quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Eu tenho um sonho

E eu segui o Vento. Meu Deus! Eu o fiz. Saí de perto de uma história, fui atrás de uma nova na qual eu poderia ser protagonista. Suspeitava que viria, mas foi estranho sentir o que vivi, tanta chuva, e frio, contato sutil com a escuridão. Mas fui adiante...

"Siga o seu sonho"." Escute o seu coração". Puros clichês? Duvido. Expressões como essas não vieram da brisa: alguém precisou tê-las dito, certa vez. Elas são impressionantemente concretas; saíram da vida, de uma vida, portanto, revelam-se, são verdadeiras. Sim. São realidade. O sonho está extremamente próximo da realidade. A frase é como luz para mim.

Experimentei uma espécie de (breve) período sabático em que saí do que era familiar a mim. Antes de estar onde estou, tinha dúvidas acerca de quem realmente eu era; agora estou certo de que não sei de fato quem eu sou. Vivo algo atípico: a distinção de estar disposto e preparado para me reconhecer, encarar-me da forma mais honesta possível. É chegada a oportunidade das palavras serem colocadas à prova. Saberei se é possível ser aquilo que penso e falo, porque ainda creio no amor e acredito absolutamente na poesia. É a vida para mim o mais sofisticado dos poemas, no qual passa-se tempos a fio na tentativa da descoberta do seu sentido; e os intelectuais representam e concretizam sua incipiência em infindas teorias (que também nada mais são do que sofisticadas tentativas de interpretação do excitante poema chamado vida). Era assim nas cavernas, era assim nas pirâmides, era assim nas colunas jônicas, era assim no vapor e nas revoluções, tem sido assim nas entrelinhas inexatas da fria tecnologia.

Eu volto agora à realidade. Faço deste o meu aviso para os que deixei para trás. Agradeço aos que me confortaram, abraçaram-me, choraram comigo, àqueles que ofereceram tratados de amizades através dum simples olhar, das diversas músicas que foram as suas presenças na minha existência. Eu me lembro. A esses, meus amores, eu ofereço a alegria e a satisfação de confirmar que ainda é possível sonhar: eu estou aqui, eu consegui, meus caríssimos: 

SOU MESTRANDO! 

A simplicidade nascendo nos riscos da confusão. Monet não faz sentido se visto de perto. Tudo começou de um sonho. Não, jamais se esqueçam: sonhos ainda são necessários. Ontem - mesmo dia do resultado da seleção de mestrado -, fez vinte anos de partida da voz que convocou-nos todos a imaginar. Na minha cabeça habita o depoimento daquele desconhecedor do medo de afirmar o sonho em tempos de dureza. Ouço a música e escuto a frase: meus combustíveis para caminhar. Eu não quis ficar, eu sofri, contudo senti estar no Caminho.  Eu ainda sofro, mas eu ainda tenho um sonho.

Parem. Peguem neste momento o broche, o objeto raro - para alguns irrelevante, para outros fora da moda -, segurem-no forte e leiam, talhada no seu verso, a inscrição "amizade". Eu lhes dei a cada  um o presente, pois recebi o mesmo de vocês. Que maravilha expressar: a gente é capaz de dar tanto amor quando existe o amor.

Eu amo tanto vocês. 

Obrigado pelas mãos.

Estou de volta, no Caminho. Na Estrada...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pé na soleira...

Tantas palavras. Muitas palavras. Foi pelas palavras que expressei os meus sentimentos: amor, raiva, admiração e medo. Ah! Quantas vezes eu disse que tinha medo e, aliás, ainda tenho, mas prefiro não pensar muito nele. Hoje as coisas são de fato diferentes desde aquele 19 de agosto de 2007, quando dei início a este blog, quando me dispus a seguir a minha Estrada. Daquele tempo até aqui, dividi com o mundo, em pouco mais de oitenta vezes, o que se passava na minha cabeça. Eu queria encontrar um rumo, alguém que me ajudasse, uma possibilidade de algo que sonhava e não tinha.

