quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Nova temporada

Pois bem, é a última semana em Aracaju. Até aqui, já encontrei as pessoas da minha vida; saímos, conversamos, rimos, enfim, reencontramo-nos em vários sentidos. Tudo o que aconteceu me fez perceber o quanto sou afortunado por ter gente essencial do meu lado. Claro que observei também como o tempo passa e as coisas mudam: as pessoas, os papos, enfim, todos estamos diferentes. Ainda sigo com aquela mania minha de sempre me comparar, querer estar melhor do que estou, no entanto essas questões me fazem pensar o quanto é forte para mim vir e estar em Aracaju, pois aqui fico mais reflexivo, o que me torna mais desejoso de avançar. Definitivamente, este é o lugar que eu amo estar, as pessoas daqui são tão familiares a mim. Apesar da percepção de estar criando visões idealizadas da capital - que continua com problemas e até outros mais -, eu adoro estar aqui, andar de bicicleta, ver a gente passando, as crianças se arriscando e ouvindo o grito das mães - hahahaha! -, em um fluxo de gente lutadora. Esse cenário a alguém que, como eu, está longe do seu círculo parece o lugar mais formidável e perfeito para criar raízes. 

Meus amigos que me veem e me admiram - e que recebem de mim o mesmo em retorno - estão aqui. Eu tenho bons amigos. Eles são diferentes entre si, mas trazem essa coisa que não se explica dos que vivem aqui, que trazemos traços fortes dos pais de um modo mais tradicional de ver as coisas, mas, ao mesmo tempo, aberto ao novo. Eu mesmo sou assim, mesmo criticando e lutando contra aspectos retrógrados que encontram ninho nessa minha terra, dada a tradição aqui ser muito forte. É um aspecto agridoce de viver na linda Aracaju.

Toda essa história é para tocar no assunto do que venho chamando de 'última temporada' do mestrado. Quando voltar a Brasília, tenho de fechar a dissertação e tentar fazer isso antes de outubro. Sim, infelizmente, terei de me focar em prazos. Estou algo contente porque, finalmente, tenho um projeto de vida calculado na minha cabeça e motivador de ações. É muito bom porque agora terei de batalhar com um objetivo em mente, o que ajuda bastante a traçar esquemas e assumir riscos. Eu tenho me visto como alguém esforçado, entretanto é necessário que eu faça mais nesse sentido para conseguir as coisas. A despeito da minha característica de pessimista, noto que acredito nesses planos e, mais importante, acredito em mim. Acredito sim. Agora está registrado. 

Hoje é quarta-feira e não sairei de manhã, portanto adiantarei coisas do meu texto e demais obrigações. Trabalharei nisso com atenção, mas não quero ficar louco: não deixarei de viver e aproveitar a minha vida e os meus amigos para 'capitalizar'. Confio em mim e sei acredito que as coisas acontecem no tempo que têm de acontecer. Não é para ser preguiçoso, mas também não vou deixar de sair e ver o céu para escrever feito um descontrolado. O tempo passa rápido e, assim, vem o verso: "Então é Natal, e o que você fez?" - hahahaha! São coisas assim que preciso conciliar para ser bem sucedido no que intento. No momento, eu não estou em um patamar que considero desejável, mas tendo em vista o meu projeto, entrarei nele e conseguirei. Eu conseguirei tudo o que eu quero. 

Enfim, agora irei trabalhar, organizar as minhas pendências. Estou indo rumo a uma nova temporada. Vai bombar!

sábado, 18 de agosto de 2012

Em curso

Era para eu sair e desfilar novas roupas. Não deu. Era para eu ter feito um poema. Não aconteceu. Era para eu deitar e fazer nada. Sonho. Há quase duas semanas eu estou em Aracaju e a maior parte das coisas que pensei não estão acontecendo. Enfim, pensando, agora, para escrever, não é totalmente ruim; ainda atribuo coisas assim às direções que a minha vida tomou e tem tomado. O cenário de hoje é reflexo das consequências das minhas decisões prévias, as quais foram tomadas meio cientes de que coisas poderiam se tornar outras. Que muito poderia se tornar outro.

