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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Nuvens passageiras

Olhe eu aqui, tentando manter a energia que trouxe de minha 'fuga estratégica'. A verdade é que, se não fosse por Ellen Oléria cantando para mim 'Nuvem Passageira', estaria emputecido super aqui. Só estou 'emputecido', sem estar 'super'. Já queria ter vindo escrever há algum tempo, mas tenho minhas fofíssimas companhias: um artigo relutante para fechar, um serviço de transcrição para encerrar e dar conta das questões do doutorado. Quero muito seguir o conselho de Ellen: "Por isso agora o que eu quero é dançar na chuva/ Não quero nem saber de me fazer ou me matar /Eu vou deixar um dia a vida e a minha energia/ Sou um castelo de areia na beira do mar".

Isso tudo porque estou cada dia mais disposto a não me assassinar. Conversei com uma amiga sobre coisas da vida e, obviamente, eu me acresci à história. Temas e temas. As minhas constantes questões e as consequentes buscas por respostas. Daquela vez foi a mórbida correria pela perfeição. Eu ouvi e me ouvi: "não existe perfeição". Então, penso que preciso me desapegar dessa noção invertida e esquisita sobre como as coisas têm de ser. É uma coisa. Não sei. Voltei disposto da viagem, mas, confesso, em variados momentos eu me sinto perdido. Acho que estou começando a digerir realidades, como se me desse conta de que o sonho está lentamente seguindo seu caminho natural de névoa. Não sei se isso é ruim de todo, pois a vida tem parecido tão concreta para mim. Estou vendo e sentindo isso. 

Hoje, minha raiva deveu-se a não ter feito as coisas que desejava fazer. Para variar. Aff! São tantas
coisas. Tantas. Por exemplo, estou escrevendo aqui, mas minha cabeça está nelas. Ultimamente minha cabeça não anda no mesmo lugar, mas não quero dar muita atenção para isso. Não quero. Estou barreado porque ontem fui dormir super tarde fechando um artigo e li que terei de refazê-lo praticamente. Além do mais, estou com fome e nem sei o que vou comer; daqui a pouco começa um documentário sobre Basquiat e eu quero ver, um refresco. Depois penso em ir dormir para amanhã correr pacas.

Hahahaha! Acho que este é um dos textos mais insólitos deste blogue. Que se foda! Acho que lerei um texto de disciplina da UnB - na verdade, não farei isso, apesar de desejar muito. E-que-calor!

E começou a chover por aqui. Tava mesmo muito calor. E que a chuva lave toda a secura e seja bem-vinda. Amanhã é dia de seguir Caminho.

sábado, 3 de agosto de 2013

Eternas ondas

Terceiro dia de agosto. É com lágrimas que começo escrevendo esta postagem de hoje. Elas talvez sejam a razão maior para o texto. Hoje é um sábado. Como de costume (nos fins de semana), acordei tarde, tipo, faltando pouco para o meio-dia. Mandei umas mensagens para minha melhor amiga e para outras pessoas. Acho que foi uma forma de já preencher o dia, que, para mim, acabara de começar. Como ninguém me respondeu prontamente, fui ligar a tevê e, zapeando, encontrei Sia cantando. Eu não sei muito dessa cantora, a não ser por causa de 'Six Feet Under': 


Essa música, 'Breathe me", marcou-me durante muito tempo, bem antes de eu vir a Brasília. Lá em Aracaju, em minhas constantes e saudosas madrugadas, eu assisti ao final da série - traduzida pelo SBT como 'A Sete Palmos' - e fiquei com a canção na cabeça. Vindo para cá, assisti a todas as temporadas de SFU, e 'Breathe me' assumiu contornos mais pessoais. Enfim, tudo isso para dizer que, a despeito de me esquecer algumas vezes, o Tempo passa... e volta. Eu me lembrei do quanto andei até aqui e neste momento de cansaço (e de quase esgotamento) preciso resistir, não devo me entregar.

Muitas coisas aconteceram e tive que lidar com várias outras. Este blogue mesmo é um exemplo da avalanche: desde maio, não consigo escrever nada aqui! Assim tem sido meus dias. Não é uma reclamação: ando percebendo de modo claríssimo que fiz uma escolha e que tenho de aceitar seus resultados - os pontos bons e o não tão bons. Há quase quatro anos, eu vinha para cá, em um misto de fuga e de esperança. Fugia de um mundo, para mim, paspalho, com gente se formando para a paspalhice; eu não queria aquilo para mim e tinha a esperança de saber de um mundo novo - confesso, uma coisa meio Ariel cantando 'Part of your world' (hehehe!)... Respirei fundo e embarquei. 

Naquele tempo - posso falar assim porque, depois de cinco anos (ou próximo a esse tempo), as coisas passam a pertencer a caixas de lembranças -, eu pensava que deveria conhecer 'o mundo', sair de minha caixinha, enfim, brilhar, brilhar, brilhar! Havendo feito isso, ter pessoas me dizendo o quanto eu fui 'corajoso' foi uma espécie de lustre em minha armadura de cavaleiro andante e destemido; aquilo, entretanto, não era, ou melhor, não parecia suficiente (pois logo percebi que de qualquer maneira eu não conseguiria ter ficado ali, e, por consequência, vi que ser inconformado é algo de minha natureza). Eu percebi que todos são capazes de fazer o que eu fiz, desde que haja possibilidades internas e externas: vontade, apoio e dinheiro, os elementos para qualquer expedição imprevisível. Assim são as cruzadas. Mas, dentro de mim, sei que me dar conta de que não temi o imprevisível foi sim o maior prêmio.

Enfim, hoje, estou em Brasília e vivendo 'meu próprio sonho'. Muito do que quis tenho. É bom isso, mas, por vezes, minha natureza grita em mim. Sinto como se estranhamente estivesse assentando, e não é tempo ainda. Provavelmente isso esteja sendo potencializado pelo cansaço: encerrei um processo de mestrado com a escrita meio alucinada de uma dissertação ao mesmo tempo em que participava de um processo de seleção de doutorado; enfrentei, ainda nesse tempo, uma situação de vampirismo social tensa, além de me desgastar procurando por um lugar para viver neste inferno paradisíaco chamado Brasília (onde viver bem implica ter dinheiro). Pode parecer reclame de quem nunca se esforçou para ter as coisas, mas, ainda assim, foi tudo ao mesmo tempo, comigo sozinho. 

Colina (2012-2013)
Abro parênteses para explicar o 'sozinho'. Contei com o apoio de gente nos sentidos financeiro e logístico, mas meus traumas e medos pouco dividia com elas. Esquisito, eu sentia que, apesar de me ajudar, não entendiam propriamente o que se passava comigo; pelo menos, nos comentários que elas faziam eu não sentia o conforto que se sente quando há a empatia com o outro. Quiçá não fosse de todo culpa das pessoas, visto que fiz uma opção por depender o mínimo delas - com a ideia de que 'People just ain't no good'. A cada dia mais observo, infelizmente, que a lei do mínimo esforço é praxe na maior parte das relações sociais. Tudo isso me fazia querer ser forte e o esforço dorido repercutia em meu jeito de expressar minhas confusões. Acredito que seja essa a justificativa de ter me sentido sozinho.

A questão é que as coisas, agora, parecem estar se acalmando e eu - como quem é ferido a bala e corre para não ser alvejado novamente - estou sentindo o efeito retardado no exato momento de redução da velocidade. 

Volto a este blogue para transferir o peso dessa desaceleração. Há coisas que preciso proceder. Sinto este espaço como uma fonte de força para tanto. Eu estou disposto a resgatar o Pablo que há quase quatro anos saiu para brilhar. Venho conhecendo pessoas de quem gosto e outras tantas que me cansam bastante. Na verdade, acho que, a cada dia, ando mais picky e isso às vezes me deixa preocupado em relação à nova etapa de vida que está para se abrir. Apesar disso, constato que esse sou eu e que, em lugar de me esforçar para mudar mais, é possível que valha a pena aceitar essas características mais exigentes e um pouco 'chatinhas'. O que quero dizer é: na próxima temporada de minha vida, pretendo ser cada vez mais do jeito que sou e praticar, infelizmente, a lei do mínimo esforço com quem eu percebo que é assim. É que não quero perder meu tempo com quem não precisa de mim, com aquelas pessoas impositiva e insuportavelmente autossuficientes ou com aquelas que são as donas da verdade, pois não quero acentuar essas particularidades em mim - uma vez que também são parte de meu caráter. Vejo que é tempo de avançar efetivamente.

Enfim, fico feliz por ter conseguido terminar este texto. é importante e bastante simbólico para mim isso. Minha casa me espera para o início de uma faxina, coitada. Essa casa, contudo, é papo para outro momento. Tem muito para ser escrito; tem bastante para ser superado. Estou nessa rota. Estou voltando, babies!

Minha nova casa

Ah! Eu tenho uma casa: eu sou um verdadeiro desperate househusband!!! Hahahaha!

#partiu

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Enquanto isso

2013. 18 de fevereiro. Faltam três dias para o encerramento de um ciclo. Eu pensei que estivesse levando mais tranquilamente a situação, mas hoje vi que não. Tem mais de seis meses que não escrevo aqui. Isso me fez falta, muita mesmo. Bastantes coisas aconteceram, e elas foram importantes, mas acabaram engolidas pela minha missão de encerrar o mestrado: eu precisava escrever a dissertação. Eu me desconectei muito seriamente.

