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domingo, 11 de janeiro de 2015

Eu... domingo... 2015

Hoje é o primeiro domingo de 2015. Eu já tinha falado para mim mesmo que este ano tudo será diferente. Hehehehe! Nada muito original. Enfim, o ano começou e vem cheio de velharias; na verdade, janeiro sempre é assim: é uma espécie de continuação do ano anterior em que todos temos que ir aos poucos acordando e nos dando conta de que o ano passado passou.

Eu mesmo ando às voltas com coisas e coisas. Coisas de meu doutorado, coisas de meu coração, coisas de minha alma. São três áreas que têm se mostrado bastante pesadas em mim, e elas têm pesado muito mesmo. Às vezes acho que as coisas por aqui já deram o que tinham que dar; já, em outros momentos, lembro que ainda não acabou: "it's not over yet", como tem em uma canção que eu adoro...

Ano passado muitas coisas aconteceram. Eu me machuquei feio; eu me vi apaixonado; eu caí fortemente. Lado do coração total fodido. Tentei im concurso legal, passei em todas as fases e nem fui selecionado. Era uma direção a respeito de um futuro que nem eu mesmo sei qual é porque me sinto tão deslocado, algumas vezes. Eu penso se isso tem a ver com minha já terrível solidão.

Já não tenho paciência para as pessoas a meu redor... Enfim, tem vezes que penso em sair daqui e tal, entretanto estou indo rumo aos trinta! Meus amigos já está trabalhando e tal, eu sigo estudando. Não estou - e nem posso estar - reclamando porque é uma etapa por que preciso passar para conseguir uma coisa melhor nessa vida tão louca.

Brasília, sem dúvida, será sempre uma página inesquecível de minha vida. Sinto que cresci de um jeito que não seria possível se houvesse me mantido em Aracaju. No entanto, não sei o quanto de bem esse "crescimento" me trouxe. Hoje sou uma pessoa inconformada com tudo e com todos; sisudo; que internamente luta contra uma aparente vaidade,  a qual, em realidade, mostra-se como uma desculpa para não deixar de querer um mundo de meu jeito.

Estudar discurso me mostrou um mundo sem véus, podre, nojento. Pelo menos, foi isso que mais me marcou. Em Aracaju, eu não tinha uma percepção tão espúria da humanidade. Dizem que isso é ter a tal visão crítica do mundo. Pois bem, agora, nada mais me deixa tranquilo e, com "nada", eu me refiro à tevê. Eu,  definitivamente, não suporto muito tempo ficar olhando para uma fábrica de ilusões tão perversa... Mas não sei se isso é uma coisa ruim, talvez, seja bom sentir isso. Um dia, quem sabe, volto aqui e escrevo sobre televisão.

Enfim, estou terminando de escrever este texto em uma segunda-feira. Ainda no domingo, falei com uma amiga de alma que também passou por uma situação complicada, mas que parece estar se recuperando. É o que mais quero atualmente: recuperar-me disso que não sei precisar o que é.

Agora, são 05h40 da manhã e me levantei para retomar meu texto para a qualificação de meu doutorado. Vou trabalhar!

PaBlO

sábado, 27 de setembro de 2014

Demiurgo (ou "Perto demais")

Há mais de um ano não escrevo no blogue. Tantas coisas aconteceram, tantas... Hoje, no entanto, não planejo fazer retrospectivas, mas falar sobre um tema vivo e ainda pouco claro para mim. 


Pela enésima vez, assisti a "Closer" (2004). Várias coisas vieram a minha cabeça no que diz respeito às relações humanas, às minhas, propriamente ditas. O quadrado amoroso do filme e suas desventuras me fizeram pensar sobre o peso do haver de dois corpos tentando ir além do biológico e aparentemente urgente; de como, certas vezes, vamos todos nos perdendo por não detectar pontos problemáticos em nós mesmos; e de como, no fundo, tudo se esmaece no espelho.

Conversando com uma amiga - e também recorrendo a algumas de minhas últimas experiências de vida ligadas ao tema -, comecei a cismar sobre cada uma das personagens. Falei com a amiga sobre como via em Anna (personagem interpretada por Julia Roberts) uma fraqueza de identidade tão recorrente em muitos de nós, que faz com que nos deixemos levar sem questionarmos se o que está sendo feito nos faz realmente bem, como energia de vida; como observava em Larry (interpretado por Clive Owen) uma personalidade extremamente infantil de posse em relação a quem ele visualizasse como 'inimigo', ação que também fazemos pela - talvez - profunda insegurança alimentada a cada dia do ciclo despertar- produzir-recarregar; Ademais, tratei das duas figuras, as quais, em minha opinião, destacaram-se mais na narrativa: Alice (vivida por Natalie Portman) e Daniel (interpretado por Jude Law).

Eu vi nos dois coisas que tanto me perseguem e, acredito, persigam muita gente. Daniel foi uma das representações humanas mais intrigantes que já vi, dado seu pretenso amor por Alice e Anna. Na verdade, eu não vi ali amor (como eu o entendo) algum - como ele tanto alardeava para ambas separadamente -; mais pareceu um retrato bem construído do que é a paixão. Não duvido que ele tenha realmente gostado de cada uma delas, e poderia considerar que, a sua maneira, ele as tenha 'amado', entretanto, o que mais chamou minha atenção foi  ele não se importar com as consequências que a realização de seus desejos traziam. Como homem das palavras, Daniel parecia não dar tanta atenção ao cálculo e à parcimônia, em outros termos, ao respeito: envolveu-se com a misteriosa Alice e, ao mesmo tempo, não se conteve em conquistar a altiva Anna. Quando sua paixão não era completamente correspondida, em sua percepção, Daniel se investia de grande energia para ser bem-sucedido na realização de seus desejo. A questão era sempre esta: seu desejo, seu sentimento, que deveria ser completado, preenchido. A busca incessante pela 'completude' fazia com que o jornalista sempre quisesse o máximo de cada relação, mas sem se importar em fazer o mesmo com as pessoas envolvidas.


Alice começou o filme com sua já memorável frase "Hello, stranger!", ou melhor, "Olá, estranho!": uma frase extremamente representativa do momento no qual estavam inseridos os quatro amantes. Ela, a mais jovem dos quatro, pareceu-me ser a mais fresca também: sempre leve e vaporosa, suas ações correspondiam a alguém que se entregava à vida, indo de cabeça, sem olhar para os lados. A seu modo, Alice mostrava uma sinceridade desconcertante cuja manifestação fazia com que me perdesse no que era real ou criação para não dificultar as coisas. Alice mentia, mas sentia e chorava com questionamentos tão abertos e francos, revelando, assim, um lado infantil positivo, o de não deixar de fingir por pressões além do que seu próprio ser suportasse. Eu vi nela uma entrega total a Daniel, a despeito de, nas entrelinhas, parecer haver saído de uma experiência complicada anteriormente. É inesquecível a cena em que, deitada, declara não mais amar seu amor porque não entendia "onde" ela a amava. Este foi uma dos momentos que mais me desarmaram no filme.


Por meio de Daniel e Alice pensei em como minha vida e meus problemas com alguns relacionamentos têm a ver com as condutas dramatizadas. Durante algum tempo, eu pensava que tudo em minha vida deveria ser 'total' e estendi isso às relações com o outro. Hoje, percebo que, no fundo, isso do 'total' acabava por eufemizar meu sentimento de controle sobre todas as coisas do mundo - a sensação de ser dono de mim e, por extensão, das coisas que me rodeiam. Assim, com isso de 'total', eu acabava por querer ter o domínio das coisas e, claro, moldá-las a meu desejo, ainda que com uma intenção aparentemente boa, isto é, uma de construção e preservação da harmonia (onde eu seria o próprio demiurgo). O objetivo de tudo isso: facilitar meu modo de lidar com outro, para facilitar minha vida... It's all about me... again... Hehehe! Não. Não é um problema fatal esse modo de viver, porém ele traz repercussões que arruinam as relações. Eu, por exemplo, quis sempre que me contassem coisas que eu considerava estarem sendo ocultadas, fosse porque justificava a mim mesmo (a ao outro) ser um ato de preocupação e ajuda, fosse por não conceber a presença da dúvida em uma relação intitulada, por mim mesmo, como 'real' ou 'verdadeira'. Acontece que, como mencionei, agora, mais friamente, julgo que tudo sempre teve a ver comigo. Sou eu querendo uma verdade que, muito provavelmente, só me fará sentir pleno, como senhor da vida do outro, ao conseguir adentrar campos exclusivos escuros (e obscuros) que dificultam a desejada completude, a direcionada à perfeição - àquela perfeição de uma relação ideal... do ideal. Assim, penso que a conduta egoísta só me afasta daqueles/as que que amo por não respeitar o oculto, o que não me é possível ou permitido acessar. Talvez alguns temas ocultos sirvam para registrar uma individualidade que vai se amenizando quando uma relação a dois passa a ser forte e cada vez mais enlaçada. Vejo que querer a completude é intentar alcançar o ideal, que, por si só, é conhecido por ser inatingível. 

Desse modo, vale a pena esforçar-se para tentar levar uma vida mais leve. Penso a cada dia, mesmo depois de deterioradas algumas relações, o quanto é preciso ser e deixar ser. Muitas vezes, por essa busca "pelo que está escondido", a gente acaba por não observar e valorizar o que se tem de concreto e brilhante na troca com o ser diferente que está posicionado na vida naquele momento específico. Vale a pena sim ser cada vez mais honesto e verdadeiro, mesmo que isso custe o fim, o rompimento. Acredito que detectar quais percurso conduzem a um lugar de desterro é vital para poder levantar todos os dias e agradecer a Deus por estar vivo e por ter uma existência. As pressões estão sempre ativas e é bom estar atento/a a elas e, ainda mais, como você acaba sendo atingido por elas.