Acontece que, desde os últimos nove dias em Salvador e anteriores à minha chegada a Aracaju, o foco da minha atenção tem sido pensar maneiras de fechar a minha dissertação porque tem outras coisas a caminho. Eu não quero me enrolar, mas... (E também não quero falar desse assunto... Não agora) Acontece que vim aqui escrever porque não queria (daquele querer de quem responde a pergunta "e aí?") ir embora; não fico nada legal bem quando a minha mãe indiretamente diz que sente a minha falta, que se sente sozinha. Minha mãe é parecidíssima comigo (hahaha! engraçado isso, pois ela veio primeiro), se faz de ultra forte, mas às vezes se trai pela linguagem diante dos seu filho linguista. Eu fico só observando, imaginando um tempo em que resgatarei a minha rainha desse mundo de dragões e demônios porque ela parece, com o seu sorriso modesto, ansiar por isso. E eu sei que empreenderei forças para fazê-lo.

Consegui cair doente aqui em casa (acho que por ter comido algo pesado demais ou em excesso). Eu fiquei um dia de cama aqui em casa. Foi bem complicado, o sábado inteiro com náusea e dor de barriga. A minha mãe foi quem esteve do meu lado mesmo. Chamei, chamei e ninguém esteve perto de mim, mas ela sim, e me abraçou e ficou aflita comigo, e eu me senti amparado, sem medo de estar vulnerável. Só por ela. Por isso me dói tanto a separação, pois só com ela me sinto forte para me mostrar fraco. E nós nos entendemos tanto: ela fica falando coisas que não tem liberdade com o meu pai e a minha irmã, e, então, nós rimos. Adoramos sair para passear, fazer compras, construir planos futuros em relação à nossa casa. Ela me escuta e eu escuto ela. Nós nos escutamos. E eu quero cuidar tanto dela porque ela sempre cuida de mim. Eu a amo tanto, tanto. Acho que Deus dá a cada um a sua companhia para cruzar determinados caminhos da Estrada, ela tem sido a minha. 

A próxima semana será a última dessa temporada aqui em Aracaju. Voltarei a Brasília para o que venho chamando de 'última temporada' da minha aventura que começou em 2010. Conversando com uma grande amiga, discuti sobre isso de as coisas desenharem novas linhas; as atuais me levam a assentar um pouco e colocar para dormir o espírito que quer fazer 'tudo agora neste momento já'. Vejo que preciso ir adiante e sedimentar a segunda parte da trajetória que pensei para mim. Parece ser chegada a hora de o menino ir definitivamente dormir porque o homem precisa empreender força para a construção da sua fortaleza. Será essa a minha razão nessa última temporada. Sei que, até aqui, conto com as pessoas certas, as pessoas que contam na minha vida, que estão nos meus planos e que estarão comigo, convidadas a visitar a minha fortaleza feita de base firme. 

Ontem, eu saí com a minha irmã e alguns amigos. Como as coisas mudam. Tudo diferente e eu pensando em mim nesse mundo que não para e me dá mostras de que eu também tenho de manter o passo. Um doce desespero. 

A minha mãe, os meus amigos, a minha família, a minha casa, a minha terra, ou seja, o meu Deus que é o conjunto de pontos de luz que orienta e me dará sempre a paz de respirar e olhar em volta.

sábado, 21 de julho de 2012

Adoro

Mais um sábado. Eu adoro. Hehehehehe! Comecei o meu de hoje bem: ouvindo Frozen, I Guess that's Why they Call it the Blues e Danny Boy. Super. (Começou a tocar Warning Sign...) Espero que hoje será um daqueles sábados só feitos para mim, ou seja, quando não preciso sair, perder noite etc. Ai - pode soar blasé, mas -, isso tem me cansado... Hoje eu quero ficar em casa, ouvir, talvez, Fausto, talvez, Orpheu, ou, dependendo do meu humor, O Barbeiro de Sevilha. Não sei. Não sei. Não sei. E eu adoro. Adoro essa sensação de que não há propósitos fixos para o dia,  que o tempo está congelado e simplesmente dependente do que eu queira fazer. É esquisito; é gostoso; é a minha vida hoje, agora.