Mas, enquanto isso, o globo terrestre girou. E tantas coisas chegaram e passaram. Neste momento, depois de acabar de acordar, assumo: estou cansado. Cansado de um modo que não me lembro de ter estado há tempos. Não suporto intensamente as coisas e pessoas - que talvez tenham entrado no balaio de pressões que se tornou a minha vida nos últimos tempos. Não estou triste ou reclamando, pelo contrário, encerro uma fase na qual aprendi muito: foi para isso mesmo que saí de casa, para aprender e me ver e me decidir sobre quem ser no mundo; eu sinto que isso está se consolidando. Uma flor nascida do esterco.

Minha mãe chega a Brasília hoje. Eu estou tentando fechar uma negociação de aluguel. Quinta-feira é o dia da minha defesa de mestrado. Será uma semana cheia, marcante pela natureza de fim, contudo de começo(s) também. Eu me sinto muito ferido, necessitado dos/as meus/minhas amigos/as, daquela minha vida boboca de Aracaju; continuo pensando que falar essas coisas para as pessoas próximas a mim pode soar lamentoso, por isso me sinto tão estranho, não me sinto à vontade de falar com gente que aprecia passar o tempo falando de outras... por isso precisava voltar aqui. Nesse espaço escrevo para o mundo, mas tão para mim, este 'eu' tão cansado, mas que não pode parar.

It's a new dawn, it's a new day...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Feeling Good

Muito provavelmente devido ao fim de semana passado - pelas pessoas incrivelmente especiais que conheci - (e por eu ter começado o dia ouvindo Nina), sinto-me feliz. Feliz. Eu, então, resolvi correr, mas bem depressa para espraiar essa coisa linda que estou sentindo.

Como de costume na semana, acordei às 6h (é, na verdade, 6h20), tomei o meu banho ouvindo Tulipa, cantando que seria pontual. Eu achei o máximo porque é tão comum que eu, como de costume na semana, fique excessivamente preocupado com as horas que passam e seguem escorridas pelo ralo. Hoje isso não aconteceu, pois a água estava tão morninha. Que coisa boa. Meu cabelo ficou ótimo de primeira. Eu saí assim pelos caminhos da UnB, olhando e sentindo o céu, o sol (e o mar?  deixe para o pessoal do Mombojó). Apesar de naquele momento estar ouvindo o noticiário, hoje, pelo menos nesse início de dia, eu nem prestei tanta atenção nele. Na verdade, fiquei feliz também porque, sem dinheiro, encontrei um tíquete do Restaurante Universitário: "que bom! Não terei de ir até um caixa eletrônico para tirar notas" - pensei. Foi uma surpresa boa. Como é bom ser surpreendido positivamente. E eu agradeci a Deus por estar vivendo aquele momento, aquela hora, daquele jeito. Foi lindo. Deus é isso, Deus é aquilo: aquilo tudo que se concentrou na minha retina e coloriu a minha caveira. Índigo! Branco! Verde! A Luz! Como o mundo pode ser lindo em uma manhã de segunda-feira.

Eu não sei como será o dia de hoje - nem farei comentários sobre conjecturas, não neste momento -, o mais importante é que, depois de tomar café-da-manhã, veio a vontade de caminhar e dançar até o meu apartamento. E tome mais Nina me dizendo "Tomorrow is my turn, no more doubts, no more fears (...) what is gone will be no more". Nossa! É melhor ouvir Nina louvar o jeito como ela está se sentindo em uma conversa comigo do que estar a par das ações que serão tomadas pela Espanha para limpar a barra com o Brasil. Incrível! Nações são menores do que dois pássaros que voam de forma paralela diante da varanda do meu quarto.

Engraçado, quando eu falo de coisas mais tristes, escrevo mais. Acredito que isso se deva à leveza que tem a linda Alegria e a sua borboleta, a Felicidade. Eu sei que não é possível aprisioná-la a não ser pela rede da aparência ou do escape, mas eu fico tocado porque eu a vejo: Felicidade! Felicidade! Bom dia, Alegria! Olá, Alegria! hehehehe! Eu me admiro quando isso acontece porque eu sou bom e porque eu gosto de ser e de estar com gente assim -  ainda que ache não ser interessante transformar em hipérbole midiática a coisa óbvia que deveria ser o cultivo do bem para o mundo. Eu estou aprendendo a não dever nada a ninguém e eu fico também tão feliz por causa disto: tem mais gente no mundo... gente boa.


Ou seja, EU ME SINTO BEM. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

I Will Survive (num Trem para as Estrelas)

São sete horas da manhã. Poderia ser aquela música cantada pelo Cazuza, mas da minha janela não vejo o Cristo. Eu falo com ele, na verdade. Peço-Lhe calma. Peço-Lhe paz de espírito.

Ontem, eu explodi. Estava indo dormir cedo - depois da novela das sete -, quando, já prestes a lavar os pratos do meu jantar, percebi que o meu celular novo não estava reconhecendo os fones de ouvido. Eu só sei fazer as coisas ouvindo música. Eu estava já fazendo os planos para esta sexta-feira; pensava: "Amanhã, conseguirei ler, ou melhor, escrever alguma coisa para a minha dissertação. Com mais algum esforço, ainda concluirei as pendências, pois não haverá os mesmos empecilhos que se apresentaram durante toda esta semana. Para isso, acordarei bem cedo". Esse lindo castelo em construção até o aparente defeito do meu aparelho, o gatilho para a minha queda de ontem. 

Ontem à noite eu comecei a ficar irritado porque esta semana havia iniciado bem tumultuada no sentido de que todo o meu planejamento de tarefas foi bagunçado por algumas pendências referentes a exames. Eu, para o checkup do semestre, precisava entregar um último teste que deveria ser feito em duas etapas há algumas semanas. A minha nova empreitada de produzir a dissertação acabou por embaralhar as possibilidades de sair ou de realizar as tais duas etapas explicadas pelo laboratório. Deixei para lá, naquela oportunidade, tendo em vista que eu tinha de entregar coisas do curso que eram prioridade. 

A segunda-feira, então, começou. Eu acordei às seis da manhã, tomei banho e fui entregar a primeira parte do exame. Aproveitando a oportunidade de sair de casa - coisa que anda se mostrando extremamente rara nos últimos tempos -, resolvi passar no supermercado para comprar algumas coisas. O tempo foi inclemente, sem dar na vista, simplesmente, foi. Já em casa, ainda tive que preparar o café da manhã - que é um dos meus prazeres, i. e., elaborar uma mesa com frutas, cereal, pão, café, suco etc. Resultado: a manhã, quando devo fazer uma porção de coisas programadas, foi tomada por todas essas outras (as quais são realizadas bem no início do meu dia). Após o café, peguei algo para ler, mas não tive como finalizar bem a nem leitura nem fichamento. Na terça-feira, tinha a segunda parte do exame para deixar no laboratório. Previ que o dia provavelmente seria da mesma maneira e, portanto, fiz um acordo comigo mesmo de não ficar aflito. Acontece que o cara que divide o quarto comigo acordou mais tarde do que o comum (eu o espero ir tomar banho primeiro porque trabalha e sai cedo; dai, fico remoendo na cama, acordado, esperando ele entrar no banheiro para que eu não o atrapalhe, e também porque os meus banhos são verdadeiros comerciais do 'Lux Luxo' - hehehehe!), o despertador dele ficou tocando um monte de vezes - e ele nada de acordar (ou melhor, levantar). Vendo que poderia me atrasar para a entrega do exame, eu me levantei para ir ao banho. Ele, ao me ver, perguntou se eu ia tomar banho... Aff, que raiva! Disse que ele poderia ir antes de mim (porque de confusão eu estou correndo). Entrou, demorou uma vida e ainda voltou para fazer a barba (mereço???). E eu E-S-P-E-R-A-N-D-O. Resultado: saí correndo, quase atrasado porque, além do mais, dependo dos maravilhosos ônibus, que, vejo, têm um acordo anual de nunca estarem no ponto quando se precisa deles. Enfim, cheguei. Entreguei a última parte da pendência e passei mais uma vez no supermercado. Lá, foi a vez de o meu cartão testar a minha paciência. Não funcionou. Eu já fiquei com aquilo tilintando na cabeça, imaginando novos problemas - como coisa de ir a banco e ficar longos minutos esperando para ser atendido. Voltei para casa pensando. Chegando ao meu doce lar, aconteceu o que previ: todo o esquema do dia foi atrasado e piorado porque o pessoal de serviços gerais resolveu vir ajeitar uma infiltração naquela manhã. Quarto interditado, cheiro de tinta, poeira e eu sem mais uma vez poder pegar no livro ou no computador (sob o risco de sair como o Pluft de dentro do quarto). Quarta-feira, os queridos camaradas dos serviços gerais voltaram para dar a "segunda mão de tinta"... O 'caos' se repetiu, mas daquela vez fui safo: peguei uns livros e fiquei no sofá, tentando (deveria escrever com 'T') estudar. Ontem, o pessoal voltou para dar a milionésima demão de tinta. Eu no sofá Tentando estudar. O meu outro companheiro de quarto vendo a MTV e rindo. Meu Deus! Ainda, dali a pouco, teria aula e eu sem ter avançado o quanto esperava. Esperançoso, pensei ser hoje o dia de redenção, quando tomo o susto do celular. Ele me fez ficar uns minutos preciosos testando outros fones, indo para a Internet pesquisar assistência técnica, imaginando que no dia seguinte teria de sair novamente e, por conseguinte, atrasar - de novo, mais um vez - o cronograma de atividades desenvolvido. 

