanimado. Não que a 'culpa' seja minha - visto que venho me esforçando para me disciplinar (tenho acordado diariamente às 6h para ir para a biblioteca e só volto às 20h, por exemplo (como fazia na época da seleção de mestrado)) -, cabe dizer que os textos são complexos, e eu não consigo atrelar claramente a minha pesquisa à teoria que estou lendo. Fico mal com isso.

Com isso, outro ponto problemático se desenrola. Entro em uma espécie de crise de identidade em relação à meu trabalho. Uma vez que ando lendo para fichar, sinto-me como se estivesse fazendo um dever de casa para entregar à professora, ou seja, é como se eu estivesse cumprindo uma espécie de praxe, como na época da escola nas aulas de português (que eu até gostava, mas que era uma recorrência mais agradável em relação às demais). Eis o problema: não dou conta de completar leituras e fichamentos em tempo hábil, o que me toma horas para problematizar as leituras, e que, por sua vez, deixa-me impotente quando da apresentação de definições importantes para a minha pesquisa. É o caos. Tenho medo de essas coisas atrapalharem o processo de construção das minhas atividades ligadas ao mestrado.

Ao mesmo tempo em que me vêm essas questões, sinto-penso que o meu tema de pesquisa - a situação de rua - é tudo o que eu gostaria de me deter. A minha ideia para o mestrado era a de fazer algo relevante para mim e para o meu País; depois, observando esse mundo, aprendi a ver o quão necessário é lutar junto com o meu povo. O meu trabalho, assim, trata de algo relevante para o Brasil, além de ter o meu povo como o mais afetado. Daí, no entanto, vêm as teorias, as epistemologias, as metodologias etc. E eu preciso (pensei em usar 'devo', mas não quero tornar isso uma obrigação) dominá-las, mas bem mais do que para mostrar a outros que detenho o poder do conhecimento em determinada: elas são ferramentas para que a mudança possa acontecer. É terrível isso, pois, como já disse, eu me sinto fraco em relação a elas.

Unem-se a essas inquietações questões relacionadas a mim, ao meu futuro. Penso nos meus pais, no tempo em que não estou com eles, penso em suas horas indo e eu 'ainda' sem dar-lhes uma vida sem mais preocupações. Eu sei que isso tem pouco fundamento, pois eles vivem super bem, mas queria dar mais a eles. Penso, em determinados momentos, que isso é, em boa medida, algo mais para mim, para a minha vaidade do tipo "ele conseguiu. Venceu.". Penso que, talvez, esse "mais" não lhes seja tão necessário e que eu o construo, quiçá, para que tenha um propósito para fazer as coisas, para, de algum modo, sobreviver em um mundo agridoce. Isso também me entristece, pois até quando elegerei representações para erguer a construção da minha vida?

Enfim, são coisas que preciso organizar. Apenas eu posso fazer isso por mim. Tem sido assim. Vejo-me perdido porque, conforme a ordem das coisas, eu mesmo tenho de encarar os meus demônios; o que me dói e ter de me atracar em combates que parecem transcender o meu controle. Não estou reclamando, mas tentando entender o que está acontecendo.

Está difícil - but I will survive.

sábado, 7 de abril de 2012

Guerra Fria

Ontem foi sexta-feira da Paixão. Feriado. Brasília estava como está hoje, com cara de final-de-semana. Como foi dia útil, eu deveria ter estudado, seguido uma tabela que desenhei para mim para conseguir levar a cabo o meu mestrado. Enfim, eu comecei a escrever este texto ontem (como está marcado com a dêixis temporal - hehehehe! :( ) porque já estava me sentindo estranho.

Eu não sei. Acho que uma vibe estranha está passando por algumas regiões do planeta, pois um monte de gente que conheço está passando por situações complicadas: término de namoro, falta de grana, aflições relativas a trabalho etc. Eu sinto isso porque não estou muito tranquilo esses dias. É o que me faz voltar aqui, para que possa, de alguma forma, extrair de mim essas coisas chatas e vê-las de perto, examiná-las.