Com esta reflexão volto ao blogue. Sinto que novos ventos estão por vir, por soprar e me levar a novos campos. Eu quero cada vez mais me sentir preparado para seguir no Caminho que está todo a minha frente. Caminhando!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Uma rapidinha

Uma das pendências encerrada. Acho. O 'relutante artigo' saiu hoje. Aproveitei que estava me recuperando de ontem à noite para dar andamento a minhas coisas. Foi um dia ótimo: fui para a academia, no início do dia; fiz um almoço super; assisti a Amigas y Rivales e fui terminar uma transcrição. Consegui. Depois, fui assistir a mais um capítulo de A Próxima Vítima, adorei! mandei uns e-mails pelo MNPR e fechei o dia reorganizando o artigo para minha orientadora. Muito bom!

Agora, vou comer um mingauzinho para ir dormir. Amanhã, tem aula com uma professora que adoro e eu sempre me sinto bem assistindo aula na UnB. Ademais, tenho um almoço para ir, uma conversa para ter e um evento para participar. Estou pensando em ir de bicicleta... Hehehehe! Tenho que organizar meus horários de amanhã.

Vou comer meu mingau: deve estar esfriando!

E, claro! Ir dormir.

Fui.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Nuvens passageiras

Olhe eu aqui, tentando manter a energia que trouxe de minha 'fuga estratégica'. A verdade é que, se não fosse por Ellen Oléria cantando para mim 'Nuvem Passageira', estaria emputecido super aqui. Só estou 'emputecido', sem estar 'super'. Já queria ter vindo escrever há algum tempo, mas tenho minhas fofíssimas companhias: um artigo relutante para fechar, um serviço de transcrição para encerrar e dar conta das questões do doutorado. Quero muito seguir o conselho de Ellen: "Por isso agora o que eu quero é dançar na chuva/ Não quero nem saber de me fazer ou me matar /Eu vou deixar um dia a vida e a minha energia/ Sou um castelo de areia na beira do mar".

Isso tudo porque estou cada dia mais disposto a não me assassinar. Conversei com uma amiga sobre coisas da vida e, obviamente, eu me acresci à história. Temas e temas. As minhas constantes questões e as consequentes buscas por respostas. Daquela vez foi a mórbida correria pela perfeição. Eu ouvi e me ouvi: "não existe perfeição". Então, penso que preciso me desapegar dessa noção invertida e esquisita sobre como as coisas têm de ser. É uma coisa. Não sei. Voltei disposto da viagem, mas, confesso, em variados momentos eu me sinto perdido. Acho que estou começando a digerir realidades, como se me desse conta de que o sonho está lentamente seguindo seu caminho natural de névoa. Não sei se isso é ruim de todo, pois a vida tem parecido tão concreta para mim. Estou vendo e sentindo isso. 

Hoje, minha raiva deveu-se a não ter feito as coisas que desejava fazer. Para variar. Aff! São tantas
coisas. Tantas. Por exemplo, estou escrevendo aqui, mas minha cabeça está nelas. Ultimamente minha cabeça não anda no mesmo lugar, mas não quero dar muita atenção para isso. Não quero. Estou barreado porque ontem fui dormir super tarde fechando um artigo e li que terei de refazê-lo praticamente. Além do mais, estou com fome e nem sei o que vou comer; daqui a pouco começa um documentário sobre Basquiat e eu quero ver, um refresco. Depois penso em ir dormir para amanhã correr pacas.

Hahahaha! Acho que este é um dos textos mais insólitos deste blogue. Que se foda! Acho que lerei um texto de disciplina da UnB - na verdade, não farei isso, apesar de desejar muito. E-que-calor!

E começou a chover por aqui. Tava mesmo muito calor. E que a chuva lave toda a secura e seja bem-vinda. Amanhã é dia de seguir Caminho.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Mortificar: 1ª pessoa do singular

Segunda-feira. Caminhando para o segundo semestre de 2013. Para hoje, eu tenho um sem-número de coisas para fazer. Eu viajo na quarta-feira para Sampa. É uma daquelas minhas loucuras, mas, claro, planejadas. Enfim, isso importa pouco neste momento; o que me faz escrever é um sentimento esquisitíssimo de desordem interna. Eu me sinto como se tivesse sentado em um monte de coisas por fazer e sem dar conta de executar um passo bem. Não sei, ando dizendo a todos que estou cansado, cansado... cansado demais. Ando cansado de tanto cansaço.



Hoje acordei e fui lavar a pilha de pratos habitué de minha casa. Por sinal, minha casa é um capítulo à parte. Eu me sinto em um misto de prazer e dor dentro dela. Eu devo isso ao início. Logo quando cheguei aqui, umas coisas estranhas aconteceram: a torneira do banheiro quebrada (por mim) e água para todos os lados; uma conta abusiva de água; pingueiras assustadoras; até a perda da chave... (até tive uma bicicleta roubada) enfim, coisas que me fazem não relaxar nunca: sempre acho que algo vai acontecer. Eu me digo às vezes que não devo reagir de forma tão grave porque, no frigir dos ovos, são coisas corriqueiras; porém, em outros momentos, sou invadido por uma sensação terrível de desamparo que se converte em lágrimas. E ninguém sabe disso. Enfim, acredito que isso é a vida também - refiro-me às preocupações cotidianas e aos acidentes diários. Só sei que minha incapacidade de concluir as pendências têm servido como uma desculpa formidável para me sentir mal, 'o só', 'o incompreendido', ou seja, aquele Pablo que conheço super bem e de quem não gosto muito. Mas é a síndrome. Não estou culpando a humanidade pelas consequências de minha vida.

Além das aventuras de ter uma vida para tocar, eu tenho passado pelo campo lúgubre da solidão. Minha companhia mais assídua (que coisa deprimente, meo deos!) tem sido a televisão. Também, em alguma medida, é uma escolha. As pessoas me chamam, eu saio com elas, mas tudo me entedia porque não quero ter de passar muito tempo fingindo não me importar com as coisas que não concordo - e que são absurdamente praxe social. Minha própria acompanhante me enfada: não tenho mais paciência para telenovelas; a maioria dos programas é um insulto à inteligência e os telejornais parecem executar o movimento de batedeira, ou seja, circulares em movimentos elípticos, misturando tudo em massa e voltando a rodar. Estou enjoado. Eu preciso de férias, mas não sei se conseguirei ter o tempo de que preciso. O tempo também acaba comigo. Agora, por exemplo, estou calculando ficar escrevendo aqui no blogue até determinada hora para que eu tome banho, coma alguma coisa e saia para pagar as contas (cujo pagamento, ainda segundo minha cabeça, deveria já ter sido feito na parte inicial do dia!). Eu noto: infelizmente, não se trata de encontrar uma saída para o desconforto que sinto, mas de aprender com tudo o que está acontecendo a contornar o que já aponta para uma quase paranoia. Isso é preocupante. Isso é profundamente chato. É uma merda 'ter de aprender' o que não se quer.

A questão é que, para mim, estou claramente em um período crítico. Não sei, mas me vejo querendo superar essas coisas, entretanto, se analiso friamente, observo que talvez eu precise aguentar um pouco mais, reconhecer minhas fraquezas e mais coisas outras vindouras. Estar aqui, no blogue, já é um primeiro passo. O fato é que não tenho vontade de fazer nada nesse contexto, e isso me mata. Quando entro em casa, só quero ver televisão, comer, dormir e, se possível, não levantar. Tenho muito, muito medo dessas coisas, pois vem junto um zilhão de outras. A saudade de minha mãe é uma delas. Aquele desejo de estar do lado dela quando me liga perguntando amenidades - tais como colocar um acento nas mensagens escritas no Facebook para minha irmã - é doce e venenoso. Minha melhor amiga me dizendo que queria me ter por perto porque está passando por uns perrengues e que tem se sentido meio sozinha é nada mais do que mortificante. São as saudades de Aracaju, um local deturpado em beleza pela solidão vivida na fase brasiliense de minha vida.

Não sei se necessariamente trata-se de início de depressão, pois minha vida em Brasília tem sido, em si, 'pressurizada'. Quando dou por mim, estou me vendo cobrado, em diferentes modos, níveis e escalas. Sinto uma pressão para 'ter e ser isso', 'ter de fazer aquilo', 'ter o tempo, tempo, tempo, tempo, tempo, tempo, tempo para tal atividade'... é também o dinheiro que nunca sobra, como antes, e meu medo de passar por apertos. Isso me faz não querer sair de minha casa, mas pouco adianta, pois a televisão, minha tal companheira, projeta a realidade que me machuca, contudo de maneira atrativamente fria e angular, na mais alta definição. Penso na companhia dos livros, e vejo-me sem tocá-los. É, sem dúvida, o sinal de alerta. 