Analisando mais friamente, percebo que o episódio do aparelho, como disse, abriu as comportas de controle. Eu comecei a pensar porque justamente no dia em que eu poderia fazer as coisas sem empecilhos aparentes, a porra do meu celular se colocava como mais um motivo para eu não estar em casa, pegar  ônibus e complicar a minha rotina. Comecei a chorar pensando que estava dando tudo errado, até a me questionar sobre mim mesmo. Comecei, por exemplo, a dizer que eu era uma farsa porque não estava produzindo como deveria. Logo me vieram as imagens dessa casa onde estou, que por vida está desorganizada, suja e da desfaçatez dos outros dois, que parecem não dar a mínima para um espaço limpo. O meu companheiro de quarto está estranho, frio. Eu não estou bem no meu 'relacionamento'. Tenho saudades da minha mãe, de estar com ela, e até da comida dela. Ficava concomitantemente me dizendo "Pablo, tenha calma; se você se desesperar e tiver um troço, quem vai cuidar de você? Quem? Você não se abre tão facilmente com as pessoas, e elas têm a tendência de não perguntar também. Você depende de você mesmo para prosseguir, gato.", no entanto, não adiantava: desatava a chorar; em seguida, pensava no ridículo de estar chorando por um celular, depois, constatava que não era o celular, mas um conjunto de coisas, cuja existência, muita vez, não tinha relação com as minhas ações de forma direta. Chorei muito. De verdade. Pensava sobre o meu futuro, inclusive. "Se a única coisa que ocupa a minha vida atualmente de forma importante é o mestrado e eu nem consigo cumpri-lo competentemente, então, o que será de mim?",   cismava. Foi horrível ontem. Eu queria parar de chorar, mas, ao mesmo tempo, dizia a mim que eu precisava daquele momento. Conversava com Deus, dizendo-lhe que não queria isso de barganhar graças, pois eu abomino essa concepção cristã de culpa e castigo versus obediência e premiação; contudo sou ciente de ela ser parte de mim, como uma mancha na perna, que se pode esconder, mas que sempre estará lá (e ainda que apagada, será relembrada a cada lance de olhar).

Ah! Uma coisa engraçada. Na minha angústia de ontem, sonhei com coisas super estranhas. Em algum momento me vi viajando em uma van com Marisa Monte para uma espécie de formatura na qual eu seria um dos formandos. Na viagem, a cantora se comportou de forma fria e me dava várias cortadas; acho que até me chamou de chato. Depois, surgia uma grande tabela com o meu horário da UnB deste semestre em que eu via a palavra 'trancamento'. Divertido porque eu me acordei querendo ir à desforra com Marisa, cheio de raiva dela, até o momento do "é a Marisa Monte, Pablo!" - Hehehehe!

Sabe, eu penso às vezes que me cobro demais, mas o que fazer de diferente não está claro para mim. Não quero ficar dependendo da minha mãe. De acordo com a pessoa que encontro, estou constantemente reclamando, calado ou falando platitudes para afetar uma normalidade, um alheamento em relação a coisas do mundo. 

Precisava escrever porque não aguento carregar essas coisas. Eu permaneço desconfiando de tudo e de todos; cada vez mais, para mim, a vida e as ações de muitas pessoas do meu convívio giram em torno de uma espécie de script (incluindo a minha também), mas eu não quero participar conscientemente desse teatro de vampiros. Não sei se o Criolo está totalmente errado quando diz que "quem sorri pra ti quer ver tu cair". Não quero que as pessoas sejam condescendentes ou tenham pena de mim: já existem irritantes milhares que adoram se colocar como vítimas para amealhar 'graças'. Eu não. Recuso-me. Talvez esteja pagando por essa 'temeridade'. Eu não tenho mesmo nada a perder. Sigo ouvindo I Will Survive. Sobrevivendo.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Ridiculous thoughts

Daqui a alguns dias, estarei de volta a Brasília. And so what? O texto de hoje é daqueles de madrugada: meio lúgubre, meio do jeito que eu acho que precisa ser. Eu acho que as coisas saem melhor de mim desse jeito. Um momento Special Needs, do Placebo. 

É estranho, pois eu sinto tanta saudade dessa minha vida de Aracaju e, ao mesmo, tempo não a quero mais, recuso-me a ela. Eu não sei se essas coisas eu posso controlar e, aliás, eu já escrevi sobre isso, mas ideias recorrentes são algo que não faltam na minha cabeça. Não quero falar sobre isso de querer ou não a vida que tinha antes de ir para Brasília; na verdade, eu preciso entender o que está se passando na minha cabeça, que anda tão esquisita.

Eu deixo a minha casa e, dessa vez, acho que vou esperando menos das coisas nas quais apostava no início do ano passado. Ando muito desconfiado de tudo, sem a paixão que pensei que teria no caminho que estou trilhando agora. Algumas vezes, eu acho que é por causa do tanto de tevê que andei assistindo, pelas coisas que andei vendo. 

Sei da minha vulnerabilidade diante da televisão em seus mais diversos formatos. Eu, de certa forma, sentia-me livre disso em Brasília. Por escolha própria, lá, eu não assistia a televisão. Aqui em casa, o aparelho é ligado no início do dia e desligado pela última mão a ir se deitar - ultimamente, ela tem sido a minha. Fico vendo as coisas e me perguntando sobre o porquê de eu não viver daquele jeito tão legal, glamuroso. Com certeza, esse é um dos efeitos desejados por essas emissoras, o de fazer com que quem assista queira consumir uma vida representada ali. E o pior de tudo é que eu sei disso e me vejo entregue a esses tentáculos. É uma merda! 

É por isso que fico nessa situação. Eu meio que fugi disso, do reinado do "deus-TV". Se dependesse da televisão e das coisas que vejo nela eu não sei se estaria como hoje estou; provavelmente, eu reproduziria os conceitos dela, quiçá, eu me veria de algum modo bem escravizado por ela. Por outro lado, penso que devo muito ao que vi na televisão, por diversos motivos (...). O que sei é que não acho legal - nem bonito - isso de estar sendo bombardeado pelas porcarias de boa parte das emissoras a semana inteira.

Mas eu vou embora. Mais uma vez, eu estou indo. Já não sinto tanta beleza em dizer que irei para onde o vento me levar, fazer as coisas que acontecerem, ou que não farei planos. É como se a poesia não estivesse por perto, é como se ela tivesse tirado férias de mim. Eu tenho tanto medo porque sinto necessidade de não deixar de ser o que gosto em mim em detrimento de ter algo meu, que por algum tempo (de preferência, por muito tempo) me deixe tranquilo (para fazer coisas como sair com os amigos, comprar o que achar necessário e dar a minha mãe uma vida mais leve). Eu sei que sou impaciente e vi o grau estranhíssimo de receio em que estou. 

Acontece que não estou seguro se conseguirei uma oportunidade interessante de trabalho (pleiteada por mim antes de vir a Aracaju), boa para o meu currículo. Tudo porque não olhei o prazo de entrega de documentos.A tormenta aconteceu há dois dias. Fiquei chorando na cama e tudo, perguntando a Deus o que seria do meu futuro, pois aquilo - importante para mim - parecia estar perdido, esvaído-se pelos meus dedos. Por conta desses questionamentos, fiquei tentando localizar um seguimento para o que há um ano tenho feito. Eu não sinto aquela motivação para escrever certas coisas acadêmicas, nem lê-las; duvido de tudo, ponho em xeque as diversas teorias e pessoas que parecem assumir posições de luta. Eu, às vezes, não queria ter de ficar estudando e escrevendo sobre problemas sociais quando vejo que a televisão e as mais diversas mídias influenciam tão mal as pessoas ao pautar seus conteúdos em fofocas e/ou outras platitudes tais como programas de pessoas se expondo por dinheiro e projeção a qualquer custo. Eu fico pensando sobre o mundo ser assim, fico pensando na dificuldade que tenho em achar gente que me inspire a lutar por um mundo diferente. Eu acho tudo muito engessado, hoje em dia, tudo muito colocado, parece haver espaços já postos para a manifestação: eu sinto que as pessoas não fazem questão de trabalhar a sua própria humanidade, quero dizer entendê-la, para depois propor mudanças para a sociedade. Eu sinto que muita gente é demagógica, aquilo de estar fazendo a sua parte porque de alguma forma ganhará dinheiro e posição com isso. Eu fico triste nesse cenário e não sei bem como me encaixar...

Talvez uma das minhas tristezas seja a de ter de me modificar para viver como eu aprendi a gostar. Eu queria retroceder o tempo, mas sinto que não posso e essa minha volta a Brasília estará focada na mudança, mas na MINHA mudança. E imagino o que fazer com tudo o que eu lutei, as coisas em que eu acreditei, e as coisas em que confiei? Eu me sinto enganado, às vezes. 



Eu vejo os meus pais. Eu vejo a minha irmã. Eu me vejo. Fico me sentindo diferente deles, mas tão igual a minha mãe, até no sofrimento. Eu fico eufórico comigo mesmo quando vejo as imagens panorâmicas televisivas. Penso: "eu posso ir para lá! quem me impede de estar lá?". Então, de repente, eu posso tudo, tudo mesmo no mundo. Mas, depois, vejo as limitações: tudo é Tempo. Em seguida, sinto-me deteriorando, dentro de um prazo de validade no qual eu preciso urgentemente criativizar. Eu imagino uma profusão de profissões que eu poderia exercer para ganhar dinheiro e não ter de ouvir "o professor precisa ser valorizado" o tempo todo, nem dar de cara com as notícias de concursos públicos me estuprando, vendendo para mim a ideia de que qualquer coisa vale mais do que ser professor, o meu mais aparente destino. Eu tenho pressa. Também porque os meus pais parecem, a cada retorno meu, precisar de ajuda... Mas não quero me vitimizar tanto. Outro problema é que não encontro com quem dividir. Talvez eu, desse meu jeito, espante pessoas. Ainda isso... Ninguém merece: até o Coldplay virou uma banda da Capricho!

