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sábado, 27 de setembro de 2014

Demiurgo (ou "Perto demais")

Há mais de um ano não escrevo no blogue. Tantas coisas aconteceram, tantas... Hoje, no entanto, não planejo fazer retrospectivas, mas falar sobre um tema vivo e ainda pouco claro para mim. 


Pela enésima vez, assisti a "Closer" (2004). Várias coisas vieram a minha cabeça no que diz respeito às relações humanas, às minhas, propriamente ditas. O quadrado amoroso do filme e suas desventuras me fizeram pensar sobre o peso do haver de dois corpos tentando ir além do biológico e aparentemente urgente; de como, certas vezes, vamos todos nos perdendo por não detectar pontos problemáticos em nós mesmos; e de como, no fundo, tudo se esmaece no espelho.

Conversando com uma amiga - e também recorrendo a algumas de minhas últimas experiências de vida ligadas ao tema -, comecei a cismar sobre cada uma das personagens. Falei com a amiga sobre como via em Anna (personagem interpretada por Julia Roberts) uma fraqueza de identidade tão recorrente em muitos de nós, que faz com que nos deixemos levar sem questionarmos se o que está sendo feito nos faz realmente bem, como energia de vida; como observava em Larry (interpretado por Clive Owen) uma personalidade extremamente infantil de posse em relação a quem ele visualizasse como 'inimigo', ação que também fazemos pela - talvez - profunda insegurança alimentada a cada dia do ciclo despertar- produzir-recarregar; Ademais, tratei das duas figuras, as quais, em minha opinião, destacaram-se mais na narrativa: Alice (vivida por Natalie Portman) e Daniel (interpretado por Jude Law).

Eu vi nos dois coisas que tanto me perseguem e, acredito, persigam muita gente. Daniel foi uma das representações humanas mais intrigantes que já vi, dado seu pretenso amor por Alice e Anna. Na verdade, eu não vi ali amor (como eu o entendo) algum - como ele tanto alardeava para ambas separadamente -; mais pareceu um retrato bem construído do que é a paixão. Não duvido que ele tenha realmente gostado de cada uma delas, e poderia considerar que, a sua maneira, ele as tenha 'amado', entretanto, o que mais chamou minha atenção foi  ele não se importar com as consequências que a realização de seus desejos traziam. Como homem das palavras, Daniel parecia não dar tanta atenção ao cálculo e à parcimônia, em outros termos, ao respeito: envolveu-se com a misteriosa Alice e, ao mesmo tempo, não se conteve em conquistar a altiva Anna. Quando sua paixão não era completamente correspondida, em sua percepção, Daniel se investia de grande energia para ser bem-sucedido na realização de seus desejo. A questão era sempre esta: seu desejo, seu sentimento, que deveria ser completado, preenchido. A busca incessante pela 'completude' fazia com que o jornalista sempre quisesse o máximo de cada relação, mas sem se importar em fazer o mesmo com as pessoas envolvidas.


Alice começou o filme com sua já memorável frase "Hello, stranger!", ou melhor, "Olá, estranho!": uma frase extremamente representativa do momento no qual estavam inseridos os quatro amantes. Ela, a mais jovem dos quatro, pareceu-me ser a mais fresca também: sempre leve e vaporosa, suas ações correspondiam a alguém que se entregava à vida, indo de cabeça, sem olhar para os lados. A seu modo, Alice mostrava uma sinceridade desconcertante cuja manifestação fazia com que me perdesse no que era real ou criação para não dificultar as coisas. Alice mentia, mas sentia e chorava com questionamentos tão abertos e francos, revelando, assim, um lado infantil positivo, o de não deixar de fingir por pressões além do que seu próprio ser suportasse. Eu vi nela uma entrega total a Daniel, a despeito de, nas entrelinhas, parecer haver saído de uma experiência complicada anteriormente. É inesquecível a cena em que, deitada, declara não mais amar seu amor porque não entendia "onde" ela a amava. Este foi uma dos momentos que mais me desarmaram no filme.


Por meio de Daniel e Alice pensei em como minha vida e meus problemas com alguns relacionamentos têm a ver com as condutas dramatizadas. Durante algum tempo, eu pensava que tudo em minha vida deveria ser 'total' e estendi isso às relações com o outro. Hoje, percebo que, no fundo, isso do 'total' acabava por eufemizar meu sentimento de controle sobre todas as coisas do mundo - a sensação de ser dono de mim e, por extensão, das coisas que me rodeiam. Assim, com isso de 'total', eu acabava por querer ter o domínio das coisas e, claro, moldá-las a meu desejo, ainda que com uma intenção aparentemente boa, isto é, uma de construção e preservação da harmonia (onde eu seria o próprio demiurgo). O objetivo de tudo isso: facilitar meu modo de lidar com outro, para facilitar minha vida... It's all about me... again... Hehehe! Não. Não é um problema fatal esse modo de viver, porém ele traz repercussões que arruinam as relações. Eu, por exemplo, quis sempre que me contassem coisas que eu considerava estarem sendo ocultadas, fosse porque justificava a mim mesmo (a ao outro) ser um ato de preocupação e ajuda, fosse por não conceber a presença da dúvida em uma relação intitulada, por mim mesmo, como 'real' ou 'verdadeira'. Acontece que, como mencionei, agora, mais friamente, julgo que tudo sempre teve a ver comigo. Sou eu querendo uma verdade que, muito provavelmente, só me fará sentir pleno, como senhor da vida do outro, ao conseguir adentrar campos exclusivos escuros (e obscuros) que dificultam a desejada completude, a direcionada à perfeição - àquela perfeição de uma relação ideal... do ideal. Assim, penso que a conduta egoísta só me afasta daqueles/as que que amo por não respeitar o oculto, o que não me é possível ou permitido acessar. Talvez alguns temas ocultos sirvam para registrar uma individualidade que vai se amenizando quando uma relação a dois passa a ser forte e cada vez mais enlaçada. Vejo que querer a completude é intentar alcançar o ideal, que, por si só, é conhecido por ser inatingível. 

Desse modo, vale a pena esforçar-se para tentar levar uma vida mais leve. Penso a cada dia, mesmo depois de deterioradas algumas relações, o quanto é preciso ser e deixar ser. Muitas vezes, por essa busca "pelo que está escondido", a gente acaba por não observar e valorizar o que se tem de concreto e brilhante na troca com o ser diferente que está posicionado na vida naquele momento específico. Vale a pena sim ser cada vez mais honesto e verdadeiro, mesmo que isso custe o fim, o rompimento. Acredito que detectar quais percurso conduzem a um lugar de desterro é vital para poder levantar todos os dias e agradecer a Deus por estar vivo e por ter uma existência. As pressões estão sempre ativas e é bom estar atento/a a elas e, ainda mais, como você acaba sendo atingido por elas.

Com esta reflexão volto ao blogue. Sinto que novos ventos estão por vir, por soprar e me levar a novos campos. Eu quero cada vez mais me sentir preparado para seguir no Caminho que está todo a minha frente. Caminhando!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Nuvens passageiras

Olhe eu aqui, tentando manter a energia que trouxe de minha 'fuga estratégica'. A verdade é que, se não fosse por Ellen Oléria cantando para mim 'Nuvem Passageira', estaria emputecido super aqui. Só estou 'emputecido', sem estar 'super'. Já queria ter vindo escrever há algum tempo, mas tenho minhas fofíssimas companhias: um artigo relutante para fechar, um serviço de transcrição para encerrar e dar conta das questões do doutorado. Quero muito seguir o conselho de Ellen: "Por isso agora o que eu quero é dançar na chuva/ Não quero nem saber de me fazer ou me matar /Eu vou deixar um dia a vida e a minha energia/ Sou um castelo de areia na beira do mar".

Isso tudo porque estou cada dia mais disposto a não me assassinar. Conversei com uma amiga sobre coisas da vida e, obviamente, eu me acresci à história. Temas e temas. As minhas constantes questões e as consequentes buscas por respostas. Daquela vez foi a mórbida correria pela perfeição. Eu ouvi e me ouvi: "não existe perfeição". Então, penso que preciso me desapegar dessa noção invertida e esquisita sobre como as coisas têm de ser. É uma coisa. Não sei. Voltei disposto da viagem, mas, confesso, em variados momentos eu me sinto perdido. Acho que estou começando a digerir realidades, como se me desse conta de que o sonho está lentamente seguindo seu caminho natural de névoa. Não sei se isso é ruim de todo, pois a vida tem parecido tão concreta para mim. Estou vendo e sentindo isso. 

Hoje, minha raiva deveu-se a não ter feito as coisas que desejava fazer. Para variar. Aff! São tantas
coisas. Tantas. Por exemplo, estou escrevendo aqui, mas minha cabeça está nelas. Ultimamente minha cabeça não anda no mesmo lugar, mas não quero dar muita atenção para isso. Não quero. Estou barreado porque ontem fui dormir super tarde fechando um artigo e li que terei de refazê-lo praticamente. Além do mais, estou com fome e nem sei o que vou comer; daqui a pouco começa um documentário sobre Basquiat e eu quero ver, um refresco. Depois penso em ir dormir para amanhã correr pacas.

Hahahaha! Acho que este é um dos textos mais insólitos deste blogue. Que se foda! Acho que lerei um texto de disciplina da UnB - na verdade, não farei isso, apesar de desejar muito. E-que-calor!

E começou a chover por aqui. Tava mesmo muito calor. E que a chuva lave toda a secura e seja bem-vinda. Amanhã é dia de seguir Caminho.

sábado, 31 de agosto de 2013

Por aí...