Ir a São Paulo talvez me dê uma possibilidade de correr daqui... uma fuga. Eu assumo.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Passado

Cheguei quase agora da universidade. Tive uma aula com o Prof. José Geraldo de Souza Junior, para mim, mais conhecido como o ex-reitor da UnB. Lembro-me dele lá dos tempos de Aracaju, quando assistia aos documentários da TV Câmara, mais especificamente, um sobre as cotas. Eu, desse modo, tinha dele boas lembranças. Eu,hoje, achei-o bastante erudito, citou uma porção de autores, os quais anotei para pesquisar e saber mais posteriormente. Foi uma aula que, em seu início, prometia muito: definitivamente, aquele homem tem uma bagagem vasta e interessantíssima; no entanto, passou a ficar chata, pois ele - e algumas pessoas da turma - embarcaram em uma viagem aos tempos da ditadura e aos prejuízos trazidos por ela. Obviamente, tudo estava dentro de um contexto: a disciplina girará por esse tema, tendo em vista a consolidação das propostas aprovadas na recém-criada Comissão da Verdade. Eu sei - por ter estudado - que a ditadura foi um episódio terrível na história do país; que famílias perderam entes queridos e que muita coisa precisa ser esclarecida dentro dessa nebulosa, mas não consigo me identificar muito com o tema. Acredito que isso aconteça porque não aconteceu comigo. Na boa, acho até que minha família é daquela que pouco se lixava para os casos de violência e censura; e digo mais, que até acreditava na detratação dos que acreditavam na revolução. O fato é que eu não cresci em um lar politizado. Fui adquirindo isso na vivência da graduação, ou seja, há menos de dez anos. A questão é que pensei que a disciplina fosse se tratar de conceitos mais basais, mas o próprio professor explicou que o interesse era um atuação menos contemplativa em nossos encontros (o que estava na primeira parte da aula, a qual achei o máximo) e mais efetiva na sociedade. O que me desanimou um pouco teve a ver com o que veio em seguida. Na fala do ex-reitor, entre momentos de reminiscências ligadas à Constituinte, ficou claro que a transferência para a práxis se daria voltada a um objetivo específico: a atuação estudantil dentro da configuração da Comissão da Verdade. Algo profundamente válido, mas também bem específico. Assim, pelo que entendi, focaremos na história da UnB, nas bases de sua construção, nos obstáculos ideológicos por que passou nos tempos ditatoriais até encontrar um caminho para a contribuição na Comissão. Eu, provavelmente, terei de pescar o que será de mais interesse para meu trabalho. 

Eu estou ouvindo Let Go. Eu ganhei esse álbum de presente de minha mãe,em 2002. Isso sim, há mais de dez anos. É que comecei o dia lembrando de Mobile, sobre essas coisas de mudar. Percebo que ainda tenho esses momentos de minhas próprias lembranças. Acredito que agora que voltei a ficar sozinho, em momentos de me sentar no quarto para escrever, eles voltarão. Não acho ruim,pois foram desses momentos que brotou um Pablo do qual me orgulho; um que chegou até aqui, mas penso que o tempo passa; ele está passando e, às vezes, nem sei  mais se já não estou me acostumando com a solidão. Meu único medo é o de ser aquele 'estranho', o que mora sozinho,, o que vive sozinho, o que é estranhamente diferente. Ainda é uma ideia infantil. Eu acho que nunca deixarei de ser infantil,mas todas essas coisas me ajudam a saber quem sou eu. Algumas vezes, eu me vejo projetado no futuro - como fiz há pouco - e penso sobre os movimentos da Vida. São momentos que não tinha havia algum tempo mesmo.

Por hoje, é isso.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Overreacting?

Hoje é a minha defesa de mestrado. Chegou o dia. Eu acordei cedo hoje, quando pensei que fosse passar boa parte da manhã na cama - para o tempo passar mais rápido. Eu não sei se estou me sentindo ansioso pela apresentação em si; na verdade, eu acredito que é o conjunto das coisas. Estou esperando a resposta da imobiliária sobre uma casinha que estou para alugar, cujo preço mensal foi o mais em conta levando em consideração a localização. Como as coisas nunca parecem ser tranquilas, tem um pormenor que não está me fazendo ter paz. Talvez nem tenha fundamento o meu medo, mas ultimamente não ando normal e isso está me fazendo perder o controle. Não me deixa bem a ideia de não ter lugar para ir - ou ter de incomodar as pessoas e me sentir incomodado por ser um 'corpo estranho' na rotina de meus/minhas amigos/as. Eu me sinto assim. Péssimo.



Poderia ficar falando mais sobre isso, sobre a questão da minha ansiedade e de seus porquês, mas hoje o dia é o da defesa. Hoje, finalmente, será encerrado o ciclo do mestrado, que começou tão bonito,que foi sofrido, mas que encontrou seu caminho. Queria estar mais tranquilo para escrever coisas bonitas, mas elas andam tão distantes de mim. Ainda assim, espero ter a oportunidade de escrever sobre elas, exorcizar esses pequenos demônios que não têm me deixado em paz.

Minha mãe está na casa da mãe de uma grande amiga e eu fico contente por isso, pois não estou nos melhores dias para ser companhia de ninguém. Ainda isso. Tudo e todos me incomodam de uma maneira intensa, contudo não acho justo descontar em outrem problemas tão meus: eu não explodo e, consequentemente, não me sinto bem com aquilo remoído dentro de mim, por isso queria apenas me afastar, recolher-me um pouco, descansar de algum modo. Mas onde? Sei lá... Aqui estou eu falando de preocupações outra vez. 

Acordei me ancorando em uma palavra de força e fui ouvir Whitney cantando 'Step by step'; com ela me senti melhor...



Preciso mesmo ouvir quem me diga que tudo dará certo, mesmo que eu não acredite. Ontem, estive com uma amiga de vida, que não poderá estar na minha defesa, mas que deixou de ir para casa depois do expediente de trabalho - que deve ser normalmente cansativo -  para me escutar falar sobre meu trabalho. Eu achei tão bonita a atitude. Eu me senti amparado e ela não sabe o quanto me ajudou. Eu posso dizer que tenho boas pessoas do meu lado, mas não quero entrar na vida delas mais do que é saudável para a nossa relação. Acho que é meio (ou totalmente) orgulhoso isso, mas, no fundo, é medo de perder essas pessoas iluminadas. Durante esses últimos dois anos conheci gente muito podre, vampira e isso me afetou tanto... Eu, de fato, preciso me recuperar de todo esse lodo que respingou em mim. Às vezes penso que isso possa ser atitude de menino mimado, ou seja, quando as coisas 'apertam', de fugir; por outro lado, tento me entender: tudo que tem acontecido é tão novo para mim e, feliz ou infelizmente, não consigo ser um super-homem. A situação me dá medo e o medo também salva. Ademais, quem realmente sabe de mim sou eu. Preciso me recolher para recobrar as energias, pois sei que, se as coisas estão difíceis agora, em algum momento, outras melhores virão para que novas não tão boas voltem a acontecer e que eu,  assim, consiga superá-las. Acho que é algo inerente à Vida. Como essa amiga me mostrou ontem, é preciso esperar e confiar na Luz. Apesar desses tempos aparentemente não tão claros, sinto e vejo que não estou sozinho: o escuro não é tanto assim e, apesar do meu medo, conseguirei superar.

Mas hoje é a minha defesa e, sobre ela, não há mais o que fazer a não ser ir lá, falar e ouvir.

Que eu tenha uma tarde boa.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Enquanto isso

2013. 18 de fevereiro. Faltam três dias para o encerramento de um ciclo. Eu pensei que estivesse levando mais tranquilamente a situação, mas hoje vi que não. Tem mais de seis meses que não escrevo aqui. Isso me fez falta, muita mesmo. Bastantes coisas aconteceram, e elas foram importantes, mas acabaram engolidas pela minha missão de encerrar o mestrado: eu precisava escrever a dissertação. Eu me desconectei muito seriamente.

Mas, enquanto isso, o globo terrestre girou. E tantas coisas chegaram e passaram. Neste momento, depois de acabar de acordar, assumo: estou cansado. Cansado de um modo que não me lembro de ter estado há tempos. Não suporto intensamente as coisas e pessoas - que talvez tenham entrado no balaio de pressões que se tornou a minha vida nos últimos tempos. Não estou triste ou reclamando, pelo contrário, encerro uma fase na qual aprendi muito: foi para isso mesmo que saí de casa, para aprender e me ver e me decidir sobre quem ser no mundo; eu sinto que isso está se consolidando. Uma flor nascida do esterco.

Minha mãe chega a Brasília hoje. Eu estou tentando fechar uma negociação de aluguel. Quinta-feira é o dia da minha defesa de mestrado. Será uma semana cheia, marcante pela natureza de fim, contudo de começo(s) também. Eu me sinto muito ferido, necessitado dos/as meus/minhas amigos/as, daquela minha vida boboca de Aracaju; continuo pensando que falar essas coisas para as pessoas próximas a mim pode soar lamentoso, por isso me sinto tão estranho, não me sinto à vontade de falar com gente que aprecia passar o tempo falando de outras... por isso precisava voltar aqui. Nesse espaço escrevo para o mundo, mas tão para mim, este 'eu' tão cansado, mas que não pode parar.

It's a new dawn, it's a new day...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Nova temporada

Pois bem, é a última semana em Aracaju. Até aqui, já encontrei as pessoas da minha vida; saímos, conversamos, rimos, enfim, reencontramo-nos em vários sentidos. Tudo o que aconteceu me fez perceber o quanto sou afortunado por ter gente essencial do meu lado. Claro que observei também como o tempo passa e as coisas mudam: as pessoas, os papos, enfim, todos estamos diferentes. Ainda sigo com aquela mania minha de sempre me comparar, querer estar melhor do que estou, no entanto essas questões me fazem pensar o quanto é forte para mim vir e estar em Aracaju, pois aqui fico mais reflexivo, o que me torna mais desejoso de avançar. Definitivamente, este é o lugar que eu amo estar, as pessoas daqui são tão familiares a mim. Apesar da percepção de estar criando visões idealizadas da capital - que continua com problemas e até outros mais -, eu adoro estar aqui, andar de bicicleta, ver a gente passando, as crianças se arriscando e ouvindo o grito das mães - hahahaha! -, em um fluxo de gente lutadora. Esse cenário a alguém que, como eu, está longe do seu círculo parece o lugar mais formidável e perfeito para criar raízes. 