Sinto profundamente que algo está mudando. O meu comportamento de animal estressado me demonstra isso. Daqui a dois dias estarei indo embora da minha casa. E eu não sei o que será de mim... "Oh!". Não sei mesmo. E estou pensando "quero mesmo é que se foda o mundo todo!", no entanto eu não quero me foder, mas como não se sou parte desse Vicious World. Na real, eu tenho é medo de sofrer e de morrer. Estou constatando que 2007, 2008 e o início de 2009 não voltarão mais: a gente dessas épocas está casando, tendo filhos, trabalhando e tendo seus carros. Eu me sinto por ora como envolto em caprichos (de querer ser o que eu quero - ou que acho querer). Parece que sim, chegou a hora de seguir e largar as mãos de fantasmas. É hora de permitir que todos os que estiveram na minha vida atrás sigam, para que eu assim o faça. Ques pensamentos... Ridiculous thoughts...

sábado, 31 de dezembro de 2011

Fuga no. 2(011)

Uma das músicas da minha vida começa assim: "Hoje, eu vou fugir de casa, vou levar a mala cheia de ilusão...". Desde ontem, eu venho tentando achar um modo de sintetizar 2011. Não consigo. Este foi um ano que não coube em si porque explodiu em um espaço azul.


Diversas coisas legais aconteceram durante o ano de 2011: (entre outras coisas) eu comecei a estudar disciplinas relativas às minhas preferências no mestrado; saí de um lugar ruim para um verdadeiro paraíso particular; viajei muito, inclusive para fora do país; consegui a minha bolsa e casa para dedicar-me aos estudos. Enfim, coisas que me fazem retirar do ano um saldo extremamente positivo.

Este ano foi caracterizado por participações especiais na minha vida. Recebi visitas de Aracaju, amigos que tinham algo para fazer aqui em Brasília. A breve presença deles foi um calmante para os tempos de solidão pelos quais passei. Poderia dizer que 2011 foi um ano azul escuro: lindo, firme, contudo solitário. Se em 2010, eu senti, neste ano, eu vivi a solidão, eu a vi maturando-se, de diferente formas eu estive sozinho, ainda que protegido. Ora quando não estava com ninguém, ora em momentos em que estava cercado de pessoas que de tão ligadas - mesmo sem querer - me isolavam ao lembrar-me acidentalmente da minha condição de ser solitário, eu não fui completo. Houve também quem me mostrasse por suas ações o meu equívoco em generalizar as pessoas. Elas me deram provas de que existe sim algo de bondade dentro de nós, seres humanos, ou seja nem todo mundo é um/a filho/a da puta mesquinho/a. Hoje, por causa delas, eu pondero a severidade com que julgo os outros. Isso foi e tem sido muito importante para mim, pois eu não acho legal cultivar sentimentos perversos. Eu sempre pedi a Deus que não me deixasse ser perverso, apesar dos pesares.

Posso dizer que 2011 foi um ano de realizações. Eu tive experiências que não julgava poder ter ou fazer. Passei por poucos apuros. Acho que também exercitei a previdência. Quando se está sozinho, consegue-se exercitar tanto que passa a ser preocupante... mas, no final das contas, eu permaneci respirando. 

Por falar nisso, acho que reclamei menos das coisas e me esforcei para adotar uma postura mais realista - menos mimada - a respeito do mundo. Não sei se consegui, porém isso refletiu-se nas coisas que disse e escrevi. Provavelmente, os momentos com a filosofia budista tenham trazido isso para mim. O Budismo, que pude conhecer mesmo em 2011, trouxe-me a noção de que não tenho de ter culpa por coisas que eu não causei (ou não causo). Cabe falar que este foi o ano de descobertas. Foi um ano espiritual, com certeza, meditei em templos budistas, conversei com espíritas, dancei em encontros hare krishnas. Eu comi, bebi, fumei, viajei. Eu experimentei. Aliás, essa é uma das coisas pelas quais ficarei bastante orgulhoso de 2011: eu não me furtei à novidade. Colocar-me aberto às experiências faz parte do acordo que fiz comigo mesmo quando reuni esforços para esta Caminhada. 

Do meu modo, estou vivendo. Eu digo "do meu modo" porque sou consciente dos meus limites, por isso, também em 2011, comecei a praticar a aceitação de quem sou eu, das minhas peculiaridades; posso dizer, comecei a me respeitar mais, apesar de vacilar bastantes vezes. Despertei, neste ano, para o fato de que há coisas em mim que não precisam mudar porque são a minha essência. Observando atentamente, elas são duplamente boas e ruins, constitutivas do que hoje eu sou - e que ainda não conheço. Percebi que preciso mesmo é aprender, durante toda a minha vida, a balancear energias. Talvez, seja essa a minha grande experiência humana.

Em 2011, eu senti o meu coração mais pesado. A poesia não teve tanto espaço na minha vida. A sua última expressão física foi em maio, quando, por meio de uma brincadeira, fantasmas do passado vieram me assombrar. Eu decretei, dali em diante, que só a concretude da prosa me acompanharia: ela poderia assumir contornos poéticos, mas seria calculada, precisa e contida, sem os arroubos permitidos no poético. Não escrevi mais poemas. Não os escreverei até o que eu espero chegar. Eu me deparei com o início do meu desprezo à humanidade, na verdade, a determinada parte dela. O sentimento tem sido um confronto constante. Venho tentando não odiar, não espalhar sentimentos daninhos. Penso, às vezes, se se trata de um ódio gratuito, mas, em seguida, vejo que não é tão "gratuito", posto que a cada representação midiática, a cada notícia de jornal, eu noto os posicionamentos de superioridade dessa camada social infame. Logo, eu sinto um quê de abominação e de confusão, pois tenho de conviver com exemplares mais ou menos parecidos com esses seres humanos cotidianamente. Por isso, senti-me bastante sozinho, pois não consigo ser contraditório o suficiente para louvar o que não aprovo. Foi ano de sofrimento também. 

Ah! O medo veio menos, mas esteve presente. Engraçado, eu não me lembro de situações extremas de medo em 2011. Acredito que devido à situação em que estive - no início do mestrado, viajando e fazendo o que profissionalmente me dava prazer - a esperança de um futuro tomou o lugar do medo. Eu, durante boa parte de 2011, estive vendo o quanto poderia crescer, o quanto a vida prometia para mim, quantas coisas eu poderia aprender, estar em contato etc. Como disse, estava dentro de um mundo novo, podendo agir do modo que eu acreditava. Nesses últimos meses, no entanto, é que ele voltou. O tempo de início passou e estou indo para o meio dos meus estudos: isso implica mais perto do fim. Ultimamente, venho me sentindo inseguro porque vi o que é viver sozinho, construir as coisas por mim mesmo e gostei. Tenho medo de não conseguir o que quero, de ser mais um com um título e nada mais... Brasília me trouxe tais sentimentos. Eu pude, morando um ano inteiro no Plano Piloto, ver o quanto ser parte das suas lubrificadas engrenagens. Fiz um ano aqui vendo como a cidade vive em uma bolha, muitas coisas aqui não condizem com a realidade, para o bem e para o mal, no entanto ela permanece plácida e concreta. Vivo em uma relação de amor e ódio por talvez ter encontrado nessa Brasília um espelho de um lado que ainda não superei. 

Por outro lado, a despeito desses medos, percebo o quanto consegui por estar disposto. É como se eu pudesse fazer qualquer coisa, mas se, ao mesmo tempo, houvesse um lado que me puxasse para a realidade do tempo e das limitações. O medo dos últimos meses vem no eco das diversas pessoas destacando o quanto é pouco dois anos para a pesquisa de mestrado. Tais lembretes tilintam que daqui a algum tempo estarei em um novo processo de início. Reside nisso o problema: eu não gosto da ideia implícita nos recomeços, a de sofrer para crescer. A felicidade tem estado tão próxima de mim que tenho a vontade de aprisioná-la em uma gaiola de eternidade. Mas tudo isso é só figura. Eu sei que vivo e vivo em um mundo real, no qual a felicidade é um situação de espírito. Eu conheço, temo e ainda tento fotografar o efêmero e o inconstante. Acredito que em 2012, depois de aceitar o conceito, deverei desenvolver e atentar para isto: a presença do devir.

Aconteceu, em 2011, o resultado das coisas descritas acima. Aprendi a ter orgulho de mim. Eu expressei  diversas vezes - inclusive aqui -, pois eu preciso de aceitação, mas isso deve partir primeiramente de mim mesmo. Houve momentos nos quais eu precisei fazer escolhas e eu pensei sempre, e primeiro, em mim; questionei-me se estaria sendo eu ou o que outros queriam que eu fosse. Eu iniciei a batalha para ser proprietário do meu território, para prestar menos atenção no que os outros dizem - eu enfrentei alguns/mas engraçadinhos/as, inclusive -: isso foi bom. Por muito tempo, eu não tinha noção do que eu realmente era  nesse mundo; vejo que estou na direção de iniciar a compreensão.

