quinta-feira, 31 de março de 2011

Pergunta e Resposta (ou "Prosa Poética")

[Beta, leia ouvindo isto aqui...]

Aí a gente pensa: "Como não fazer algo que já foi feito?" ou, ainda, "desta vez tem de ser diferente, melhor!"; e pensa, pensa, pensa. De repente, eu estou triste, falando de perdas, isolando-me do lado vibrante do mundo, quando, no mesmo instante do súbito, o telefone toca e alguém diz: "Congratulations!"

Meu Deus! Quem seria capaz de fazer isso? De me ligar à noite e, do nada, fazer um riso sair de mim? De jogar água na cara de um canastrão dramático e provocar risadas de todos aqueles seres que o compõem, inclusive do que teve a maquiagem desfeita? Quem tem o poder de fazer a noite fria deixar de ser noite, deixar de ser fria, deixar de ser algo relevante? Quem? Quem? Quem?


Beeeeeeeeeeeta!

Engraçado, como eu me peguei comparando algumas coisas e, agora, pensando, constato que estamos entrando no quarto ano de amizade. O quinto tem de ter festa! Talvez em Salvador, pois Beta, além de tudo, de ser o meu tremelique em contorno de gente, diz-se baiana, mas de alma, de uma outra vida. E a danadinha é baiana da que "mexe, remexe, dá nó nas cadeiras", não fica parada; Dayne é uma baiana falsa, mas não a "falsa baiana". A minha Distant Dreamer aracajuana mais linda do universo e do Orlando Dantas. 


Mas quem é Roberta Dayne? Ah! Ela é a menina-moça que faz aniversário hoje. Ponto. Não quero que saibam mais nada dela. Afinal, quem já viu, ir assim falando aos quatro ventos de tesouros? E se vier alguém e for pego por ela... Xiii! Não quero isso. Não, não! Vou guardá-la como Emília fazia com a sua canastrinha.

Beta, hoje é o seu dia. Mais um aniversário junto de você, mas, desta vez, longe. Geografias. Mas o nosso lance é Letras: foi através dela, e delas, que nos encontramos ontem, para vivermos o sempre. Pesemos a nossa relação. Vejamos o quanto de raro que ela encerra. Quantos cultivam o amor dessa sorte através das palavras? Quantos se abraçam sem sentir acanhamento? Quantos se olham nos olhos e confiam aquele choro de apertar o coração, aquela confissão de dar dor-de-cabeça? Quantos têm a oportunidade de se ligar pela música ou por uma poesia exclusiva? Quantos têm isso que nós temos, minha amiga? Quer saber? Nem importa tanto assim. Vamos falar mais baixo, aliás, né?!

Beta, eu estou agora conversando com você. Falando essas palavras para você. Eu estou aí, neste momento. Enviei um vigilante ("Don Dieguito, desde Argentina, a seu dispor", sinaliza ele enquanto você dorme, em ligações de sonho, sem DDD, para mim) para tomar conta dessa minha Flor, que veio para mim para eu cuidar. 


Bem, acho que este é mais uma declaração de amor a você. Porque Beta não merece menos do que isso. Porque junto de Beta eu consigo conciliar o passado com o presente e uni-los ao futuro. Isso é tão difícil, comigo então: o tempo é um conflito intenso, como irmãos que rivalizam por uma herança. Beta harmoniza-os, acalma esses rapazes tão diferentes. Ela me acalma. Ela me faz rir e me faz chorar. E choro de uma alegria que me aperta o coração, porque sou um medroso, porque duvido tanto da felicidade, porque talvez ache que não mereça ser feliz. Aí vem Betinha, liga para mim e me faz ser o que tanto temo: feliz, ainda que por uns momentos. Em poucos minutos estamos ligados a outro mundo, mais maravilhoso que o dos Na'vi, de James Cameron. Novas perguntas surgem... Será que somos assim por sermos iguais? Que as diferenças dos sexos nos igualam? Biologias. Ah! Já disse, o nosso negócio é Letras. O nosso curso, a lição de vida que aprendi com você e essa sua beleza, que ineficazmente tentei representar nos textos louvatórios. Nos momentos em que você foi a esperança numa das minhas guerra civis. A resposta.