Depois de dormir e acordar em minha casa brasiliense, aos poucos vem voltando a noção de estar ao ponto de inicio, ou de continuação. Em pouco mais de duas semanas fiz uma trajetória do tipo 'detox' que englobou em um curto período de tempo o que eu precisava para saber mais um pouco da Vida.

SÃO PAULO (14 a 19 de agosto) - Outro Lugar do Mundo


'Mão', de Oscar Niemeyer (1980), São Paulo
Eu saí de Brasília, com minha cabeça ainda ecoando o que falei (repetidas vezes) àqueles/as que vinham falar comigo sobre planos presentes e futuros: "estou cansado; preciso descansar"; então, falava a mim mesmo que São Paulo seria, a partir daquele momento, 'Sampa'. Embalado pelo drum 'n' bass de Fernanda Porto, fui saboreando desde a saída do aeroporto de Guarulhos o diferente cinza paulistano. Observei, de dentro de um ônibus, uma cidade rápida, pessoas várias, vezes espremidas, vezes soltas em um dia que parecia ter sido enviado para minha chegada. Engraçado, daquela vez, resolvi fazer tudo diferente, ou seja, nada de táxis e afetações imbecis: fiz tudo saboreando a realidade que é de todos/as aqueles/as que encaram a 'vida real'. Ouvi Emicida e Criolo falando de uma cidade que, apesar de não ter visto propriamente, mostrava-se em expressões e roupas e jeitos. Incrível! Vi arte, andei tanto de metrô, senti-me
A visita da Alegria, ago/13
parte daquele espaço tão complexo e tão amplo, que apresentava uma pluralidade tão única. Sampa foi pra mim sinônimo de cultura, lugar onde eu pude estar um pouco mais preocupado em entender o que me dizia uma figura rebelde de Tomie Othake e o que eu poderia reconhecer como sendo eu, como um Brasil em andares e paredes da Pinacoteca. Até que veio um presente em forma de amiga. Ela, que, além de me mostrar uma banda mais bonita da cidade, foi ela mesma a portadora da coisa mais bela de Sampa. Foi a segunda fase do período áureo da fuga estratégica planejada. Nós sorrimos tanto, abraçamo-nos tanto; falamos de coisas e sobre coisas cujas possibilidades de realização mostram-se aparentemente bloqueadas diante da correria da sobrevivência dentro de centros cinzas e concretos como onde vivemos. A despeito das artes e da tecnologia, que me fascinam, andar de braços dados com alguém tão sedenta de raridades quanto eu foi a melhor coisa de Sampa para mim. Nós ficamos algo triste nos instantes finais, mas esperançosos de que os ventos de beleza nos mostrem a direção para novos reencontros. Ela me trouxe a inspiração de volta. Mais informações (hehehe!): aqui.

CAMPINAS (19 a 23 de agosto) - Um Dia muito Cedo


Depois do onírico de minha fuga estratégica, fui rumo ao purgatório. Viajei a Campinas para encerrar algo que não tinha nome, um assunto virtual que eu precisava entender. Lá, ele me recebeu. Desde Sampa vinha ouvindo 'Too Much', das Spice, e pensando no trecho "I need a man, not a boy who thinks he can"... eu parecia esperar ansiosamente por esse trecho porque traduzia o que sentia. Nossa história. Quando nós nos conhecemos, foi algo lindo. Foi 'Tiergarten'. Algo que parecia ter começado como mais um encontro casual de viagem e que terminaria na própria viagem. Ledo engano. Sutilmente, foram os gostos parecidos, similitudes outras diversas e, subitamente, pegamo-nos prometendo um ao outro algo que nem nós mesmos sabíamos o que era: apenas não queríamos perder o que parecia tão delicado, talvez plasmar em um projeto a ser resolvido aquele encontro raro de se dar. Dentre esses últimos um ano e seis meses, após telefonemas, mensagens, nós nos encontramos duas vezes. A primeira vez que nos vimos após nosso encontro de almas, ainda em abril do ano passado, foi um momento também diferenciado: fomos a um lugar lindo e com gente amiga. Naquela fase, estávamos aproveitando de modo mais tranquilo a companhia um do outro, aquela coisa de ir ao supermercado juntos, comprar as coisas que seriam necessárias para, tipo, uma temporada no paraíso. Enfim, não me lembro exatamente do modo como estava me sentindo, na época, em relação àquilo tudo porque era a primeira vez que uma coisa daquelas acontecia em minha vida. Eu só me recordo que estávamos refugiados, apartados do mundo e de nossos medos e questões externas: fomos só cuidados e mimos e beijos e abraços e tudo mais que duas pessoas que se 'acham' neste mundo podem ser... e fazer. Mas não tardaram a vir as Eternas Ondas para nos levar de volta à vida cotidiana. Para ele, não sei, parecia uma situação de provável contorno, como se nossa separação física  fosse ser resolvida nas próximas 'férias com direito a um amor para chamar de seu' - as quais poderiam se repetir dali a alguns meses. Não bastavam para isso ligações noturnas e mensagens. Para mim, aquele cenário não estava agradável, pois não encarei - e não encaro - minhas relações como períodos de recompensa por uma vida monótona; sendo assim, aquilo já me incomodava porque não havia algo concreto, uma relação de verdade. Era uma brincadeira. A distância, então, passou a pesar de verdade porque me via falando vasos chineses por mensagens e as chamadas eram de uma monotonia esquisitíssima: "e aí, como foi o trampo hoje?"; "o que você fez hoje?"... e as respostas: "Normal". Passamos a falar de quaisquer coisas que pudessem sustentar meia hora de papo: tevê, problemas de casa, cotidiano. E eu sempre falando mais, esforçando-me mais para estabelecer fios narrativos... Ele me falava de saudades, e eu já não sentia saudades; ele dizia que queria me ver, e eu já nem queria tanto. Para mim, nós dois éramos uma lembrança bonita, mas que se resumiu e concentrou na perspectiva da possibilidade. Eu havia me dado conta disso. Chegou, enfim, o tempo em que combinamos novo encontro. Foi justamente na fase confusa por que vinha passando. Eu fui. Após Sampa, eu me sentia um pouco mais revigorado, pronto para seguir, mas então com coisas novas e diferentes. Uma vez junto dele, tentei entender o que acontecia, se havia a possibilidade outra da concretude de uma relação, que aparentemente ele queria. Além disso, o sexo passou também a não ser tão bom quanto antes, talvez, porque algo em mim tivesse mudado. E passei quatro dias pensando sobre aquela nossa vida, sobre como avançar sem causar danos, como talvez tentar salvar nossa vida. Não deu. Abafado pelas obrigações do trabalho, ele chegava no fim da tarde, saía cedíssimo e eu ficava um dia inteiro dentro da casa dele, vendo coisas no Netflix, remoendo memórias, cogitando estratégias, sozinho, como eu não queria estar. Com ele eu me sentia ora completo, ora vazio: eu sentia que a conversa não se afinava. Definitivamente, para mim, não era mais a mesma coisa. Veio o dia em que, por faltas de ambos, rompemos de vez. Sem verbalizações.  Típico. Mais uma vez, estávamos sublimando-nos a nós mesmos, plasmando nossa história em uma virtualidade que já me incomodava havia algum tempo. Foi um dia depois de seu aniversário e me doeu muito ter dissipado aquela névoa de uma forma inerente a ela: triste e calada. Encerrava-se em uma manhã fria um tempo de beleza e raridade com alguém verdadeiramente bom, mas incompatível com a atual fase de minha vida (e com as perspectivas que Sampa me soprara havia pouco). Não havia mais espaço para o que tínhamos em minha vida. Eu escrevo com certo pesar, mas não consegui chorar. Preferi seguir. 

SALVADOR (24 a 29 de agosto) - Gostar de Alguém


Elevador Lacerda, Salvador
Na última parada da minha fuga estratégica, fui para a calorosa Salvador. Durante o voo de uma cidade para outra, não saíam de minha cabeça as palavras ouvidas e as lágrimas vistas. Eu, no entanto, daquela vez, não me culpei totalmente por aquilo, por tudo o que escutei. Ouvindo 'Day to Soon', da Sia, via da janela do avião o nada que transforma em linhas e contornos aéreos cidades inteiras e como podem ser tão frágeis as relações também. Lá de cima, pensei muito nele, mas decidi que tudo aquilo estava sendo feito por mim porque eu precisava respirar, sair de uma submersão gris. No dia seguinte, eu me encontraria com um amigo e uma nova etapa começaria. Campinas passava a pertencer a um passado. Era a hora de sentir e de voltar à Terra. À noite eu cheguei à capital baiana. Decidi seguir a conduta adotada em Sampa: busão total e gastos mínimos. Peguei minhas três bagagens e embarquei olhando atentamente aquela confusão de casas empilhadas e de prédios imponentes que caracterizam um dos lugares onde mais gosto de estar. Desci no lugar certo e fui andando até o Laranjeiras Hostel, no Pelourinho.Começava ali mais um momento incrível dessa temporada... Nem sei como contar... nem sei como contar...Enfim... Meu amigo chegou lá, tivemos um momento muito legal, pois ele 'me forçou' a sair, conhecer lugares que, se não fosse por ele, não iria.
Irmãos - Pelourinho, ago/13
Mas o que Salvador me trouxe mesmo foi um amor de verão e a descoberta de que tenho um amigo-irmão. Rimando como uma boa canção. Estou rendido às memórias daquela pele cor de noite, daquele sorriso... Ah! Mudando de assunto... Hehehehe! Salvador, a cidade e suas pessoas, o movimento, o calor de lá coroaram uma trajetória que serviu para ver Brasília como um lugar de passagem, no qual, provavelmente, terei de focar cada vez mais nas coisas que quero para avançar e seguir. Salvador reavivou em mim o sentido da graça, de coisas raras,  como o falar por falar, sem que haja interesse ou uma personagem arbitrariamente vestida para impressionar. Lá, sem querer, eu voltei a sentir amor, graça, desejo, ou seja, voltei a me sentir humano, com sangue nas veias. Um detalhe: quando saía andando pelas ruas, não tanto pelo Centro Histórico, via que foi dali que eu vim, aquele clima 'insuportável de quente' era minha origem: meu Nordeste gritava outra vez. Eu andei. Eu vivi. Eu senti. E já essas coisas são difíceis neste momento, para mim, de descrever.

