E eu segui o Vento. Meu Deus! Eu o fiz. Saí de perto de uma história, fui atrás de uma nova na qual eu poderia ser protagonista. Suspeitava que viria, mas foi estranho sentir o que vivi, tanta chuva, e frio, contato sutil com a escuridão. Mas fui adiante...
"Siga o seu sonho"." Escute o seu coração". Puros clichês? Duvido. Expressões como essas não vieram da brisa: alguém precisou tê-las dito, certa vez. Elas são impressionantemente concretas; saíram da vida, de uma vida, portanto, revelam-se, são verdadeiras. Sim. São realidade. O sonho está extremamente próximo da realidade. A frase é como luz para mim.
Experimentei uma espécie de (breve) período sabático em que saí do que era familiar a mim. Antes de estar onde estou, tinha dúvidas acerca de quem realmente eu era; agora estou certo de que não sei de fato quem eu sou. Vivo algo atípico: a distinção de estar disposto e preparado para me reconhecer, encarar-me da forma mais honesta possível. É chegada a oportunidade das palavras serem colocadas à prova. Saberei se é possível ser aquilo que penso e falo, porque ainda creio no amor e acredito absolutamente na poesia. É a vida para mim o mais sofisticado dos poemas, no qual passa-se tempos a fio na tentativa da descoberta do seu sentido; e os intelectuais representam e concretizam sua incipiência em infindas teorias (que também nada mais são do que sofisticadas tentativas de interpretação do excitante poema chamado vida). Era assim nas cavernas, era assim nas pirâmides, era assim nas colunas jônicas, era assim no vapor e nas revoluções, tem sido assim nas entrelinhas inexatas da fria tecnologia.
Eu volto agora à realidade. Faço deste o meu aviso para os que deixei para trás. Agradeço aos que me confortaram, abraçaram-me, choraram comigo, àqueles que ofereceram tratados de amizades através dum simples olhar, das diversas músicas que foram as suas presenças na minha existência. Eu me lembro. A esses, meus amores, eu ofereço a alegria e a satisfação de confirmar que ainda é possível sonhar: eu estou aqui, eu consegui, meus caríssimos:
SOU MESTRANDO!
A simplicidade nascendo nos riscos da confusão. Monet não faz sentido se visto de perto. Tudo começou de um sonho. Não, jamais se esqueçam: sonhos ainda são necessários. Ontem - mesmo dia do resultado da seleção de mestrado -, fez vinte anos de partida da voz que convocou-nos todos a imaginar. Na minha cabeça habita o depoimento daquele desconhecedor do medo de afirmar o sonho em tempos de dureza. Ouço a música e escuto a frase: meus combustíveis para caminhar. Eu não quis ficar, eu sofri, contudo senti estar no Caminho. Eu ainda sofro, mas eu ainda tenho um sonho.
Parem. Peguem neste momento o broche, o objeto raro - para alguns irrelevante, para outros fora da moda -, segurem-no forte e leiam, talhada no seu verso, a inscrição "amizade". Eu lhes dei a cada um o presente, pois recebi o mesmo de vocês. Que maravilha expressar: a gente é capaz de dar tanto amor quando existe o amor.
Eu amo tanto vocês.
Obrigado pelas mãos.
Estou de volta, no Caminho. Na Estrada...