Acabei de olhar as últimas postagem de 31 de dezembro dos últimos dois anos. Observei que eu costumava fazer planos para o futuro. Depois, em 2010, não houve necessidade, pois estava super entusiasmado pelo fato de um ano que prometia, 2011. Enfim, para 2012, sinto que terei dois caminhos. Eu com 26, ou seja, cronologicamente, mais maduro, poderei seguir em uma direção sorumbática, afastada e descontente com o mundo, ou irei em uma rota de cada vez maior entrega ao que quero e aos meus desejos, sem temor vampírico do que virá. Sinto isso agora o meu eterno pêndulo, cujas forças oscilam em me puxar para um lado cartesiano e estrito em oposição ao lado dos prazeres da juventude e da abertura. Acredito que um dos meus maiores desafios será o de encontrar um meio termo, pois não me vejo, hoje, abrindo mão de nenhum desses lados. Ou seja, eles são partes de mim. O meu eu, o que eu sou.

Este blogue foi de grande utilidade em 2011, pois não sei se existem pessoas capazes de ouvir tudo o que eu coloco aqui. Eu também me senti bem desconfortável com algumas coisas que dizia, aconselhava, (principalmente), enfim, eu não me vi em posição de sinalizar caminhos a ninguém, visto que sou um poço de coisas mal resolvidas ainda. Já, aqui, no blogue, eu tenho como escrever, ler e me entender a fim de avançar. É um diário de bordo da viagem utilíssimo porque se transfigura em bússola também. Fico feliz por neste ano eu ter tido tempo para escrever as coisas que queria, de relatar experiências que não sei bem para onde vão me levar. Agradeço a oportunidade de ter como não enlouquecer.

E 2011 vai assim para mim. Este fim de ano passarei sozinho porque não me sinto boa companhia para ninguém que gentilmente tenha me convidado. Todos estarão "muito felizes" para mim. Eu não estou assim. Eu fico me dizendo "Pablo, não seja ingrato, veja o quanto você conseguiu em um ano", mas, depois, vejo que não estou sendo mal agradecido, de forma alguma. Acontece que sou humano, naturalmente eu quero mais. Se eu não quisesse além do que tenho, definitivamente, não estaria aqui, agora. Eu me esforço para ter uma relação (da minha parte) verdadeira e clara com Deus; desse modo, tem coisas na minha vida que estão "bem, obrigado!", mas há outras que não, e não posso fingir que elas não existem ou que tudo está perfeito, porque não está. Eu já deixei para trás aquela fase em que eu fazia de tudo para ser o bonzinho da história, o conformado com o que há de bom. Não mais. Mesmo que termine sem ninguém, não posso voltar atrás. Eu ainda me sinto sozinho, e não é estando com casais e famílias fofos que me sentirei diferente. Isso é uma questão que terei de resolver, eu. Ninguém merece fingimentos. Eu ainda acredito que a virada de ano deve ser um momento repleto de energias boas e boníssimas. A minha não está. 

Agora falta pouco para as 13h. E acordei para escrever. Resolvi dar adeus ao ano que, até agora, foi o mais importante para a minha construção e evolução. Não sei o que virá em 2012, mas, é claro, que espero coisas interessantes e iluminadoras de direção. Espero encontrar quem me entenda de algum modo e que precise ser entendido, que me atenda e precise de atenção. Eu sei que o que quero resvala no idealismo, mas depois de um ano azul escuro, eu preciso de outros matizes. Eu preciso. 

Eu acredito sim em 2012. Enquanto haverá diversos lábios desejando "Feliz Ano Novo", hoje, eu, em algum lugar, só, esperarei e pensarei no meu novo ano, a nova Estrada que se desenha a minha frente. Só sei que preciso estar alerta para seguir. Seguir...

A todos de boa vontade um 2012 cheio de Luz. Àqueles de má vontade, vão ouvir música, vão ouvir Vaca Profana... Que todos se amem e, também, me amem. Amém!

domingo, 6 de novembro de 2011

Losing my Religion (ou "Universidade")

Cheguei ontem de um congresso da minha área de investigação. Estive por seis dias em Belo Horizonte. Posso dizer, foi um dos momentos mais interessantes deste ano. Eu apresentei trabalho e tudo saiu de acordo; conversei e ri muito com pessoas legais. Adorei a cidade universitária da UFMG. Os mineiros de BH são uma atração à parte. Eles me fizeram lembrar daquele slogan do Governo Lula, de 2004 ("o melhor do Brasil é o brasileiro"): BH e os belo-horizontinos, para mim, foram exemplos vivos do substantivo e do segundo adjetivo da frase publicitária. A brevíssima temporada foi quase uma pausa na realidade, à primeira vista.


A questão é que no momento atual da minha trajetória parece não haver mais espaços para "pausas", e mais: as primeiras "vistas" ou "leituras" não se mostram mais como antes (...). No evento, eu estive ouvindo tantas análises e analistas e teorias e nomes... Um conjunto de dias indubitavelmente bem formatado e importante para a minha constituição acadêmica. 

Os meus dias na universidade iam, geralmente, até às 18h30. Depois de estar atento às investigações sobre a realidade, em um Olimpo de palestras e conferências, eu, após o fim de tarde, descia ao Purgatório. No escuro das 20h, eu via brotar das ladeiras de BH uma procissão de almas acinzentadas, de um cinza que parecia substituir-lhes as almas. Arrastando-se qual espíritos penitentes por vielas escuras e cheias de pedras, de gatas cavando nas calçadas algo que nem ele/a nem eu sabíamos o quê, revelavam-se os "terríveis habitantes da Cracolândia". Seres humanos sem rosto, sem olhos, separados em um universo paralelo criado especialmente para "eles". Eu, do "outro lado", tive medo, muito medo. Não foi só em relação a eles que houve temor. Não. Eu tive medo. Eu tive tristeza. Eu tive revolta. Em espaços de tempo encerrados em uma corrida de táxi, situados pelo mostrador digital do taxímetro, pude constatar que nem o mais insistente banho poderia tirar a a cor que aqueles homens, mulheres e crianças tinham em comum. Eu via o tom diferenciado que permaneceria ainda que o cinzento da sujeira escorresse. Eles eram eu: ali na esquina, desviados das luzes dos postes. 

Mas o que eu poderia fazer? Ali, naquele momento pavoroso, nada. Tirar, talvez, do bolso o baralho das frases-feitas, com as diversas cartas de discursos revolucionários para francês ver. Porventura, divulgar um desconsolo criança-esperança... Eu me senti revoltado por, na noite, ter feito parte do grupo de pessoas estabelecidas discutidoras de modos de subjugação e ouvintes de comentários laudatórios; por estar adquirindo um tipo de letramento - junto a uma turma de certas cabeças pensantes/meneantes - para, em seguida, dentro do meu táxi, blindar-me dos seres cinzas e estranhos que rondam as noites dos grandes centros urbanos. Ou seja, em termos, a minha atitude, ali, não diferia muito do que um empresário da construção civil poderia sentir se baixasse o vidro do seu carro para jogar uma bituca de cigarro no passeio. Eu me senti triste por pensar naquele instante que poderia ser eu, mas que - devido a algum Mistério Superior - não era. Era o alívio de dali a alguns minutos estar "protegido" daquelas visões dantescas que me trazia o pesar. E eu - uma vez "protegido" - o que fiz? Qual um menino impotente, remoí-me na cama, senti uma lágrima cristã escapar e dormi para mais um dia de comunicações, palestras e conferências.

Durante conversa com uma pessoa que admiro muito, divaguei sobre alguns aspectos que tento entender. Falei-lhe das minhas dúvidas sobre a natureza das nossas ações naquele contexto intelectual. Eu questionava sobre como evitar as teorizações apenas ou como não julgar os trabalhos de pessoas que, em meu ver, pareciam apresentadores/as de concursos de beleza, por exemplo. Ela me explicava as coisas de forma clara e contida, a despeito da minha confusão refletida na linguagem por meio de quebras e clivagens frásticas. Assim como a minha mente, diante dela, a comunicação (da minha parte) era uma verdadeira fuga de espirais assustadoras. "Eu precisava era de ser mais prudente e menos exigente" - foi o que ficou de síntese. Eu preciso esquecer das platonices. Eu, contudo, perguntava a mim mesmo, internamente, "como?"

Não entendo, até hoje, como somos expostos todos a tantas coisas que parecem ser factíveis, ficamos cientes dos problemas havidos e as coisas ainda atingirem pontos críticos. Afinal, para que saber de História? Para construir e admirar heróis? O que é a escola? No que estamos nos tornando sob a roupagem de pessoas mais esclarecidas do que "antes"? E esse "antes" é tão antes assim? Observemos o mundo. Eu, muitas vezes, tenho me visto criticando tudo e todos, na exigência de uma coerência na qual acredito; não se trata de me ver mais forte ou melhor do que os outros. Eu compreendo essa implicância como um grito de socorro ou de alerta - talvez porque eu ainda acredite na Humanidade; talvez porque eu perceba as possibilidades do devir. Penso ser possível fazer mudanças mais rápidas. Leiamos, então, um pouco mais a história da civilização ocidental com atenção; pensemos em um modo de compartilhar de forma efetiva o que os títulos legitimadores nos conferem para que deixem de ser puramente ícônicos; reflitamos sobre a nossa posição ocupada no organismo social. Eu não sei profundamente de nenhuma teoria sociológica, nem tampouco dos nomes e cronologias dos filósofos sociais: o que penso, escrevo e falo são miscelâneas das coisas que ouvi durante a minha ainda jovem vida e que me pareceram ser viáveis para a ação no controle da mesquinhez humana. Todas as falas que me atingem de verdade passam pela compreensão do indivíduo na direção do social. Às vezes, penso sem maiores critérios em ideais ou levo em consideração os fatos concretos inexoravelmente visíveis, mas vejo que, neste momento, eu tenho forçosamente de estabelecer um ponto nodal. É hora de evitar a transformação das coisas na minha cabeça em uma mixórdia estéril.