Agora, dois dias depois de haver chegado, estou aqui pensando em como retirar e aplicar ensinamentos para a nova temporada. Preciso pensar com cuidado, pois vivi coisas muito boas para minha proposta de evolução. Acredito que estou entrando em uma fase de encerramento de ciclo. Sinto como se esta fosse a primeira etapa do fim arrumando o início de outro momento. Talvez seja agora a hora de colocar em prática os planos subsequentes imaginados e desejados lá em Aracaju. Whatever... De qualquer forma, é bom voltar a me sentir na Estrada.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Mortificar: 1ª pessoa do singular

Segunda-feira. Caminhando para o segundo semestre de 2013. Para hoje, eu tenho um sem-número de coisas para fazer. Eu viajo na quarta-feira para Sampa. É uma daquelas minhas loucuras, mas, claro, planejadas. Enfim, isso importa pouco neste momento; o que me faz escrever é um sentimento esquisitíssimo de desordem interna. Eu me sinto como se tivesse sentado em um monte de coisas por fazer e sem dar conta de executar um passo bem. Não sei, ando dizendo a todos que estou cansado, cansado... cansado demais. Ando cansado de tanto cansaço.



Hoje acordei e fui lavar a pilha de pratos habitué de minha casa. Por sinal, minha casa é um capítulo à parte. Eu me sinto em um misto de prazer e dor dentro dela. Eu devo isso ao início. Logo quando cheguei aqui, umas coisas estranhas aconteceram: a torneira do banheiro quebrada (por mim) e água para todos os lados; uma conta abusiva de água; pingueiras assustadoras; até a perda da chave... (até tive uma bicicleta roubada) enfim, coisas que me fazem não relaxar nunca: sempre acho que algo vai acontecer. Eu me digo às vezes que não devo reagir de forma tão grave porque, no frigir dos ovos, são coisas corriqueiras; porém, em outros momentos, sou invadido por uma sensação terrível de desamparo que se converte em lágrimas. E ninguém sabe disso. Enfim, acredito que isso é a vida também - refiro-me às preocupações cotidianas e aos acidentes diários. Só sei que minha incapacidade de concluir as pendências têm servido como uma desculpa formidável para me sentir mal, 'o só', 'o incompreendido', ou seja, aquele Pablo que conheço super bem e de quem não gosto muito. Mas é a síndrome. Não estou culpando a humanidade pelas consequências de minha vida.

Além das aventuras de ter uma vida para tocar, eu tenho passado pelo campo lúgubre da solidão. Minha companhia mais assídua (que coisa deprimente, meo deos!) tem sido a televisão. Também, em alguma medida, é uma escolha. As pessoas me chamam, eu saio com elas, mas tudo me entedia porque não quero ter de passar muito tempo fingindo não me importar com as coisas que não concordo - e que são absurdamente praxe social. Minha própria acompanhante me enfada: não tenho mais paciência para telenovelas; a maioria dos programas é um insulto à inteligência e os telejornais parecem executar o movimento de batedeira, ou seja, circulares em movimentos elípticos, misturando tudo em massa e voltando a rodar. Estou enjoado. Eu preciso de férias, mas não sei se conseguirei ter o tempo de que preciso. O tempo também acaba comigo. Agora, por exemplo, estou calculando ficar escrevendo aqui no blogue até determinada hora para que eu tome banho, coma alguma coisa e saia para pagar as contas (cujo pagamento, ainda segundo minha cabeça, deveria já ter sido feito na parte inicial do dia!). Eu noto: infelizmente, não se trata de encontrar uma saída para o desconforto que sinto, mas de aprender com tudo o que está acontecendo a contornar o que já aponta para uma quase paranoia. Isso é preocupante. Isso é profundamente chato. É uma merda 'ter de aprender' o que não se quer.

A questão é que, para mim, estou claramente em um período crítico. Não sei, mas me vejo querendo superar essas coisas, entretanto, se analiso friamente, observo que talvez eu precise aguentar um pouco mais, reconhecer minhas fraquezas e mais coisas outras vindouras. Estar aqui, no blogue, já é um primeiro passo. O fato é que não tenho vontade de fazer nada nesse contexto, e isso me mata. Quando entro em casa, só quero ver televisão, comer, dormir e, se possível, não levantar. Tenho muito, muito medo dessas coisas, pois vem junto um zilhão de outras. A saudade de minha mãe é uma delas. Aquele desejo de estar do lado dela quando me liga perguntando amenidades - tais como colocar um acento nas mensagens escritas no Facebook para minha irmã - é doce e venenoso. Minha melhor amiga me dizendo que queria me ter por perto porque está passando por uns perrengues e que tem se sentido meio sozinha é nada mais do que mortificante. São as saudades de Aracaju, um local deturpado em beleza pela solidão vivida na fase brasiliense de minha vida.

Não sei se necessariamente trata-se de início de depressão, pois minha vida em Brasília tem sido, em si, 'pressurizada'. Quando dou por mim, estou me vendo cobrado, em diferentes modos, níveis e escalas. Sinto uma pressão para 'ter e ser isso', 'ter de fazer aquilo', 'ter o tempo, tempo, tempo, tempo, tempo, tempo, tempo para tal atividade'... é também o dinheiro que nunca sobra, como antes, e meu medo de passar por apertos. Isso me faz não querer sair de minha casa, mas pouco adianta, pois a televisão, minha tal companheira, projeta a realidade que me machuca, contudo de maneira atrativamente fria e angular, na mais alta definição. Penso na companhia dos livros, e vejo-me sem tocá-los. É, sem dúvida, o sinal de alerta. 

Ir a São Paulo talvez me dê uma possibilidade de correr daqui... uma fuga. Eu assumo.

sábado, 3 de agosto de 2013

Eternas ondas

Terceiro dia de agosto. É com lágrimas que começo escrevendo esta postagem de hoje. Elas talvez sejam a razão maior para o texto. Hoje é um sábado. Como de costume (nos fins de semana), acordei tarde, tipo, faltando pouco para o meio-dia. Mandei umas mensagens para minha melhor amiga e para outras pessoas. Acho que foi uma forma de já preencher o dia, que, para mim, acabara de começar. Como ninguém me respondeu prontamente, fui ligar a tevê e, zapeando, encontrei Sia cantando. Eu não sei muito dessa cantora, a não ser por causa de 'Six Feet Under': 


Essa música, 'Breathe me", marcou-me durante muito tempo, bem antes de eu vir a Brasília. Lá em Aracaju, em minhas constantes e saudosas madrugadas, eu assisti ao final da série - traduzida pelo SBT como 'A Sete Palmos' - e fiquei com a canção na cabeça. Vindo para cá, assisti a todas as temporadas de SFU, e 'Breathe me' assumiu contornos mais pessoais. Enfim, tudo isso para dizer que, a despeito de me esquecer algumas vezes, o Tempo passa... e volta. Eu me lembrei do quanto andei até aqui e neste momento de cansaço (e de quase esgotamento) preciso resistir, não devo me entregar.

Muitas coisas aconteceram e tive que lidar com várias outras. Este blogue mesmo é um exemplo da avalanche: desde maio, não consigo escrever nada aqui! Assim tem sido meus dias. Não é uma reclamação: ando percebendo de modo claríssimo que fiz uma escolha e que tenho de aceitar seus resultados - os pontos bons e o não tão bons. Há quase quatro anos, eu vinha para cá, em um misto de fuga e de esperança. Fugia de um mundo, para mim, paspalho, com gente se formando para a paspalhice; eu não queria aquilo para mim e tinha a esperança de saber de um mundo novo - confesso, uma coisa meio Ariel cantando 'Part of your world' (hehehe!)... Respirei fundo e embarquei. 

Naquele tempo - posso falar assim porque, depois de cinco anos (ou próximo a esse tempo), as coisas passam a pertencer a caixas de lembranças -, eu pensava que deveria conhecer 'o mundo', sair de minha caixinha, enfim, brilhar, brilhar, brilhar! Havendo feito isso, ter pessoas me dizendo o quanto eu fui 'corajoso' foi uma espécie de lustre em minha armadura de cavaleiro andante e destemido; aquilo, entretanto, não era, ou melhor, não parecia suficiente (pois logo percebi que de qualquer maneira eu não conseguiria ter ficado ali, e, por consequência, vi que ser inconformado é algo de minha natureza). Eu percebi que todos são capazes de fazer o que eu fiz, desde que haja possibilidades internas e externas: vontade, apoio e dinheiro, os elementos para qualquer expedição imprevisível. Assim são as cruzadas. Mas, dentro de mim, sei que me dar conta de que não temi o imprevisível foi sim o maior prêmio.