Há algum tempo estou enfrentando coisas meios chatas. Tem acontecido aqui na minha nova casa. Eu convivia com mais três caras, atualmente são dois. Desde o início vi o quanto seria complicado lidar com alguns comportamentos que observei em visitas antes da mudança efetiva. Eles são muito negligentes com limpeza, com contas, com uma porção de coisas que aprendi serem importantes - no sentido de se ter uma boa convivência social (uma coisa que observo hoje). São fatos que me atingem diretamente porque estou vivendo em no lugar; então, na maioria da vezes, vejo-me lembrando (que é preciso ser limpo para, por exemplo, evitar insetos andando pela casa) ou exigindo (que tenham atenção ao usar o banheiro no sentido de não deixar o chão sujo de lama) obviedades, pelo menos, para mim. O resultado é que não me sinto bem com isso, pois não gosto de me colocar como mais do que ninguém, ou seja, mais organizado, mais responsável, mais atento às coisas etc. Eu devo ser assim, mas para mim e somente para mim. Tenho muito medo porque eu já tenho uma veia megalomaníaca, algo que sei que existe em mim e que venho tentando dominar, distraindo-a aos poucos. É como um monstro que está dentro de mim, com algum custo eu consigo dar-lhe bolas com guizos para deixá-lo ocupado, mas eu sei que a qualquer deslize ele pode tomar conta da situação. Atitudes como as que andam ocorrendo (de eu normatizar as coisas na casa e de ver-me "acima", diferente daqueles dois que parecem ter o mínimo necessário de civilidade) dão um alimento que aumenta a força desse monstro. Fico triste por às vezes sentir que estou perdendo o controle e por sentir que isso me levará por um caminho perdidoso.

Então, fico pensando se devo sofrer assim sozinho. Minha mãe nos educou de forma a sermos pessoas aptas ao ótimo convívio social: precisávamos deixar casa e quartos arrumados para uma entidade imprevisível chamada "alguém", amiúde referida como visita. Sempre recebi elogios pelo modo cortês com que me dirigia às pessoas e como lidava com situações acres. Aprendi que ser assim me abria caminhos. Gostei. Hoje, longe de casa, e do meu reino, observo existem coisas na vida que não se consegue resolver por meio da elegância e dos bons-modos. Isso está me matando, pois é como se precisasse aderir a um comportamento extremamente desagradável, que abomino quando o vejo nas pessoas. Entrar em discussões, gritar, ser bruto são coisas que a minha mãe sempre evitou fazer e eu, por tê-la como meu referencial, assimilei.

Falo dessas coisas porque estou observando que precisarei ter de deixar esses traços principescos para começar a ter comportamentos mais contundentes, na verdade, contundência não define bem o que terei de aprender a ser. Vejo que as pessoas parecem não ter atenção ao quanto as suas ações influem na vida das outras. Elas parecem viver neste mundo sozinhas ou com aqueles de quem gostam (o que exige delas um pouco mais de cuidado). É como aqui em casa, que se transfigura em um verdadeiro microcosmo: alguém come; deixa talheres, pratos e panelas sujos dentro da pia e não atentam que - uma vez que dividem o apartamento - outra pessoa poderá precisar daqueles utensílios; ou, ainda, colocam o único pano de prato da casa para lavar deixando-o por mais de duas semanas dentro de um balde de água parada (que logo se torna fétida e mais sujará do que limpará o tecido). O que devo fazer, visto que me incomoda profundamente ver coisas assim? Ir lá, tirar e lavar? Perguntar pela quinta vez quando a pessoa que se propôs a lavar o pano terminará a ação, e ouvir indiretas ou respostas grosseiras? Eu não sei. É complicado. Tem sido bastante complicado.

Resolvi que adotarei a estratégia de batalha. Não fugirei mais dos conflitos se eles se apresentarem. Talvez, tudo isso seja para que aprenda de uma vez por todas que não alcançarei o consenso, que a vida é lutar, brigar pelas suas posições quando elas são invadidas. Eles sabem que me sinto incomodado quando vejo coisas extremamente sujas e ainda assim o fazem, se assim acontece, eu não ficarei mais evitando entrar na minha própria casa para não ter de encarar visitas que se convertem em moradores fantasmas (mais um presente de um dos que dividem a casa comigo). Não aguento mais ficar calado diante dessa situação e se for para brigar, vamos à luta! 

Em algum momento eu terei de aprender. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

O espelho me disse...

Engraçado (e bem batido) aquele papo de "o problema não é com você"... Pois é, acabo de perceber que ele é fato. Um bem complicado, por sinal.

Eu não sei. Estou com fome, esperando a água ferver para eu fazer aquelas sopinhas de envelope. Não estou muito bem e este é o motivo por eu estar aqui escrevendo.

É. Ainda é sobre amor e tal. Hoje, mais um dia, eu não conversei com o meu amor. Em situações diferentes, relativas a ele, eu vi o quanto preciso melhorar. 