"Eu, leve, agradeço pelo nosso aniversário
O Criador trouxe Bito um dia antes
Só para esperar Beta vir lhe mostrar o Sol brilhante
Qual o que clarea esta manhã de 31 de março"

"Beta [de Bito]", Bito 


Sim. Estamos juntos. Eu acredito tanto em você... 

Parabéns, minha Beta!

Eu sou seu amigo. Obrigado por isso.

[e agora isto aqui]

quarta-feira, 30 de março de 2011

O primeiro dia do resto da minha vida

"Eu vou guardar cada lugar teu, ancorado em cada lugar meu."
Mafalda Veiga

25 anos. Um quarto de século. Uma vida. Tantas músicas. Eu, neste momento, estou ouvindo uma canção, um hino da minha vida, chamada "Cada lugar teu". Num dos versos, há a frase: "nesse lugar mais dentro, onde só chega quem não tem medo de naufragar". Hoje, vou falar mais ou menos sobre isso, sobre o medo de naufragar, sobre as pressões e sobre uma injusta, mas supostamente necessária, admoestação.


O 30 de março de hoje talvez seja um dos mais esquisitos vividos por mim até aqui. Tem toda aquela história que já está cansando de ser tão contada, que talvez entre para um dos relatos que direcionarei (se vir a dizer) a uma pessoa mais jovem, necessitada de conselhos, buscando alguma mudança. Acontece que o meu medo de naufragar permanece nesses 25 anos e estar fisicamente só me mostra o quanto sou refém dele. Queria muito dar um relato animado sobre alguma coisa muito empolgante, mas, no momento, não estou passando por uma situação muito fácil, que não sei explicar, mas que vai na direção da solidão. Talvez seja o meu velho conhecido medo que, como uma hidra, mostra diferentes cabeças, ou uma medusa, de quem fujo para não ser petrificado.

Esses pensamentos não são bons. Eu sei. Já houve um tempo em que encontrava certo charme em tê-los comigo, pois funcionavam como esterco para belas flores nascerem. Assim surgiram as homenagens e as poesias tão frequentes no ano passado a pessoas tão queridas, fomentadoras do doce exercício de amar. Essas honras eram uma espécie de grito de alguém cuja tristeza era combatida a todo tempo, mas numa boa batalha, com o uso de palavras, das belas e representativas e mais nobres encontradas.

Sinto, pesarosamente, que com os 24 foram também a minha leveza e o mais belo das minhas utopias; que aquele menino já não pode mais tomar conta da sala principal e deve contentar-se à sua área de brincar ou, mais frequentemente, ao seu quarto. É triste. Eu estou triste porque hoje, aos 25, tenho de condicionar (um eufemismo para "obrigar") o menino a anular, a sua espontaneidade, credulidade, ingenuidade, seu ser sonhador. Numa das minhas últimas postagens eu falei de sonho. Enfim, ali ainda pulava o menino. A minha tristeza se dá pelo fato de eu ter de colocá-lo de castigo por todo o bem que suas ações intencionam, por cometer uma injustiça. É injusto. No entanto, aos 25, percebo que o mundo é tão injusto. Ele não dá espaço ao meu menino, e nós nos machucamos, ambos. Noutra música, ouvi uma frase mais ou menos assim: "Pinóquio, agora um garoto, quer voltar a ser um boneco". Talvez seja isso. Talvez este aqui seja mais um protesto do menino. Mas voltar é impossível.    