Enfim, hoje, estou em Brasília e vivendo 'meu próprio sonho'. Muito do que quis tenho. É bom isso, mas, por vezes, minha natureza grita em mim. Sinto como se estranhamente estivesse assentando, e não é tempo ainda. Provavelmente isso esteja sendo potencializado pelo cansaço: encerrei um processo de mestrado com a escrita meio alucinada de uma dissertação ao mesmo tempo em que participava de um processo de seleção de doutorado; enfrentei, ainda nesse tempo, uma situação de vampirismo social tensa, além de me desgastar procurando por um lugar para viver neste inferno paradisíaco chamado Brasília (onde viver bem implica ter dinheiro). Pode parecer reclame de quem nunca se esforçou para ter as coisas, mas, ainda assim, foi tudo ao mesmo tempo, comigo sozinho. 

Colina (2012-2013)
Abro parênteses para explicar o 'sozinho'. Contei com o apoio de gente nos sentidos financeiro e logístico, mas meus traumas e medos pouco dividia com elas. Esquisito, eu sentia que, apesar de me ajudar, não entendiam propriamente o que se passava comigo; pelo menos, nos comentários que elas faziam eu não sentia o conforto que se sente quando há a empatia com o outro. Quiçá não fosse de todo culpa das pessoas, visto que fiz uma opção por depender o mínimo delas - com a ideia de que 'People just ain't no good'. A cada dia mais observo, infelizmente, que a lei do mínimo esforço é praxe na maior parte das relações sociais. Tudo isso me fazia querer ser forte e o esforço dorido repercutia em meu jeito de expressar minhas confusões. Acredito que seja essa a justificativa de ter me sentido sozinho.

A questão é que as coisas, agora, parecem estar se acalmando e eu - como quem é ferido a bala e corre para não ser alvejado novamente - estou sentindo o efeito retardado no exato momento de redução da velocidade. 

Volto a este blogue para transferir o peso dessa desaceleração. Há coisas que preciso proceder. Sinto este espaço como uma fonte de força para tanto. Eu estou disposto a resgatar o Pablo que há quase quatro anos saiu para brilhar. Venho conhecendo pessoas de quem gosto e outras tantas que me cansam bastante. Na verdade, acho que, a cada dia, ando mais picky e isso às vezes me deixa preocupado em relação à nova etapa de vida que está para se abrir. Apesar disso, constato que esse sou eu e que, em lugar de me esforçar para mudar mais, é possível que valha a pena aceitar essas características mais exigentes e um pouco 'chatinhas'. O que quero dizer é: na próxima temporada de minha vida, pretendo ser cada vez mais do jeito que sou e praticar, infelizmente, a lei do mínimo esforço com quem eu percebo que é assim. É que não quero perder meu tempo com quem não precisa de mim, com aquelas pessoas impositiva e insuportavelmente autossuficientes ou com aquelas que são as donas da verdade, pois não quero acentuar essas particularidades em mim - uma vez que também são parte de meu caráter. Vejo que é tempo de avançar efetivamente.

Enfim, fico feliz por ter conseguido terminar este texto. é importante e bastante simbólico para mim isso. Minha casa me espera para o início de uma faxina, coitada. Essa casa, contudo, é papo para outro momento. Tem muito para ser escrito; tem bastante para ser superado. Estou nessa rota. Estou voltando, babies!

Minha nova casa

Ah! Eu tenho uma casa: eu sou um verdadeiro desperate househusband!!! Hahahaha!

#partiu

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Steps

E a tarde foi ótima. Estiveram no dia de minha defesa pessoas que me queriam e muito queridas por mim. Sou mestre. 



Eu poderia escrever uma postagem inteira sobre como foi aquele momento. Talvez não. Naquele mometo da defesa, eu estava no automático. Como é costume em mim, as coisas foram aos poucos se sedimentando. Ainda não estou me sentindo 'mestre'. Talvez isso tenha acontecido porque foi tudo tão rápido, no fima das contas. Eu, naquela altura estava aflito com outras coisas especificamente relacionadas a minha 'nova vida'. Eu pensava, feliz, ter cumprido uma etapa e pronto para outra. EU PASSEI NO DOUTORADO. Soube disso ainda no processo de finalização da dissertação. Foi tudo muito corrido. Acabei o projeto, participei da seleção, fui avançando e CONSEGUI.


A etapa seguinte era para onde ir. Acredito que fiquei meio suspenso porque só consigo estar bem quando estou mesmo bem. Apesar de acabar uma etapa, faltava algo para seguir com o ciclo: aonde ir. A Colina nunca sairá de minhas lembranças, pois foi um laboratório, um mundo que não conhecia, que desejava desde muito tempo conhecer, mas ela passara: eu tinha que avançar. 

Esta foi uma das questões mencionadas há quase dois meses, data de minha última postagem. Desde então, vim correndo e me vendo tão 'cansado'. A palavra de ordem era 'cansado'... e de tanta coisa. A casa, enfim, consegui alugar e hoje estou escrevendo nela; mais exatamente, no meu quarto. Amanhã, retorno às aulas e sinto como se efetivamente uma nova etapa do ciclo se iniciasse. Hoje, inauguro, orgulhoso, o marcador 'doutorado'. Super!

Vez ou outra esboço sorrisos, dou piruetas: estou experimentando uma felicidade.

Mais isso é história mais para frente. Vou assistir 'A usurpadora'.

:)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Overreacting?

Hoje é a minha defesa de mestrado. Chegou o dia. Eu acordei cedo hoje, quando pensei que fosse passar boa parte da manhã na cama - para o tempo passar mais rápido. Eu não sei se estou me sentindo ansioso pela apresentação em si; na verdade, eu acredito que é o conjunto das coisas. Estou esperando a resposta da imobiliária sobre uma casinha que estou para alugar, cujo preço mensal foi o mais em conta levando em consideração a localização. Como as coisas nunca parecem ser tranquilas, tem um pormenor que não está me fazendo ter paz. Talvez nem tenha fundamento o meu medo, mas ultimamente não ando normal e isso está me fazendo perder o controle. Não me deixa bem a ideia de não ter lugar para ir - ou ter de incomodar as pessoas e me sentir incomodado por ser um 'corpo estranho' na rotina de meus/minhas amigos/as. Eu me sinto assim. Péssimo.



Poderia ficar falando mais sobre isso, sobre a questão da minha ansiedade e de seus porquês, mas hoje o dia é o da defesa. Hoje, finalmente, será encerrado o ciclo do mestrado, que começou tão bonito,que foi sofrido, mas que encontrou seu caminho. Queria estar mais tranquilo para escrever coisas bonitas, mas elas andam tão distantes de mim. Ainda assim, espero ter a oportunidade de escrever sobre elas, exorcizar esses pequenos demônios que não têm me deixado em paz.

Minha mãe está na casa da mãe de uma grande amiga e eu fico contente por isso, pois não estou nos melhores dias para ser companhia de ninguém. Ainda isso. Tudo e todos me incomodam de uma maneira intensa, contudo não acho justo descontar em outrem problemas tão meus: eu não explodo e, consequentemente, não me sinto bem com aquilo remoído dentro de mim, por isso queria apenas me afastar, recolher-me um pouco, descansar de algum modo. Mas onde? Sei lá... Aqui estou eu falando de preocupações outra vez. 

Acordei me ancorando em uma palavra de força e fui ouvir Whitney cantando 'Step by step'; com ela me senti melhor...



Preciso mesmo ouvir quem me diga que tudo dará certo, mesmo que eu não acredite. Ontem, estive com uma amiga de vida, que não poderá estar na minha defesa, mas que deixou de ir para casa depois do expediente de trabalho - que deve ser normalmente cansativo -  para me escutar falar sobre meu trabalho. Eu achei tão bonita a atitude. Eu me senti amparado e ela não sabe o quanto me ajudou. Eu posso dizer que tenho boas pessoas do meu lado, mas não quero entrar na vida delas mais do que é saudável para a nossa relação. Acho que é meio (ou totalmente) orgulhoso isso, mas, no fundo, é medo de perder essas pessoas iluminadas. Durante esses últimos dois anos conheci gente muito podre, vampira e isso me afetou tanto... Eu, de fato, preciso me recuperar de todo esse lodo que respingou em mim. Às vezes penso que isso possa ser atitude de menino mimado, ou seja, quando as coisas 'apertam', de fugir; por outro lado, tento me entender: tudo que tem acontecido é tão novo para mim e, feliz ou infelizmente, não consigo ser um super-homem. A situação me dá medo e o medo também salva. Ademais, quem realmente sabe de mim sou eu. Preciso me recolher para recobrar as energias, pois sei que, se as coisas estão difíceis agora, em algum momento, outras melhores virão para que novas não tão boas voltem a acontecer e que eu,  assim, consiga superá-las. Acho que é algo inerente à Vida. Como essa amiga me mostrou ontem, é preciso esperar e confiar na Luz. Apesar desses tempos aparentemente não tão claros, sinto e vejo que não estou sozinho: o escuro não é tanto assim e, apesar do meu medo, conseguirei superar.

Mas hoje é a minha defesa e, sobre ela, não há mais o que fazer a não ser ir lá, falar e ouvir.

Que eu tenha uma tarde boa.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Enquanto isso

2013. 18 de fevereiro. Faltam três dias para o encerramento de um ciclo. Eu pensei que estivesse levando mais tranquilamente a situação, mas hoje vi que não. Tem mais de seis meses que não escrevo aqui. Isso me fez falta, muita mesmo. Bastantes coisas aconteceram, e elas foram importantes, mas acabaram engolidas pela minha missão de encerrar o mestrado: eu precisava escrever a dissertação. Eu me desconectei muito seriamente.