Não estou com muito saco para escrever textos imensos. O ponto é que, ontem, ele não me ligou. Ele me explicou que não pôde; que havia acontecido alguma coisa; que me explicaria quando me ligasse hoje, enfim. Chegou, então, "hoje" e eu não movi um dedo para conversar com ele. Primeiro, acordei tardaço por ter virado a madrugada assistindo a "Hilda Furacão", no You tube: o meu dia de domingo, por isso, começou às 15h... Depois de me arrumar, fui ao supermercado comprar umas coisas para tomar café. Fui pensando se deveria levar o meu tablete, para caso recebesse uma ligação, mas não o fiz. Eu não me esforcei para ligar o aparelho.

medo
O problema. Eu não quis conversar porque pensei naquela minha mania idiota de fazer joguinhos do tipo "farei com que morra de vontade de conversar comigo, que queira saber se eu estou com raiva" ou "vou fazê-lo sofrer um pouquinho; vendo-o preocupado com a minha reação, terei o controle da situação". A justificativa: "assim vai ser mais emocionante". Duas suspeitas terríveis me envolvem, desde que recebi a primeira mensagem dele dizendo que havia tentado me ligar. A primeira é de que eu quis meio que me "vingar" por ontem ter esperado para conversar com ele, para me derreter por esse meu amor e não ter tido o meu desejo saciado, posto que não houve ligação QUANDO EU QUERIA. A segunda, e - talvez - a pior, é que eu estou querendo, como sempre, ter o controle da situação, regulando as ações da outra pessoa. 

Eu fico realmente apavorado com isso. Eu me sinto envergonhado demais. Esse é um Pablo que não condiz com a evolução a que me propus.

Ainda ontem, esperando por ele, fiquei vendo uma entrevista de Whitney para Oprah, a última grande entrevista da estrela. Nela, a cantora falava do seu passado com as drogas e o que a fizera entrar naquele mundo, quando a sua vida era um sonho de consumo para o mundo todo. Whitney explicou que estava completamente apaixonada pelo seu então marido, que gostava do jeito como, com ele, a sua vida não precisava ser ditada por ela, a estrela, a diva. Nas suas palavras, era incrível para ele ter aquele homem no controle da situação. Ela precisava, pelo menos em algum momento da sua vida, sentir que a sua existência não era um negócio em que Whitney Houston era o ser onipotente. Ela, então, entregou-se totalmente àquela relação. Sofreu muito, mas amou e se divertiu igualmente. Enquanto falava, era nítida a satisfação de lembrar que sentiu e viveu algo inédito. Eu pensei que também me sinto assim, insuportavelmente poderoso em relação a mim mesmo. Eu entendo a diva. Também controlo a minha vida demasiadamente, eu me podo tanto, enfim, sempre penso que somente EU sei o que é o melhor. Vejo que estou transferindo isso para a minha relação, e ela é um bebêzinho ainda.

Não quero perder isso que estou vivendo. Parece algo tão sadio. Eu preciso mudar, deixar de ser alguém manipulador e dar chance a outra pessoa que, assim como ocorreu com Whitney, não me veja como uma personagem. Estamos nos conhecendo, portanto quero dar chance a outros lados meus que ainda não exercitei - por não ter encontrado quem estivesse pronto para vê-los. Tenho tanto medo de cometer erros terríveis por presunção da minha parte. Assim, hoje, eu, no final da noite, senti-me tão estranho, envergonhado por tal atitude que, não sei se mimada ou controladora, denotou a minha imaturidade nessa jornada.

Agora, vou dormir. Amanhã é segunda-feira e tenho coisas mil para resolver. Amanhã, conversarei com o meu amor...

Sei que dormirei pensando:

VOCÊ NÃO MUDOU [?]

domingo, 22 de janeiro de 2012

Ridiculous thoughts

Daqui a alguns dias, estarei de volta a Brasília. And so what? O texto de hoje é daqueles de madrugada: meio lúgubre, meio do jeito que eu acho que precisa ser. Eu acho que as coisas saem melhor de mim desse jeito. Um momento Special Needs, do Placebo. 

É estranho, pois eu sinto tanta saudade dessa minha vida de Aracaju e, ao mesmo, tempo não a quero mais, recuso-me a ela. Eu não sei se essas coisas eu posso controlar e, aliás, eu já escrevi sobre isso, mas ideias recorrentes são algo que não faltam na minha cabeça. Não quero falar sobre isso de querer ou não a vida que tinha antes de ir para Brasília; na verdade, eu preciso entender o que está se passando na minha cabeça, que anda tão esquisita.

