domingo, 19 de dezembro de 2010

Stillness

Domingo. Ultimamente, tenho pensado com frequência em "Criança de Domingo" - música de Chico Science & Nação Zumbi -, simplesmente porque, como ele mesmo canta, adoro o meu domingo.

Eu sempre tive uma relação diferenciada com o dia. Quando estava na escola, achava-o o máximo, pois era quando dava para assistir ao "Domingo Legal", principalmente nas edições em que algum artista de fama internacional (eufemismo para "mexicana") aparecia - ok, algo total anos 90 (leia-se Thalia e Chaves, por exemplo) -. Naqueles tempos, o domingo era especial porque eu esperava por alguma coisa divertida, em determinada hora do dia, que fazia o resto dele valer a pena.

Com o passar do tempo, sua conotação foi se aprimorando, então já não era mais "o dia de assistir a alguma coisa da tevê", mas um no qual ainda havia a possibilidade extremamente próxima do novo, do recomeço, ou seja, da segunda-feira, dia que o planeta é exigido de acordar.

Ainda nutro, hoje em dia, um sentimento diferente com relação ao domingo. Confesso que não é mais aquele pueril no qual a televisão era parte essencial do dia, tampouco o noviço, em que enxergava o Sol. Agora, o domingo é um momento meu cuja duração me serve para relaxar a cabeça das obrigações que preenchem a minha semana. Talvez seja uma indicação de que estou mudando, mas, sem dúvida, é uma oportunidade de observar que o tempo, lânguido, passa. No domingo, ele passa tão rápido...

AMO O MEU DOMINGO.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Rocket Man

E se à noite você visse nada além de postes e luzes de apartamentos acesos? E se começasse a se questionar sobre a vida, o que é a sua própria e o que você está fazendo dela realmente. Eu não sei como levar a vida, apenas tem dias em que me vejo de noite, num quarto, pensando sobre rotina, divagando sobre novas possibilidades, projetando para amanhã.

Hoje, ouvi uma música a qual, entre outros versos, trazia a pergunta "por que diabos isso significa tanto para mim?"; novos questionamentos brotaram como fios de cabelo que, quando da juventude, nascem, caem e voltam para cobrir a superfície. Algum dia, de repente, eles simplesmente param de crescer. Você está velho. Terá valido a pena arriscar além do fácil? Não entendo de jeito algum o valor das coisas, do quanto se dá e do quanto se recebe, menos por quê há alguém assim como eu, escrevendo um texto como este, esperando por conduções incríveis, ansiando por Caminhos. Eu ainda penso que há tanto por aí, que existe o mundo e existe o resumo. Hoje, também, vieram à minha cabeça sínteses. Aqueles recortes tacanhos que fazemos de algumas pessoas e elegemos como o ideal. "Quero ser como você!", "quero ter o que você tem", "não quero ter de ter o peso de uma vida própria". Três frases, um sentido. Como é possível perder a personalidade apenas numa troca de mensagens? Como é que se anula um ser humano num curto espaço de tempo?

Eu tenho visto exemplos de "sucesso". Daqueles que vão ao supermercado, compram o seu suco de caixa, dirigem seus carros e veem o Jornal Nacional. Isto é sofrível para mim, às vezes. Isto é o resumo. Parece que, no fundo, todos nós buscamos um resumo para chamar de nosso. É tão mais fácil o sossegado. Por outro lado, há os que balançam, sofrem e se questionam se seria a vida um simples apanhado selecionado cuja perpetuação se dá de acordo com a mão que o escreve, a que o reproduz e a que o consome. Será este chamado "mundo do consumo" um lugar perfeitamente encaixado a tal viés reducionista da natureza humana? ou será ela um molde num mundo cretinamente fugaz? Eu não sei se sou honestamente contra essa cultura, afinal é nela e dela que se vive (e que eu próprio vivo), que se produz, que se consome. Mas estou balançado. Até onde vai a hipocrisia? A que lugar chegará a minha? Tenho medo de perder a medida. Eu tenho tanto medo. Ainda. A estupidez não é geográfica, mas localizada, intimamente. Será possível exorcizar de todo os demônios que dão fogo à existência? Eu temo esse mundo pantomímico de maniqueísmos, no entanto sinto-me fraquejar diante dos bustos brilhantes. Estarei eu já sendo parte integrante dele?