Mas, enquanto isso, o globo terrestre girou. E tantas coisas chegaram e passaram. Neste momento, depois de acabar de acordar, assumo: estou cansado. Cansado de um modo que não me lembro de ter estado há tempos. Não suporto intensamente as coisas e pessoas - que talvez tenham entrado no balaio de pressões que se tornou a minha vida nos últimos tempos. Não estou triste ou reclamando, pelo contrário, encerro uma fase na qual aprendi muito: foi para isso mesmo que saí de casa, para aprender e me ver e me decidir sobre quem ser no mundo; eu sinto que isso está se consolidando. Uma flor nascida do esterco.

Minha mãe chega a Brasília hoje. Eu estou tentando fechar uma negociação de aluguel. Quinta-feira é o dia da minha defesa de mestrado. Será uma semana cheia, marcante pela natureza de fim, contudo de começo(s) também. Eu me sinto muito ferido, necessitado dos/as meus/minhas amigos/as, daquela minha vida boboca de Aracaju; continuo pensando que falar essas coisas para as pessoas próximas a mim pode soar lamentoso, por isso me sinto tão estranho, não me sinto à vontade de falar com gente que aprecia passar o tempo falando de outras... por isso precisava voltar aqui. Nesse espaço escrevo para o mundo, mas tão para mim, este 'eu' tão cansado, mas que não pode parar.

It's a new dawn, it's a new day...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Nova temporada

Pois bem, é a última semana em Aracaju. Até aqui, já encontrei as pessoas da minha vida; saímos, conversamos, rimos, enfim, reencontramo-nos em vários sentidos. Tudo o que aconteceu me fez perceber o quanto sou afortunado por ter gente essencial do meu lado. Claro que observei também como o tempo passa e as coisas mudam: as pessoas, os papos, enfim, todos estamos diferentes. Ainda sigo com aquela mania minha de sempre me comparar, querer estar melhor do que estou, no entanto essas questões me fazem pensar o quanto é forte para mim vir e estar em Aracaju, pois aqui fico mais reflexivo, o que me torna mais desejoso de avançar. Definitivamente, este é o lugar que eu amo estar, as pessoas daqui são tão familiares a mim. Apesar da percepção de estar criando visões idealizadas da capital - que continua com problemas e até outros mais -, eu adoro estar aqui, andar de bicicleta, ver a gente passando, as crianças se arriscando e ouvindo o grito das mães - hahahaha! -, em um fluxo de gente lutadora. Esse cenário a alguém que, como eu, está longe do seu círculo parece o lugar mais formidável e perfeito para criar raízes. 

Meus amigos que me veem e me admiram - e que recebem de mim o mesmo em retorno - estão aqui. Eu tenho bons amigos. Eles são diferentes entre si, mas trazem essa coisa que não se explica dos que vivem aqui, que trazemos traços fortes dos pais de um modo mais tradicional de ver as coisas, mas, ao mesmo tempo, aberto ao novo. Eu mesmo sou assim, mesmo criticando e lutando contra aspectos retrógrados que encontram ninho nessa minha terra, dada a tradição aqui ser muito forte. É um aspecto agridoce de viver na linda Aracaju.

Toda essa história é para tocar no assunto do que venho chamando de 'última temporada' do mestrado. Quando voltar a Brasília, tenho de fechar a dissertação e tentar fazer isso antes de outubro. Sim, infelizmente, terei de me focar em prazos. Estou algo contente porque, finalmente, tenho um projeto de vida calculado na minha cabeça e motivador de ações. É muito bom porque agora terei de batalhar com um objetivo em mente, o que ajuda bastante a traçar esquemas e assumir riscos. Eu tenho me visto como alguém esforçado, entretanto é necessário que eu faça mais nesse sentido para conseguir as coisas. A despeito da minha característica de pessimista, noto que acredito nesses planos e, mais importante, acredito em mim. Acredito sim. Agora está registrado. 

Hoje é quarta-feira e não sairei de manhã, portanto adiantarei coisas do meu texto e demais obrigações. Trabalharei nisso com atenção, mas não quero ficar louco: não deixarei de viver e aproveitar a minha vida e os meus amigos para 'capitalizar'. Confio em mim e sei acredito que as coisas acontecem no tempo que têm de acontecer. Não é para ser preguiçoso, mas também não vou deixar de sair e ver o céu para escrever feito um descontrolado. O tempo passa rápido e, assim, vem o verso: "Então é Natal, e o que você fez?" - hahahaha! São coisas assim que preciso conciliar para ser bem sucedido no que intento. No momento, eu não estou em um patamar que considero desejável, mas tendo em vista o meu projeto, entrarei nele e conseguirei. Eu conseguirei tudo o que eu quero. 

Enfim, agora irei trabalhar, organizar as minhas pendências. Estou indo rumo a uma nova temporada. Vai bombar!

sábado, 18 de agosto de 2012

Em curso

Era para eu sair e desfilar novas roupas. Não deu. Era para eu ter feito um poema. Não aconteceu. Era para eu deitar e fazer nada. Sonho. Há quase duas semanas eu estou em Aracaju e a maior parte das coisas que pensei não estão acontecendo. Enfim, pensando, agora, para escrever, não é totalmente ruim; ainda atribuo coisas assim às direções que a minha vida tomou e tem tomado. O cenário de hoje é reflexo das consequências das minhas decisões prévias, as quais foram tomadas meio cientes de que coisas poderiam se tornar outras. Que muito poderia se tornar outro.

Acontece que, desde os últimos nove dias em Salvador e anteriores à minha chegada a Aracaju, o foco da minha atenção tem sido pensar maneiras de fechar a minha dissertação porque tem outras coisas a caminho. Eu não quero me enrolar, mas... (E também não quero falar desse assunto... Não agora) Acontece que vim aqui escrever porque não queria (daquele querer de quem responde a pergunta "e aí?") ir embora; não fico nada legal bem quando a minha mãe indiretamente diz que sente a minha falta, que se sente sozinha. Minha mãe é parecidíssima comigo (hahaha! engraçado isso, pois ela veio primeiro), se faz de ultra forte, mas às vezes se trai pela linguagem diante dos seu filho linguista. Eu fico só observando, imaginando um tempo em que resgatarei a minha rainha desse mundo de dragões e demônios porque ela parece, com o seu sorriso modesto, ansiar por isso. E eu sei que empreenderei forças para fazê-lo.

Consegui cair doente aqui em casa (acho que por ter comido algo pesado demais ou em excesso). Eu fiquei um dia de cama aqui em casa. Foi bem complicado, o sábado inteiro com náusea e dor de barriga. A minha mãe foi quem esteve do meu lado mesmo. Chamei, chamei e ninguém esteve perto de mim, mas ela sim, e me abraçou e ficou aflita comigo, e eu me senti amparado, sem medo de estar vulnerável. Só por ela. Por isso me dói tanto a separação, pois só com ela me sinto forte para me mostrar fraco. E nós nos entendemos tanto: ela fica falando coisas que não tem liberdade com o meu pai e a minha irmã, e, então, nós rimos. Adoramos sair para passear, fazer compras, construir planos futuros em relação à nossa casa. Ela me escuta e eu escuto ela. Nós nos escutamos. E eu quero cuidar tanto dela porque ela sempre cuida de mim. Eu a amo tanto, tanto. Acho que Deus dá a cada um a sua companhia para cruzar determinados caminhos da Estrada, ela tem sido a minha. 

A próxima semana será a última dessa temporada aqui em Aracaju. Voltarei a Brasília para o que venho chamando de 'última temporada' da minha aventura que começou em 2010. Conversando com uma grande amiga, discuti sobre isso de as coisas desenharem novas linhas; as atuais me levam a assentar um pouco e colocar para dormir o espírito que quer fazer 'tudo agora neste momento já'. Vejo que preciso ir adiante e sedimentar a segunda parte da trajetória que pensei para mim. Parece ser chegada a hora de o menino ir definitivamente dormir porque o homem precisa empreender força para a construção da sua fortaleza. Será essa a minha razão nessa última temporada. Sei que, até aqui, conto com as pessoas certas, as pessoas que contam na minha vida, que estão nos meus planos e que estarão comigo, convidadas a visitar a minha fortaleza feita de base firme. 

Ontem, eu saí com a minha irmã e alguns amigos. Como as coisas mudam. Tudo diferente e eu pensando em mim nesse mundo que não para e me dá mostras de que eu também tenho de manter o passo. Um doce desespero. 

A minha mãe, os meus amigos, a minha família, a minha casa, a minha terra, ou seja, o meu Deus que é o conjunto de pontos de luz que orienta e me dará sempre a paz de respirar e olhar em volta.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Replicante

"É realmente isso o que você quer, Pablo?" - A pergunta. Ela foi feita ontem, e, surpreendentemente, não foi por mim mesmo. A minha cabeça, às vezes - ou melhor, às noites -, dorme com esboços dessa questão (que, se custo a pegar no sono, deslindam-se em momentos assustadoramente líricos), contudo, no dia seguinte, sob o Sol da manhã, a Luz vaza para a minha mente, fazendo com que eu, por conseguinte, esqueça e 'acorde para a vida'.