Eu deixo a minha casa e, dessa vez, acho que vou esperando menos das coisas nas quais apostava no início do ano passado. Ando muito desconfiado de tudo, sem a paixão que pensei que teria no caminho que estou trilhando agora. Algumas vezes, eu acho que é por causa do tanto de tevê que andei assistindo, pelas coisas que andei vendo. 

Sei da minha vulnerabilidade diante da televisão em seus mais diversos formatos. Eu, de certa forma, sentia-me livre disso em Brasília. Por escolha própria, lá, eu não assistia a televisão. Aqui em casa, o aparelho é ligado no início do dia e desligado pela última mão a ir se deitar - ultimamente, ela tem sido a minha. Fico vendo as coisas e me perguntando sobre o porquê de eu não viver daquele jeito tão legal, glamuroso. Com certeza, esse é um dos efeitos desejados por essas emissoras, o de fazer com que quem assista queira consumir uma vida representada ali. E o pior de tudo é que eu sei disso e me vejo entregue a esses tentáculos. É uma merda! 

É por isso que fico nessa situação. Eu meio que fugi disso, do reinado do "deus-TV". Se dependesse da televisão e das coisas que vejo nela eu não sei se estaria como hoje estou; provavelmente, eu reproduziria os conceitos dela, quiçá, eu me veria de algum modo bem escravizado por ela. Por outro lado, penso que devo muito ao que vi na televisão, por diversos motivos (...). O que sei é que não acho legal - nem bonito - isso de estar sendo bombardeado pelas porcarias de boa parte das emissoras a semana inteira.

Mas eu vou embora. Mais uma vez, eu estou indo. Já não sinto tanta beleza em dizer que irei para onde o vento me levar, fazer as coisas que acontecerem, ou que não farei planos. É como se a poesia não estivesse por perto, é como se ela tivesse tirado férias de mim. Eu tenho tanto medo porque sinto necessidade de não deixar de ser o que gosto em mim em detrimento de ter algo meu, que por algum tempo (de preferência, por muito tempo) me deixe tranquilo (para fazer coisas como sair com os amigos, comprar o que achar necessário e dar a minha mãe uma vida mais leve). Eu sei que sou impaciente e vi o grau estranhíssimo de receio em que estou. 

Acontece que não estou seguro se conseguirei uma oportunidade interessante de trabalho (pleiteada por mim antes de vir a Aracaju), boa para o meu currículo. Tudo porque não olhei o prazo de entrega de documentos.A tormenta aconteceu há dois dias. Fiquei chorando na cama e tudo, perguntando a Deus o que seria do meu futuro, pois aquilo - importante para mim - parecia estar perdido, esvaído-se pelos meus dedos. Por conta desses questionamentos, fiquei tentando localizar um seguimento para o que há um ano tenho feito. Eu não sinto aquela motivação para escrever certas coisas acadêmicas, nem lê-las; duvido de tudo, ponho em xeque as diversas teorias e pessoas que parecem assumir posições de luta. Eu, às vezes, não queria ter de ficar estudando e escrevendo sobre problemas sociais quando vejo que a televisão e as mais diversas mídias influenciam tão mal as pessoas ao pautar seus conteúdos em fofocas e/ou outras platitudes tais como programas de pessoas se expondo por dinheiro e projeção a qualquer custo. Eu fico pensando sobre o mundo ser assim, fico pensando na dificuldade que tenho em achar gente que me inspire a lutar por um mundo diferente. Eu acho tudo muito engessado, hoje em dia, tudo muito colocado, parece haver espaços já postos para a manifestação: eu sinto que as pessoas não fazem questão de trabalhar a sua própria humanidade, quero dizer entendê-la, para depois propor mudanças para a sociedade. Eu sinto que muita gente é demagógica, aquilo de estar fazendo a sua parte porque de alguma forma ganhará dinheiro e posição com isso. Eu fico triste nesse cenário e não sei bem como me encaixar...

Talvez uma das minhas tristezas seja a de ter de me modificar para viver como eu aprendi a gostar. Eu queria retroceder o tempo, mas sinto que não posso e essa minha volta a Brasília estará focada na mudança, mas na MINHA mudança. E imagino o que fazer com tudo o que eu lutei, as coisas em que eu acreditei, e as coisas em que confiei? Eu me sinto enganado, às vezes. 