Eu me vejo em um momento esquisito e lindo. Eu me sinto mudando assim como o mundo o está. Tenho medo de bastantes coisas: de teorias, de sorrisos amarelos, de pessoas muito perfumadas, dos meus próprios preconceitos. Eu sofro sem propriamente sofrer na pele. Eu vejo os olhos, analiso os comentários... É chato fazer isso todo o tempo. Eu não quero ter de ficar cobrando a coerência alheia e ser uma espécie de bastião tosco da Verdade. A cada dia quero estar mais longe da Verdade, mas não estou fechado às verdades, pois sou parte desse contexto de disputas. Vejo as tais verdades como visões de mundo naturais (de pessoas, que assim como eu, estão, ao seu modo, inconformadas com o que presenciam nos intervalos do despertar e do adormecer), mas que podem tornar-se perigosas na medida em que seus difusores não atentarem para a sua posição no mundo, bem como à força que o termo "verdade" adquiriu na nossa sociedade. No meu ponto de vista, a questão chave está em perceber as verdades como idiossincrasias - ou seja, posições altamente subjetivas e influenciáveis - e que, desse modo, não devem ser impostas. Mas talvez esteja sendo ingênuo, pois me parece que as verdades são verdades por se suporem únicas e fatais. Assim, percebo que, isoladas, as verdades têm poder: escravizam, sugam e matam.

Somadas, as verdades se confrontam e dão origem a galáxias e a universos. É a proposta de um exercício de fato do meu conceito de universidade.

Como cantou Mercedes:  Le estoy hablando, hablando a tu corazón... [ao menos, tentando.]

P.S.: Quero, com este texto, também agradecer às pessoas que estiveram comigo e que me ouviram em um dos momentos mais inesquecíveis deste ano. Obrigado, Andreia,Viviane, Risalva, Vângela, Ailana, Gissele, Anna Clara, Ramalho, Pilar, Lílian e Virgínia Colares.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Upside Down


Eu sempre pensei sobre a solidão. Na verdade, eu sempre me achei um cara solitário, não "só", solitário. Eu nem sei se existe diferença real e significativa entre os dois adjetivos: digo, apesar de estar constantemente rodeado de pessoas, eu, na maior parte das vezes, não estive ali com elas. Não era eu no meio do povo. A solidão era, de certa forma, uma construção romântica, algo meio "mal necessário" para a continuidade da minha diferenciação daqueles que considerava "medíocres". Era nos momentos de solidão que conseguia escrever melhor, compor poemas interessantes e conversar mais comigo.

Por conversar tanto comigo, embarquei em uma empreitada ousada para os meus parâmetros de menino overprotected e exemplar (...). Estou bem no meio dela. Amanhã começará, para mim, a reta principal do mestrado e - certamente por causa das pressões que já arrumei para mim mesmo nesse segundo semestre - já me vejo descolorido. Faz três dias que cheguei a Brasília e esse pouco tempo tem sido complicado (...). É  bastante provável que isso tenha muito a ver com a minha recentíssima temporada em Aracaju, sei lá... 

Uma amiga ligou para mim quando eu já estava aqui; conversamos sobre algumas coisas relacionadas a vida: carreira, família, amor etc. Durante o papo, observei o quanto a situação era curiosa. Eu dizia a ela que não estava muito bem, que sentia falta de estar com todas as pessoas que me deram tanto calor, tanta atenção, contava que era muito ruim chegar em casa e ver paredes e, em consequência, dar bom-dia a elas. Minha amiga me falava sobre o quanto andava acossada pelo trabalho, pelas obrigações que já assumia e por conta de um antigo namorado. Devido ao rumo não muito alegre pelo qual a conversa estava indo, resolvi "fazer justiça" e reconhecer que nem tudo estava mal. Notei, então, a peculiaridade daquele momento - algo tão humana, aliás. Enquanto eu - na minha ladainha da gratidão - remoía estar bastante feliz por ter passado no mestrado e por estar morando em uma casa limpa e organizada, ela me dizia o quanto estava ansiosa por comprar o seu primeiro carro. Eu lhe dizia que queria estar na posição dela, ou seja, trabalhando, pagando (com dinheiro próprio) as minhas contas, tendo o meu carro; ela, em contrapartida, respondia a mim que adoraria estar no mestrado. "Que louco", eu pensava! Hehehe!

Outrora, eu imaginei que estando só, as coisas seriam mais fáceis no sentido de conseguir "tudo" o que quero, mas observo, agora, que não é bem assim que a banda toca. Na boa, ando cansado de ficar falando "ai, como eu sou lindo e feliz por ter passado na UnB!". Em algum tempo vai soar forçado (como já sinto que está, pelo menos para mim). É aquela coisa de autocomiseração disfarçada de autoafirmação, que, no final das contas, tem muito a ver com a insegurança de seguir. O passado - feliz ou infelizmente - deve ser lembrado, não insistentemente vivido, como em um desejo infantil de botar para funcionar algo que já não responde. A vida é agora. Neste momento, gostaria de estar diferente do modo que estou, mas até que ponto esse sentimento é real? Talvez se eu estivesse no lugar da minha amiga (com trabalho, carro e um amor) eu iria desejar estar na posição em que estou agora (longe de casa, vendo outro mundo, num mestrado fora e desimpedido), ou talvez estivesse mesmo feliz pelas coisas conquistadas.Vai saber! Pablito aqui não sabe, isso é foda, mas o que posso fazer? Eu respondo: aprender. Aquele papo de a grama do vizinho ser mais verde parece se aplicar bem a isso, mas não posso viver de olhar o jardim dos outros o tempo todo.

O fato é que estar sozinho dói, mas sinto ser também importante. Tem sido para mim assim. Acontece que algumas vezes desmorono, parece que vou me descontrolar; em outras, quero tudo para já: coisas típicas de quem sempre teve o que quis de modo relativamente fácil. Vejo, assim, que o mundo (cheio de pessoas diferentes nas suas solidões) não funciona sob regências individuais; em alguns momentos é forçoso esperar, pois certos assuntos estão além do controle, do meu, por exemplo. Creio que estar só tem me mostrado o alcance do meu poder diante das coisas do mundo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Tanto Mar


Acabo de acordar. Faz três dias que voltei ao Brasil depois de uma curtíssima temporada (de dez, ou melhor, nove dias) em Lisboa. Para falar a verdade, não foram "férias na Europa", tendo em vista a participação em um congresso que tomou boa parte da minha atenção e ânimo durante cinco dias. Assim, nos quatro restantes, não consegui ver tudo o que tinha de ver.

Acredito, no entanto, que valeu muito a pena. Lisboa me surpreendeu positivamente. Ah! Como eu precisava de ser surpreendido de uma forma boa. Eu fico feliz pela oportunidade de ter saído um pouco do lugar onde estou. Eu sei, isso é o que se chama ser inconstante. O fato é que era necessário um novo mergulho para voltar à superfície renovado. E é sobre isso que este texto e esse meu retorno têm a falar.

O congresso em si não teve para mim tanto destaque (achei a bolsa horrenda! hahaha!), pois o que queria mesmo era apresentar os meus trabalhos e conhecer a cidade (#prontofalei). O primeiro trabalho, cuja importância era menor do que o outro, foi muito bom, quer dizer, "funcionou". O segundo foi terrível: na plateia (mirrada) havia um daqueles que adoram contestar detalhes e a partir deles criar uma arena de combate. A sorte estava no fato da presença da minha orientadora ali, que se saiu muito bem na argumentação, deixando-me tão orgulhoso de ser seu discípulo. Tenho mais é que corresponder a tanta competência, sendo-o também. 

Sobre a Terrinha. Lisboa, para mim, nos primeiros três dias, mostrou-se um lugar bonito, mas acabou me dando um gosto de repetição pela grande quantidade de coisas históricas, tais como castelos, museus (na maior parte, pagos) e estátuas de nomes consagrados por uma tradição europeia secular. Conheci uns tantos castelos, mas não me empolguei a ver mais deles. O clima estava de verão no nordeste. Terrível para mim: andava um pouco e já estava suando em bicas. Por outro lado, a gente lisboeta é muito atenciosa e algo pitoresca, especialmente, os taxistas. As ruas são movimentadíssimas: carros e pessoas trafegam constantemente em um trânsito um pouco confuso para mim - acostumado a Aracaju e a Brasília. À noite, a cidade não para, é claro. Numa verdadeira babel, turistas circulavam e tiravam tantas fotos, riam e fumavam. A cada esquina, era possível ver aquelas marcas do shopping que a gente olha de canto de olho devido aos preços. O que gostei mesmo de lá foram os metrôs - chamados por eles de "metro" - por causa da facilidade de locomoção entre as estações - muito bonitas, por sinal, nas cores (linhas) azul, verde, amarela e vermelha. Ficaria facinho um mês ali - hehehe!

Agora voltando ao Brasil. 

Desde antes da viagem, andava observando que as coisas estão caminhando para mais uma fase. Acredito que agora é a minha "terceira temporada" aqui em Brasília, o que é algo bom, mas, em simultâneo, bastante pesado. Sinto que este é o momento para consolidar planos, provavelmente, o tempo com o qual sonhei e que me fez sair da minha casa. 

Não quero com isso me entupir de expectativas. Algumas coisas têm acontecido e me apontado possibilidades. Sim, elas, as possibilidades, de que reclamo tanto, mas que, ironicamente, são as coisas que tenho de concreto. Quero dizer que talvez esteja chegando o tempo de deixar de ser virtualmente vivo, de viver em meio aos sonhos, começar, de fato, uma vida minha - coisa que já dei início ao pisar em Brasília.