Esta semana foi bem cheia. Eu comecei coisas e terminei outras. Eu briguei. Eu fiz as pazes. Tive boas surpresas e o saldo foi positivo. Uma das coisas que mais me deixou - não sei se - contente (talvez, mais aliviado) foi ter iniciado a finalização de parte da minha dissertação. Sei que isso provavelmente corresponda a um quinto de todo o trabalho, mas, de qualquer forma, já é uma etapa em vias de finalização. Quero agora me deter completamente à conclusão do texto da pesquisa. Tem o lance do doutorado também. É uma coisa que evito ficar pensando constantemente, mas que, por isso mesmo, tem estado na minha cabeça, no meu cotidiano, sempre trazido pela boca de pessoas e por conseguinte reinstalado na minha mente. Eu, que já sou bem paranoico com certas (ou muitas) coisas, querendo não me desgastar com velhos demônios: P-I-A-D-A. O fato é que prefiro não pensar - quando me dou conta de que estou começando a fazê-lo -, pois tenho coisas para fazer atualmente, e bastantes, por sinal. Desse modo, a lógica se mostra diante de mim  erguendo em seu estandarte um "vamos fazer bem feito o que temos NO MOMENTO". Eu adoro. Adoro quando as coisas se acertam e seguem harmoniosas rumo a uma conclusão. Sei, uma piada, e bem perigosa. Eu tenho, assim, que aprender a rir mais dessa 'piada', senão vou me foder bonito. Engraçado. È strano! È strano!

Outra coisa da semana digna de registro foi uma briga boba que tive aqui em casa. Eu não discuti nem nada, mas foi aquela coisa psicológica, guerra fria total, uma coisa que, basbaque, percebo ter herdado da minha mãe. Dela. Incrível como eu sou a minha mãe. Eu sou a minha mãe. Engraçado. Em dado momento, quando da reconciliação com o amigo, percebi em mim a reapresentação de uma cena comum entre eu a minha mãe e a minha irmã nos tempos de nossa primeira juventude. Isso me faz pensar no início da música Grey Gardens: "It's very difficult to keep the line between the past and the present...". Strano! Precisei estar longe, ou melhor, de fora para perceber o quanto sou parecido com a minha mãe. Isso me apavorou de alguma forma, pois eram justamente coisas que eu censurava intimamente, uma vez dentro de casa, observando as coisas todas à minha volta. Só sei que isso foi uma espécie de ápice de psiquismo, o qual vinha sendo ativado desde a semana retrasada, quando participei de certo final de semana de proposta poética, lírica, de transformação - agora penso -, whatever.

Olhos d'Água em Enguiço [julho de 2012]

Eu aprecio a ideia da mudança, da tal transformação; desse modo, aceitei; fui crente ao sarau metamórfico. Uma decepção para mim. Foi tudo e exatamente o que se espera de um sarau convencional (não suporto essa palavra, registre-se): pessoas bebendo vinho, comportadas nas leituras de seus textos selecionados, à beira de uma fogueira parruda, com músicas algo comuns, em uma noite apropriada, na qual todos nos incensávamos uns aos outros pelas escolhas literárias. Aff! Eu me senti tão no mundo, com as suas costumeiras convenções e regras. Eu me senti na semana. Foi a reafirmação da praxe. Não gostei disso.  E quanto ao meu plano mais secreto de fuga? Silêncio. Ando em uma vibe, nesta fase da minha vida, de querer aproveitar todo e qualquer tempo, assim, ter contato com momentos aos quais - aqui, sendo político - eu já tenho alguma familiaridade, ou que são, de algum modo, previsíveis, tem me interessado pouquíssimo. Para falar a verdade, se houver a possibilidade de arbítrio, não os quero mais. Eu fico cismando sobre coisas do tipo 'pensar sobre é mais fácil do que agir', a repousar no maravilhoso campo das ideias. Depois me absolvo. Eu me absolvo tanto porque me acuso muito. A bem da verdade, tenho tentado me absolver mais, sabe. Creio estar caindo na técnica. É necessária a paz. Sobre pensamentos e idealismos, vejo com alguma constância casos de pessoas que 'agiram' e não pensaram nas ações que desempenhavam e acabaram por se perder dentro da engrenagem. Idealistas, a nós eu escreveria outro texto, mas a ação orienta ao processo de ver como posso adequar pensamentos e ações dentro dessa engrenagem. Pelo menos, nisso eu posso considerar escolher o que fazer, quando fazer e com quem fazer. Liberdade - lindo, lindo conceito. Mas, no sarau, nem tudo foi frustração, claro, pois, mais uma vez, a música me salvou. Tive contato com LP's incríveis, revivi uma fase de vida ora rarefeita. Foi bom, foi muito bom, aliás. Adorei.

Daqui a pouco irei tomar banho. Isso para me dar coragem para fazer as malas. Felicidade - linda, linda palavra. Voltarei à minha doce e quente Aracaju. Que saudade da minha casa, da minha mãe e da minha irmã. Da minha família. Quero muito vê-los, porém, antes, terei uma estada de oito dias em Salvador, meio a trabalho e meio de férias. No entanto a cereja do bolo é a minha casa, a minha terra, os meus amigos. Como estou inspirado. Eu adoro.