Meus amigos que me veem e me admiram - e que recebem de mim o mesmo em retorno - estão aqui. Eu tenho bons amigos. Eles são diferentes entre si, mas trazem essa coisa que não se explica dos que vivem aqui, que trazemos traços fortes dos pais de um modo mais tradicional de ver as coisas, mas, ao mesmo tempo, aberto ao novo. Eu mesmo sou assim, mesmo criticando e lutando contra aspectos retrógrados que encontram ninho nessa minha terra, dada a tradição aqui ser muito forte. É um aspecto agridoce de viver na linda Aracaju.

Toda essa história é para tocar no assunto do que venho chamando de 'última temporada' do mestrado. Quando voltar a Brasília, tenho de fechar a dissertação e tentar fazer isso antes de outubro. Sim, infelizmente, terei de me focar em prazos. Estou algo contente porque, finalmente, tenho um projeto de vida calculado na minha cabeça e motivador de ações. É muito bom porque agora terei de batalhar com um objetivo em mente, o que ajuda bastante a traçar esquemas e assumir riscos. Eu tenho me visto como alguém esforçado, entretanto é necessário que eu faça mais nesse sentido para conseguir as coisas. A despeito da minha característica de pessimista, noto que acredito nesses planos e, mais importante, acredito em mim. Acredito sim. Agora está registrado. 

Hoje é quarta-feira e não sairei de manhã, portanto adiantarei coisas do meu texto e demais obrigações. Trabalharei nisso com atenção, mas não quero ficar louco: não deixarei de viver e aproveitar a minha vida e os meus amigos para 'capitalizar'. Confio em mim e sei acredito que as coisas acontecem no tempo que têm de acontecer. Não é para ser preguiçoso, mas também não vou deixar de sair e ver o céu para escrever feito um descontrolado. O tempo passa rápido e, assim, vem o verso: "Então é Natal, e o que você fez?" - hahahaha! São coisas assim que preciso conciliar para ser bem sucedido no que intento. No momento, eu não estou em um patamar que considero desejável, mas tendo em vista o meu projeto, entrarei nele e conseguirei. Eu conseguirei tudo o que eu quero. 

Enfim, agora irei trabalhar, organizar as minhas pendências. Estou indo rumo a uma nova temporada. Vai bombar!

sábado, 18 de agosto de 2012

Em curso

Era para eu sair e desfilar novas roupas. Não deu. Era para eu ter feito um poema. Não aconteceu. Era para eu deitar e fazer nada. Sonho. Há quase duas semanas eu estou em Aracaju e a maior parte das coisas que pensei não estão acontecendo. Enfim, pensando, agora, para escrever, não é totalmente ruim; ainda atribuo coisas assim às direções que a minha vida tomou e tem tomado. O cenário de hoje é reflexo das consequências das minhas decisões prévias, as quais foram tomadas meio cientes de que coisas poderiam se tornar outras. Que muito poderia se tornar outro.

Acontece que, desde os últimos nove dias em Salvador e anteriores à minha chegada a Aracaju, o foco da minha atenção tem sido pensar maneiras de fechar a minha dissertação porque tem outras coisas a caminho. Eu não quero me enrolar, mas... (E também não quero falar desse assunto... Não agora) Acontece que vim aqui escrever porque não queria (daquele querer de quem responde a pergunta "e aí?") ir embora; não fico nada legal bem quando a minha mãe indiretamente diz que sente a minha falta, que se sente sozinha. Minha mãe é parecidíssima comigo (hahaha! engraçado isso, pois ela veio primeiro), se faz de ultra forte, mas às vezes se trai pela linguagem diante dos seu filho linguista. Eu fico só observando, imaginando um tempo em que resgatarei a minha rainha desse mundo de dragões e demônios porque ela parece, com o seu sorriso modesto, ansiar por isso. E eu sei que empreenderei forças para fazê-lo.

Consegui cair doente aqui em casa (acho que por ter comido algo pesado demais ou em excesso). Eu fiquei um dia de cama aqui em casa. Foi bem complicado, o sábado inteiro com náusea e dor de barriga. A minha mãe foi quem esteve do meu lado mesmo. Chamei, chamei e ninguém esteve perto de mim, mas ela sim, e me abraçou e ficou aflita comigo, e eu me senti amparado, sem medo de estar vulnerável. Só por ela. Por isso me dói tanto a separação, pois só com ela me sinto forte para me mostrar fraco. E nós nos entendemos tanto: ela fica falando coisas que não tem liberdade com o meu pai e a minha irmã, e, então, nós rimos. Adoramos sair para passear, fazer compras, construir planos futuros em relação à nossa casa. Ela me escuta e eu escuto ela. Nós nos escutamos. E eu quero cuidar tanto dela porque ela sempre cuida de mim. Eu a amo tanto, tanto. Acho que Deus dá a cada um a sua companhia para cruzar determinados caminhos da Estrada, ela tem sido a minha. 

A próxima semana será a última dessa temporada aqui em Aracaju. Voltarei a Brasília para o que venho chamando de 'última temporada' da minha aventura que começou em 2010. Conversando com uma grande amiga, discuti sobre isso de as coisas desenharem novas linhas; as atuais me levam a assentar um pouco e colocar para dormir o espírito que quer fazer 'tudo agora neste momento já'. Vejo que preciso ir adiante e sedimentar a segunda parte da trajetória que pensei para mim. Parece ser chegada a hora de o menino ir definitivamente dormir porque o homem precisa empreender força para a construção da sua fortaleza. Será essa a minha razão nessa última temporada. Sei que, até aqui, conto com as pessoas certas, as pessoas que contam na minha vida, que estão nos meus planos e que estarão comigo, convidadas a visitar a minha fortaleza feita de base firme. 

Ontem, eu saí com a minha irmã e alguns amigos. Como as coisas mudam. Tudo diferente e eu pensando em mim nesse mundo que não para e me dá mostras de que eu também tenho de manter o passo. Um doce desespero. 

A minha mãe, os meus amigos, a minha família, a minha casa, a minha terra, ou seja, o meu Deus que é o conjunto de pontos de luz que orienta e me dará sempre a paz de respirar e olhar em volta.

sábado, 21 de julho de 2012

Adoro

Mais um sábado. Eu adoro. Hehehehehe! Comecei o meu de hoje bem: ouvindo Frozen, I Guess that's Why they Call it the Blues e Danny Boy. Super. (Começou a tocar Warning Sign...) Espero que hoje será um daqueles sábados só feitos para mim, ou seja, quando não preciso sair, perder noite etc. Ai - pode soar blasé, mas -, isso tem me cansado... Hoje eu quero ficar em casa, ouvir, talvez, Fausto, talvez, Orpheu, ou, dependendo do meu humor, O Barbeiro de Sevilha. Não sei. Não sei. Não sei. E eu adoro. Adoro essa sensação de que não há propósitos fixos para o dia,  que o tempo está congelado e simplesmente dependente do que eu queira fazer. É esquisito; é gostoso; é a minha vida hoje, agora.

Esta semana foi bem cheia. Eu comecei coisas e terminei outras. Eu briguei. Eu fiz as pazes. Tive boas surpresas e o saldo foi positivo. Uma das coisas que mais me deixou - não sei se - contente (talvez, mais aliviado) foi ter iniciado a finalização de parte da minha dissertação. Sei que isso provavelmente corresponda a um quinto de todo o trabalho, mas, de qualquer forma, já é uma etapa em vias de finalização. Quero agora me deter completamente à conclusão do texto da pesquisa. Tem o lance do doutorado também. É uma coisa que evito ficar pensando constantemente, mas que, por isso mesmo, tem estado na minha cabeça, no meu cotidiano, sempre trazido pela boca de pessoas e por conseguinte reinstalado na minha mente. Eu, que já sou bem paranoico com certas (ou muitas) coisas, querendo não me desgastar com velhos demônios: P-I-A-D-A. O fato é que prefiro não pensar - quando me dou conta de que estou começando a fazê-lo -, pois tenho coisas para fazer atualmente, e bastantes, por sinal. Desse modo, a lógica se mostra diante de mim  erguendo em seu estandarte um "vamos fazer bem feito o que temos NO MOMENTO". Eu adoro. Adoro quando as coisas se acertam e seguem harmoniosas rumo a uma conclusão. Sei, uma piada, e bem perigosa. Eu tenho, assim, que aprender a rir mais dessa 'piada', senão vou me foder bonito. Engraçado. È strano! È strano!

Outra coisa da semana digna de registro foi uma briga boba que tive aqui em casa. Eu não discuti nem nada, mas foi aquela coisa psicológica, guerra fria total, uma coisa que, basbaque, percebo ter herdado da minha mãe. Dela. Incrível como eu sou a minha mãe. Eu sou a minha mãe. Engraçado. Em dado momento, quando da reconciliação com o amigo, percebi em mim a reapresentação de uma cena comum entre eu a minha mãe e a minha irmã nos tempos de nossa primeira juventude. Isso me faz pensar no início da música Grey Gardens: "It's very difficult to keep the line between the past and the present...". Strano! Precisei estar longe, ou melhor, de fora para perceber o quanto sou parecido com a minha mãe. Isso me apavorou de alguma forma, pois eram justamente coisas que eu censurava intimamente, uma vez dentro de casa, observando as coisas todas à minha volta. Só sei que isso foi uma espécie de ápice de psiquismo, o qual vinha sendo ativado desde a semana retrasada, quando participei de certo final de semana de proposta poética, lírica, de transformação - agora penso -, whatever.