Feeling Good
Hoje estou na casa de umas pessoas que me ofereceram ajuda, mesmo sem sermos "os velhos melhores amigos de infância". É impossível para mim não atribuir isso a Algo Maior, pois quando se está só, de alguma forma sob a sua própria responsabilidade, coisas e situações, anteriormente corriqueiras, passam a assumir novos contornos. Observo diversos novos contornos e, muitas vezes, vejo-me chorando por tudo o que está acontecendo comigo: um menino, agora homem, que luta para se segurar em meio a terremotos internos, alguém que tenta preservar e recolher as partes que o formam a fim de compreendê-las de fato. 

Estou em um momento novo. É mais uma parte do meu ciclo de evolução. O que sei é da minha necessidade de aprender cada vez mais. Caio tantas vezes, mas, com um apoio especial, eu me refaço. É incrível viver!  

It's a new day, it's a new dawn...

domingo, 19 de junho de 2011

Copo Vazio

"Agora é hora de alegria! Vamos sorrir e cantar! Do mundo não se leva nada... Vamos sorrir e cantar!"

Hoje é domingo. Ah! Quantos domingos eu ouvi essa cantiga. Eu, Kelly e mainha estávamos sempre, na hora do almoço, assistindo ao "auditório mais feminino do Brasil" vibrando e anunciando a entrada do Silvio Santos. Então, a tradição era ver o "Domingo Legal" e encerrar o dia com as pegadinhas do "Topa Tudo por Dinheiro" - comendo pão-jacó com queijo esquentado e suco de laranja. Bons e velhos tempos, como dizem os saudosistas.

Comecei com essa espécie de flashback para tratar de como, mais uma vez (felizmente mesmo!), sinto-me bem nesse fim de domingo. Hoje tive um dia incrível, com pessoas idem, verdadeiros instrumentos de Luz, que me iluminaram, que me iluminam. Comecei o dia comendo "de verdade", nada de pão integral com queijo coalho - como têm sido os meus cafés-da-manhã cotidianos - ou cereal matinal de flocos de milho com leite; o melhor de tudo, eu não estava sozinho, ou engolindo alimento a fim de poder suportar o dia. Saí com a "minha família" daqui de Brasília. Fomos "tomar café na padaria" (ah! que pena eu não ter lembrado de tirar uma foto) - algo comum para os brasilienses - e, depois, passeamos, conversamos, rimos, vimos pessoas com as suas famílias. Confesso ter ficado meio blue em ver aqueles pequenos com seus pais: pensava numas coisas "aleatórias", contudo logo passou e tive um dia incrível e sadio.

No sábado, tinha ido ao Templo da Terra Pura. Ele é o lugar que está me conquistando por, como mesmo diz o Monge Sato, acolher-me do como sou, do jeito que estou. O dia de ontem não foi de todo uma felicidade. Fiquei meio deprimido porque me senti mal, comi mal, tudo isso numa vibe meio pesada, que, de novo, fez com que eu me questionasse sobre quem eu sou, o que quero, o que de fato estou fazendo aqui.

Já hoje estive em outro clima. Um real e de Luz. Eu estou ralando, mas ganhando consciência do que estou vivendo atualmente numa cidade longe da minha, apartado - por decisão própria - da minha família, daqueles quem conheço, os quais julgam me conhecer. Estar com esses meus amigos (com Jacque, em especial) me faz ver que há uma possibilidade de EU mesmo mudar a minha história, alterar uma realidade que me incomoda e ainda mais: cambiar depende tanto e principalmente de mim. A cada conversação com ela, sinto que palavras mais que comuns são ditas a mim no intuito de me fazer seguir, não parar, de forma alguma. Hoje foi mais um dia para me firmar, para que eu parta para um segundo momento desse meu Caminho que escolhi, mais confiante, mais forte, mais atento. Como diz uma música da Jennifer Hudson - cuja importância para a minha decisão (até aqui) mais ousada é imensa -, "I'm gonna live my life for me (...)/ No more standing in the back of the light".

O domingo de hoje foi um especial. Eu estou feliz por ter noção disso, por sentir cada vez mais uma Força, por mais uma vez constatar de que de nenhum modo estou sozinho. Estou me acostumando, dia após dia, a saber o quanto preciso andar, ao fato de ser diferentemente especial e de ter a possibilidade de viver tudo o que estou vivendo. Acredito tanto na vida. Agradeço por estar vivo, com saúde, andando, enxergando, ouvindo, rindo, chorando, sentindo, observando, até mesmo por estar sofrendo, crescendo. Eu estou me  pondo a serviço do que tiver de ser. Tal qual a caixa de Tic Tac da foto, tenho gostos diferentes. Não estou vazio, tampouco cheio. Ainda não estou completo, porém sigo aberto à novidade, à liberdade. Sinto que me aproximo do que é meu e que, embora sofra, caia e me veja fragilizado e/ou anulado, tudo, tudo mesmo vai ter valido a pena no chegar ao meu Destino: a evolução de ser. 

Preciso de estar atento e buscar sempre, acima de tudo, o equilíbrio: ver além de um Copo Vazio.

"I'm doing this for me" - JH

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Bad day (i.e., um dia de merda)

Mais um da série "que merda de dia". Hoje, para começar, não fiz porra nenhuma.

A postagem de hoje vai ser tão entediante quanto foi o meu dia. Hoje, recebi um exercício para fazer, olhei para ele e uma mistura de desconhecimento e desânimo me invadiu. E que merda! É só essa matéria maldita do mestrado (das três que peguei) que está me comendo o juízo. A professora chega, dá uma aula que eu não entendo, vai embora e manda a sala ler e fazer uns exercícios especializados (ou seja, que precisam ser discutidos, explicados etc.). Não está interessante e eu me sinto obrigado a entregar atividades, como se fosse no ensino médio, em que você faz disciplinas que não lhe dizem nada, mas tem de fazer para não reprovar: coisa de nota. Um saco! Eu estou puto com essa situação, e mais puto ainda porque não vislumbro possibilidade de reverter isso. O pior é, acho que a disciplina poderia ser apresentada de uma forma interessante (porque é algo, de fato, interessante), mas não está: eu não entendo, não estou gostando, mas sou obrigado a fazer. Tem gente que está sentindo o mesmo e não reclama, que me diz, inclusive, para "tomar cuidado". Eu tenho medo de estar ficando assim também.

Fiquei o dia todo na inércia. A coisa mais produtiva que fiz foi ter ido ao banco transferir dinheiro para uma conta e pegar papéis de cheque. Hoje deveria ser um dia producente, mas acordei tarde porque fui dormir daquele jeito depois de descobrir que tão cedo não terei bolsa de auxílio, that is, vou ter de buscar emprego. Fiquei pensando, "não, talvez seja uma oportunidade de eu deixar esse meu lado de 'menino acomodado' de lado, de correr atrás das minhas próprias coisas", mas o fato é que a porcaria da CAPES e o meu programa de mestrado têm uma política de distribuição de bolsas esquisitíssimo, e que, no frigir dos ovos, vou me lascar com isso. Eu, que poderia estar me dedicando exclusivamente para os estudos, terei que correr feito louco para me empregar porque estou sem bolsa numa cidade de custo de vida alto. Para rematar, descobri que, para um auxílio de moradia no campus (a saber, o passaporte para o fim do assalto a mão armada que é o aluguel em Brasília), sou o 27º de uma lista de 44 pessoas. Terrível isso... Ou seja, a minha quarta foi um cu, e sujo.

A questão é que não dá mais para eu ficar sendo sustentado pela minha mãe e pelo meu pai. Isso acaba comigo. Acho que, talvez, o dia de hoje seja uma amostra do que vem por aí, por isso que ontem estava - depois de saber do lance da bolsa e da moradia -, meio anestesiado, olhando para o lugar odioso (está bem, de um víés cristão, estou exagerando um pouco no adjetivo...) onde estou, pensando se vou ficar mais um ano nele. Não! Eu vou ter que sair dessa. Ai, que meeeeeeeeeeeeeeeerda!

Enfim, amanhã eu nem sei o que vou fazer. Tomara que esse sentimento passe porque está me atrapalhando. O tal do exercício é para ser entregue na próxima quarta e vale nota (gente, que ridículo, eu, na pós-graduação, dizendo isso!!!). Não sei por onde começar. Na verdade, não estou nem um pouco motivado; só que eu sou tão sortudo que quando uma coisa não funciona, atrapalha o conjunto em que estão inseridas outras; resultado: acabo não fazendo nada, engessado em could have been's. E eu, definitivamente, não posso ficar sem fazer nada. Às vezes, dá vontade de mandar tudo se foder, sair por aí e fazer coisas bem, bem loucas, mas quem domina é o sempre bom, bobo e velho Pablo. Ai, ai... 

Nossa! Até escrever está um saco. Que merda de dia!

Estou rezando para que esses benditos dois anos passem logo.

Em homenagem a hoje (pelo menos, para acabar o dia com uma música que me traz boas sensações, apesar de descrever esta quinta-feira perfeitamente):


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Simples desejo

Ai! Antes que escape, vim aqui escrever.

Já estou chegando ao fim da primeira semana de maio e, a despeito de uns dias não tão bons, esses últimos dois têm sido tranquilos.