Hoje é mais um daqueles dias em que 'acordo para cuspir' (minha mãe falava essa expressão tresloucada para mim, lá em Aracaju). Eu sento em frente ao computador com a missão de fazer uma parte sempre essencial do meu trabalho de investigação. Pausa dramática. Lendo o período anterior, vejo que ele soa enfadonho, no entanto o que é o cotidiano senão monótono. "Poderia eu fugir disso?" (Réplica esquizofrênica) Não. Ah! E se for drama, cabe a definição, visto confirmar (e relembrar) a outra parte da dicotomia da comédia que é viver. Eu sei dela. Dói, entretanto eu também sei que todos nós vivemos de papéis. 


A pergunta de ontem foi em relação a isto: a infalível e massacrante obrigação de materializar o Futuro. Futuro, um dos demônios que me perseguem.  Foi uma pergunta cruel na sua ingenuidade.  Eu, logo nesse momento, em meio a sessões de filmes de Bergman. Perigosíssimo. Acho que acordei com vontade de escrever porque me senti atingido por 'Depois do ensaio' e a estranha contiguidade da obra de 1984 com a pergunta de ontem. As falas da película, jogando na cara de todos a complexidade de ser socialmente, a nossa vaidade e o grau de mediocridade a que se pode chegar, enfim, a urgência de atuar. Verdades que eu e a população mundial douta ou instrumentalmente sabe. Eu sou ciente da minha suscetibilidade exacerbada a algumas coisas, mas a pergunta me deixou bastante estranho. Enquanto isso, 'acordar para cuspir', o computador e o meu trabalho de investigação se perdem nas minhas conjecturas tão fiéis.


Tratando mais especificamente da interrogação - a despeito de ter disparado uma réplica verdadeira -, ela se relaciona basicamente a tudo o que escrevo: o não saber. E, aqui, não estou usando de sofismos. Claro ficou, claríssimo está, para mim, que a pergunta não teve conotação direcionada à produção de concepções existencialistas, pelo contrário, eu acreditei nela porque percebi, e percebo, a sua coerência dentro de um contexto que a sustenta, que a impeliu a ser - como nós linguistas dizemos - enunciada. Contextos e conjunturas. Sobre isso, eu nem quero mais pensar (e divagar) tanto. O transporte para outras questões mais amplas feitas por mim, aqui, pode se dever, em parte, à exposição a Bergman, bem como ao meu constante ofício de ser o inquiridor de mim mesmo. Quero dizer, é comigo; sou eu. Ponto. Traços de egoísmo. O atingir de uma pergunta como a que abre este texto traspassa quem a fez, onde foi feita e as questões que a derivaram. A minha resposta para ela, talvez uma mais real, é um rotundo eu-não-sei. Quiçá nunca, jamais o saiba. Porque por não saber é que estou aqui, é que, por exemplo, este blogue existe. Quero dizer mais: para quem se sentir outro, alheio a estas palavras que me revelam, desconsiderem tudo; tudo; apeguem-se ao que mais lhes aprouver ou for de necessidade, eu ligo pouco para isso. Escolham a personagem que melhor satisfaça projetos e planos. A minha personagem social trabalha a covardia como uma das matérias-primas para atuar. Ajo, portanto, de modo inofensivo. Eu ofereço a personagem sem queixas, porque ela é o meu mal mais necessário.


Tudo isso pode abrir espaço para sentidos de laconismo, mas acontece que, ontem, eu fui dormir pensando sobre mim, sobre o/um mundo pesado de coisas. Hoje, no banho, lembrei da questão-ultimato, no momento da revelação, em frente do espelho. Imenso e infindo espelho. E aí? "É você, Pablo" - pensava. Sim. Sou eu. Eu só.


Então, para terminar isso aqui - pois preciso trabalhar -, penso que não se deve perguntar coisas assim a qualquer pessoa, a qualquer tempo, de qualquer modo. Mesmo simbolizando algo de cumplicidade, se assim for feito, as respostas poderão ser réplicas. Eu, aliás, poderia - talvez, deveria - ter solicitado uma semana para responder, mas cada vez mais sinto e vejo que não há tempo, não temos tempo. Nenhum de nós. E já que preciso dar réplicas, sabendo que o faço e sendo do jeito que sou, preciso de espaços para digerir o que roda a minha cabeça, a qual sofre e pende para uma covardia legitimada. Assim, eu preciso parar, respirar. Acho que Bergman não está me fazendo 'bem', e eu nem assisti ainda a 'Persona' e a 'Sétimo Selo'.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Feeling Good

Muito provavelmente devido ao fim de semana passado - pelas pessoas incrivelmente especiais que conheci - (e por eu ter começado o dia ouvindo Nina), sinto-me feliz. Feliz. Eu, então, resolvi correr, mas bem depressa para espraiar essa coisa linda que estou sentindo.

Como de costume na semana, acordei às 6h (é, na verdade, 6h20), tomei o meu banho ouvindo Tulipa, cantando que seria pontual. Eu achei o máximo porque é tão comum que eu, como de costume na semana, fique excessivamente preocupado com as horas que passam e seguem escorridas pelo ralo. Hoje isso não aconteceu, pois a água estava tão morninha. Que coisa boa. Meu cabelo ficou ótimo de primeira. Eu saí assim pelos caminhos da UnB, olhando e sentindo o céu, o sol (e o mar?  deixe para o pessoal do Mombojó). Apesar de naquele momento estar ouvindo o noticiário, hoje, pelo menos nesse início de dia, eu nem prestei tanta atenção nele. Na verdade, fiquei feliz também porque, sem dinheiro, encontrei um tíquete do Restaurante Universitário: "que bom! Não terei de ir até um caixa eletrônico para tirar notas" - pensei. Foi uma surpresa boa. Como é bom ser surpreendido positivamente. E eu agradeci a Deus por estar vivendo aquele momento, aquela hora, daquele jeito. Foi lindo. Deus é isso, Deus é aquilo: aquilo tudo que se concentrou na minha retina e coloriu a minha caveira. Índigo! Branco! Verde! A Luz! Como o mundo pode ser lindo em uma manhã de segunda-feira.

Eu não sei como será o dia de hoje - nem farei comentários sobre conjecturas, não neste momento -, o mais importante é que, depois de tomar café-da-manhã, veio a vontade de caminhar e dançar até o meu apartamento. E tome mais Nina me dizendo "Tomorrow is my turn, no more doubts, no more fears (...) what is gone will be no more". Nossa! É melhor ouvir Nina louvar o jeito como ela está se sentindo em uma conversa comigo do que estar a par das ações que serão tomadas pela Espanha para limpar a barra com o Brasil. Incrível! Nações são menores do que dois pássaros que voam de forma paralela diante da varanda do meu quarto.

Engraçado, quando eu falo de coisas mais tristes, escrevo mais. Acredito que isso se deva à leveza que tem a linda Alegria e a sua borboleta, a Felicidade. Eu sei que não é possível aprisioná-la a não ser pela rede da aparência ou do escape, mas eu fico tocado porque eu a vejo: Felicidade! Felicidade! Bom dia, Alegria! Olá, Alegria! hehehehe! Eu me admiro quando isso acontece porque eu sou bom e porque eu gosto de ser e de estar com gente assim -  ainda que ache não ser interessante transformar em hipérbole midiática a coisa óbvia que deveria ser o cultivo do bem para o mundo. Eu estou aprendendo a não dever nada a ninguém e eu fico também tão feliz por causa disto: tem mais gente no mundo... gente boa.


Ou seja, EU ME SINTO BEM. 

sábado, 7 de abril de 2012

Guerra Fria

Ontem foi sexta-feira da Paixão. Feriado. Brasília estava como está hoje, com cara de final-de-semana. Como foi dia útil, eu deveria ter estudado, seguido uma tabela que desenhei para mim para conseguir levar a cabo o meu mestrado. Enfim, eu comecei a escrever este texto ontem (como está marcado com a dêixis temporal - hehehehe! :( ) porque já estava me sentindo estranho.

Eu não sei. Acho que uma vibe estranha está passando por algumas regiões do planeta, pois um monte de gente que conheço está passando por situações complicadas: término de namoro, falta de grana, aflições relativas a trabalho etc. Eu sinto isso porque não estou muito tranquilo esses dias. É o que me faz voltar aqui, para que possa, de alguma forma, extrair de mim essas coisas chatas e vê-las de perto, examiná-las.

Há algum tempo estou enfrentando coisas meios chatas. Tem acontecido aqui na minha nova casa. Eu convivia com mais três caras, atualmente são dois. Desde o início vi o quanto seria complicado lidar com alguns comportamentos que observei em visitas antes da mudança efetiva. Eles são muito negligentes com limpeza, com contas, com uma porção de coisas que aprendi serem importantes - no sentido de se ter uma boa convivência social (uma coisa que observo hoje). São fatos que me atingem diretamente porque estou vivendo em no lugar; então, na maioria da vezes, vejo-me lembrando (que é preciso ser limpo para, por exemplo, evitar insetos andando pela casa) ou exigindo (que tenham atenção ao usar o banheiro no sentido de não deixar o chão sujo de lama) obviedades, pelo menos, para mim. O resultado é que não me sinto bem com isso, pois não gosto de me colocar como mais do que ninguém, ou seja, mais organizado, mais responsável, mais atento às coisas etc. Eu devo ser assim, mas para mim e somente para mim. Tenho muito medo porque eu já tenho uma veia megalomaníaca, algo que sei que existe em mim e que venho tentando dominar, distraindo-a aos poucos. É como um monstro que está dentro de mim, com algum custo eu consigo dar-lhe bolas com guizos para deixá-lo ocupado, mas eu sei que a qualquer deslize ele pode tomar conta da situação. Atitudes como as que andam ocorrendo (de eu normatizar as coisas na casa e de ver-me "acima", diferente daqueles dois que parecem ter o mínimo necessário de civilidade) dão um alimento que aumenta a força desse monstro. Fico triste por às vezes sentir que estou perdendo o controle e por sentir que isso me levará por um caminho perdidoso.