Eu vejo os meus pais. Eu vejo a minha irmã. Eu me vejo. Fico me sentindo diferente deles, mas tão igual a minha mãe, até no sofrimento. Eu fico eufórico comigo mesmo quando vejo as imagens panorâmicas televisivas. Penso: "eu posso ir para lá! quem me impede de estar lá?". Então, de repente, eu posso tudo, tudo mesmo no mundo. Mas, depois, vejo as limitações: tudo é Tempo. Em seguida, sinto-me deteriorando, dentro de um prazo de validade no qual eu preciso urgentemente criativizar. Eu imagino uma profusão de profissões que eu poderia exercer para ganhar dinheiro e não ter de ouvir "o professor precisa ser valorizado" o tempo todo, nem dar de cara com as notícias de concursos públicos me estuprando, vendendo para mim a ideia de que qualquer coisa vale mais do que ser professor, o meu mais aparente destino. Eu tenho pressa. Também porque os meus pais parecem, a cada retorno meu, precisar de ajuda... Mas não quero me vitimizar tanto. Outro problema é que não encontro com quem dividir. Talvez eu, desse meu jeito, espante pessoas. Ainda isso... Ninguém merece: até o Coldplay virou uma banda da Capricho!

Sinto profundamente que algo está mudando. O meu comportamento de animal estressado me demonstra isso. Daqui a dois dias estarei indo embora da minha casa. E eu não sei o que será de mim... "Oh!". Não sei mesmo. E estou pensando "quero mesmo é que se foda o mundo todo!", no entanto eu não quero me foder, mas como não se sou parte desse Vicious World. Na real, eu tenho é medo de sofrer e de morrer. Estou constatando que 2007, 2008 e o início de 2009 não voltarão mais: a gente dessas épocas está casando, tendo filhos, trabalhando e tendo seus carros. Eu me sinto por ora como envolto em caprichos (de querer ser o que eu quero - ou que acho querer). Parece que sim, chegou a hora de seguir e largar as mãos de fantasmas. É hora de permitir que todos os que estiveram na minha vida atrás sigam, para que eu assim o faça. Ques pensamentos... Ridiculous thoughts...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Reclamando

Eu, nesse período de férias, ando me ouvindo e sentindo o afastamento de algo que sempre considerei bom. É bem louco, mas, não sei, tenho me achado assim. Sinto-me perdido, de algum modo. Ando entediado com as pessoas; com as coisas do cotidiano; de como eu ainda não vejo estruturado um plano de execução para o meu projeto chamado vida. Estou cansado de ver, ouvir e ler as pessoas falando constantes mais do mesmo, e confuso comigo, por ler e ver essas porcarias pseudo-críticas com seus autores intelectuais. Eu também ando em um grau de descrédito do mundo altíssimo: pouco acredito no que vejo e ouço; tenho raiva até. O mundo é como é por essas tantas babaquices repetidas. Não aguento ver, por exemplo, o que o governo de São Paulo está fazendo com os dependentes químicos da deprimente Cracolândia. De ver sempre os mesmos sofrendo as mesmas coisas...

Eu, no entanto, ainda gosto de ouvir as coisas tropicalistas, as viagens da Calcanhotto e as conversas - consideradas por mim - inteligentes. Eu adoro ver coisas da TV Cultura, as provocações do Abujamra... (Ah! Como eu gosto daquele exercício pretensioso dele). As minhas férias têm sido isso, basicamente.

Durante esses quase vinte dias aqui na minha casa, eu me vejo em uma situação familiar: a proximidade com um passado de cuja influência eu pareço querer me desvencilhar, mas que, ao mesmo tempo, mostra-se (e sempre mostrou-se) necessário para projeções. Como uma espécie de canteiro no qual eu plantei sementes e sobre as quais eu imagino, eu crio e acredito desenhos belíssimos, promissores e desejáveis. Estar em casa com a minha família me faz sentir estranho, faz-me querer estar e não estar, ao mesmo tempo. É um lugar no qual pareço estar à parte do mundo, e, para mim - para um lado racional meu -, isso não é nada bom. Eu fugi disso, inclusive.

Eu não sei. Eu me sinto tão estranho. Eu tenho raiva de muitas coisas, como o mundo, por exemplo. Eu vejo o quanto o poder vale, o quanto o dinheiro parece ser necessário. Eu me vejo engessado, quando, na verdade, várias coisas apontam para um contrário. Conversei com uma amiga e ela me disse: "É porque você é ariano, Pablo". Ela quis dizer que a falta de paciência é característica do meu signo. Eu realmente sou pouco - ou nada - paciente; acho que é porque sempre estou colocando a minha vida em comparações com outras. Isso também não é legal. 