Mais uma vez, fiz planejamentos com base em ontem. Fico agora a pensar até quando vou me basear no ontem... às vezes tenho vontade de correr por aí e fazer algo... e nem eu mesmo sei o quê. Por Deus! Eu não tenho descansado; eu tenho limitado a vida a projeções futuras de um futuro que se torna tão engessante por ser pré-moldado. Modelos, modelos, modelos! É nessas horas que me sinto totalmente imerso no chamado sistema. Bleh! E a transgressão? Eu desejo algumas vezes enlouquecer e correr sem direção, mas me preocupo se conseguirei ficar sem comprar o meu suco de caixa; contudo, ao mesmo tempo, acho-me o máximo por "boicotar" o Jornal Nacional. Penso no concurso que pode salvar a minha vida: ou em maneiras de facilitar a minha existência em graus elevadíssimos. Penso em como não dar atenção ao que está ardendo dentro de mim.

A esta hora, segundo o meu planejamento, eu deveria estar deitado, dormindo. Mas eu estou tão cansado que não consigo dormir. Sigo pensando se estou pegando o caminho inverso da Estrada. 

Eu não preciso que me digam que estou indo bem, que reproduzam que me entendem: não sei se alguém lê o que transmito. E seguimos fingindo todos. Mas até quando?

"And I think it's gonna be a long, long time
Till touch down brings me round again to find
I'm not the man they think I am at home
Oh, no, no, no
I'm a Rocket Man..."
 Elton John in Rocket Man

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Eu tenho um sonho

E eu segui o Vento. Meu Deus! Eu o fiz. Saí de perto de uma história, fui atrás de uma nova na qual eu poderia ser protagonista. Suspeitava que viria, mas foi estranho sentir o que vivi, tanta chuva, e frio, contato sutil com a escuridão. Mas fui adiante...

"Siga o seu sonho"." Escute o seu coração". Puros clichês? Duvido. Expressões como essas não vieram da brisa: alguém precisou tê-las dito, certa vez. Elas são impressionantemente concretas; saíram da vida, de uma vida, portanto, revelam-se, são verdadeiras. Sim. São realidade. O sonho está extremamente próximo da realidade. A frase é como luz para mim.

Experimentei uma espécie de (breve) período sabático em que saí do que era familiar a mim. Antes de estar onde estou, tinha dúvidas acerca de quem realmente eu era; agora estou certo de que não sei de fato quem eu sou. Vivo algo atípico: a distinção de estar disposto e preparado para me reconhecer, encarar-me da forma mais honesta possível. É chegada a oportunidade das palavras serem colocadas à prova. Saberei se é possível ser aquilo que penso e falo, porque ainda creio no amor e acredito absolutamente na poesia. É a vida para mim o mais sofisticado dos poemas, no qual passa-se tempos a fio na tentativa da descoberta do seu sentido; e os intelectuais representam e concretizam sua incipiência em infindas teorias (que também nada mais são do que sofisticadas tentativas de interpretação do excitante poema chamado vida). Era assim nas cavernas, era assim nas pirâmides, era assim nas colunas jônicas, era assim no vapor e nas revoluções, tem sido assim nas entrelinhas inexatas da fria tecnologia.

Eu volto agora à realidade. Faço deste o meu aviso para os que deixei para trás. Agradeço aos que me confortaram, abraçaram-me, choraram comigo, àqueles que ofereceram tratados de amizades através dum simples olhar, das diversas músicas que foram as suas presenças na minha existência. Eu me lembro. A esses, meus amores, eu ofereço a alegria e a satisfação de confirmar que ainda é possível sonhar: eu estou aqui, eu consegui, meus caríssimos: 

SOU MESTRANDO! 

A simplicidade nascendo nos riscos da confusão. Monet não faz sentido se visto de perto. Tudo começou de um sonho. Não, jamais se esqueçam: sonhos ainda são necessários. Ontem - mesmo dia do resultado da seleção de mestrado -, fez vinte anos de partida da voz que convocou-nos todos a imaginar. Na minha cabeça habita o depoimento daquele desconhecedor do medo de afirmar o sonho em tempos de dureza. Ouço a música e escuto a frase: meus combustíveis para caminhar. Eu não quis ficar, eu sofri, contudo senti estar no Caminho.  Eu ainda sofro, mas eu ainda tenho um sonho.

Parem. Peguem neste momento o broche, o objeto raro - para alguns irrelevante, para outros fora da moda -, segurem-no forte e leiam, talhada no seu verso, a inscrição "amizade". Eu lhes dei a cada  um o presente, pois recebi o mesmo de vocês. Que maravilha expressar: a gente é capaz de dar tanto amor quando existe o amor.

Eu amo tanto vocês. 

Obrigado pelas mãos.

Estou de volta, no Caminho. Na Estrada...