Olhos d'Água em Enguiço [julho de 2012]

Eu aprecio a ideia da mudança, da tal transformação; desse modo, aceitei; fui crente ao sarau metamórfico. Uma decepção para mim. Foi tudo e exatamente o que se espera de um sarau convencional (não suporto essa palavra, registre-se): pessoas bebendo vinho, comportadas nas leituras de seus textos selecionados, à beira de uma fogueira parruda, com músicas algo comuns, em uma noite apropriada, na qual todos nos incensávamos uns aos outros pelas escolhas literárias. Aff! Eu me senti tão no mundo, com as suas costumeiras convenções e regras. Eu me senti na semana. Foi a reafirmação da praxe. Não gostei disso.  E quanto ao meu plano mais secreto de fuga? Silêncio. Ando em uma vibe, nesta fase da minha vida, de querer aproveitar todo e qualquer tempo, assim, ter contato com momentos aos quais - aqui, sendo político - eu já tenho alguma familiaridade, ou que são, de algum modo, previsíveis, tem me interessado pouquíssimo. Para falar a verdade, se houver a possibilidade de arbítrio, não os quero mais. Eu fico cismando sobre coisas do tipo 'pensar sobre é mais fácil do que agir', a repousar no maravilhoso campo das ideias. Depois me absolvo. Eu me absolvo tanto porque me acuso muito. A bem da verdade, tenho tentado me absolver mais, sabe. Creio estar caindo na técnica. É necessária a paz. Sobre pensamentos e idealismos, vejo com alguma constância casos de pessoas que 'agiram' e não pensaram nas ações que desempenhavam e acabaram por se perder dentro da engrenagem. Idealistas, a nós eu escreveria outro texto, mas a ação orienta ao processo de ver como posso adequar pensamentos e ações dentro dessa engrenagem. Pelo menos, nisso eu posso considerar escolher o que fazer, quando fazer e com quem fazer. Liberdade - lindo, lindo conceito. Mas, no sarau, nem tudo foi frustração, claro, pois, mais uma vez, a música me salvou. Tive contato com LP's incríveis, revivi uma fase de vida ora rarefeita. Foi bom, foi muito bom, aliás. Adorei.

Daqui a pouco irei tomar banho. Isso para me dar coragem para fazer as malas. Felicidade - linda, linda palavra. Voltarei à minha doce e quente Aracaju. Que saudade da minha casa, da minha mãe e da minha irmã. Da minha família. Quero muito vê-los, porém, antes, terei uma estada de oito dias em Salvador, meio a trabalho e meio de férias. No entanto a cereja do bolo é a minha casa, a minha terra, os meus amigos. Como estou inspirado. Eu adoro.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Replicante

"É realmente isso o que você quer, Pablo?" - A pergunta. Ela foi feita ontem, e, surpreendentemente, não foi por mim mesmo. A minha cabeça, às vezes - ou melhor, às noites -, dorme com esboços dessa questão (que, se custo a pegar no sono, deslindam-se em momentos assustadoramente líricos), contudo, no dia seguinte, sob o Sol da manhã, a Luz vaza para a minha mente, fazendo com que eu, por conseguinte, esqueça e 'acorde para a vida'.


Hoje é mais um daqueles dias em que 'acordo para cuspir' (minha mãe falava essa expressão tresloucada para mim, lá em Aracaju). Eu sento em frente ao computador com a missão de fazer uma parte sempre essencial do meu trabalho de investigação. Pausa dramática. Lendo o período anterior, vejo que ele soa enfadonho, no entanto o que é o cotidiano senão monótono. "Poderia eu fugir disso?" (Réplica esquizofrênica) Não. Ah! E se for drama, cabe a definição, visto confirmar (e relembrar) a outra parte da dicotomia da comédia que é viver. Eu sei dela. Dói, entretanto eu também sei que todos nós vivemos de papéis. 


A pergunta de ontem foi em relação a isto: a infalível e massacrante obrigação de materializar o Futuro. Futuro, um dos demônios que me perseguem.  Foi uma pergunta cruel na sua ingenuidade.  Eu, logo nesse momento, em meio a sessões de filmes de Bergman. Perigosíssimo. Acho que acordei com vontade de escrever porque me senti atingido por 'Depois do ensaio' e a estranha contiguidade da obra de 1984 com a pergunta de ontem. As falas da película, jogando na cara de todos a complexidade de ser socialmente, a nossa vaidade e o grau de mediocridade a que se pode chegar, enfim, a urgência de atuar. Verdades que eu e a população mundial douta ou instrumentalmente sabe. Eu sou ciente da minha suscetibilidade exacerbada a algumas coisas, mas a pergunta me deixou bastante estranho. Enquanto isso, 'acordar para cuspir', o computador e o meu trabalho de investigação se perdem nas minhas conjecturas tão fiéis.


Tratando mais especificamente da interrogação - a despeito de ter disparado uma réplica verdadeira -, ela se relaciona basicamente a tudo o que escrevo: o não saber. E, aqui, não estou usando de sofismos. Claro ficou, claríssimo está, para mim, que a pergunta não teve conotação direcionada à produção de concepções existencialistas, pelo contrário, eu acreditei nela porque percebi, e percebo, a sua coerência dentro de um contexto que a sustenta, que a impeliu a ser - como nós linguistas dizemos - enunciada. Contextos e conjunturas. Sobre isso, eu nem quero mais pensar (e divagar) tanto. O transporte para outras questões mais amplas feitas por mim, aqui, pode se dever, em parte, à exposição a Bergman, bem como ao meu constante ofício de ser o inquiridor de mim mesmo. Quero dizer, é comigo; sou eu. Ponto. Traços de egoísmo. O atingir de uma pergunta como a que abre este texto traspassa quem a fez, onde foi feita e as questões que a derivaram. A minha resposta para ela, talvez uma mais real, é um rotundo eu-não-sei. Quiçá nunca, jamais o saiba. Porque por não saber é que estou aqui, é que, por exemplo, este blogue existe. Quero dizer mais: para quem se sentir outro, alheio a estas palavras que me revelam, desconsiderem tudo; tudo; apeguem-se ao que mais lhes aprouver ou for de necessidade, eu ligo pouco para isso. Escolham a personagem que melhor satisfaça projetos e planos. A minha personagem social trabalha a covardia como uma das matérias-primas para atuar. Ajo, portanto, de modo inofensivo. Eu ofereço a personagem sem queixas, porque ela é o meu mal mais necessário.


Tudo isso pode abrir espaço para sentidos de laconismo, mas acontece que, ontem, eu fui dormir pensando sobre mim, sobre o/um mundo pesado de coisas. Hoje, no banho, lembrei da questão-ultimato, no momento da revelação, em frente do espelho. Imenso e infindo espelho. E aí? "É você, Pablo" - pensava. Sim. Sou eu. Eu só.


Então, para terminar isso aqui - pois preciso trabalhar -, penso que não se deve perguntar coisas assim a qualquer pessoa, a qualquer tempo, de qualquer modo. Mesmo simbolizando algo de cumplicidade, se assim for feito, as respostas poderão ser réplicas. Eu, aliás, poderia - talvez, deveria - ter solicitado uma semana para responder, mas cada vez mais sinto e vejo que não há tempo, não temos tempo. Nenhum de nós. E já que preciso dar réplicas, sabendo que o faço e sendo do jeito que sou, preciso de espaços para digerir o que roda a minha cabeça, a qual sofre e pende para uma covardia legitimada. Assim, eu preciso parar, respirar. Acho que Bergman não está me fazendo 'bem', e eu nem assisti ainda a 'Persona' e a 'Sétimo Selo'.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Feeling Good

Muito provavelmente devido ao fim de semana passado - pelas pessoas incrivelmente especiais que conheci - (e por eu ter começado o dia ouvindo Nina), sinto-me feliz. Feliz. Eu, então, resolvi correr, mas bem depressa para espraiar essa coisa linda que estou sentindo.

Como de costume na semana, acordei às 6h (é, na verdade, 6h20), tomei o meu banho ouvindo Tulipa, cantando que seria pontual. Eu achei o máximo porque é tão comum que eu, como de costume na semana, fique excessivamente preocupado com as horas que passam e seguem escorridas pelo ralo. Hoje isso não aconteceu, pois a água estava tão morninha. Que coisa boa. Meu cabelo ficou ótimo de primeira. Eu saí assim pelos caminhos da UnB, olhando e sentindo o céu, o sol (e o mar?  deixe para o pessoal do Mombojó). Apesar de naquele momento estar ouvindo o noticiário, hoje, pelo menos nesse início de dia, eu nem prestei tanta atenção nele. Na verdade, fiquei feliz também porque, sem dinheiro, encontrei um tíquete do Restaurante Universitário: "que bom! Não terei de ir até um caixa eletrônico para tirar notas" - pensei. Foi uma surpresa boa. Como é bom ser surpreendido positivamente. E eu agradeci a Deus por estar vivendo aquele momento, aquela hora, daquele jeito. Foi lindo. Deus é isso, Deus é aquilo: aquilo tudo que se concentrou na minha retina e coloriu a minha caveira. Índigo! Branco! Verde! A Luz! Como o mundo pode ser lindo em uma manhã de segunda-feira.