A questão é que eu quero as coisas do meu jeito, pois, analisando a minha atual situação, eu deveria estar contente... eu estou contente, mas eu também estou descontente. Eu não sou uno, sei disso, e me incomodo com a situação. Na maioria das vezes, eu não consigo evitar. Eu me vejo elaborar planos ótimos, incríveis, uns até factíveis, mas, depois de algum tempo, digo a mim mesmo que não vai rolar. É como se eu tivesse uma vida na mão.... Putz UMA VIDA - e o peso que o termo acarreta. Isso é uma delícia e um pavor. 

Esses pensamentos vêm na esteira da entrevista de Criolo no "De Frente com Gabi", que acabei de assistir. O cara parece viver super além de formatos imundos, e ele é daquele jeito que dá vontade de estar perto, conversar etc. A coisa mais linda. Um artista. Gente assim vem para fundir a minha cabeça, pois quando eu acho que as pessoas são um cu - principalmente no universo do showbiz, hoje em dia -, aparece um ser humano desses. Como disse, adoro o lance tropicalista no que diz respeito a revirar padrões e caminhar em uma estrada dadaísta de liberdade: eu queria conseguir ser mais livre, mas como é possível em uma sociedade em que precisarei comer e pagar contas, em um mundo em que foi educado para ser diferente dos meus próximos?

Definitivamente, na volta a Brasília, voltarei a frequentar o templo budista. Talvez enlouqueça menos. Eu não quero sentir culpas. Eu não quero viver de desculpas. Eu sou uma construção, cheio de tijolinhos de vários momentos, cimentada por diversas mãos (tão várias que é impossível delimitar, o que eufemisticamente quer dizer, achar/nomear culpados). Chega disso! A grande questão parece estar no quanto eu me amo e me aceito e me vejo exclusivo neste mundo. Hoje, eu me sinto bem mais avançado em relação a isso, mas não no grau que preciso.

Bem,é isso. Divagações em uma madrugada de quarta-feira.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Acordando para a Vida

fonte: GT Wallpaper
É de uma reunião em família que sai, agora, a resolução maior para mim em 2012. Farei, este ano, de tudo para resolver outros pontos da minha vida. Acontece que meu pai veio e - mais uma vez - disse que eu precisava trabalhar. A minha irmã, (nem sei se tão) indiretamente, disse para mim que não tem tido as coisas que quer porque a minha mãe gasta muito comigo em Brasília. Foi algo positivo, pois vi que a minha casa não é o paraíso. A minha vida não é mesmo o conto de fadas que eu sempre fiz questão de encenar.

Neste ano, devo dar prosseguimento a algumas ações que considero vitais para mim. Definitivamente, preciso crescer e ter uma vida. Preciso romper os laços com a minha mãe. Não me refiro a uma ação drástica - principalmente porque ela não merece -, estou tentando encarar a vida de maneira mais adulta, ou melhor, madura. A conversa de hoje deixou isso mais aparente. Por mais que eu tenha sentido uma ponta de distorção em algumas colocações durante a reunião, vejo-a como mais um impulso para avançar, seguir e deixar para trás o passado. A minha vida já não pode voltar, por mais que eu queira com alguma força. 

A minha mãe, na reunião, esteve como de costume: calada, ouvindo todos falar sobre ela. Nada falava. A minha mãe ficava muda, ouvindo e ouvindo. A minha mãe confirmando a sua imagem de boa e devotada, a que sofre para ver o bem do seu filho, aquela que não se importa com as pedras nas costas pelo fato de estar protegendo a sua cria vulnerável. A passividade dela bradava a força de conseguir manter-se incólume às investidas dos outros. Mesmo na exiguidade de suas palavras houve a demonstração maior de poder da noite. É impossível desconsiderar alguém que se mostra tão ligada a mim. É por nosso bem também que preciso continuar. 

Percebo que quando o meu pai me fala para trabalhar, ele quer me dizer que não devo ficar sob os eternos cuidados da minha mãe, pois sou um homem e não mais um menino. E eu levarei esta instrução comigo: não devo ser mais um menino. Por mais dolorido que seja, preciso cortar o cordão. Na verdade, eu venho me mostrando que é necessário fazer isso se eu não quiser construir um jardim usando os meus pais como adubo, erguer uma construção em cima dos seus restos. Isso seria terrível. É fato que muito da demanda do meu pai é influenciada pelos filhos outros que ele vê por aí. Eu sinto no meu pai um pequeno dilema: feliz por estar onde estou, mas descontente pelo pouco avanço em relação a um futuro. Aquela máxima tradicional "no meu tempo, na sua idade, eu já...". Eu sou ciente de que o tempo dele foi o tempo dele, no entanto me localizo também em um dilema de evitar passar o trator das minhas concepções super-hiper-mega coerentes em cima dos ideais estabelecidos dele. É complicado, mas é uma carga que se leva: você vive e leva a sua história nas costas. A sua família é a sua história viva.