Então, fico pensando se devo sofrer assim sozinho. Minha mãe nos educou de forma a sermos pessoas aptas ao ótimo convívio social: precisávamos deixar casa e quartos arrumados para uma entidade imprevisível chamada "alguém", amiúde referida como visita. Sempre recebi elogios pelo modo cortês com que me dirigia às pessoas e como lidava com situações acres. Aprendi que ser assim me abria caminhos. Gostei. Hoje, longe de casa, e do meu reino, observo existem coisas na vida que não se consegue resolver por meio da elegância e dos bons-modos. Isso está me matando, pois é como se precisasse aderir a um comportamento extremamente desagradável, que abomino quando o vejo nas pessoas. Entrar em discussões, gritar, ser bruto são coisas que a minha mãe sempre evitou fazer e eu, por tê-la como meu referencial, assimilei.

Falo dessas coisas porque estou observando que precisarei ter de deixar esses traços principescos para começar a ter comportamentos mais contundentes, na verdade, contundência não define bem o que terei de aprender a ser. Vejo que as pessoas parecem não ter atenção ao quanto as suas ações influem na vida das outras. Elas parecem viver neste mundo sozinhas ou com aqueles de quem gostam (o que exige delas um pouco mais de cuidado). É como aqui em casa, que se transfigura em um verdadeiro microcosmo: alguém come; deixa talheres, pratos e panelas sujos dentro da pia e não atentam que - uma vez que dividem o apartamento - outra pessoa poderá precisar daqueles utensílios; ou, ainda, colocam o único pano de prato da casa para lavar deixando-o por mais de duas semanas dentro de um balde de água parada (que logo se torna fétida e mais sujará do que limpará o tecido). O que devo fazer, visto que me incomoda profundamente ver coisas assim? Ir lá, tirar e lavar? Perguntar pela quinta vez quando a pessoa que se propôs a lavar o pano terminará a ação, e ouvir indiretas ou respostas grosseiras? Eu não sei. É complicado. Tem sido bastante complicado.

Resolvi que adotarei a estratégia de batalha. Não fugirei mais dos conflitos se eles se apresentarem. Talvez, tudo isso seja para que aprenda de uma vez por todas que não alcançarei o consenso, que a vida é lutar, brigar pelas suas posições quando elas são invadidas. Eles sabem que me sinto incomodado quando vejo coisas extremamente sujas e ainda assim o fazem, se assim acontece, eu não ficarei mais evitando entrar na minha própria casa para não ter de encarar visitas que se convertem em moradores fantasmas (mais um presente de um dos que dividem a casa comigo). Não aguento mais ficar calado diante dessa situação e se for para brigar, vamos à luta! 

Em algum momento eu terei de aprender. 

sexta-feira, 30 de março de 2012

Mais um ano

Hoje é meu aniversário. Foi um dia comum. Fiz questão de que ele fosse assim porque não ando muito motivado a fazer as coisas de antes. 

Eu nem ia escrever aqui, mas, como tem sido uma prática desde de 2008, mudei de ideia. Não sei por quê, mas tenho necessidade de registrar esses momentos. Talvez acredite naquela história de "ainda vamos rir muito dessa história". Aliás, acho isso uma das coisas mais legais para se dizer a alguém em tempos de dificuldade.

O fato é que cada vez mais eu me afasto dos tempos de menino. Hoje, com 26 anos, já sou considerado um adulto. É estranho como eu faço as contas. Estou sempre contando. Mais cedo, estive pensando, olhando da sacada do meu apartamento, o quanto que consegui até aqui; o quanto eu precisava dizer a Deus coisas que mostrassem a minha satisfação por estar onde estou. É inexplicável olhar para trás e rever uma trajetória que realizei por meio de um desejo forte. Por mais que para muitos pareça frase-feita, mas foi a força de um sonho que me fez encarar essas coisas.

Agora, aos 26, estou naquele momento em que se senta e pensa sobre a salvação: depois de ver e enfrentar o furacão, vê-lo passar. Eu não morri, mas estou em uma terra arrasada, nova e constato que é tudo comigo. Ter 26, para mim, é como se eu já me preparasse para mais uma caminhada, mas uma não tão florida como a anterior. Como diz a música de Milton, não é mais só de sonho que se faz o meu caminho, mas com o meu braço também.

Parece perseguição isso de ficar falando de "ontens", mas é o que sinto. Mais do que nunca, vejo que preciso ser bom. É claro que as coisas que fizeram parte da minha trajetória me fazem ver a minha atuação de modo menos intenso. Algumas vezes acredito que em relação a determinadas coisas eu adquiri alguma serenidade. Posso dizer que com 26 eu aprendi a me respeitar; aprendi a ver que o que eu sou é somatório de uma história conjunta,, que ninguém conhece, ninguém viveu e, portanto, ninguém tem o direito de querer regular. Com 26, eu vejo que é tempo de me estabilizar como alguém maduro e, por conseguinte, pensar como ocuparei a minha posição no "mundo real". Penso em preservar um lado meu que tenta sempre ir pelo caminho ético - mesmo que ache um cu o mundo. Eu me orgulho do homem que me tornei: tenho orgulho da minha família que contribuiu para essa minha formação, eu me orgulho profundamente da mãe que tenho e que um dia, confio em Deus, eu poderei mostrar que tudo o que ela fez por mim deu bom fruto. 

Às vezes, também penso sobre o futuro - esse fantasma que me enlouquecia em tempos outros. Penso, então, que, já que não sei nada sobre ele, vou trabalhando, do modo que vi dando certo com outros. Assim eu me distraio e aprendo, ao mesmo tempo. Não é fácil. Eu sinto como se a vida estivesse nas minhas mãos e que a qualquer passo mal calculado eu possa desandar tudo. Essa é a aventura chamada Vida, quando a pessoa se propõe a vê-la desse modo. Eu topei fazer parte disso. Tenho claro na mente que as consequências existem, mas de que há muito o que ver e aprender, inclusive.

Este texto foi escrito "no automático". Eu ando assim. É estranho, mas parece que é como se estivesse abandonando algo que é ora casca. Não sei se estou em queda livre, ou se estou estou vendo que terei de pular, pois a casca já não me sustentará por muito tempo: ou eu, novo, pulo ou caíremos os dois, casca e eu, na direção de uma nova paisagem. Acho que será um tempo novo. Que venha, então, assim como chegarão vinte e seis anos de alguém que vê, sente, sofre, mas segue.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Ridiculous thoughts

Daqui a alguns dias, estarei de volta a Brasília. And so what? O texto de hoje é daqueles de madrugada: meio lúgubre, meio do jeito que eu acho que precisa ser. Eu acho que as coisas saem melhor de mim desse jeito. Um momento Special Needs, do Placebo. 

É estranho, pois eu sinto tanta saudade dessa minha vida de Aracaju e, ao mesmo, tempo não a quero mais, recuso-me a ela. Eu não sei se essas coisas eu posso controlar e, aliás, eu já escrevi sobre isso, mas ideias recorrentes são algo que não faltam na minha cabeça. Não quero falar sobre isso de querer ou não a vida que tinha antes de ir para Brasília; na verdade, eu preciso entender o que está se passando na minha cabeça, que anda tão esquisita.

Eu deixo a minha casa e, dessa vez, acho que vou esperando menos das coisas nas quais apostava no início do ano passado. Ando muito desconfiado de tudo, sem a paixão que pensei que teria no caminho que estou trilhando agora. Algumas vezes, eu acho que é por causa do tanto de tevê que andei assistindo, pelas coisas que andei vendo. 

Sei da minha vulnerabilidade diante da televisão em seus mais diversos formatos. Eu, de certa forma, sentia-me livre disso em Brasília. Por escolha própria, lá, eu não assistia a televisão. Aqui em casa, o aparelho é ligado no início do dia e desligado pela última mão a ir se deitar - ultimamente, ela tem sido a minha. Fico vendo as coisas e me perguntando sobre o porquê de eu não viver daquele jeito tão legal, glamuroso. Com certeza, esse é um dos efeitos desejados por essas emissoras, o de fazer com que quem assista queira consumir uma vida representada ali. E o pior de tudo é que eu sei disso e me vejo entregue a esses tentáculos. É uma merda! 

É por isso que fico nessa situação. Eu meio que fugi disso, do reinado do "deus-TV". Se dependesse da televisão e das coisas que vejo nela eu não sei se estaria como hoje estou; provavelmente, eu reproduziria os conceitos dela, quiçá, eu me veria de algum modo bem escravizado por ela. Por outro lado, penso que devo muito ao que vi na televisão, por diversos motivos (...). O que sei é que não acho legal - nem bonito - isso de estar sendo bombardeado pelas porcarias de boa parte das emissoras a semana inteira.

Mas eu vou embora. Mais uma vez, eu estou indo. Já não sinto tanta beleza em dizer que irei para onde o vento me levar, fazer as coisas que acontecerem, ou que não farei planos. É como se a poesia não estivesse por perto, é como se ela tivesse tirado férias de mim. Eu tenho tanto medo porque sinto necessidade de não deixar de ser o que gosto em mim em detrimento de ter algo meu, que por algum tempo (de preferência, por muito tempo) me deixe tranquilo (para fazer coisas como sair com os amigos, comprar o que achar necessário e dar a minha mãe uma vida mais leve). Eu sei que sou impaciente e vi o grau estranhíssimo de receio em que estou. 