Eu não sei como será o dia de hoje - nem farei comentários sobre conjecturas, não neste momento -, o mais importante é que, depois de tomar café-da-manhã, veio a vontade de caminhar e dançar até o meu apartamento. E tome mais Nina me dizendo "Tomorrow is my turn, no more doubts, no more fears (...) what is gone will be no more". Nossa! É melhor ouvir Nina louvar o jeito como ela está se sentindo em uma conversa comigo do que estar a par das ações que serão tomadas pela Espanha para limpar a barra com o Brasil. Incrível! Nações são menores do que dois pássaros que voam de forma paralela diante da varanda do meu quarto.

Engraçado, quando eu falo de coisas mais tristes, escrevo mais. Acredito que isso se deva à leveza que tem a linda Alegria e a sua borboleta, a Felicidade. Eu sei que não é possível aprisioná-la a não ser pela rede da aparência ou do escape, mas eu fico tocado porque eu a vejo: Felicidade! Felicidade! Bom dia, Alegria! Olá, Alegria! hehehehe! Eu me admiro quando isso acontece porque eu sou bom e porque eu gosto de ser e de estar com gente assim -  ainda que ache não ser interessante transformar em hipérbole midiática a coisa óbvia que deveria ser o cultivo do bem para o mundo. Eu estou aprendendo a não dever nada a ninguém e eu fico também tão feliz por causa disto: tem mais gente no mundo... gente boa.


Ou seja, EU ME SINTO BEM. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

I Will Survive (num Trem para as Estrelas)

São sete horas da manhã. Poderia ser aquela música cantada pelo Cazuza, mas da minha janela não vejo o Cristo. Eu falo com ele, na verdade. Peço-Lhe calma. Peço-Lhe paz de espírito.

Ontem, eu explodi. Estava indo dormir cedo - depois da novela das sete -, quando, já prestes a lavar os pratos do meu jantar, percebi que o meu celular novo não estava reconhecendo os fones de ouvido. Eu só sei fazer as coisas ouvindo música. Eu estava já fazendo os planos para esta sexta-feira; pensava: "Amanhã, conseguirei ler, ou melhor, escrever alguma coisa para a minha dissertação. Com mais algum esforço, ainda concluirei as pendências, pois não haverá os mesmos empecilhos que se apresentaram durante toda esta semana. Para isso, acordarei bem cedo". Esse lindo castelo em construção até o aparente defeito do meu aparelho, o gatilho para a minha queda de ontem. 

Ontem à noite eu comecei a ficar irritado porque esta semana havia iniciado bem tumultuada no sentido de que todo o meu planejamento de tarefas foi bagunçado por algumas pendências referentes a exames. Eu, para o checkup do semestre, precisava entregar um último teste que deveria ser feito em duas etapas há algumas semanas. A minha nova empreitada de produzir a dissertação acabou por embaralhar as possibilidades de sair ou de realizar as tais duas etapas explicadas pelo laboratório. Deixei para lá, naquela oportunidade, tendo em vista que eu tinha de entregar coisas do curso que eram prioridade. 

A segunda-feira, então, começou. Eu acordei às seis da manhã, tomei banho e fui entregar a primeira parte do exame. Aproveitando a oportunidade de sair de casa - coisa que anda se mostrando extremamente rara nos últimos tempos -, resolvi passar no supermercado para comprar algumas coisas. O tempo foi inclemente, sem dar na vista, simplesmente, foi. Já em casa, ainda tive que preparar o café da manhã - que é um dos meus prazeres, i. e., elaborar uma mesa com frutas, cereal, pão, café, suco etc. Resultado: a manhã, quando devo fazer uma porção de coisas programadas, foi tomada por todas essas outras (as quais são realizadas bem no início do meu dia). Após o café, peguei algo para ler, mas não tive como finalizar bem a nem leitura nem fichamento. Na terça-feira, tinha a segunda parte do exame para deixar no laboratório. Previ que o dia provavelmente seria da mesma maneira e, portanto, fiz um acordo comigo mesmo de não ficar aflito. Acontece que o cara que divide o quarto comigo acordou mais tarde do que o comum (eu o espero ir tomar banho primeiro porque trabalha e sai cedo; dai, fico remoendo na cama, acordado, esperando ele entrar no banheiro para que eu não o atrapalhe, e também porque os meus banhos são verdadeiros comerciais do 'Lux Luxo' - hehehehe!), o despertador dele ficou tocando um monte de vezes - e ele nada de acordar (ou melhor, levantar). Vendo que poderia me atrasar para a entrega do exame, eu me levantei para ir ao banho. Ele, ao me ver, perguntou se eu ia tomar banho... Aff, que raiva! Disse que ele poderia ir antes de mim (porque de confusão eu estou correndo). Entrou, demorou uma vida e ainda voltou para fazer a barba (mereço???). E eu E-S-P-E-R-A-N-D-O. Resultado: saí correndo, quase atrasado porque, além do mais, dependo dos maravilhosos ônibus, que, vejo, têm um acordo anual de nunca estarem no ponto quando se precisa deles. Enfim, cheguei. Entreguei a última parte da pendência e passei mais uma vez no supermercado. Lá, foi a vez de o meu cartão testar a minha paciência. Não funcionou. Eu já fiquei com aquilo tilintando na cabeça, imaginando novos problemas - como coisa de ir a banco e ficar longos minutos esperando para ser atendido. Voltei para casa pensando. Chegando ao meu doce lar, aconteceu o que previ: todo o esquema do dia foi atrasado e piorado porque o pessoal de serviços gerais resolveu vir ajeitar uma infiltração naquela manhã. Quarto interditado, cheiro de tinta, poeira e eu sem mais uma vez poder pegar no livro ou no computador (sob o risco de sair como o Pluft de dentro do quarto). Quarta-feira, os queridos camaradas dos serviços gerais voltaram para dar a "segunda mão de tinta"... O 'caos' se repetiu, mas daquela vez fui safo: peguei uns livros e fiquei no sofá, tentando (deveria escrever com 'T') estudar. Ontem, o pessoal voltou para dar a milionésima demão de tinta. Eu no sofá Tentando estudar. O meu outro companheiro de quarto vendo a MTV e rindo. Meu Deus! Ainda, dali a pouco, teria aula e eu sem ter avançado o quanto esperava. Esperançoso, pensei ser hoje o dia de redenção, quando tomo o susto do celular. Ele me fez ficar uns minutos preciosos testando outros fones, indo para a Internet pesquisar assistência técnica, imaginando que no dia seguinte teria de sair novamente e, por conseguinte, atrasar - de novo, mais um vez - o cronograma de atividades desenvolvido. 

Analisando mais friamente, percebo que o episódio do aparelho, como disse, abriu as comportas de controle. Eu comecei a pensar porque justamente no dia em que eu poderia fazer as coisas sem empecilhos aparentes, a porra do meu celular se colocava como mais um motivo para eu não estar em casa, pegar  ônibus e complicar a minha rotina. Comecei a chorar pensando que estava dando tudo errado, até a me questionar sobre mim mesmo. Comecei, por exemplo, a dizer que eu era uma farsa porque não estava produzindo como deveria. Logo me vieram as imagens dessa casa onde estou, que por vida está desorganizada, suja e da desfaçatez dos outros dois, que parecem não dar a mínima para um espaço limpo. O meu companheiro de quarto está estranho, frio. Eu não estou bem no meu 'relacionamento'. Tenho saudades da minha mãe, de estar com ela, e até da comida dela. Ficava concomitantemente me dizendo "Pablo, tenha calma; se você se desesperar e tiver um troço, quem vai cuidar de você? Quem? Você não se abre tão facilmente com as pessoas, e elas têm a tendência de não perguntar também. Você depende de você mesmo para prosseguir, gato.", no entanto, não adiantava: desatava a chorar; em seguida, pensava no ridículo de estar chorando por um celular, depois, constatava que não era o celular, mas um conjunto de coisas, cuja existência, muita vez, não tinha relação com as minhas ações de forma direta. Chorei muito. De verdade. Pensava sobre o meu futuro, inclusive. "Se a única coisa que ocupa a minha vida atualmente de forma importante é o mestrado e eu nem consigo cumpri-lo competentemente, então, o que será de mim?",   cismava. Foi horrível ontem. Eu queria parar de chorar, mas, ao mesmo tempo, dizia a mim que eu precisava daquele momento. Conversava com Deus, dizendo-lhe que não queria isso de barganhar graças, pois eu abomino essa concepção cristã de culpa e castigo versus obediência e premiação; contudo sou ciente de ela ser parte de mim, como uma mancha na perna, que se pode esconder, mas que sempre estará lá (e ainda que apagada, será relembrada a cada lance de olhar).

Ah! Uma coisa engraçada. Na minha angústia de ontem, sonhei com coisas super estranhas. Em algum momento me vi viajando em uma van com Marisa Monte para uma espécie de formatura na qual eu seria um dos formandos. Na viagem, a cantora se comportou de forma fria e me dava várias cortadas; acho que até me chamou de chato. Depois, surgia uma grande tabela com o meu horário da UnB deste semestre em que eu via a palavra 'trancamento'. Divertido porque eu me acordei querendo ir à desforra com Marisa, cheio de raiva dela, até o momento do "é a Marisa Monte, Pablo!" - Hehehehe!

Sabe, eu penso às vezes que me cobro demais, mas o que fazer de diferente não está claro para mim. Não quero ficar dependendo da minha mãe. De acordo com a pessoa que encontro, estou constantemente reclamando, calado ou falando platitudes para afetar uma normalidade, um alheamento em relação a coisas do mundo. 