A minha irmã, ao falar que lhe faltam coisas como roupas ou cabeleireiro, quer demarcar, provavelmente, a sua posição na família, sua presença diante dos meus pais. Talvez ela queira mostrar que também tem necessidades, que, de alguma forma, tem sido minimizadas pela "importância" que eu venho obtendo por estar longe de casa; por eu vir atraindo mais atenção da minha mãe, o nosso eterno objeto de disputa. Eu e a minha irmã somos crianças que enfrentamos as complicações do tempo; que relutam em ver as coisas se modificando; que, de algum modo, querem preservar o calor da proteção familiar, visivelmente marcada pelos traços cruéis do Tempo. Vejo que a minha irmã, inclusive, emula atitudes dos nossos pais, tornando-se, assim, extensão deles. Observo isso quando ela diz preferir calar-se a ouvir a nossa mãe posicionar-se ao meu favor (quando, segundo ela, abordam o excesso de atenção dado a mim por mainha), observo que a minha irmã reproduz um comportamento comum na nossa família, o exercício caprichado das aparências. 

Os meus pais parecem fazer de tudo para não lidar com o conflito. Quando acirram-se os argumentos, para eles, é melhor encerrar a discussão. Termos como "reclamar" ou "sofrer" quase não são permitidos. É preferível perder-se em doces tolices disfarçadas em brincadeiras do que enfrentar analisar eventuais problemas. A minha irmã me mostra que está aprendendo isso também com os meus pais. Aliás, eu vi hoje que a minha casa está como sempre. Não sei muito bem o que mudou aqui. Em casa, eu me sinto em um museu. Mesmo.

Enfim, durante a passagem do ano, lá estava eu pensando sobre o quão bom havia sido 2011. Eu não sabia, então, o que de fato pedir a Deus. Eu francamente só tinha o que agradecer. Eu ao mesmo tempo fiquei feliz e preocupado com a situação. Eu sempre estou na ambivalência de querer a perfeição e de esperar coisas ruins para a vida. 

Hoje, eu vi que meus pais já são o que são. Eles estão mais velhos. Meus pais estão velhos. Eu tenho de pensar um modo de agir diferente. Acho que 2012 será o fim do meu mundo. Que bom.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Reizinho do mundo


Dezembro começou com uma novidade muito boa. Consegui vaga na residência da universidade. Isso implica viver dentro do lugar para onde vou (e estou) a maior parte do tempo; quer dizer que vou ter sossego em relação a uma das coisas que mais me entristece em Brasília: o preço (criminoso) dos aluguéis dos imóveis; e estarei no Plano Piloto, perto de tudo o que preciso por ora.

No entanto, junto com essa verdadeira graça que recebi, estão se criando "pesadillas" na minha mente. 

Acabo de vir da minha nova casa. Dormi lá. A paisagem externa é linda - com muitas árvores e jardins -, mas a casa é uma bagunça para os meus parâmetros. Eu dividirei moradia com mais três caras que vivem  com as janelas e as portas do apartamento fechadas. Cada um tem um jeito, mas parecem ser unânimes na questão de verem-se isolados em um mesmo espaço, com as suas portas e janelas cerradas. Apesar de ser compreensível o meu comentário a respeito do estado da casa (afinal, logo, estarei saindo de um lugar lindo, limpinho, organizado etc.), eu não me sinto bem apontando os erros dos outros, nem avaliando os demais... meu Deus! 

Eu estou mal porque, mais uma vez, andei praticando a minha faceta "mestre dos magos". Eu dando conselhos a outra pessoa. Nossa! Eu! 

Tento tomar cuidado com essas coisas de dizer "eu acho que você deveria..." ou me mostrar como quem tem o controle da situação, pois não sou perfeito ou completo; a minha vida, em vários aspectos, tampouco é um exemplo bem-sucedido. Estou meio exausto, cansado de estar sozinho; cansado de ouvir trombetas apocalípticas sobre o futuro; farto de, às vezes, ser do jeito que sou - e de me ver na iminência de querer vingança do mundo por isso. Não sei se se trata de não gostar de mim, eu tenho orgulho de mim, mesmo. No entanto, não sei, chego à conclusão de que sou bem estranho quando me vêm pensamentos super esquisitos de uma vida de solidão: vendo, ouvindo os outros vivendo, errando, e eu não. Por outro lado, eu tenho ciência de que muito do que olho e quero são construções, tipo ilusões, que, apesar de eu próprio tentar me convencer do contrário, vivo no anseio de encontrar a minha porção de ilusão. Acho que a maioria das pessoas vive para achar a sua própria porção de ilusão e se agarrar a ela: como não é concreta, torna-se impossível detê-la e tê-la de fato.