Ele, mesmo assim, jamais morrerá. Eu cuidarei dele, tentarei alimentá-lo com o melhor que houver. O problema, porém, é o seu choro, a sua insistência em ser o centro das atenções, a sua forma pueril e intransigente de encarar o mundo. Ele não obedece a ordens, e eu não acredito em agressão física. Então, estamos contando areia. O que fazer? Ninguém, absolutamente ninguém, além de mim pode dizer. E eu não sei o que fazer, como uma criança, estou desnorteado. Não quero, não vou me entregar. Não posso desabar diante de mim, do meu menino, pois ele ainda é a coisa mais cara que há aqui dentro, o que me salva da morte, o que me dá arroubos de juventude e capacidade. Um dia ele sairá desse castigo. Enquanto isso, eu vou lutando para não cair. Eu não vou cair. Sou forte: sou um menino-homem ou talvez, ainda, um menino-homem-menino.

É, sem dúvida, mais um começo. Como Alice, encontrando, abrindo, fechando e indo atrás de novas portas.

Tá valendo!

domingo, 27 de março de 2011

Um amor puro (e a força que tem)

Mais um domingo. E eu estou aqui sem muita coragem de fazer muita coisa. Talvez melhore amanhã, que é dia de trabalho intelectual, de fato. O domingo de hoje foi, abençoadamente, comum. Lavei roupas e conversei com a minha mãe. Hoje eu a ensinei a operar o controle remoto da TV a cabo, tudo pelo Skype. Minha mãe usando Skype. É uma gracinha a minha mãe. 

Sabe, eu fico pensando - ainda que morrendo de medo de cair no clichê -, a minha mãe é a coisa mais rica que tenho. Acho que é porque nós somos bem parecidos: geralmente estamos sozinhos e precisando conversar sobre qualquer coisa com alguém, mas sem jamais admitir o fato. Enquanto eu tento entender algumas coisas que se passam, observo outras como ditados "uma mação não cai muito longe do pé". Eu e minha mãe somos two of a kind - hehehe! -. Sei lá, só sei que, num dos momentos mais importantes da minha vida, é a minha mãe quem me dá mais força, que está comigo. Eu já testei: não há "amigos", tampouco outros parentes que façam o que ela faz por mim. A maneira como acredita em mim, como disfarça a voz embargada, ou vira o rosto para que não a veja chorar, traz-me muita emoção.

É por esse motivo que quando tenho rompantes de sair pelo mundo, louco, penso nela. A minha mãe se mostrou a coisa mais importante na minha vida. Talvez um dos motivos pelos quais ainda vale lutar. Isso me emociona, mas me dá medo também. Esses lances de a família estragar as coisas e as pessoas - como muitos professam por aí - não funciona comigo. Ela tem sido a minha família, e essa família tem sido tudo para mim.

É incrível quando você pensa que não tem nada a perder; momentos em que se imagina sozinho no mundo, daí então um ser sem-igual desponta e preenche o vazio. E "puf"! A pessoa não está por sua própria conta: tem alguém por quem se sentir responsável. É coisa de Deus. Eu tenho tanto medo disso, mas só posso seguir vivendo, respondendo da melhor forma àquela que me dá tudo e que é capaz de tanto por mim. Eu reconheço e queria fazer mais do que julgo possível para dar-lhe tudo o que a faria completa e satisfeita. Mas, infelizmente, eu ainda não tenho poder para tal coisa.

Esta postagem brotou. Não era direcionada a minha mãe. Estou em frente ao computador, pensando em como seria legal se as horas congelassem um pouco. Queria ficar nesse momento parturiente de palavras e emoções. Mas as horas avançam. Elas simplesmente não param, a vida segue e tenho que ir junto com ela, observando o tempo indelével arrancar a cor de cabelos, pressionar faces contra o chão, demarcado nas constatações de vida, das crianças nascendo e crescendo. É melancólico, sou eu. Mas este é um texto de amor. Do amor mais puro. E o tempo, como todo rei, coloca-se acima da justiça dos súditos.