Acho interessante registrá-los, pois acho-os tão raros. Na maioria das vezes, estou bem melancólico, sonhando, desapontando-me, sofrendo. Apesar dos agravantes da distância e da solidão, tento enxergar outros lados, mas não sou bem-sucedido: fracasso e me acho um fracasso. Enfrentei umas situações peculiares e familiares recentemente. Acho que voltei desses dias cinzentos e sem vento mais pensativo sobre mim, sobre os outros. Eu estava me sentindo muito mal. Gente, eu não sabia que ia ser desse jeito a caminhada, a Estrada! Talvez as coisas estejam acontecendo e eu as absorvo superlativas, mas o que importa, de fato, é que hoje estou bem.

Recebi dia desses a ligação de uma amiga, que me encheu de luz. A minha Beta. Ela tem sido tão presente, assim como a minha mãe. Elas duas têm sido o meu porto seguro. Penso bastante nelas. Queria tanto retribuir da melhor forma os presentes que me dão. Também tenho uns amigos que dividem as agruras de ser jovem e meio desorientado na vida, buscando rumos, indo e correndo atrás de um lugar seguro. A esses também agradeço a presença e a força.

Hoje, na universidade, consegui fazer as coisas a que me propus ontem: entregar uma documentação importante, fazer parte de uma leitura idem, além de organizar um trabalho. Parece besteira à primeira vista, mas, para mim, são conquistas. Eu acho que não sei administrar muito bem o meu tempo. Não aprendi ainda ou talvez haja muitas coisas mesmo para fazer. Também almocei tão bem. Nossa, um prato delicioso, que encheu a minha barriga. Comi tudo de que gosto. Foi tão bom! Um momento de felicidade. Eu fico tão contente quando não estou me alimentando de porcarias, quando como salada, arroz, feijão. Nossa! Eu quero aproveitar todos esses pequenos momentos, agradecer por eles, senti-los de verdade. As coisas mínimas têm sido tão importantes para mim. Ô, meu Deus! Eu acho que nunca fiquei tão feliz só por ter almoçado. Isso era algo tão prosaico no início do ano passado (hehehe!). Daqui a pouco, irei dormir. Amanhã tenho planos de estudar, assistir a um filme e outras coisas, penso num dia producente. Tomara que dê certo.

Andei conversando com a minha mãe sobre procurar emprego. As coisas não estão fáceis sem bolsa. Os dias vêm se tornando semanas e elas em meses. Já estamos em maio. Como já mencionei, acabo de vir de uma pequena temporada de céu cinzento, nesse regresso, depois de alguns dias doloridos, notei que o tempo passa mas passa tão depressa que, às vezes, avançamos em anos, mas não conseguimos ver nisso um oportunidade para a evolução; resultado: estacionamos em um tempo de infância, no entanto em uma intransigente, egoísta e boba. Machucamo-nos e machucamos as pessoas por defeitos tão nossos. Eu já estou com 25 e não posso esquecer-me disso. Tenho certeza - como constantemente ressalto - de que estou aprendendo nessa jornada da minha vida. Nada é por acaso, e sei que preciso enfrentar muita coisa ainda. Pretendo fazer isso, mas preservando tudo de nobre que há em mim, sem me envergonhar por aquele que sou: sempre contando com a força d'Aquele que me guia.

Enfim, estou me recuperando literalmente: de uma gripe, de uma pancada (que só senti dias depois, vendo o arroxeado que ficou). Sofri, doeu, mas, como diria Chico, "vai passar". Vai.

Hoje, (lembrando a música de Luciana Mello) o dia acabou bem. Graças a Deus!

domingo, 27 de março de 2011

Um amor puro (e a força que tem)

Mais um domingo. E eu estou aqui sem muita coragem de fazer muita coisa. Talvez melhore amanhã, que é dia de trabalho intelectual, de fato. O domingo de hoje foi, abençoadamente, comum. Lavei roupas e conversei com a minha mãe. Hoje eu a ensinei a operar o controle remoto da TV a cabo, tudo pelo Skype. Minha mãe usando Skype. É uma gracinha a minha mãe. 

Sabe, eu fico pensando - ainda que morrendo de medo de cair no clichê -, a minha mãe é a coisa mais rica que tenho. Acho que é porque nós somos bem parecidos: geralmente estamos sozinhos e precisando conversar sobre qualquer coisa com alguém, mas sem jamais admitir o fato. Enquanto eu tento entender algumas coisas que se passam, observo outras como ditados "uma mação não cai muito longe do pé". Eu e minha mãe somos two of a kind - hehehe! -. Sei lá, só sei que, num dos momentos mais importantes da minha vida, é a minha mãe quem me dá mais força, que está comigo. Eu já testei: não há "amigos", tampouco outros parentes que façam o que ela faz por mim. A maneira como acredita em mim, como disfarça a voz embargada, ou vira o rosto para que não a veja chorar, traz-me muita emoção.

É por esse motivo que quando tenho rompantes de sair pelo mundo, louco, penso nela. A minha mãe se mostrou a coisa mais importante na minha vida. Talvez um dos motivos pelos quais ainda vale lutar. Isso me emociona, mas me dá medo também. Esses lances de a família estragar as coisas e as pessoas - como muitos professam por aí - não funciona comigo. Ela tem sido a minha família, e essa família tem sido tudo para mim.

É incrível quando você pensa que não tem nada a perder; momentos em que se imagina sozinho no mundo, daí então um ser sem-igual desponta e preenche o vazio. E "puf"! A pessoa não está por sua própria conta: tem alguém por quem se sentir responsável. É coisa de Deus. Eu tenho tanto medo disso, mas só posso seguir vivendo, respondendo da melhor forma àquela que me dá tudo e que é capaz de tanto por mim. Eu reconheço e queria fazer mais do que julgo possível para dar-lhe tudo o que a faria completa e satisfeita. Mas, infelizmente, eu ainda não tenho poder para tal coisa.

Esta postagem brotou. Não era direcionada a minha mãe. Estou em frente ao computador, pensando em como seria legal se as horas congelassem um pouco. Queria ficar nesse momento parturiente de palavras e emoções. Mas as horas avançam. Elas simplesmente não param, a vida segue e tenho que ir junto com ela, observando o tempo indelével arrancar a cor de cabelos, pressionar faces contra o chão, demarcado nas constatações de vida, das crianças nascendo e crescendo. É melancólico, sou eu. Mas este é um texto de amor. Do amor mais puro. E o tempo, como todo rei, coloca-se acima da justiça dos súditos.

domingo, 6 de março de 2011

Changes

Sexto dia de março. Está cada vez mais próxima a data do retorno. Hoje, ao contrário da última postagem, não é um sentimento triste que me traz aqui. A constante busca por ver outros ângulos das coisas, de não se apegar a sentimentos mesquinhos e, quando estiver diante deles, ter força para encará-los é uma das razões deste texto. De fato, o passado permanece, mas é o presente que se mostra.

Longe de querer ser "evangelizador" ou transmissor de preceitos religiosos (não é comigo isso), constantemente tenho indicações de que sou querido por Deus. No texto anterior, reclamei do fato de alguns amigos não me darem o retorno de afeto que esperava; aquilo havia me deixado muito triste. Agora eu explico o porquê. Eu, apesar de tentar entender que cada um tem a sua vida, as suas obrigações etc., não consigo conceber como as pessoas constroem laços e os deixam afrouxar. Tenho o conceito de amizade baseado no fato de compartilhar, de estar junto, de fazer o que for necessário por aquele de quem se gosta. Um abraço, uma conversa, um encontro - ainda que rápido -, é algo que estreita, sim, ligações. Coisas como o MSN não funcionam muito bem comigo, nesse sentido. Ele é um veículo importante de comunicação, mas não acho que deve se sobrepor à presença, ao real, ao enfrentar dos olhos. À distância, não sei, as coisas parecem muito fáceis, pode-se assumir personagens, fugir, enquanto que quando estamos frente a frente o momento de dividir existe, pois se olha no olho e se aprende a lidar com o constrangimento de se mostrar, de colocar toda a humanidade para o outro. É algo que essas tecnologias de comunicação ainda não alcançaram.

foto meio antiga, mas tá valendo...
Ontem, encontrei amigos que me deram a melhor noite das minhas férias. Primeiro tive contato com sobreviventes da arte: um sarau que em plena época carnavalesca proporcionou uma alternativa suave e doce. Depois, saí com os meus amigos, andamos, rimos, conversamos, fizemos nada mais do que estarmos juntos. O que me faz registrar isso - coisa costumeira entre a gente desde tempos - é o fato de num dia eu reclamar da falta de contato de alguns dos meus amigos e os de ontem, sem que  tivessem lido o que escrevi, terem vindo para me ver, para estar comigo, sem que eu houvesse pedido, algo como o que acredito que a amizade deve ser: espontâneo. Por essa razão fiz menção a Deus, por acreditar que coisas assim só podem vir de algo superior, inexplicável, que me dá força para não me abater e me mostra que nada na vida é de todo estável. 

Assim, faço uma ligação com a figura da postagem anterior para dizer que não estou mais triste, que vou libertar as estrelas, libertar os meus astros, meu amigos. Eu ainda os amo, mesmo tendo ficado desapontado com eles, mas só posso estar com quem quer estar comigo (e falo isso sem a pretensão de fazer drama). É a vida. Tem muita coisa pela frente e eu tenho um projeto. Não posso me encher de coisas pesadas, dificílimas de carregar, pois há todo um Caminho para seguir. 

Agradeço à graúna e ao mon doux enragé por ontem terem dado a mim "um dia para recordar". Foi um presente e tanto. Eu amo muito vocês e sou feliz por poder ter a possibilidade de voltar e dizer que as coisas mudam. Graças a Deus!