Acredito que as coisas complexas que estão na minha cabeça neste momento estão relacionadas ao fato da mudança de casa e por eu não estar conseguindo fechar este semestre. A trivialidade de estar com um texto por fazer e que simplesmente não sai me desestabiliza. Eu queria poder evitar situações de tensão nas quais as pessoas fazem qualquer coisa para se livrar de um fardo. Eu não queria ver o meu trabalho como um fardo. Além disso, eu me envolvi em uma atividade que está esgotando as minhas possibilidades de organização. Eu tenho pensado muito nessas duas coisas. Elas têm se afetado, e me afetado, ultimamente. 

Eu fico pensando em um modo de coexistir com os meus problemas de uma forma que não me atrapalhe, para isso, tento entendê-los, negociar comigo mesmo possibilidades de aceitação. É nessas tais possibilidades que eu falho. Pareço não aceitar certas coisas em mim e no mundo. A questão é a seguinte, se vejo em mim um problema, recorro à razão para tentar observá-lo; eu, usando do intelecto, reafirmo a característica da humanidade a fim de desenhar-me falível, porém, no fundo, estou em uma empreitada medieval de extinção de demônios: a razão me convence de que posso resolver determinado(s) problema(s), desde que eu me transforme em uma hipótese(!). Nesse estágio, a minha humanidade é reduzida pela pretensa inexorabilidade da minha razão, ou melhor, da razão. No desenvolvimento, surge uma camada em que eu critico esse tipo de pensamento objetivista, no entanto sob ela reside a minha total entrega à racionalidade suprema. Eu me vejo exercitando belamente a hipocrisia. Este momento, por exemplo, é mais uma tentativa de racionalizar um descontentamento.

Digo que exercito a hipocrisia - mesmo que sem ter determinada uma intenção destruidora por trás das ações - porque, racionalizando por meio da observação certos problemas, consigo construir modelos lógico-linguísticos que convencem o(s) outro(s) da minha "posição diferenciada" diante da vida. Em uma espécie de estratagema, havendo percebido que os meus problemas não são tão meus, que são recorrentes por serem puramente humanos - e, enquanto noto os outros sofrerem por não observarem essa característica -, aproprio-me da noção para de alguma forma sair vencedor de um jogo esquisito, no qual eu deterei os louros da diferenciação. É altamente relevante para mim estar atento a essa questão, posto que todo esse percurso é uma silhueta sedutora, guia do caminho terrível e enfeitado da vaidade (que empurra os seres humanos  no abismo da intransigência, da soberba e da arrogância). É quando eu estou a um passo de me tornar o dono da verdade.

Eu digo a mim - e aos outros - que essa tal verdade não existe, mas estou em uma sofisticada busca dela.  

É por essa razão que eu, às vezes, sinto-me mal por dar conselhos, muito embora eu ache que as coisas que penso precisam ser ouvidas por terem seu grau de virtude. Em verdade, apesar de me descrever meso-hipócrita, vejo que gostaria de encontrar pessoas que pensassem como eu penso, pois diversas vezes acredito piamente que partes da minha visão de mundo são as mais apropriadas em certos casos. Eu também quero um reino. Então, acabo observando que não sou tão diferente assim. Tudo isso me parece bastante humano. E, afinal, eu nasci e cresci em uma sociedade que nega a natureza, que foca na exatidão das formas, das medidas e, naturalmente, transporta o que as operações algébricas resolvem para as vidas. No entanto, somos células, fluidos e gases; vidas dentro de vidas. Não nos podemos controlar, além do imediato. É quando a fatalidade se mostra em sua forma mais crua: a possibilidade de organizar, mas sem poder controlar. Não sei se é o caso de me envergonhar por tudo o que expressei aqui, pois a minha tristeza não vai no sentido de querer extinguir isso - dado que a recusa à ideia da minha necessidade da lógica platônica seria uma própria recusa da minha inerente mediocridade megalomaníaca humana -, mas sim de me observar tão comum quanto quem não é, por exemplo, organizado com a casa (ou com aquele que parece desatento aos "benefícios filosóficos"). Devo refletir, nesse(s) processo(s), se eu também não estou fechando as minhas janelas e portas no estabelecer de julgamentos nos quais eu sempre serei o beneficiado, o eterno reizinho da casa.

É pelo fato de, sim, gostar de mim, que sigo atento.