Precisava escrever porque não aguento carregar essas coisas. Eu permaneço desconfiando de tudo e de todos; cada vez mais, para mim, a vida e as ações de muitas pessoas do meu convívio giram em torno de uma espécie de script (incluindo a minha também), mas eu não quero participar conscientemente desse teatro de vampiros. Não sei se o Criolo está totalmente errado quando diz que "quem sorri pra ti quer ver tu cair". Não quero que as pessoas sejam condescendentes ou tenham pena de mim: já existem irritantes milhares que adoram se colocar como vítimas para amealhar 'graças'. Eu não. Recuso-me. Talvez esteja pagando por essa 'temeridade'. Eu não tenho mesmo nada a perder. Sigo ouvindo I Will Survive. Sobrevivendo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

"É tarde! É tarde!"


Estou na hora do almoço. Ainda aquela neurose de tentar me adequar a um quadro de horários que formulei para mim. Esta hora, pela minha programação, é a única em que não tenho de estar lendo ou digitando alguma coisa.

Enfim, a despeito dessa pretensa organização, ando me sentindo mais perdido do que nunca. Sinto-me beirando a paranoia, pois sempre estou preocupado se dará tempo de cumprir o que está programado. Isso não está sendo algo do tipo 'estou aprendendo a ser organizado'; está mais para o coelho branco da Alice saindo do nada correndo para lugar nenhum. Eu sempre acho que fiz um quinto do que estava planejado. É horrível!

Isso tem acontecido porque estou querendo fazer um bom trabalho, escrever super bem, sabe. Quero acabar no tempo - quiçá antes. E nem estou conseguindo escrever. Não sai. Não pensei que fosse passar por isso. Não mesmo.

Ando irritadiço; sinto como se estivesse aéreo em meio a uma cachoeira - que como é de sua natureza - não cessa de trazer mais água. Com a água vêm um zilhão de objetos que me impedem de transpor a queda. Por exemplo, eu farei algo de que não estou muito orgulhoso, mas antes impelido pelo desespero: trancarei uma disciplina. Tudo bem que ela não está no rânquim das 'dez disciplinas mais bem ministradas de todos os tempos', mas desistir é algo que sempre mexe com os meus brios - de quem cumpre o que se empenha a fazer. Ainda isso. Mas não posso fazer 'a diva' nessa situação. Tenho que focar no meu trabalho de dissertação.

Sobre ele, fico me questionando diversas vezes sobre o porquê de isso estar acontecendo. Eu acho que nunca está bom o - pouquíssimo - que produzo, e nunca dá tempo. Nunca! Tipo, fico de duas a três horas remoendo duas páginas; logo acho que estou perdendo tempo e que poderia produzir algo mais com uma nova leitura, a qual implicará um fichamento, que, por sua vez, não terei tempo de concluir. U-m-a-m-e-r-d-a! Ora porque me canso e me levanto, ora porque preciso sair para suprir alguma necessidade fisiológica eu não consigo cumprir o planejado.

Tem sido assim. Dias não muito fáceis. Cansei de falar sobre isso. Vou ler algum texto.

domingo, 22 de abril de 2012

Fora de área


Acabo de passar um final-de-semana indescritível. Eu fui com o meu amor para uma chácara afastada de tudo. Foi como se estivéssemos em um universo paralelo. Eu, definitivamente, precisava disso.

Como falei nas últimas postagens, as coisas andam bem intranquilas na minha cabeça, no entanto não vem ao caso lembrar disso agora. Resolvi passar aqui para registrar esses dias.

Eu fiquei muito feliz porque estava entre iguais, entre pessoas que não são iguais. Eu durante esses dias pensei sobre aquilo, sobre a loucura desse mundo que separ pessoas, mas que estas encontram estratégias para driblar os constrangimentos. Isso me dá menos medo. Ver que há pessoas iguais amim e que há ainda aquelas que não reforçam o tolhimento de existir exercido por outros que se acham os donos da 'verdade'. Estou falando laconicamente porque ainda estou aprendendo a ser do segundo tipo de pessoa. Foi para isso que também resolvi investir na Estrada. Não quero ter de me esconder como medo ou vergonha de ser quem eu sou, com todas as minhas peculiaridades.

Eu me sinto - ao contrário da outra postagem - feliz por estar vivendo as coisas que estou vivendo. Eu, como neste momento, penso não ser clara a minha razão de estar nesta vida, mas, ao mesmo tempo, sinto que estou aqui para viver; viver, sabe, para aprender bastante. Para quê? Não sei. Eu não sei de nada, mas vou andando, seguindo realmente as minhas metáforas. Ser quem eu sou. E eu nem sei tão bem assim  quem  eu sou. Também não sei quem sabe, não é.

Agora estou no ônibus, indo para o hotel. Segunda-feira volta tudo ao normal. É tão esquisito saber que este "normal" é mais um pedaço de algo não concreto do qual depende, em tese, a minha vida. Hoje estou ainda no meu universo paralelo. Que bom.

sábado, 7 de abril de 2012

Guerra Fria

Ontem foi sexta-feira da Paixão. Feriado. Brasília estava como está hoje, com cara de final-de-semana. Como foi dia útil, eu deveria ter estudado, seguido uma tabela que desenhei para mim para conseguir levar a cabo o meu mestrado. Enfim, eu comecei a escrever este texto ontem (como está marcado com a dêixis temporal - hehehehe! :( ) porque já estava me sentindo estranho.

Eu não sei. Acho que uma vibe estranha está passando por algumas regiões do planeta, pois um monte de gente que conheço está passando por situações complicadas: término de namoro, falta de grana, aflições relativas a trabalho etc. Eu sinto isso porque não estou muito tranquilo esses dias. É o que me faz voltar aqui, para que possa, de alguma forma, extrair de mim essas coisas chatas e vê-las de perto, examiná-las.

Há algum tempo estou enfrentando coisas meios chatas. Tem acontecido aqui na minha nova casa. Eu convivia com mais três caras, atualmente são dois. Desde o início vi o quanto seria complicado lidar com alguns comportamentos que observei em visitas antes da mudança efetiva. Eles são muito negligentes com limpeza, com contas, com uma porção de coisas que aprendi serem importantes - no sentido de se ter uma boa convivência social (uma coisa que observo hoje). São fatos que me atingem diretamente porque estou vivendo em no lugar; então, na maioria da vezes, vejo-me lembrando (que é preciso ser limpo para, por exemplo, evitar insetos andando pela casa) ou exigindo (que tenham atenção ao usar o banheiro no sentido de não deixar o chão sujo de lama) obviedades, pelo menos, para mim. O resultado é que não me sinto bem com isso, pois não gosto de me colocar como mais do que ninguém, ou seja, mais organizado, mais responsável, mais atento às coisas etc. Eu devo ser assim, mas para mim e somente para mim. Tenho muito medo porque eu já tenho uma veia megalomaníaca, algo que sei que existe em mim e que venho tentando dominar, distraindo-a aos poucos. É como um monstro que está dentro de mim, com algum custo eu consigo dar-lhe bolas com guizos para deixá-lo ocupado, mas eu sei que a qualquer deslize ele pode tomar conta da situação. Atitudes como as que andam ocorrendo (de eu normatizar as coisas na casa e de ver-me "acima", diferente daqueles dois que parecem ter o mínimo necessário de civilidade) dão um alimento que aumenta a força desse monstro. Fico triste por às vezes sentir que estou perdendo o controle e por sentir que isso me levará por um caminho perdidoso.

Então, fico pensando se devo sofrer assim sozinho. Minha mãe nos educou de forma a sermos pessoas aptas ao ótimo convívio social: precisávamos deixar casa e quartos arrumados para uma entidade imprevisível chamada "alguém", amiúde referida como visita. Sempre recebi elogios pelo modo cortês com que me dirigia às pessoas e como lidava com situações acres. Aprendi que ser assim me abria caminhos. Gostei. Hoje, longe de casa, e do meu reino, observo existem coisas na vida que não se consegue resolver por meio da elegância e dos bons-modos. Isso está me matando, pois é como se precisasse aderir a um comportamento extremamente desagradável, que abomino quando o vejo nas pessoas. Entrar em discussões, gritar, ser bruto são coisas que a minha mãe sempre evitou fazer e eu, por tê-la como meu referencial, assimilei.

Falo dessas coisas porque estou observando que precisarei ter de deixar esses traços principescos para começar a ter comportamentos mais contundentes, na verdade, contundência não define bem o que terei de aprender a ser. Vejo que as pessoas parecem não ter atenção ao quanto as suas ações influem na vida das outras. Elas parecem viver neste mundo sozinhas ou com aqueles de quem gostam (o que exige delas um pouco mais de cuidado). É como aqui em casa, que se transfigura em um verdadeiro microcosmo: alguém come; deixa talheres, pratos e panelas sujos dentro da pia e não atentam que - uma vez que dividem o apartamento - outra pessoa poderá precisar daqueles utensílios; ou, ainda, colocam o único pano de prato da casa para lavar deixando-o por mais de duas semanas dentro de um balde de água parada (que logo se torna fétida e mais sujará do que limpará o tecido). O que devo fazer, visto que me incomoda profundamente ver coisas assim? Ir lá, tirar e lavar? Perguntar pela quinta vez quando a pessoa que se propôs a lavar o pano terminará a ação, e ouvir indiretas ou respostas grosseiras? Eu não sei. É complicado. Tem sido bastante complicado.