Estou no meu quarto. Às vezes olho para os lados, para cantos que talvez nunca tenha prestado atenção. Talvez eu esteja flertando com o drama, não sei. O fato é que amanhã, a esta hora, se Deus quiser, estarei longe da minha casa, longe dos meus amigos e indo em direção a uma nova etapa. Eis que chegou o tempo de encarar a Estrada. Durante esses quatro anos de blog muito aconteceu. Eu cresci muito e estou diferente.

Não tenho noção do que vou encontrar lá;  do tipo de pessoas com quem terei de lidar. Mas não posso me dar ao luxo de ter medo. Este sentimento é capaz de matar e eu não quero morrer dessa forma. Eu sei que posso. Eu vou. Estou indo.

Hoje não vou escrever tanto. Aqui não é uma despedida, eu não consigo nem chorar. Obrigado a cada um que me homenageou com a amizade e me deu forças para prosseguir quando o terreno era tortuoso. Pessoal, estou indo... Desta vez, de fato, estou Na Estrada.

sábado, 4 de setembro de 2010

Mundo al revés...

Bastantes eu's...
Sábado. 3 de setembro. Depois de uma semana cheia de emoções fortes, estou aqui, escrevendo, esperando e, de certa forma, controlando a minha cabeça para não entrar em parafuso. Não falo de algo negativo, mas interessante.

Eu não consegui passar na primeira chance da prova do DETRAN. Tive nas mãos um verdadeiro coquetel molotov: fiquei muito nervoso na hora, estava sozinho num carro que desconhecia e peguei a temida baliza; resultado: não passei dela (estourei o tempo - ridículo - de 5 minutos para colocar dois lados). No dia, fiquei mal, mas fui tentando mostrar a mim mesmo que não era o fim do mundo. Na realidade, a minha maior preocupação era a reação dos meus pais - ou melhor, a do meu pai -, mas, no final das contas, tudo deu certo e ele, depois de repetir um monte as coisas que queria dizer,  confortou o seu filho desapontado. Foi um momento emocionante para mim. Percebi o quanto é valioso ter uma família, pessoas com quem dividir, compartilhar os seus problemas e desafogar o peito da profusão de acontecimentos da nossa vida. Acho que sobrevivi a essa queda. Terei que terminar o processo (isto é, as demais chances) em Brasília.

Pois é, este é outro tema recorrente: Brasília. Nem parece que daqui a menos de dez dias a "página" Aracaju será virada na minha vida. Até neste momento sinto uma espécie de frio na barriga e, para ter noção, ainda reluto para arrumar as malas. Tem momentos os quais parece que seguirei os mesmos dias, meses e anos na minha cama, no meu quarto, na minha casa. É um sentimento agridoce, visto que penso no conforto material do qual desfruto atualmente misturado com a sensação de tremenda inércia invasora. Já compartilhei com pessoas caras a mim a minha impressão relativa ao meu ciclo aqui. Para mim, creio ter feito o que tinha para fazer e que qualquer insistência será simplesmente jogar sementes num terreno estéril, já gasto pelo bom uso. Preciso me despedir de muitas coisas, de algumas pessoas. Devo confessar, porém, a minha falta de paciência com as perguntas do tipo "já sabe onde vai ficar?" e afins - as quais indicam preocupação com relação a mim, mas que, de repetitivas, tornaram-se chatas -. Acho que sinto isso devido ao nervosismo. Ontem executei um dos últimos passos da mudança. Vamos ver como será colocar, de fato, o pé na estrada.

Ontem, também foi aniversário de uma pessoa cuja participação na minha vida trouxe mais luz. Meio atrasado, desejo a essa mocinha um FELIZ ANIVERSÁRIO! Para ela, fiz algo significador do seu valor para mim - apesar do pouco tempo de convivência -, eternizei meus sentimentos em relação a ela: Ode a Nara

Verei meus bons amigos logo. Espero ser um dia de muito amor e celebração à amizade. Espero me acalmar.