Acontece que não estou seguro se conseguirei uma oportunidade interessante de trabalho (pleiteada por mim antes de vir a Aracaju), boa para o meu currículo. Tudo porque não olhei o prazo de entrega de documentos.A tormenta aconteceu há dois dias. Fiquei chorando na cama e tudo, perguntando a Deus o que seria do meu futuro, pois aquilo - importante para mim - parecia estar perdido, esvaído-se pelos meus dedos. Por conta desses questionamentos, fiquei tentando localizar um seguimento para o que há um ano tenho feito. Eu não sinto aquela motivação para escrever certas coisas acadêmicas, nem lê-las; duvido de tudo, ponho em xeque as diversas teorias e pessoas que parecem assumir posições de luta. Eu, às vezes, não queria ter de ficar estudando e escrevendo sobre problemas sociais quando vejo que a televisão e as mais diversas mídias influenciam tão mal as pessoas ao pautar seus conteúdos em fofocas e/ou outras platitudes tais como programas de pessoas se expondo por dinheiro e projeção a qualquer custo. Eu fico pensando sobre o mundo ser assim, fico pensando na dificuldade que tenho em achar gente que me inspire a lutar por um mundo diferente. Eu acho tudo muito engessado, hoje em dia, tudo muito colocado, parece haver espaços já postos para a manifestação: eu sinto que as pessoas não fazem questão de trabalhar a sua própria humanidade, quero dizer entendê-la, para depois propor mudanças para a sociedade. Eu sinto que muita gente é demagógica, aquilo de estar fazendo a sua parte porque de alguma forma ganhará dinheiro e posição com isso. Eu fico triste nesse cenário e não sei bem como me encaixar...

Talvez uma das minhas tristezas seja a de ter de me modificar para viver como eu aprendi a gostar. Eu queria retroceder o tempo, mas sinto que não posso e essa minha volta a Brasília estará focada na mudança, mas na MINHA mudança. E imagino o que fazer com tudo o que eu lutei, as coisas em que eu acreditei, e as coisas em que confiei? Eu me sinto enganado, às vezes. 



Eu vejo os meus pais. Eu vejo a minha irmã. Eu me vejo. Fico me sentindo diferente deles, mas tão igual a minha mãe, até no sofrimento. Eu fico eufórico comigo mesmo quando vejo as imagens panorâmicas televisivas. Penso: "eu posso ir para lá! quem me impede de estar lá?". Então, de repente, eu posso tudo, tudo mesmo no mundo. Mas, depois, vejo as limitações: tudo é Tempo. Em seguida, sinto-me deteriorando, dentro de um prazo de validade no qual eu preciso urgentemente criativizar. Eu imagino uma profusão de profissões que eu poderia exercer para ganhar dinheiro e não ter de ouvir "o professor precisa ser valorizado" o tempo todo, nem dar de cara com as notícias de concursos públicos me estuprando, vendendo para mim a ideia de que qualquer coisa vale mais do que ser professor, o meu mais aparente destino. Eu tenho pressa. Também porque os meus pais parecem, a cada retorno meu, precisar de ajuda... Mas não quero me vitimizar tanto. Outro problema é que não encontro com quem dividir. Talvez eu, desse meu jeito, espante pessoas. Ainda isso... Ninguém merece: até o Coldplay virou uma banda da Capricho!

Sinto profundamente que algo está mudando. O meu comportamento de animal estressado me demonstra isso. Daqui a dois dias estarei indo embora da minha casa. E eu não sei o que será de mim... "Oh!". Não sei mesmo. E estou pensando "quero mesmo é que se foda o mundo todo!", no entanto eu não quero me foder, mas como não se sou parte desse Vicious World. Na real, eu tenho é medo de sofrer e de morrer. Estou constatando que 2007, 2008 e o início de 2009 não voltarão mais: a gente dessas épocas está casando, tendo filhos, trabalhando e tendo seus carros. Eu me sinto por ora como envolto em caprichos (de querer ser o que eu quero - ou que acho querer). Parece que sim, chegou a hora de seguir e largar as mãos de fantasmas. É hora de permitir que todos os que estiveram na minha vida atrás sigam, para que eu assim o faça. Ques pensamentos... Ridiculous thoughts...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Acordando para a Vida

fonte: GT Wallpaper
É de uma reunião em família que sai, agora, a resolução maior para mim em 2012. Farei, este ano, de tudo para resolver outros pontos da minha vida. Acontece que meu pai veio e - mais uma vez - disse que eu precisava trabalhar. A minha irmã, (nem sei se tão) indiretamente, disse para mim que não tem tido as coisas que quer porque a minha mãe gasta muito comigo em Brasília. Foi algo positivo, pois vi que a minha casa não é o paraíso. A minha vida não é mesmo o conto de fadas que eu sempre fiz questão de encenar.

Neste ano, devo dar prosseguimento a algumas ações que considero vitais para mim. Definitivamente, preciso crescer e ter uma vida. Preciso romper os laços com a minha mãe. Não me refiro a uma ação drástica - principalmente porque ela não merece -, estou tentando encarar a vida de maneira mais adulta, ou melhor, madura. A conversa de hoje deixou isso mais aparente. Por mais que eu tenha sentido uma ponta de distorção em algumas colocações durante a reunião, vejo-a como mais um impulso para avançar, seguir e deixar para trás o passado. A minha vida já não pode voltar, por mais que eu queira com alguma força. 

A minha mãe, na reunião, esteve como de costume: calada, ouvindo todos falar sobre ela. Nada falava. A minha mãe ficava muda, ouvindo e ouvindo. A minha mãe confirmando a sua imagem de boa e devotada, a que sofre para ver o bem do seu filho, aquela que não se importa com as pedras nas costas pelo fato de estar protegendo a sua cria vulnerável. A passividade dela bradava a força de conseguir manter-se incólume às investidas dos outros. Mesmo na exiguidade de suas palavras houve a demonstração maior de poder da noite. É impossível desconsiderar alguém que se mostra tão ligada a mim. É por nosso bem também que preciso continuar. 

Percebo que quando o meu pai me fala para trabalhar, ele quer me dizer que não devo ficar sob os eternos cuidados da minha mãe, pois sou um homem e não mais um menino. E eu levarei esta instrução comigo: não devo ser mais um menino. Por mais dolorido que seja, preciso cortar o cordão. Na verdade, eu venho me mostrando que é necessário fazer isso se eu não quiser construir um jardim usando os meus pais como adubo, erguer uma construção em cima dos seus restos. Isso seria terrível. É fato que muito da demanda do meu pai é influenciada pelos filhos outros que ele vê por aí. Eu sinto no meu pai um pequeno dilema: feliz por estar onde estou, mas descontente pelo pouco avanço em relação a um futuro. Aquela máxima tradicional "no meu tempo, na sua idade, eu já...". Eu sou ciente de que o tempo dele foi o tempo dele, no entanto me localizo também em um dilema de evitar passar o trator das minhas concepções super-hiper-mega coerentes em cima dos ideais estabelecidos dele. É complicado, mas é uma carga que se leva: você vive e leva a sua história nas costas. A sua família é a sua história viva.

A minha irmã, ao falar que lhe faltam coisas como roupas ou cabeleireiro, quer demarcar, provavelmente, a sua posição na família, sua presença diante dos meus pais. Talvez ela queira mostrar que também tem necessidades, que, de alguma forma, tem sido minimizadas pela "importância" que eu venho obtendo por estar longe de casa; por eu vir atraindo mais atenção da minha mãe, o nosso eterno objeto de disputa. Eu e a minha irmã somos crianças que enfrentamos as complicações do tempo; que relutam em ver as coisas se modificando; que, de algum modo, querem preservar o calor da proteção familiar, visivelmente marcada pelos traços cruéis do Tempo. Vejo que a minha irmã, inclusive, emula atitudes dos nossos pais, tornando-se, assim, extensão deles. Observo isso quando ela diz preferir calar-se a ouvir a nossa mãe posicionar-se ao meu favor (quando, segundo ela, abordam o excesso de atenção dado a mim por mainha), observo que a minha irmã reproduz um comportamento comum na nossa família, o exercício caprichado das aparências. 

Os meus pais parecem fazer de tudo para não lidar com o conflito. Quando acirram-se os argumentos, para eles, é melhor encerrar a discussão. Termos como "reclamar" ou "sofrer" quase não são permitidos. É preferível perder-se em doces tolices disfarçadas em brincadeiras do que enfrentar analisar eventuais problemas. A minha irmã me mostra que está aprendendo isso também com os meus pais. Aliás, eu vi hoje que a minha casa está como sempre. Não sei muito bem o que mudou aqui. Em casa, eu me sinto em um museu. Mesmo.

Enfim, durante a passagem do ano, lá estava eu pensando sobre o quão bom havia sido 2011. Eu não sabia, então, o que de fato pedir a Deus. Eu francamente só tinha o que agradecer. Eu ao mesmo tempo fiquei feliz e preocupado com a situação. Eu sempre estou na ambivalência de querer a perfeição e de esperar coisas ruins para a vida. 

Hoje, eu vi que meus pais já são o que são. Eles estão mais velhos. Meus pais estão velhos. Eu tenho de pensar um modo de agir diferente. Acho que 2012 será o fim do meu mundo. Que bom.