Resolvi que adotarei a estratégia de batalha. Não fugirei mais dos conflitos se eles se apresentarem. Talvez, tudo isso seja para que aprenda de uma vez por todas que não alcançarei o consenso, que a vida é lutar, brigar pelas suas posições quando elas são invadidas. Eles sabem que me sinto incomodado quando vejo coisas extremamente sujas e ainda assim o fazem, se assim acontece, eu não ficarei mais evitando entrar na minha própria casa para não ter de encarar visitas que se convertem em moradores fantasmas (mais um presente de um dos que dividem a casa comigo). Não aguento mais ficar calado diante dessa situação e se for para brigar, vamos à luta! 

Em algum momento eu terei de aprender. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

O espelho me disse...

Engraçado (e bem batido) aquele papo de "o problema não é com você"... Pois é, acabo de perceber que ele é fato. Um bem complicado, por sinal.

Eu não sei. Estou com fome, esperando a água ferver para eu fazer aquelas sopinhas de envelope. Não estou muito bem e este é o motivo por eu estar aqui escrevendo.

É. Ainda é sobre amor e tal. Hoje, mais um dia, eu não conversei com o meu amor. Em situações diferentes, relativas a ele, eu vi o quanto preciso melhorar. 

Não estou com muito saco para escrever textos imensos. O ponto é que, ontem, ele não me ligou. Ele me explicou que não pôde; que havia acontecido alguma coisa; que me explicaria quando me ligasse hoje, enfim. Chegou, então, "hoje" e eu não movi um dedo para conversar com ele. Primeiro, acordei tardaço por ter virado a madrugada assistindo a "Hilda Furacão", no You tube: o meu dia de domingo, por isso, começou às 15h... Depois de me arrumar, fui ao supermercado comprar umas coisas para tomar café. Fui pensando se deveria levar o meu tablete, para caso recebesse uma ligação, mas não o fiz. Eu não me esforcei para ligar o aparelho.

medo
O problema. Eu não quis conversar porque pensei naquela minha mania idiota de fazer joguinhos do tipo "farei com que morra de vontade de conversar comigo, que queira saber se eu estou com raiva" ou "vou fazê-lo sofrer um pouquinho; vendo-o preocupado com a minha reação, terei o controle da situação". A justificativa: "assim vai ser mais emocionante". Duas suspeitas terríveis me envolvem, desde que recebi a primeira mensagem dele dizendo que havia tentado me ligar. A primeira é de que eu quis meio que me "vingar" por ontem ter esperado para conversar com ele, para me derreter por esse meu amor e não ter tido o meu desejo saciado, posto que não houve ligação QUANDO EU QUERIA. A segunda, e - talvez - a pior, é que eu estou querendo, como sempre, ter o controle da situação, regulando as ações da outra pessoa. 

Eu fico realmente apavorado com isso. Eu me sinto envergonhado demais. Esse é um Pablo que não condiz com a evolução a que me propus.

Ainda ontem, esperando por ele, fiquei vendo uma entrevista de Whitney para Oprah, a última grande entrevista da estrela. Nela, a cantora falava do seu passado com as drogas e o que a fizera entrar naquele mundo, quando a sua vida era um sonho de consumo para o mundo todo. Whitney explicou que estava completamente apaixonada pelo seu então marido, que gostava do jeito como, com ele, a sua vida não precisava ser ditada por ela, a estrela, a diva. Nas suas palavras, era incrível para ele ter aquele homem no controle da situação. Ela precisava, pelo menos em algum momento da sua vida, sentir que a sua existência não era um negócio em que Whitney Houston era o ser onipotente. Ela, então, entregou-se totalmente àquela relação. Sofreu muito, mas amou e se divertiu igualmente. Enquanto falava, era nítida a satisfação de lembrar que sentiu e viveu algo inédito. Eu pensei que também me sinto assim, insuportavelmente poderoso em relação a mim mesmo. Eu entendo a diva. Também controlo a minha vida demasiadamente, eu me podo tanto, enfim, sempre penso que somente EU sei o que é o melhor. Vejo que estou transferindo isso para a minha relação, e ela é um bebêzinho ainda.

Não quero perder isso que estou vivendo. Parece algo tão sadio. Eu preciso mudar, deixar de ser alguém manipulador e dar chance a outra pessoa que, assim como ocorreu com Whitney, não me veja como uma personagem. Estamos nos conhecendo, portanto quero dar chance a outros lados meus que ainda não exercitei - por não ter encontrado quem estivesse pronto para vê-los. Tenho tanto medo de cometer erros terríveis por presunção da minha parte. Assim, hoje, eu, no final da noite, senti-me tão estranho, envergonhado por tal atitude que, não sei se mimada ou controladora, denotou a minha imaturidade nessa jornada.

Agora, vou dormir. Amanhã é segunda-feira e tenho coisas mil para resolver. Amanhã, conversarei com o meu amor...

Sei que dormirei pensando:

VOCÊ NÃO MUDOU [?]

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Aconteceu

Eu pensei que não fosse escrever hoje, mas, felizmente, estou aqui. É bom para mim isso de registrar.

Nem sei bem por onde começo. Na maior parte das vezes, eu estruturo um pensamento a respeito do que escreverei e procedo. Hoje é um daqueles dias que deu vontade de escrever, eu estava na frente do computador - adiando uma ação da universidade - e, por isso, resolvo unir o útil ao agradável. Putz! Muitas coisas aconteceram (e têm acontecido) na minha vida neste mês de fevereiro. Definitivamente, um mês para se lembrar, digno de registro.

Na última vez que escrevi, estava esquisito, com medo, receoso por não ter planos ou novidades por correr atrás, por voltar a Brasília e imaginar um começo de ano anódino. Eu achava que as coisas estavam plácidas, algo previsíveis e me assustei por isso. Eu sempre acho que calmaria não é sinal de coisa muito boa -  não sei, é uma impressão minha -, mas segui vivendo. Isso em janeiro.

Chegou fevereiro e eu "voltei à ativa". A universidade me reservara obrigações de pesquisa, que me serviram providencialmente para encher os meus dias. Era o problema: viver catando coisas para "encher a minha vida". Eu pensei - mais uma vez, de novo, novamente, once more - sobre o futuro, sobre mim e as coisas do porvir... aquele blá-blá-blá de sempre (...). Uma ideia parecia ser fixa: eu precisava de um "amor", ou, pelo menos, eu tinha de me envolver com alguém; mas cadê essa pessoa? Eu fui atrás. Estava disposto a me arriscar, a sentir. Tudo isso em fevereiro, neste fevereiro. Fui à Bahia trabalhar, mas foi em São Paulo que aconteceu o tal do "amor". Como cantou Adriana Calcanhotto, "aconteceu".


Eu encontrei a perfeição para mim. Sim, uma coisa assustadora, mas eu, do nada, estava me preparando para me encontrar com a minha parte de perfeição na Terra. No começo, eu pensei, "é so sexo", mas, depois, comecei a ver que, de alguma forma, aquilo estava indo em uma direção diferente, nova. Eu não me lembro muito do que estava sentindo naquele momento, pois, talvez, eu estivesse no calor do susto. Era tudo o que eu precisava: alguém que me elogiasse com intenções terceiras, mas que preservava no olhar uma doçura indescritível. Uma coisa de história de fadas. Quiçá, uma junção daqueles meus poemas românticos. Durante três dias ininterruptos nós nos amamos. Sim, de várias formas.

Nós "nos amamos" por que não acabou. Eu não estou sendo metafórico. Hoje, ainda e último dia de fevereiro, eu sigo falando com a minha parte de perfeição. Eu, parece, conquistei-a. Sim. Parece que eu consegui. 

Agora, idiota, sinto medo. Tenho muito medo de mim, principalmente. Algumas vezes faço uma ideia bem punk de mim: que sou mimado, frio, calculista etc. Essas coisas ferram comigo, com um lado deprimente de herói de filme blockbuster - que todo mundo adora ir ver porque nunca será metade do que é narrado. Assim, antes, tinha medo de me envolver e não ser recíproco; agora, tenho medo do que vai acontecer porque está sendo bilateral. Eu fico espantado como as coisas têm se dado. De repente, eu estou rindo à noite sozinho no meu quarto mandando mensagens românticas, louco por um retorno imediato, pensando na delícia que é o momento do pensar em alguém. Eu não sei. Não sei. Queria e quero aprender a amar, pois sei que esse sentimento existe, ainda que não seja o da novela ou o do filme água-com-açúcar de onde aprendi a desejar. Hoje, eu tive medo porque não estive tão cheio de romance como ontem. Tenho medo de ter desaprendido, de o meu coração ter se tornado um lindo cristal: frio e duro. Tenho medo de ter me transformado em um desses vaidosos que conquistam e cansam. Por outro lado, não sei se deveria estar todo o tempo em estado de encantamento... afinal, isso é coisa de novela e filme água-com-açúcar. Não sei. Estou perdido, pensando que este momento é único na minha vida e tal, mas também não quero criar expectativas bobocas. As coisas não funcionam assim. Tem outra coisa, também essencial: eu, o meu jeito. Não gosto de coisas muito aderentes (para não usar outro termo), eu me apavoro com isso - já vivi e, definitivamente, não quero mais. Eu sei, é só o começo. Estou disposto. É muito ruim estar só; e, além do mais, eu prometi que, caso acontecesse, eu faria de tudo para dar certo, visto que só eu sei do buraco no meu peito. Essa inquietude deve de ser pensamentos-monstros desesperados com o eminente fim do ocaso que vinha sendo a minha vida. Só lamento para eles... 

Agora, vou ler. Quero lidar com essas preocupações da minha cabeça. Não é saudável para pessoas como eu sentir-se vitoriosas. Darei tempo ao tempo. Uma bonita história pode se desenhar. Serei, e será, o que tiver de ser, afinal, hoje ainda é fevereiro.